All Chapters of O Contrato - Regazza: Chapter 251
- Chapter 260
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Capítulo 252
Imperfeita Para O Mafioso - Valentina KuhnA melhor coisa que eu poderia fazer por mim mesma era fingir que Daniel Luzhin não existia. Isso mesmo. Fingir que ele era só uma ilusão, um borrão irrelevante no fundo da minha mente. Uma falha na Matrix. Um detalhe sem importância.O problema? Ele existia. E muito.E, para piorar, existia perto demais.Irina tinha finalmente me ajudado a escolher um bom vestido e quando eu estava me sentindo razoavelmente bem, ali estava ele, no salão, bem diante de mim. Alto, postura impecável, aquele maldito rosto bonito que me dava raiva só de olhar. Ele estava sério, como sempre, analisando tudo ao redor como se fosse o dono do mundo. Ou pior, como se ele tivesse algum direito sobre mim.Respirei fundo e virei de costas. Eu não ia dar a ele o gosto de saber que sua presença me incomodava. Não hoje. Não nesse evento em que tudo que eu queria era me divertir e esquecer que aquele homem existia.Me misturei entre os convidados, tentei ignorá-lo, mas pareci
Capítulo 253
Imperfeita Para O Mafioso - Valentina KuhnEu não sentia os pés. Ou o tempo. Ou o ar que passava pelos meus pulmões de forma rasa, como se estivesse tentando não deixar nenhuma marca visível da merda em que eu tinha me enfiado.A porta ainda estava entreaberta.Mas o que estava escancarado mesmo era o som do que tinha acabado de acontecer. A respiração presa. O calor. O toque. O gosto.Daniel Luzhin.Eu queria esquecer. Apagar. Deletar aquilo da minha pele, da minha boca, do meu corpo que ainda tremia com a lembrança maldita do que quase tinha sido — ou pior, do que eu queria que tivesse sido. Ele era o perigo encarnado, e eu? A idiota que sempre teve um gosto péssimo pra tudo que não devia nem tocar.Mas o que me assustava de verdade não era isso.O que me assustou foi o fato de Irina — que até agora só tinha me tratado de forma gentil — ter me mandado embora de um jeito tão gélido, tão… autoritário.Porque eu preferia gritos do que silêncio. Eu sabia lidar com raiva, com escândalo,
Capítulo 254
Imperfeita Para O Mafioso - Daniel LuzhinEstava tudo errado.Era como se o universo tivesse decidido colapsar naquele dia específico, só pra me lembrar de que, mesmo quando você carrega o nome mais poderoso da cidade, ainda assim pode acabar coberto de merda.A reunião com o conselho administrativo foi um fiasco. Não porque eu não soubesse o que estava acontecendo. Eu sabia. O problema era exatamente esse. Sabia demais.Sabia que as planilhas estavam uma zona. Sabia que o investimento que eu aprovei em silêncio tinha dado retorno negativo e que os velhos estavam prontos pra me crucificar. Sabia que algumas decisões impensadas — ou melhor, negligenciadas — estavam corroendo a base do que meu pai levou décadas para construir.O mais irônico?Eu tinha tentado arrumar. Nos últimos meses, virei noites tentando puxar de volta os cacos das minhas escolhas. Reestruturei equipes, cortei custos, fiz alianças comerciais que beiravam o desespero. Mas existem coisas que, depois que são quebradas,
Capítulo 255
Imperfeita Para O Mafioso - Daniel LuzhinEla estava tremendo. E não era de frio. Era da porra do caos que a gente não consegue mais controlar quando tá perto demais. Eu sabia que ela estava brava, que eu tinha falado a coisa errada. Mesmo assim, eu insisti.— Valentina...— NÃO! — ela rosnou, me encarando. — Vai embora! Você mesmo disse! Eu sou imperfeita pra você, não é? Eu sou a porra da garota imperfeita pro chefão da máfia russa, então que se foda! Some daqui! Desaparece da minha frente!Valentina gritou. Me mandou embora. A voz dela parecia uma faca, cortando tudo: meu juízo, meu autocontrole, minha capacidade de fazer o que qualquer homem decente faria.Mas eu? Nunca fui decente.— ENTÃO VÁ EMBORA! — ela gritou mais uma vez, os olhos brilhando com raiva e algo que parecia muito com… mágoa. Só que eu fiquei.— Não! — A palavra saiu de mim num estouro. Dei um passo e agarrei o braço dela, não com força, mas com desespero.Ela me encarou como se fosse cuspir tudo na minha cara — o
Capítulo 256
Imperfeita Para O Mafioso - Irina LuzhinEu sabia que o caos viria.A diferença é que, ao contrário do resto daquela sala cheia de bocas abertas e olhos arregalados, eu já esperava por ele, eu já esperava que Daniel fizesse alguma merda.Evie gritando no meio do hall, os seguranças perdidos, Ivan com o passado estourando na cara e Daniel… meu irmão parado, com a expressão de quem acabou de levar um tiro entre os olhos.A única coisa que me surpreendeu foi a velocidade. Eu achei que teria mais tempo. Uns dias, talvez. Mas não. O destino gostava de drama e parecia querer foder de vez a minha vida, escancarando os erros do meu irmão idiota, na cara da sua noiva.Assim que tudo silenciou, peguei Daniel pelo braço.— Agora. Escritório.— Irina, eu…— Anda, Daniel. Antes que a Jude desça com uma faca ou o papai mande cavar um buraco no jardim — rosnei já sem paciência alguma e implorando aos céus que Pietro fizesse algo enquanto eu estivesse fora, que ele desse um jeito de contornar aquela
Capítulo 257
Imperfeita Para O Mafioso - JudeEssa casa tinha um cheiro esquisito. Não falava do perfume de madeira cara, nem da parafernália de flores exóticas que Irina insistia em enfiar em todos os cantos como uma lembrança constante da mãe morta.Falava do cheiro do que não era dito, um cheiro que facilmente você encontraria escondido em um esgoto. Do silêncio espesso. Do rancor engarrafado em olhares atravessados. Do passado que insistia em andar pelos corredores, mesmo quando todos fingiam que ele morreu.A tal da Evie que agora era oficialmente parte da família não deixou o clima melhor. Bastarda reconhecida, herdeira legitimada por um papel de laboratório e um "bem-vinda" engasgado do Ivan, que parecia embaraçado não com a situação, mas com o próprio passado mal escrito.Mas isso não me incomodava sinceramente, não.Se ela fosse só isso — mais uma filha fora de hora —, que mal faria? A árvore genealógica dos Luzhin parecia uma teia de aranha feita à base de esperma espalhado e convenções
Capítulo 258
Imperfeita Para O Mafioso - EvieAndar pelos corredores daquela mansão parecia diferente agora. Como se cada quadro na parede estivesse me julgando. Como se o chão ficasse mais pesado a cada passo. Como se o ar cheirasse a podridão e promessas quebradas.Eu saí daquele quarto furiosa, mas não chorei, pois chorar seria dar a eles mais uma vitória, e eu já tinha perdido demais.Meu corpo tremia, mas de raiva, o maxilar travado, os olhos ardendo, cada fibra dentro de mim gritava para destruir alguma coisa — ou alguém.Passei reto pelos cômodos escuros, pelos quadros dos mortos que sorriam em preto e branco nas molduras douradas, e fingi que não via e que era só o calor subindo do chão, não o inferno abrindo sob meus pés.Cheguei na ala leste, ninguém nunca vinha ali a essa hora, isso era ótimo.Abri a porta sem bater, Marcus estava lá, sem ser notado, apenas mais um entre os tantos homens dos Luzhin, mais um entre tantos os peões que eles usavam. Mas ele era diferente, o meu irmão, meu c
Capítulo 259
Imperfeita Para O Mafioso - JudeTem gente que fingia ser santa. Tem gente que fingia ser forte. Eu? Eu não fingia nada.Quando vi da janela aquele beijo — aquele beijo sujo, imundo —, alguma coisa dentro de mim quebrou de vez. Estava no escritório, revisando alguns papéis inúteis que Átila tinha jogado na minha mão, quando me levantei pra esticar as pernas. Olhei pela janela, sem nem pensar.E lá estavam eles, Valentina e Daniel, no jardim, como dois adolescentes estúpidos, como se nada no mundo importasse além da vontade que eles nunca tiveram coragem de enterrar.Fechei a cortina com tanta força que o varão quase caiu, meu sangue fervia e minha visão turvou por um segundo, não era só ciúme ou apenas orgulho, era ódio.Puro, frio e letal.O anel no meu dedo é o degrau que eu vou usar pra subir ainda mais alto, e essa vadiazinha acha que pode roubar isso de mim?Não, nunca.Peguei o celular no bolso e disquei o número de uma velha conhecida. Uma mulher que deve mais favores à família
Capítulo 260
Imperfeita Para O Mafioso - ÁtilaAs batidas na porta vieram secas, rápidas. Três toques, como quem já sabia que ia ser atendido. Levantei os olhos da papelada espalhada na mesa. Não estava esperando ninguém. Destranquei a porta e, quando abri, dei de cara com ela. Evie. O rosto dela era uma tempestade. Olhos duros, lábios tensos, o corpo inteiro vibrando de ódio.— Posso entrar? — ela perguntou, a voz afiada. — Sei que vocês querem a cabeça dos Luzhin e eu posso dar isso a vocês.Só fiz que sim com a cabeça. Ela entrou como um raio, sem hesitar, sem olhar pros lados. Fechei a porta atrás dela, trancando de novo. Tinha coisa grande vindo, mas eu já esperava depois dos Luzhin terem a ousadia de humilhar minha filha e desfazer o noivado, da forma como ocorreu.Evie andou até o centro do escritório e largou um monte de papéis em cima da minha mesa, fotos, anotações e mapas riscados.— Eles me ferraram — ela disse, a voz carregada de veneno. — E agora... agora é a vez deles.Olhei pra bag
Capítulo 261
Imperfeita Para O Mafioso - Valentina KuhnDepois de toda aquela bagunça no hospital e na minha vida, Daniel resolveu que me levar para a mansão da família Luzhin não era a melhor decisão. Então, o que restava era ir a um lugar distante, distante o suficiente para que Jude e Átila não retalhassem, ao menos, não antes que Irina pudesse agir. E agora, o cheiro de madeira era a primeira coisa que eu sentia assim que abria a porta da cabana. Era diferente de tudo que eu estava acostumada... quente, acolhedor. Nada a ver com os corredores frios do hospital ou com as mansões cheias de mármore onde eu sempre me sentia uma intrusa.Daniel passou o braço pelas minhas costas, me ajudando a entrar. Ele foi paciente comigo o tempo todo, mesmo quando eu teimava em dizer que tava tudo bem e que eu conseguia andar sozinha. A verdade é que meu corpo ainda doía pra caramba e, pior, minha cabeça parecia um redemoinho prestes a engolir tudo.A cabana era pequena e luxuosa, linda de um jeito que eu não