All Chapters of Vendida ao Sheik: Chapter 171
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Capítulo 35
KhaledA noite já tinha avançado quando entrei no escritório da casa. As luzes da cidade ainda brilhavam do lado de fora, mas ali dentro tudo era silêncio. Silêncio demais para uma casa que sempre foi marcada por vozes firmes, decisões rápidas e ordens claras.Lara estava sentada no sofá, com as mãos cruzadas sobre o colo. Ela não precisava dizer nada. Eu conhecia aquele olhar. Algo tinha saído do controle.Khaled:— A confusão no mercado noturno chegou até mim antes mesmo de Adir voltar para casa.Ela respirou fundo antes de responder.Lara:— Eu imaginei que chegaria. Quando o nome de Adir começa a circular fora dos nossos círculos habituais, é porque algo fugiu da linha.Sentei-me na poltrona de frente para ela, tirando o anel do dedo e colocando sobre a mesa. Um hábito antigo. Sempre que algo me preocupava de verdade.Khaled:— Dois comerciantes estrangeiros foram expulsos depois de um confronto direto. Um deles tocou em uma mulher. Adir reagiu. Em público.Lara fechou os olhos po
capítulo 36
MalikEu estava tentando ser um homem melhor. Ou, ao menos, um homem racional. Mas naquela noite ficou claro que o mundo não respeita quem tenta agir com contenção.Saí do distrito elevado controlado por Adir com o rosto ardendo e o orgulho dilacerado. O mercado noturno de luxo ainda pulsava atrás de mim — música, comerciantes estrangeiros, investidores, joias, perfumes caros e alianças sendo discutidas à meia-luz. Um ambiente onde reputação vale mais que ouro.E ele me atacou ali.A mulher estava vestida de forma provocante, chamando atenção como se buscasse conflito. E Adir avançou sobre mim, afirmando diante de todos que ela era a mulher dele. Mesmo que fosse verdade — e eu não acredito que seja — ele não tinha o direito de tocar em mim. Eu estava ali como convidado, como comerciante interessado em negócios, alguém que ainda mantinha laços com outros grupos da região.Quando cheguei em casa, vi meu reflexo no espelho: o sangue seco no canto da boca, o inchaço denunciando a agressão
Capítulo 37
Farid Voltei para minha residência com a mente em tumulto. A noite ainda ecoava dentro de mim — a confusão no mercado elevado, o rosto ensanguentado de Malik, o olhar de ódio que ele carregava ao deixar o território de Adir. Ele havia ultrapassado limites, sim. Mas eu não era o homem que o confrontaria por isso. Malik sempre esteve ao meu lado, nas decisões certas e nas erradas. Questioná-lo agora seria o mesmo que abandonar um aliado em plena instabilidade. E, quando a paz não é uma opção, resta apenas a guerra. O Distrito Elevado sempre foi um objetivo estratégico. Não apenas pelo prestígio, mas pelos corredores comerciais, pelos acordos internacionais, pelas rotas silenciosas que atravessavam outros territórios sob o comando de Adir. Se tomássemos aquele distrito, o equilíbrio de poder mudaria. Nós nos tornaríamos inalcançáveis. Quando virei a esquina da rua inferior à minha casa, encontrei Bruna. Uma mulher com quem eu mantinha encontros ocasionais havia meses. Não era algu
Capítulo 38
Bruna Filho da puta. Essa é a única definição possível para Farid. Eu sei que eu também errei. Não sou inocente, não sou santa, nunca fui. Eu me envolvi com ele sabendo que ele era casado. Mas o que as pessoas não entendem é o momento em que isso aconteceu. Meu pai tinha acabado de morrer. A casa ficou vazia, silenciosa, pesada. Eu tentei trabalhar, tentei me virar sozinha, mas eu era menor de idade, sem estudo, sem proteção, sem ninguém por mim. O mundo não estende a mão para meninas sozinhas. Foi aí que Farid apareceu. Ele chegou com aquele jeito calmo, controlado, perigoso. Um homem acostumado a mandar, a ser obedecido. Disse que o casamento dele era apenas um acordo, que a esposa, Layla, era fria, arrogante, distante. Falou que nunca tinha sido feliz de verdade. Jurou que iria se separar. Jurou que estava apaixonado por mim. Eu quis acreditar, porque acreditar era menos doloroso do que aceitar que eu estava sozinha. Eu sabia, no fundo, que ele nunca largaria Layla. Mas eu m
Capítulo 39
LaylaAcordei como sempre acordo: em silêncio.A casa ainda estava mergulhada naquela calma pesada que só existe nos lugares onde o poder mora. As paredes claras refletiam a luz do amanhecer, os tapetes persas estavam perfeitamente alinhados, e o perfume de café recém-passado preenchia o ar. Tudo estava no lugar. Tudo sob controle. Ou pelo menos era isso que eu acreditava.Sentei-me à mesa do café como uma rainha em seu território. As funcionárias se moviam com cuidado, quase sem fazer ruído. Nenhuma ousava falar comigo antes que eu desse permissão. Aqui, todos sabiam quem eu era. Sabiam de onde eu vinha. Sabiam o peso do meu sobrenome.Peguei o celular por hábito, não por curiosidade. Abri as redes sociais apenas para observar, como faço todas as manhãs, o que se comentava nos distritos próximos, nos mercados noturnos, nos corredores invisíveis do poder.Foi então que vi a notificação.Uma mensagem privada.De um perfil que eu não reconhecia.Abri sem pressa.Bastaram as primeiras li
Capítulo 40
NaylaNa noite anterior, depois de sair do banheiro, comi o lanche em silêncio. Escovei os dentes, deitei-me ao lado de Adir e, sem dizer uma única palavra, adormeci. Foi um sono tranquilo, ainda que demorado. Minha mente insistia em revisitar pensamentos que eu tentava afastar.Eu estava me apegando a um homem que só se aproximara de mim por causa da dívida do meu irmão. Um homem poderoso, cercado de atenção, acostumado a não se explicar. E, ao mesmo tempo, eu me tornava alvo das mulheres que orbitavam ao redor dele. O mais irônico era admitir, ainda que apenas para mim mesma, que eu também ocupava uma posição frágil naquele jogo. Não havia promessas. Não havia compromisso. E, mesmo assim, eu tinha deixado escapar que estava começando a gostar dele.Ingênua. Essa era a palavra que ecoava na minha mente.Respirei fundo antes de me levantar. Tomei um banho rápido, organizei meus pensamentos, escovei os dentes e desci as escadas.— Bom dia, dona Maria — cumprimentei, tentando soar anima
Capítulo 41
AdirZayd e eu começamos a conferir a contabilidade da festa da noite anterior com calma, linha por linha. O silêncio no escritório era pesado, interrompido apenas pelo som das notas sendo organizadas e pelos cálculos refeitos mais de uma vez. Ainda assim, os números não fechavam.Havia dinheiro faltando.Zayd levantou o olhar lentamente, me encarando com seriedade. Voltamos a refazer as contas, uma, duas, três vezes. O resultado permanecia o mesmo. O desvio era claro demais para ser ignorado.Zayd:— Isso confirma o que você já desconfiava. O rombo vem das operações do Hassan e do Samir. Você comentou que algo estava errado, mas eu também não quis acreditar no início. Agora faz sentido. Eles passaram a perna no Amir. Isso significa que ele não perdeu carga nenhuma. Eles estavam roubando de nós.Passei a mão pelo rosto, respirando fundo. A confirmação doía mais do que a dúvida. Se Amir não havia nos roubado, então Nayla nunca teve dívida alguma para pagar. E isso significava algo que
Capítulo 42
NaylaCaminhei pelas ruas do bairro ainda sentindo o calor do dia preso à pele. O sol já havia se posto, mas o ar continuava pesado, como se Dubai se recusasse a esfriar. Michele vinha ao meu lado em silêncio desde que saímos da praia, e eu sabia exatamente o motivo. Ela não havia gostado do que ouviu — mas eu não iria suavizar a verdade apenas para poupá-la.Nunca fui o tipo de amiga que passa a mão na cabeça. Prefiro dizer o que precisa ser dito, mesmo que doa. As consequências sempre chegam, e quando chegam, eu estou ali para acolher. Fingir que não vejo, jamais.Quando cheguei em casa, estranhei o silêncio. Amir normalmente já estaria ali àquela hora, principalmente depois das missões noturnas. Sempre cansado, sempre com fome, sempre fazendo algum barulho. A ausência dele me incomodou mais do que eu gostaria de admitir.Peguei o celular e enviei uma mensagem perguntando onde ele estava. A resposta veio rápida:— Estou em uma missão. Depois falo.Senti o estômago apertar. Pensei em
Capítulo 43
AdirA abusada saiu do quarto enrolada na toalha, o cabelo cuidadosamente penteado para trás. Ela parou diante de mim, ergueu levemente a sobrancelha e falou, me analisando como se tivesse total controle da situação:Nayla:— Você ainda nem colocou a camisa. O que é isso? Já sabe onde vai me levar?Adir:— Já sei.Ela sorriu de canto, satisfeita.Nayla:— Gosto assim, quando você decide as coisas sem hesitar. Me dê dois minutos que eu fico pronta. E é melhor você me esperar lá embaixo. Sabe por quê? Porque eu, nua, sou muito perigosa. E eu já te conheço. O seu lado indecente fala mais alto. Você vai tentar me abraçar, eu vou dizer que não… depois vou acabar cedendo. Aí vou querer, e você não vai me levar para jantar. Então vá.Adir:— Logo agora, na melhor parte?Nayla:— Vá, Adir. Se quiser usar o meu corpo, fica para depois.Saí do quarto contrariado, mas aproveitei que ela estava se arrumando para ligar para Zayd.---LigaçãoZayd:— Fala.Adir:— Está tudo certo para lidarmos com
Capítulo 44
AmirEu estava em alerta máximo. O corpo tenso, a mente inquieta. O que mais me incomodava não era apenas a missão daquela noite, mas o fato de eu não me lembrar com clareza do que tinha acontecido nas outras vezes em que as cargas haviam desaparecido. Sempre havia lacunas na minha memória. Sempre um vazio estranho. E, agora, eu estava novamente ao lado de Samir e Hassan.Eu não queria desconfiar deles. Não queria acreditar que homens com quem eu dividia operações fossem capazes de me trair. Mas também não podia mais ser ingênuo. Eu já tinha colocado minha irmã em risco uma vez e não faria isso de novo agora que a nossa vida começava a se reorganizar. Mesmo tendo empurrado Nayla para aquela situação, eu sabia que ela gostava de Adir. Ela não dizia, porque era orgulhosa e firme, mas eu a conhecia. E, pelo que eu via, ele também parecia envolvido.Quando chegou o momento de sair, eu fiquei ainda mais atento. Hassan me observou por alguns segundos e falou com um tom que tentava soar tran