All Chapters of Quadros de um divórcio: Chapter 171
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Capítulo 171 - Composição aberta
“Tudo o que é construído às claras dispensa defesa.”Francesco Orsini havia sido generoso com o espaço, reservando uma área ampla de 8 por 12 metros para o estande.Helena agradeceu mentalmente por ter escolhido usar calças naquele dia; assim, pôde se sentar no chão sem cerimônia, cercada pela equipe, plantas abertas, pranchetas apoiadas nos joelhos e celulares espalhados pelo piso.A conversa fluiu rápida, técnica e criativa ao mesmo tempo. Medidas eram marcadas com fita no chão, mãos desenhavam volumes no ar, ideias se sobrepunham até ganharem forma.Depois de algum tempo, chegaram a um consenso.Reservariam uma faixa de 2 por 8 metros logo na lateral para a divulgação institucional da Orsini — logotipo, manifesto da marca, imagens da coleção Prisma e informações sobre os designers. Um ponto de impacto imediato para quem entrasse.O restante do espaço, 8 por 10 metros, seria dividido igualmente em quatro ambientes realistas, quase cenográficos. Pequenos cômodos que simulavam usos re
Capítulo 172 - Delimitação
“Não se negocia o valor de quem já aprendeu a se sustentar.”Manoel se aproximou do grupo da Orsini e, ao avistar Helena, cumprimentou a todos antes de dirigir-se a ela. Foi recebido com um sorriso aberto, daqueles que ela reservava para quem trabalhava ao seu lado.— Está tudo bem por aqui? — perguntou ele, um pouco encabulado.Helena franziu levemente o cenho ao notar a expressão dele.— Está, sim… por quê? Aconteceu alguma coisa?— Eu… — hesitou por um segundo. — Acabei de esbarrar com o senhor Amaral e com o senhor Ferreira. Eles também vão expor na feira.As sobrancelhas de Helena se ergueram, surpresa genuína. Ao seu lado, Pedro mudou imperceptivelmente de postura; o corpo relaxado tornou-se atento, os olhos varrendo o entorno com precisão automática.Helena levou um instante para absorver a informação. Quando falou, sua voz saiu firme, sem vestígios de incômodo.— Bem, a feira é aberta — disse, com naturalidade. — Não há como impedir concorrentes de participarem também.Manoel
Capítulo 173 - Tempo de secagem
— Você está ficando louco? — Renato disparou, a voz carregada de irritação. — Se for começar com isso de novo, eu estou fora.Virou-se para se afastar.O movimento fez Cássio reagir. Ele sabia que suas atitudes passadas já haviam afastado Renato uma vez. Não podia repetir o erro.— Espera. — A voz saiu mais baixa. — Eu sei que errei. Eu só… eu não consegui me controlar.Renato parou, mas não se virou de imediato.— Você precisa se tratar.Cássio respirou fundo, o peito apertado.— Você não entende. Depois de cinco anos juntos, ela foi capaz de se unir ao nosso maior concorrente. — A voz falhou por um instante. — Ela me amava. Agora parece que quer me destruir.Renato finalmente se virou. Riu sem humor, cansado.— Te destruir? — balançou a cabeça. — Ela só seguiu com a vida dela.Deu um passo à frente, firme.— Se ela encontrou alguém que reconhece o talento dela e oferece uma boa oportunidade, qual é o erro em aceitar?O silêncio pesou.— Ela tem todo o direito de seguir em frente — c
Capítulo 174 - Uma nova tela
“A cura não significa esquecer o que nos machucou, e sim não permitir que isso continue controlando a nossa vida.”Silvia voltou para a própria sala. A mente em ebulição alternava entre a curiosidade incômoda sobre o que teria acontecido na feira e a perspectiva do jantar.Sentou-se, cruzou as pernas e começou a tamborilar os dedos sobre a mesa, pensativa. Os responsáveis pela montagem do estande eram de uma empresa terceirizada. Não havia funcionários diretos a quem pudesse sondar, nenhum ouvido fácil para colher informações.Aquilo a irritava. Foi nesse estado que o celular vibrou sobre a mesa.Cássio.— Amor? — atendeu, imediatamente suave.— Pode confirmar — ele disse, direto. — Vamos ao jantar amanhã.O sorriso dela veio antes mesmo da resposta.— Que bom. — Fez uma breve pausa calculada. — Ah, Cássio… recebemos três convites. Estava pensando em levar sua irmã. Depois que você diminuiu a mesada dela, ela quase não tem saído. Acho que seria bom para animá-la.Do outro lado da linh
Capítulo 175 - Figura em primeiro plano
“Ser de verdade seduz sem querer.”Embora fosse um evento mais reservado, com poucos fotógrafos circulando pelo salão, aquela era uma época em que qualquer celular erguido se tornava uma lente atenta. Bastava um clique distraído para que uma imagem ganhasse o mundo.Alguns repórteres da própria revista circulavam pelo salão, entrevistando convidados selecionados com o objetivo de reunir material para uma edição especial de aniversário. As conversas eram conduzidas com naturalidade calculada, perguntas bem escolhidas, câmeras discretas — tudo cuidadosamente alinhado ao tom sofisticado do evento.Naturalmente, todos ali desejavam aparecer. Era uma vitrine rara, um marketing gratuito e de alto prestígio. Ainda assim, ninguém quebrava a etiqueta sendo afobado demais para chamar atenção. A regra implícita era clara: quem realmente importava não precisava disputar espaço — seria convidado a ocupá-lo.Assim, os presentes aguardavam o momento certo, mantendo posturas elegantes, sorrisos medid
Capítulo 176 - Esfumado
“Nem todo perigo tem contorno. Alguns apenas se espalham.”Viviane acompanhara tudo em silêncio, o olhar duro mal disfarçando o incômodo ao ver Helena ali, serena, segura, acompanhada de Santiago. Quando o casal passou próximo à mesa, algo brilhou de forma quase ofensiva aos olhos dela: a aliança de noivado no dedo de Helena.“Como uma mulher tão sem graça podia ter fisgado um homem daqueles?”Viviane se achava mais interessante. Mais jovem. Mais viva. Mais merecedora de estar ao lado dele.“O que Helena tinha que ela não tinha?”— Cunhada! — chamou, puxando o braço de Silvia com impaciência. — Você disse que ia me ajudar a conquistá-lo.Silvia, até então imóvel, estava paralisada por uma raiva fria. Helena parecia surgir em todos os lugares — e agora também ali, no momento exato em que ela tentava se firmar como a nova esposa de Cássio. A presença dela reacendia murmúrios antigos, comparações inevitáveis, olhares curiosos.E o pior: a atenção.A atenção que deveria ser dela.Silvia l
Capítulo 177 - Borrão
“Há limites que não se negociam depois que alguém os atravessa.”Santiago chegou ao banheiro cambaleante, a cabeça girando como se o chão estivesse se movendo sob seus pés. A lucidez escorria por entre os dedos. Puxou o celular do bolso com a intenção de pedir ajuda, mas a visão turva fazia os caracteres se embaralharem na tela, linhas sem sentido. Guardou o aparelho com dificuldade e precisou apoiar ambas as mãos na grande bancada de mármore para não cair.Tateou até encontrar o registro. Abriu a torneira, juntou as mãos em concha e levou a água fria ao rosto — uma, duas vezes. Não adiantou. O calor continuava a subir, denso, opressivo, como se o ar tivesse ficado pesado demais para respirar. O corpo reagia de forma estranha, descompassada, e um ímpeto confuso despertava junto com a náusea.Então sentiu uma mão deslizar por suas costas.— Helena? — murmurou, a voz falhando.— Shiu… — veio a resposta, suave demais. — Vem, eu vou te ajudar.O toque se firmou sob seu braço, oferecendo a
Capítulo 178 - Camadas de arrogância
“Quando a verdade aparece, não há narrativa que a salve.”Silvia retornou ao salão com o coração martelando no peito. Inspirou fundo uma, duas vezes, ensaiando a expressão certa antes de se aproximar de Cássio. Precisava parecer apenas isso — uma mulher confusa diante do caos. Repetiu para si mesma que havia sido cuidadosa, que os rastros estavam cobertos, ainda que isso tivesse lhe custado dinheiro demais.— O que está acontecendo? — perguntou, segurando o braço dele no exato momento em que os policiais desapareciam pelo corredor. A voz saiu levemente trêmula, cuidadosamente ensaiada como surpresa.Cássio se sobressaltou com a aproximação repentina. Olhou rapidamente na direção por onde a polícia havia seguido e depois para Silvia, balançando a cabeça em negativa.— Não faço ideia — murmurou.Tânia, agora ao lado de Renato e suficientemente próxima para observar os dois, havia notado a ausência de Silvia muito antes. Mais do que isso: percebeu a mudança sutil em sua postura antes del
Capítulo 179 - Camada exposta
Cássio deu um passo para trás, como se o chão tivesse cedido sob seus pés. O olhar foi, quase por reflexo, até a irmã — um emaranhado confuso de sentimentos atravessando-lhe o rosto.— Não, Cássio… — Viviane implorou, a voz quebrada, o choro desordenado. — Você precisa acreditar em mim. Eu não o droguei. Eu juro. Eu não fiz isso.O coração dele se apertou. Nunca foram muito próximos, mas ela ainda era sua irmã mais nova. Mimada, cruel muitas vezes — sim —, mas capaz de algo assim? A ideia parecia grande demais para caber nele.— Isso não prova nada — disse por fim, erguendo o queixo, como quem se agarra à última defesa possível. Voltou-se para Helena, o olhar agora duro, defensivo. — Quem garante que ele não foi drogado por outra pessoa? Ou até que não tenha feito isso sozinho?Pedro soltou uma risada curta, sem humor. — Claro — rebateu, seco. — E ela montada em cima dele, naquele estado, é só uma coincidência infeliz.Cássio respirou fundo, tentando manter algum controle. — Todo mu
Capítulo 180 - Secagem lenta
“Todo erro tem um preço. A única escolha possível é se você terá coragem de pagá-lo.”Santiago fora retirado discretamente pelos paramédicos pela entrada de serviço do hotel há um bom tempo, longe dos holofotes e dos celulares curiosos.Silvia chegou a se oferecer para acompanhar Cássio quando o policial pediu que ele o seguisse, mas foi contida de imediato pelo próprio agente. Restou-lhe permanecer no salão, ao lado de Renato e Tânia, vestindo uma expressão ensaiada de apreensão — curiosa o bastante para não levantar suspeitas, neutra o suficiente para não chamar atenção.— O que será que está acontecendo? — murmurou Renato, inquieto.A saída apressada de Cássio havia sido o estopim para novos cochichos.— Sei tanto quanto vocês — respondeu Silvia, com a voz calculada.Tânia estreitou os olhos, observando-a com atenção cirúrgica.— E a Viviane? — perguntou de súbito.Silvia fingiu procurar pelo salão, girando o rosto devagar.— Agora que você falou… realmente faz um bom tempo que não