Henry
Decido ligar para o meu advogado, Guilherme, preciso que ele resolva tudo sobre o meu casamento.
— Guilherme?
— Henry, o que me deve a honra?
— Vou me casar! — Anúncio.
— Como assim? Encontrou o amor da sua vida? — Ele ri.
— Não, são apenas negócios.
— Pode falar.
— Aconteceu alguma coisa com o Eric, ainda não sei bem o que é. — Dei um suspiro longo.
— E? — Guilherme me incentiva a continuar.
— E vou me casar com a Senhorita Andrade.
— Onde você quer chegar com isso? Você só pode se casar com alguém de dentro da máfia. — Me lembra.
— Sou o Capo DI Capi, sou eu que faço as regras! — O lembro. — Vou me casar, não quero divulgação e nem nada do tipo, aliás, não quero nem ver ela. Apenas assinarei a certidão e quero que ela faça o mesmo.
— Tem certeza?
— Tenho, sim, quando der os 7 anos, eu me separo.
— Ok, vou falar com o Bruno.
— Quem é ele?
— O advogado da…
— Não quero saber nem o seu nome. — O interrompo. — Então você já sabe dessa história?
— Ok, mas é estranho se casar com alguém que você nem sabe o nome. — Respirei fundo, com certeza ele já sabia o que isso significava. — Sim, o senhor Eric já tinha me instruído, eu só poderia falar sobre isso com alguém se a pessoa tocasse no assunto. Isso queria dizer que ele morreu ou algo do tipo.
— Por que você não me disse nada?
— Sabe que sou leal aos meus clientes.
— Tá certo. — Não poderia ficar bravo, sempre gostei dos trabalhos de Guilherme justamente pela sua discrição. — Assim que ela assinar o papel me avise.
— É claro, Henry.
***
Os dias foram passando, Guilherme fez todos os trâmites do casamento e apenas recebi um envelope com a certidão assinada por ela. Juntamente com os papéis, também tinha uma foto sua, mas não quis ver, era apenas uma menina, e meu único objetivo era saber quem tinha feito isso com o Eric.
Deixei tudo encaminhado para ela morar com a Sandra, faria bem para ela ter uma companhia e Sandra era a melhor.
Eu voltei para Itália e, quando vinha para Nova York, ficava em outra mansão que tinha comprado em um condomínio.
Às vezes saía para tomar um café com a Sandra e ela me deixava a par da situação. Nesses três anos, a menina não tinha me dado nenhuma dor de cabeça, era caseira e se dava muito bem na faculdade, sempre recebia suas notas. E como eu, ela nunca tinha tocado no assunto de me conhecer.
Nesses três anos, ainda não sabia o que tinha exatamente acontecido com o Eric, aliás, tinha algumas pistas, mas nada concreto.
Tempos atuais
Tinha acabado de chegar em Nova York, como sempre o voo é longo, o que me deixa super cansado.
Mal coloquei os pés em minha casa e o Bruno, a qual é o advogado da minha esposa, está me aguardando.
— O que é tão importante que não podia esperar que eu descansasse? — Não fazia nem dez minutos que tinha chegado.
— Desculpa, senhor McNight, — Bruno está sem jeito. — Mas a senhora McNight quer o divórcio.
— Como assim? Ela está maluca? — Começo a gritar. — Ainda faltam 4 anos para essa merda acabar.
— Eu sei senhor McNight, mas ela disse...
— Eu não quero saber o que ela disse! — Não posso dar o divórcio ainda, tenho poucas pistas sobre o que tinha acontecido com o Eric e não posso colocar o meu legado e muito menos a minha família em risco.
Já se passaram 3 anos da sua morte e não obtive nenhuma pista concreta, até matei um infiltrado, mas nada, além disso.
— Eu sei, ela quer casar com outra pessoa. — Bruno cospe as palavras.
— Como assim? Quem ela pensa que é? — Dou um soco na mesa.
— Ela... — Mais uma vez o interrompo.
— Já que ela quer a merda desse divórcio, sem problemas. — Bruno me olha surpreso. — Mas diga que só assinarei se ela vir até mim e me pedir pessoalmente.
— Senhor, ela não quer te conhecer.
— Como essa garota ousa?! — Não consigo acreditar que ela possa ser assim, de nível baixo e ainda estar me traindo. Na verdade, isso nem é um casamento de verdade. Faz poucas horas que tinha transado com a comissária do meu jatinho particular, que nunca é a mesma, já que não quero correr o risco delas se apaixonarem. — Essa é a minha condição.
Digo e saio andando, Bruno resmunga alguma coisa, mas não entendo, apenas o ignoro.
Volto para o meu quarto. Deito na cama, estou cansado devido à viagem.
Meu celular vibra, olho no visor, é uma ligação do Thiago, ele é delegado.
— Fala Thiago, meu amigo!
— Tudo bem, Henry?
— É claro, a que devo a honra?
— Já chegou, né?!
— Já tinha esquecido como as notícias correm por aqui.
— Esqueceu que sou delegado? Descubro tudo o que quero. — Essa é umas das vantagens em ser delegado por aqui!
— Podemos marcar uma bebida? — Sugiro.
— Não posso, vou fazer uma cirurgia amanhã cedo. — Faz alguns anos que conheço o Thiago, ele também é da máfia.
— Como assim? — Ele deveria ter me avisado.
— É uma coisa de emergência, ficarei alguns meses afastado. — Ele faz uma pausa. — Estava pensando em deixar a delegacia em suas mãos.
— Eu?
— Sim! Esqueceu que ainda não sabemos o que aconteceu com o Eric? Não posso pausar a investigação, não sei por quanto tempo irei me afastar. — Respira fundo ao pausar. — Já estou me cansando de apenas matar os infiltrados, tem alguém nos traindo e olha que está fazendo isso muito bem. — Confessa.
— Eu sei, eu sei. Por isso que voltei para o meu posto! — Realmente não posso deixar as coisas como estão, já tem três anos que Eric sumiu e não temos nenhuma pista concreta. Hendrick é muito bom no que faz mas sei que ele precisa de mim.
— Vou te mandar um e-mail com tudo o que você precisa saber, incluindo casos e funcionários. Já falei com o meu superior e enviei o seu currículo para ele.
— Meu currículo? — Zombo. — Um Capo tem um currículo?!
— Henry, você é o único que pode descobrir o que está acontecendo, esse tempo que apenas o Hendrick cuidou de tudo, não evoluímos nada.
— Hendrick é ótimo no que faz. — Me ajeito na poltrona. — Deixei muitas responsabilidades para ele.
— Aliás, ele achou incrível suas recomendações. — Ele dá uma gargalhada. — Ah, e tem uma coisinha.
— Qual?
— Você terá que dar aula para uma turma da Universidade Central.
— Porra, Thiago! Isso já é demais!
- São aulas de direito civil, você sempre se deu bem nessa área.
— Merda! — Eu sou formado em direito, fiz o curso devido à máfia. Era bom ter alguém que entendesse sobre a lei, quando o Thiago e Guilherme não estivessem por perto. — Ok, Thiago!
— Tem umas alunas gatas! — Gargalhamos, Thiago é pior que eu quando o assunto é mulher.
— Me envie um e-mail falando sobre isso.
— Enviado com sucesso!
— Até, me dê notícias!
— É claro.
Desligo o celular e o jogo em cima da mesa, caminho até o bar que tenho na sala e me sirvo com um bom whisky.
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Capítulo 270
Imperfeita Para O Mafioso - Valentina KuhnTem momentos na vida que você simplesmente não consegue explicar. Eles acontecem, você vive, mas parece que não tem palavras suficientes para capturar o que está realmente acontecendo. Aquele dia foi assim. A gente sempre imagina como vai ser, o que vai sentir, mas na hora, a realidade tem uma forma própria de se apresentar, e nada do que você imaginou faz sentido. Tudo o que você pode fazer é viver, sentir, e se deixar levar.Desde que aquele peso todo foi tirado das nossas costas, algo mudou no ar. Eu senti isso. Daniel também. Algo no modo como nos olhamos agora, como se tivéssemos redescoberto um ao outro de uma maneira nova. A luta, os dias difíceis, tudo o que passamos... agora parecia fazer sentido. Mas não só isso. Agora, a nossa vida estava prestes a ganhar outro capítulo. Algo mais. Algo que só nós dois poderíamos escrever juntos.Eu estava ali, deitada no sofá, assistindo a um filme qualquer, mas minha mente estava em outro lugar.
Capítulo 269
Imperfeita Para O Mafioso - Valentina KuhnO tempo passou, não rápido ou fácil, mas passou.E, contra todas as expectativas, contra todo o sangue derramado e todas as promessas quebradas, a vida encontrou um jeito de florescer de novo.A mansão ainda estava sendo restaurada — um cômodo de cada vez. Mas a parte mais importante já estava reconstruída: nós.Eu caminhava devagar pelo jardim — ou melhor, me arrastava — enquanto carregava a barriga gigante que parecia querer explodir a qualquer momento.Daniel andava do meu lado, uma mão em minha cintura, a outra acariciando a barriga de tempos em tempos como se não conseguisse evitar.Era engraçado ver ele assim.O mesmo homem que um dia foi puro aço e fúria agora era só doçura e sorrisos bobalhões.Ele se abaixou, falando com a barriga em voz baixa:— Ei, pequeno, tá quase na hora, hein? — murmurou, beijando a minha barriga. — Papai tá esperando você aqui fora... com muito amor e um pouquinho de medo, não vou mentir.Soltei uma risada.—
Capítulo 268
Imperfeita Para O Mafioso - Daniel LuzhinO cheiro de fumaça ainda pairava no ar, como se toda aquela guerra ainda não tivesse terminado — mesmo eu sabendo que… já não havia perigo algum naquele lugar.Dias haviam se passado desde a noite em que o inferno desabou sobre nós, mas a mansão ainda carregava as cicatrizes da batalha.As paredes rachadas, o mármore manchado de sangue, pegadas que nunca haviam aparecido por ali antes e as janelas estilhaçadas deixavam o vento frio cortar os corredores silenciosos.E também estávamos tentando juntar os pedaços.Pietro se recuperava aos poucos, ele ainda mancava e carregava a expressão dolorida, mas o brilho nos olhos dele, o fogo, ainda estava lá.Irina era outra história. Ela se movia como uma sombra pela casa, o olhar perdido, os ombros caídos, a respiração sempre pesada, como se cada dia fosse um fardo que ela mal conseguia carregar, por conta da culpa que agora parecia reverberar dentro de seu ser, como fosse a porcaria de uma maldição da
Capítulo 267
Imperfeita Para O Mafioso - Valentina KuhnTinha coisa que a gente achava que ia conseguir controlar. Que ia conseguir respirar fundo, contar até dez, e fazer o que tinha que ser feito.Quando o inferno estourou dentro da nossa casa, eu nem sabia se ainda sabia respirar.— Entra no armário. Agora! — Daniel disse, a voz tensa, os olhos gritando perigo.Eu obedeci sem perguntar ou balancear.Fechei a porta e me encolhi no fundo, tentando me convencer de que isso ia ser rápido, de que ele ia voltar pra me buscar logo. Mas aí... Os tiros começaram, primeiro um, depois outro em seguida dezenas.Cada disparo parecia explodir dentro do meu peito. Meu coração batia tão alto que abafava tudo.O som dos gritos, barulho dos móveis sendo quebrados, ruídos da nossa casa morrendo.Eu apertei os joelhos contra o peito, tentando me encolher, tentando me convencer a ficar ali, trancada, quieta, como o Daniel mandou.Mas como você fica quieta quando o mundo desmorona do lado de fora da porta?Eu não ag
Capítulo 266
Imperfeita Para O Mafioso - MarcusA rua estava úmida, o cheiro de lixo e chuva misturado, grudando na pele. Acendi um cigarro e encostei na parede fria do bar desbotado. Cada tragada era como um pequeno castigo — e eu aceitava todos eles.Evie apareceu, saindo da neblina como uma sombra. O capuz do casaco cobria metade do rosto, mas eu reconheceria minha irmã em qualquer lugar. O jeito que ela caminhava, firme, determinada, como quem já nasceu pronta pra guerra.Sem palavras, ela parou na minha frente. O olhar era duro, exigente.— Fala logo, Marcus — resmungou, a voz rouca, arrastada.Eu joguei a bituca no chão e pisei nela com força, sentindo o chiado morrer sob minha bota.— Valentina está grávida — disparei, cravando os olhos nela. Evie congelou. Por um segundo, nem respirava.Então, ela soltou uma risada breve, quebrada, cheia de veneno.— Claro que está — cuspiu, cruzando os braços. — Sempre tem que ser ela, né? Sempre ela, a maldita favorita.Ficamos em silêncio. Só o som da c
Capítulo 265
Imperfeita Para O Mafioso - Valentina KuhnEu nem sei direito como começou. Só sei que naquela noite, depois de um dia inteiro de passeio, risadas e beijos roubados, a gente mal conseguiu esperar chegar no quarto.A porta nem tinha batido direito atrás da gente e Daniel já me prensava contra ela, os olhos queimando os meus, como se eu fosse a única coisa que existia no mundo inteiro. E, meu Deus, como eu amava aquele jeito dele. Aquele fogo misturado com carinho, aquela vontade crua de me ter... mas sempre com aquele cuidado que só ele sabia ter comigo.Eu soltei uma risadinha meio sem ar, deslizando as mãos pela nuca dele, puxando ele pra mais perto.— Achei que você estava cansado, marido... — provoquei, mordendo o lábio só pra ver ele perder o controle.E funcionou.Daniel rosnou baixinho e me ergueu no colo, me carregando até a cama sem desgrudar a boca da minha pele. Cada beijo dele era uma promessa, uma confissão muda de tudo que ele sentia. Eu tremia inteira só com o toque dos
