Capítulo 702
Author: Kayla Sango
last update2026-01-31 00:43:26

~ BIANCA ~

— Tia… Bia?

A voz veio pequena, do fundo da cave, como se tivesse medo de ser repreendida até pelo eco.

— Você tá dodói? Você gritou.

Eu congelei por um segundo. Foi como se o meu cérebro tivesse esquecido como funcionava o mundo.

Bella estava de pé, meio escondida atrás de uma fileira de barricas, com a mochila ainda nas costas e o rosto sujo de quem passou o dia tentando ser corajosa. Os olhos dela estavam enormes, atentos demais para uma criança.

— Bella! — o meu grito saiu como u
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    Capítulo 731~ BIANCA ~A estrada até a Tenuta pareceu menor do que era.Talvez porque, dessa vez, ninguém estava indo para lá com pressa de fugir de alguma coisa.Nico dirigia com as duas mãos firmes no volante e o olhar atento, mas o corpo dele já não tinha aquele nervosismo de hospital. Agora era outro tipo de tensão: a de levar o que é frágil para um lugar que precisa aprender a ser casa.Chiara dormia no meu colo, embrulhada num tecido macio, com a boca entreaberta como se até respirar fosse novidade. Eu olhava para ela o tempo inteiro, como se meus olhos fossem um serviço de segurança particular.No banco ao lado, Bella tinha subido no colo do Nico no último minuto antes de descermos do carro, teimosa e grudenta do jeito que só uma criança feliz consegue ser. Ele não reclamou. Só encaixou um braço ao redor dela e segurou como se fosse natural carregar uma filha no peito e outra nos braços da mulher.Quando nós paramos em frente à casa, ninguém falou por um segundo.A fachada rec

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    ~ BIANCA ~A madrugada tem um silêncio que não existe em mais nenhum horário.Um silêncio de conforto.O hospital, mesmo com luzes acesas e corredores funcionando, parecia reduzir o mundo a coisas essenciais: o som baixo do ar-condicionado, o bip distante de algum monitor, o sussurro de passos de enfermagem indo e vindo como se carregassem o equilíbrio do planeta.Eu estava sentada na cama com a Chiara no colo.O rostinho dela era um conjunto de detalhes que eu tentava gravar como se isso fosse possível: a boca minúscula, a pele ainda com aquele tom de recém-chegada ao mundo, o nariz delicado, as pálpebras pesadas que abriam e fechavam como se ela testasse o próprio corpo.Nico estava ao meu lado, encostado na cabeceira, o braço apoiado atrás de mim num gesto protetor.Ele não falava muito.Só olhava.Como se o silêncio fosse o jeito mais honesto de dizer “eu não acredito e eu acredito ao mesmo tempo”.— Você tá bem? — ele perguntou baixo.Eu poderia ter respondido com uma lista intei

  • Capítulo 729

    ~ NICO ~Eu já tinha passado a vida inteira treinando para manter o controle — na terra, na adega, nas contas, nas tragédias. Mas nada, absolutamente nada, te prepara para a sensação de que o mundo inteiro virou uma seta apontando para um único lugar: hospital. Agora.Eu não lembro de descer do palco. Eu lembro de mãos se afastando, de alguém abrindo espaço, de Christian dizendo alguma coisa que não entrou, de Zoey já no telefone com uma eficiência assustadora. Lembro do rosto da Martina, pálido de susto e firme de comando, puxando a Bella para perto do corpo.— Eu fico com ela — Martina disse. — Vai.Bella agarrou o vestido da avó com as duas mãos, os olhos enormes, mas não chorou. Só olhou para mim e para a Bianca com aquela coragem quieta de criança.— Vai com a mamãe — ela falou.Eu quis responder, beijar a testa dela, dizer que tudo ia ficar bem. Mas o “bem” estava no banco do carro, no cinto de segurança apertado na Bianca, no caminho mais rápido possível sem transformar a cidad

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    ~ BIANCA ~Florença tinha um jeito próprio de fazer tudo parecer maior.As luzes sempre pareciam mais bem posicionadas, os lugares sempre tinham história o bastante para virar cenário, e até o barulho das pessoas conversando carregava um tipo de beleza.Na entrada do evento, eu já senti aquela grandiosidade.O fluxo de convidados, o tapete discreto, a disposição calculada de fotógrafos que fingiam estar ali por acaso, mas já sabiam exatamente quem queriam capturar. A parede com o nome da linha em letras elegantes — LINHA MONTESI por BELLUCCI — e, ao lado, o rótulo ampliado como se fosse uma obra de arte.E talvez fosse.Eu ajeitei o vestido com um gesto pequeno e respirei fundo antes de entrar. Nico estava ao meu lado, impecável e claramente consciente do próprio corpo naquele ambiente, como se cada passo dele precisasse provar que ele merecia estar ali.Eu entrelacei meus dedos nos dele.— Respira — eu murmurei.— Eu tô respirando — ele respondeu, mas a voz saiu seca.Eu quase sorri.

  • Capítulo 727

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  • Capítulo 726

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