Capítulo 121
Author: Kayla Sango
last update2025-05-24 06:04:42

~CHRISTIAN~

Ouvi os passos de Zoey se aproximando da cozinha, mas não consegui tirar os olhos da caixa de madeira na dispensa, com um envelope preso na tampa.

— O que foi? — A voz de Zoey soou atrás de mim, tensa.

Peguei a caixa e a coloquei sobre a bancada da cozinha, arrancando o envelope com mais força do que necessário.

— Você quer me explicar o que isso está fazendo aqui? — perguntei, minha voz saindo mais dura do que pretendia.

— Christian... — ela começou, mas eu já estava abrindo o enve
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  • Capítulo 728

    ~ BIANCA ~Florença tinha um jeito próprio de fazer tudo parecer maior.As luzes sempre pareciam mais bem posicionadas, os lugares sempre tinham história o bastante para virar cenário, e até o barulho das pessoas conversando carregava um tipo de beleza.Na entrada do evento, eu já senti aquela grandiosidade.O fluxo de convidados, o tapete discreto, a disposição calculada de fotógrafos que fingiam estar ali por acaso, mas já sabiam exatamente quem queriam capturar. A parede com o nome da linha em letras elegantes — LINHA MONTESI por BELLUCCI — e, ao lado, o rótulo ampliado como se fosse uma obra de arte.E talvez fosse.Eu ajeitei o vestido com um gesto pequeno e respirei fundo antes de entrar. Nico estava ao meu lado, impecável e claramente consciente do próprio corpo naquele ambiente, como se cada passo dele precisasse provar que ele merecia estar ali.Eu entrelacei meus dedos nos dele.— Respira — eu murmurei.— Eu tô respirando — ele respondeu, mas a voz saiu seca.Eu quase sorri.

  • Capítulo 727

    ~ BIANCA ~Eu aprendi que rotina não é falta de emoção.Rotina é a emoção domesticada, colocada para funcionar sem fazer barulho.Quando o Nico voltou para os pepinos dele, eu levei a Bella — e, em dois minutos, nós já estávamos indo para o carro.Ela ocupou o banco de trás como se fosse dona do território. Colocou a mochila no colo, olhou pela janela e depois me estudou pelo retrovisor.— Mãe — ela chamou, no mesmo tom de quem pergunta a hora.— Hum?— Quando a minha irmãzinha vai nascer?Eu soltei um ar que era metade riso, metade rendição.— Por que essa pressa?— Porque a sua barriga já tá enorme — ela disse, apontando sem delicadeza nenhuma, e depois completou, como se fosse um elogio: — Enorme mesmo.— Obrigada pela delicadeza — eu respondi, fingindo indignação.Bella riu com gosto.— É verdade.— É verdade — eu concordei. — Falta bem pouquinho agora. Daqui a pouco, vocês vão se conhecer.O olhar dela acendeu.— Eu contei pra Giulia — ela disse, como se tivesse feito um anúncio

  • Capítulo 726

    ~ NICO ~A Tenuta tinha um som.Não era um som único, daqueles que você reconhece de olhos fechados. Era um conjunto de ruídos pequenos que, juntos, viravam ritmo. O portão abrindo cedo, pneus na estrada de cascalho, passos apressados no corredor de serviço, o tilintar contido de louça na cozinha, a máquina de café trabalhando sem pausa. Madeira rangendo sob pés que já não andavam com cuidado, porque o lugar tinha deixado de ser obra e virado casa.E tinha cheiro.Café forte, pão aquecido, uva madura que insistia em morar no ar mesmo fora da época. Um perfume limpo de roupa recém-passada vindo de algum canto, o sabonete de hotel que Martina aprovou com uma seriedade de conselho administrativo. Eu atravessava o pátio e sentia, por baixo de tudo, o cheiro de pedra fria — aquele que sempre me lembrava que as paredes dali tinham história.Quando eu cheguei à cozinha, a rotina já estava em movimento.Uma das meninas da equipe alinhava bandejas, outra conferia uma lista com caneta na orelha

  • Capítuo 725

    ~ BIANCA ~Na segunda-feira à tarde, eu voltei para a Bellucci como quem está retomando um pedaço de si.Eu atravessei a entrada do prédio com a mesma postura que eu sempre tive, mas com uma diferença essencial: eu não estava mais tentando provar nada.Durante semanas, eu tinha vivido com a sensação de que meu nome estava sendo usado como arma por gente que nunca me conheceu de verdade.E a parte mais cruel disso é que a mentira sempre ganha mais espaço do que a normalidade.O que dá manchete é “madrasta sequestradora”. O que dá clique é “escândalo”. O que rende comentário é a versão mais fácil de odiar.Mas o que eu tinha agora era a parte que ninguém na internet consegue roubar: o famoso “quem me conhece sabe”.E eles sabiam.Sabiam de verdade.Christian tinha conseguido domar o conselho do jeito que eu sabia que ele conseguiria: com fatos que não deixavam espaço para interpretação maldosa.Ele colocou tudo sobre a mesa — literalmente — e, quando terminou, a narrativa da armação fic

  • Capítulo 724

    ~ NICO ~Nós quatro entramos no carro quase ao mesmo tempo.Bella se jogou no banco de trás, escorregando pelo assento como se aquilo fosse um sofá de casa — mochila pequena no colo, cabelo ainda meio amassado de manhã e a empolgação sem filtro de quem não guarda ansiedade no corpo.— Cinto — Martina avisou, automática, antes mesmo de sentar direito.— Eu sei, vó — Bella respondeu, e fez o clique com um suspiro dramático só para performar que estava sendo “obrigada”.Bianca fechou a porta do passageiro com cuidado e se ajeitou devagar, a mão indo para a barriga num gesto instintivo. Eu entrei do lado do motorista, coloquei a chave, e por um segundo fiquei só olhando para frente, sentindo o peso bom de ter todo mundo ali.Eu dei a partida.O motor pegou e, com ele, alguma coisa dentro de mim também.Bianca olhou para o banco de trás — Bella já tinha esticado as pernas e estava balançando os pés no ar — depois olhou para mim, com um sorriso que parecia inocente demais para a mulher que

  • Capítulo 723

    ~ NICO ~Os dias foram passando e as semanas também.No começo, eu media o tempo pelo medo.Pelo telefone que podia tocar de novo. Por uma notificação jurídica. Por uma manchete. Por um carro estacionado tempo demais na frente do prédio. Pela sensação de que a vida estava apenas emprestada.Depois, sem que eu percebesse quando exatamente aconteceu, eu comecei a medir o tempo por outras coisas.Pelo horário em que a Bella acordava e ia direto para a cozinha, descalça, com o cabelo espetado. Pela rotina que a Martina montou como quem reconstrói uma casa com as próprias mãos. Pelo jeito que a Bianca passou a organizar pequenos detalhes do cotidiano.E pelo som do riso da minha filha voltando a existir sem medo.A guarda tinha começado como temporária.Uma medida de urgência, uma “residência provisória”, palavras que parecem neutras no papel e que, na vida real, significam: segure sua filha com força, mas não confie ainda.Só que provisório, com a Bella, nunca foi provisório.Ela não teve

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Reader Comments

Tudo poderia ser melhor interpretado, se Zoey contasse a ele a primeira vez que Eduardo agradeceu-a. Quando recebeu o presente. Mas, ... ela nunca conta nada, guarda tudo, não compartilha. É romance e precisa ter esses percalços, mas, da uma ... raiva.

É complicado, se coloca no lugar dele. É difícil mesmo de assimilar.

idiota! que raiva!

Será q a RP não tem um dedo nisso? Nas festas na mansão, os lugares q tinham tudo muito secreto, estava realmente seguro? Tinha câmeras ou guardas/seguranças tomando conta? Ou qualquer um q sumisse na festa podia estar tendo acesso a essas informações?

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