All Chapters of Vendida ao Sheik: Chapter 221
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Capítulo 85
KhandraEu estava estranhando o cuidado excessivo, a forma como Pashir me observava. Havia algo diferente no olhar dele — respeito, atenção, presença. Fazia muito tempo que ninguém me olhava daquela maneira. Muito tempo mesmo.A verdade era simples e incômoda: eu havia me esquecido de mim.Entre trabalho, responsabilidades e meus filhos, deixei de lembrar que também era mulher.Tomei café da manhã com calma, sem pressa, e depois segui para um banho demorado. Foi ali, no silêncio do banheiro, que meu segundo celular começou a tocar. Estranhei imediatamente. Quase ninguém tinha aquele número.Quando olhei a tela, vi o nome de Layla.Atendi na mesma hora. Se ela estava ligando àquela hora da manhã, algo havia acontecido.---LigaçãoKhandra:— Aconteceu alguma coisa?Layla:— Eu não quero te deixar nervosa, minha filha… mas acordei agora e as crianças não estão em casa.— Zayd também não. Ninguém avisou nada.Meu coração acelerou.Khandra:— Como assim?— Ele não está no condomínio? Não
Capítulo 86
ZaydDepois de passar o dia inteiro com as crianças, só voltei para casa quando o sol já havia se posto completamente. Fiz questão de prolongar cada minuto. Almoçamos fora, caminhei com eles pelo shopping, deixei que escolhessem sobremesas demais e brinquedos que não precisavam. Não era sobre agradá-los apenas. Era sobre criar a cena perfeita.Chegamos pouco depois das oito da noite.Eu queria que Khandra estivesse em desespero. Que tivesse passado horas imaginando mil tragédias. Que estivesse fragilizada o suficiente para não conseguir sustentar a decisão de me expulsar da própria casa. Ela nunca teria coragem de me colocar para fora com Omar e Aisha chorando.Quando entrei, vi exatamente o que esperava.Khandra estava sentada no sofá, rígida, com os olhos vermelhos. Ao lado dela, Layla, minha mãe, mantinha uma postura tensa. Viyan, minha irmã, observava tudo em silêncio, mas o olhar era acusador. Assim que as crianças correram para dentro, o controle de Khandra simplesmente se quebr
Capítulo 87
KhandraSubi a escada com Omar e Aisha agarrados a mim, tentando controlar a respiração. Meu peito ardia, minhas mãos tremiam. Eu sempre soube que Zayd era cruel, mas naquela noite compreendi algo muito mais aterrador: ele não tinha limites quando se tratava de manter o controle.Coloquei as crianças no banho, lavei seus cabelos com cuidado, beijei suas testas mais vezes do que o necessário. Eles estavam exaustos. Choraram até adormecer. Quando fechei a porta do quarto deles, minhas pernas quase cederam.Respirei fundo antes de entrar no meu quarto.Zayd estava sentado na minha cama, com as costas eretas, as mãos apoiadas nos joelhos, como se estivesse me esperando havia horas. A luz estava baixa. Aquilo não era um encontro. Era uma sentença.— Saia da minha casa agora — eu disse, tentando manter a voz firme. — Você não vai usar meus filhos para me chantagear. Eu não imaginei que você fosse tão baixo.Ele inclinou a cabeça levemente, como quem observa algo previsível.— Você realmente
capítulo 88
Sahir Eu estava no escritório resolvendo pendências administrativas quando meu telefone corporativo vibrou sobre a mesa. Era uma mensagem curta de um dos assessores de Adir. Bastaram duas linhas para me deixar em alerta: Khandra pediu uma reunião urgente. Quer falar comigo e com Pashir pessoalmente. Meu estômago retesou no mesmo instante. Khandra nunca pedia ajuda sem motivo. E, definitivamente, não faria isso sem medir consequências. Aquilo só podia significar uma coisa: Zayd havia ultrapassado mais um limite. Peguei o telefone e liguei para Pashir imediatamente. Ele atendeu no segundo toque. — Aconteceu alguma coisa? — perguntou, direto. — Recebi uma mensagem da equipe do Adir. Khandra quer falar conosco. Com urgência. Houve um breve silêncio do outro lado. — Ela disse o motivo? — Não. Mas se pediu para nos ver juntos, só pode estar relacionado à situação legal dela. Ou à proteção que pediu meses atrás. — Você acha que Zayd fez alguma coisa? — a voz dele estava controlada
Capítulo 89
PashirNós chegamos ao edifício administrativo sem aviso prévio. Não pedi autorização, não anunciei presença, não mandei secretária ligar antes. Em situações como aquela, formalidade só serve para dar tempo ao outro lado de se preparar.Adir estava sozinho na sala de reuniões quando entramos.Ele levantou os olhos lentamente, apoiou as mãos sobre a mesa de vidro e arqueou uma sobrancelha.— Aconteceu alguma coisa? — perguntou, com a calma de quem está acostumado a apagar incêndios grandes.— Recebi um aviso da sua equipe — respondi, direto. — Disseram que Khandra quer falar comigo e com Sahir. Mas antes disso, precisamos esclarecer uma coisa.Sahir cruzou os braços.— A irmã dela confirmou que Zayd passou a noite na casa dela ontem — completou. — Depois de uma ordem explícita para manter distância enquanto a situação jurídica não estivesse definida.O olhar de Adir endureceu.— Ele não tinha autorização para isso.— Exatamente — eu disse. — E quando alguém ignora uma diretriz dessas,
capítulo 90
ZaydQuando o assistente de segurança bateu à minha porta, avisando que Pashir e Sahir já estavam no edifício administrativo e pediam a presença imediata minha e de Khandra, senti o impacto antes mesmo de responder. Aquilo não fazia parte do plano. Eles não deveriam estar ali naquele dia.Respirei fundo. Manter a calma era essencial.Subi para o quarto e a encontrei sentada na beira da cama, em silêncio. O rosto abatido, os olhos inchados. Não era o momento para hesitação.— Levante-se — falei, direto. — Vá tomar um banho, se arrume e se maquie. Eu não quero marcas visíveis. Nenhuma.Ela ergueu o olhar lentamente.— Você acha mesmo que eu vou esconder o que você fez comigo? — perguntou, com a voz baixa, mas firme. — Essa é a minha chance de sair disso. Eu não vou apagar nada.— Você não está entendendo a gravidade da situação — respondi, controlando o tom. — Eles vão perguntar se você quer continuar comigo. E você vai dizer que sim. Vai dizer que pediu para eu ficar ontem. Vai dizer q
Capítulo 91
KhandraEntrei na sala com as mãos tremendo. Por um instante, pensei que Zayd entraria comigo, mas quando percebi que a porta se fechou atrás de mim e ele ficou do lado de fora, senti algo próximo de alívio — e medo ao mesmo tempo. O silêncio parecia pesado demais.Pensei nas ameaças. Pensei nas crianças. Pensei em quantas vezes eu havia ensaiado aquele momento e recuado por medo do que ele poderia fazer depois.Pashir me observava em silêncio. Sahir também. Nenhum dos dois parecia apressado. Aquilo não era um interrogatório. Era um espaço de escuta.— Recebemos a informação de que você pediu essa reunião — Sahir começou, com voz firme, mas controlada. — Falamos com Viyan. Sabemos que houve um episódio grave ontem. Estamos aqui para ouvir você. Antes de qualquer coisa, preciso que saiba: você está segura aqui. O seu marido não tem autoridade para interferir no que for dito nesta sala.Meu coração batia forte.— Eu só quero ir para casa — falei rápido, quase suplicando. — Quero ficar c
Capítulo 92
Khandra Por alguns segundos, meus olhos ainda estavam presos à imagem de Zayd sendo levado para longe, contido não pela força, mas pela própria consequência do que havia feito. Então desviei o olhar e encarei Pashir. Tudo dentro de mim tremia. Caminhei até ele e, sem dizer nada, segurei sua mão. Não era um gesto romântico. Era um pedido silencioso de estabilidade. Ele apertou de leve, respeitoso, e seguimos juntos até o carro que nos levaria à escola das crianças. — Espera aqui, por favor — pedi. — A conversa que eu vou ter com eles é difícil. Eles não precisam saber de mais nada agora. Ele assentiu. Entrei na escola tentando manter a postura. Falei com a professora, expliquei que precisava retirar Omar e Aisha mais cedo por uma emergência familiar. Ela estranhou — eu nunca fazia aquilo — mas não questionou. Minutos depois, eles apareceram no corredor. Quando me viram, o sorriso morreu no rosto dos dois. — Mamãe… — Omar disse, assustado. — O que aconteceu com você? — Quem fez
Capítulo 93
AmirQuando eu vi a movimentação em torno de Zayd, percebi na hora que aquilo não era só mais um escândalo social. Não fiquei apreensivo por causa dos homens que estavam ao redor dele — isso não me impressionava. O que me deixou alerta foi outra coisa: Khandra tinha ido embora com os filhos, amparada por gente grande, com proteção, advogado e estrutura.E isso mudava tudo.Minha preocupação imediata foi Rafaela.Ela vinha dizendo que precisava falar com Zayd sobre a gravidez, sobre pensão, sobre responsabilidade. Só que agora o cenário era outro. Um homem recém-separado, humilhado publicamente, com a reputação em frangalhos e sem controle sobre a própria casa… esse tipo de homem não procura equilíbrio. Procura alguém mais frágil para se apoiar — ou dominar.E Rafaela não tinha proteção nenhuma.Quando comecei a ouvir os comentários, os sussurros, as versões desencontradas do que havia acontecido dentro daquele casamento, entendi que a situação era pior do que parecia. Zayd não era só
Capítulo 94
NaylaTomei um banho rápido antes de ir à casa da Rafaela. Eu já sabia que aquela conversa não ia terminar bem. No fundo, uma parte de mim achava que talvez fosse melhor não dizer nada. Mas se eu ficasse em silêncio e ela fosse atrás de Zayd, eu nunca me perdoaria.A mãe dela não merecia passar por mais isso.E a criança, muito menos.Meu instinto de amiga gritava que Rafaela não tinha maturidade emocional suficiente para se afastar daquele homem. Ela confundia abandono com oportunidade. Confundia medo com esperança. E isso costuma acabar do pior jeito possível.Bati à porta respirando fundo, tentando me controlar para não perder a linha. Eu precisava ser firme — não violenta, não cruel — firme.Rafaela abriu a porta com o rosto cansado. Quando me viu, sorriu, aliviada.— Posso entrar? — perguntei. — A gente precisa conversar sobre algo sério.— Claro — ela respondeu, abrindo espaço.Entrei, me sentei no sofá e confirmei se a mãe dela não estava em casa. Não era assunto para plateia.