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Capítulo 4: O que aconteceu?
Author: Maria Anita
last update2025-09-18 11:15:03

“Eva”

Eu tive um dia terrível acompanhado de uma ressaca tão ruim quanto o resto. Eu fiz quatro entrevistas de emprego e, no final, eu ouvi a mesma resposta em todas elas: “desculpe, mas você não tem o perfil que procuramos”. Grande balela! O perfil que eles procuravam era o de alguém que não tivesse um pai ordinário que quisesse acabar com a sua vida. Infelizmente, esse era o meu perfil e por isso eu não parava em emprego nenhum e agora não conseguia mais um emprego, porque o meu pai, um figurão no mundo dos negócios, resolveu fechar todas as portas pra mim.

E para coroar o meu inferno pessoal, logo cedo eu encontrei o Leon com a namorada, o cara por quem eu era apaixonada. E eu nem sei porque eu me surpreendia, eu já deveria esperar por aquilo, depois que ele me procurou no dia anterior e disse que sentia muito, mas, para o meu bem, era melhor ele se afastar. Outra vez! Mas eu insisti, mandei mensagem e recebi um corte dele quando estava na boate e aí eu o vi lá com a namoradinha. Claro que eles tinham se reconciliado!

- Eva, você pode me explicar isso? – A minha amiga Gabriele entrou no meu quarto meio irritada, me mostrando a tela do celular com a mensagem que eu havia mandado para ela na noite anterior.

- Isso fui eu sendo responsável, apesar de meio bêbada, e te mandando a minha localização na noite passada. – Eu expliquei.

- Ah, que gracinha! Você saiu daquela boate com um estranho, Eva! Ele podia ser um maníaco! Seu corpo poderia estar jogado num buraco agora.

- Podia! Mas se ele fosse um maníaco, seria um maníaco muito gostoso e gato. – Eu brinquei e percebi que ela começou a amolecer. – Gabi, foi você quem me disse que eu precisava esquecer o Leon, que eu precisava me divertir. E eu estou tão magoada com o Leon que eu acabei deixando as coisas rolarem com aquele cara.

- Ah, e agora é culpa minha! – Ela me encarou e se jogou na cama ao meu lado. – Evita, você precisa aprender a fazer suas escolhas, gata. Eu te falo para esquecer aquele cretino do Leon, que não vale o chão que você pisa, e o que você faz? Sai com um estranho que poderia te matar e esquartejar.

- Nossa, Gabriele, para de ler esses livros de true crime, isso está afetando a sua mente! – Eu brinquei e ela me deu um tapinha no ombro.

- Vai, me conta, o que aconteceu? – Ela já tinha amolecido.

- Ele me chamou para sair da boate, me levou pra um apart hotel e, minha amiga, que homem é aquele! Sério, eu pensei que esse tipo de homem só existisse nos filmes, sabe aquele tipo que te revira do avesso, que parece incansável como se estivesse faminto, o tipo que faz a cama tremer? Aquele homem é esse tipo de homem. – Eu confessei.

- É um ser mágico! – A Gabriele brincou e eu ri. – Mas é tão bom assim que você já nem lembra do Leon? Se for assim, eu acho que eu preciso agradecer ao gostosão.

- Nem me fala do Leon, Gabi! – Eu estalei a língua, estava magoada de novo. – Eu o vi ontem na boate aos beijos com a Carla, eles voltaram.

- Ah, surpreendeu um total de zero pessoas! Acorda, Evita! O Leon só te usa quando briga com a Carla! Ele vem, você cai no papinho furado dele, ele te usa para fazer ciúmes na Carla, depois ele te descarta e volta pra ela. É assim há quanto tempo, minha amiga, dois anos? – A Gabriele tinha a mania irritante de dizer as verdades na minha cara.

- Dois anos e dez meses! Ele nunca vai deixá-la de verdade, não é, Gabi?

- Não, eles são esse tipo de casal ioiô, vão e voltam o tempo todo e vai ser assim para sempre! Você é um brinquedinho no meio disso, Eva. Entenda, sai dessa! Olha, já que o estranho gostosão é tão incrível e não é um maníaco, por que você não liga pra ele?

- Porque eu não tenho o telefone dele.

- Como assim? Você passa a noite com o cara, é incrível e você nem se dá ao trabalho de pedir o número dele?

- Na verdade... – Eu olhei para a Gabriele meio de lado. – Eu nem sei o nome dele. Saí de lá antes que ele acordasse.

- Como é que é, Eva? Você literalmente transou com um estranho de quem você não sabe nem o nome? Ah, meu deus! Você é inacreditável! Mas pelo menos você sabe como encontrá-lo.

- Ah, não sei não. Duvido muito que ele more naquele lugar. A única coisa pessoal que tinha lá era um terno, nada mais.

- Eva, você se superou agora. – A Gabriele começou a rir.

- Mas e você, encontrou algum gato? – Eu ri, porque sabia que era pouco provável que ela tivesse saído da boate com alguém, a Gabriele era o tipo que primeiro obtinha informações e, só depois, talvez, aceitava sair com o cara.

- Não, amiga, depois que eu recebi a sua mensagem, eu fui pra casa. – Ela deu de ombros.

- Fala de mim, mas também não sabe virar a página, tem quanto tempo que você está sozinha?

- Gata, eu estou focada na minha carreira neste momento, não estou a procura de dor de cabeça e, vai por mim, homens são sinônimo de dor de cabeça!

- Ah, eu adoraria ter uma carreira para focar!

- Você ainda não conseguiu nada?

- Não! Meu pai fez questão de fechar todas as portas pra mim. Te juro, Gabi, eu não entendo pra quê ele faz isso. Ele nunca vai estar satisfeito até nos destruir completamente.

- Ele faz isso porque ele não vale nada! Nunca valeu! Sua mãe sofreu como uma condenada e quando vocês a convenceram a sair daquele inferno, olha o que ele fez, tirou tudo de vocês! Ele é um monstro, Evita! Desculpa dizer.

- Não se desculpe, ele é o próprio diabo! – Eu bufei. – Mas sabe, lembra que te falei da Melissa?

- Sim, ela disse que ia te ajudar a conseguir um emprego.

- Sim. Me ligaram hoje, a secretária de um tal Sr. Rossi. Eu estava esperando por uma das entrevistas que não deram em nada quando ela ligou. Tão esquisito, ela marcou uma entrevista pra mim, com o próprio Sr. Rossi, mas será por telefone. Parece que o homem é muito ocupado. Ela disse que ele vai me ligar.

- Que esquisito! Quem faz uma entrevista por telefone?

- Pois é, estranho, mas eu preciso de um emprego, amiga, então não posso recusar nem os esquisitos! Mas, também, isso pode dar em nada, talvez o homem só vá me ligar para depois falar com a Melissa que me entrevistou e eu não sirvo para o cargo.

- Ô, minha amiga, vem cá! – A Gabriele me abraçou. – Não desanima, eu ainda estou insistindo com os meus contatos e até com o meu chefe, uma hora dá certo. Vocês estão precisando de alguma coisa? Você sabe que eu posso ajudar.

- Não, obrigada, eu ainda tenho uma reserva.

- Quer saber, do jeito que você atrai situações esquisitas, vai acabar conseguindo o emprego da entrevista por telefone. – A Gabriele comentou e nós começamos a rir.

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Reader Comments

Não vai,mas acredite aí ser muito melhor pra vc, pq encontrará o Sr.Perfeito

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