Liz
— Vamos Liz, vai ser legal. — Enquanto fala, Ana tira as roupas do meu closet. — É aniversário do John, os amigos dele vão estar lá.
Já passa das 18h da tarde e continuo de ressaca. Não estou acostumada a beber daquele jeito e, por mais que tivesse bebido pouco, parece que ingeri tudo o que tinha naquele lugar.
Na casa do Pedro vai ter um jantar em comemoração ao aniversário do pai dele e ele pediu para nos convidar. Sempre vamos devido ao Pedro, porque ele não gosta muito dos amigos do John e nós fazemos companhia.
— Tá bom! — Meu quarto é uma suíte, tem uma cama king, uma vista linda para o quintal e meu closet é enorme. Todo o quarto é na cor salmão com uns detalhes em branco. Na parede tem uma foto dos meus pais e embaixo dela tem uma penteadeira cheia de maquiagem com um espelho que pega a parede toda atrás dela. Eu estou bem plena, apenas a observando.
— Coloca isso. — Ela me j**a uma calça jeans preta de cós alto rasgada nas pernas, um cropped branco, um casaco longo preto, além de um salto preto.
— Pera aí, Ana! Estamos indo na casa do Pedro ou em uma boate?
— Para de ser, chata Liz. Pedro é nosso amigo, é aniversário do pai dele. — Agora ela procura uma roupa para que ela possa usar.
— Tudo bem. — Espero que pelo menos a comida seja boa, pois da última vez serviram camarão e não sou fã desse tipo de comida.
Pego uma toalha no closet e vou para o banheiro, tomando um banho bem demorado.
— Anda, Liz, já está tarde.
— Já vou. — Grito do banheiro.
— Nada mal, Liz. — Digo para mim mesma, enquanto olho a roupa que vesti. Ana tem um bom gosto.
— Tá linda, amiga. — Ela fala assim que me vê saindo do banheiro.
— Não sei o porquê de toda essa euforia. — Já perdi as contas das vezes que Ana trocou de roupa. Usa uma saia preta de couro, blusinha de alça na cor vermelha e um salto preto. O vermelho super destacou as sardinhas do seu rosto, ela está linda, Pedro vai morrer quando a ver.
— É que o Igor vai estar lá.
— Ana, você sabe que o Igor não te dá a mínima. — Ela suspira fundo. — Dê uma chance a outra pessoa.
— Não posso escolher quem eu vou amar. — Argumenta.
— Ok. Desisto de você. — Falo e vou secar o meu cabelo. Faço uma make básica e passo um batom vermelho, e logo vejo Ana também passando o mesmo. Vamos com o carro dela. A casa do Pedro fica a três quarteirões da minha casa, só que dessa vez vamos à chácara que a família dele tem, ou seja, o caminho é longo.
Seguimos ouvindo música e cantando, agora se cantamos bem, aí já é um grande problema, o importante é nos divertimos.
Assim que chegamos, percebo que tem vários carros na entrada da chácara.
Não são aqueles jantares que sempre íamos, mas enfim, Pedro é nosso amigo.
A casa está toda decorada em vários tons de azul, tem uns balões com o nome do John, só não revela a sua idade.
— Meninas. — A mãe do Pedro vem em nossa direção.
— Senhora Ferrari.
— Já falei que é apenas Joana.
— Desculpa. — Ela nos abraça.
— Ah, o Pedro e o John estão lá na piscina.
— Obrigada. — Eu e Ana respondemos juntas.
— Fiquem à vontade. — Ela vai em direção aos outros convidados.
Vamos em direção à piscina, o lugar está bem cheio e encontramos Pedro conversando com o Igor.
— Liz, Ana. — Os dois vêm na nossa direção.
— Nossa Liz, você está linda.
— Obrigada, Igor. — Ele sempre dá em cima de mim, mas eu nunca quis saber dele, ainda mais pelo casamento falso que tenho.
— Você está linda, Ana. — Pedro não consegue disfarçar o seu interesse por ela, mas ela não percebe isso.
Nos juntamos a eles e começamos a conversar coisas aleatórias.
Algum tempo depois, aproveitando que Ana foi ao banheiro e os meninos foram pegar mais bebida, avistei o John e fui parabenizá-lo.
— Parabéns, Senhor Ferrari. — Falo estendendo a mão em sua direção.
— Obrigada, menina. — Ele retribui o aperto de mão. — Está linda, Liz.
— Obrigada. — Fico constrangida, não estou acostumada a ficar recebendo elogios.
— Tem toda razão. — Sinto um arrepio quando ouço aquela voz rouca e sexy atrás de mim.
— Henry, achei que não viria. — John foi abraçá-lo, não creio que eles sejam amigos.
— Você acha que eu ia perder uma comemoração dessas? — Ele me olha de cima a baixo enquanto fala com John. — Não são todos os dias que se comemoram 50 anos!
Os dois começam a rir.
— Com licença. — John fala assim que o seu celular toca. — Preciso atender.
Observamos John se afastar.
— Realmente, você está muito linda. — Ele faz uma pausa. — Senhorita Navarro.
— Obrigada. — Ele também está muito lindo, usa uma camiseta branca, jaqueta de couro por cima, calça jeans preta, que marca muito bem o desenho de suas pernas.
— Está acompanhada? — Franze o cenho.
— Por que o interesse?
— Gostaria de conhecer seu marido. — Ele me olha fixamente. — Já que disse que tem um. — Dá de ombros.
— Fala baixo. Ninguém além dele sabe que eu sou casada.
— Vai dizer que seus amigos não sabem?
— Olha, senhor McNight, isso não te diz respeito.
— Está mentindo? — Ele segura o meu braço assim que dou as costas a ele. — Estou falando com você!
— Quem você pensa que é? Não te devo satisfação da minha vida. — Falo entre dentes.
— Você é acompanhante? É isso? Por isso não quer que seus amigos saibam do seu casamento? — Me sinto um lixo quando ele faz essas perguntas, sinto meu corpo todo esquentar de raiva e as lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto.
— Me solta ou vou gritar. — Ele não contesta, apenas me solta.
Vou direto para o banheiro. Sério mesmo que ele acha que eu sou uma acompanhante?
Retoco minha make, respiro fundo e vou para sala de jantar. Todos já estão se preparando para cantar parabéns. Enquanto cantamos, Henry não tira os olhos de mim. Eu apenas o ignoro.
Depois de um tempo, a maioria dos convidados foi embora e o restante ficou na sala bebendo vinho e conversando. Toda vez que eu olho para o Henry, ele me encara.
Ana está conversando com o Igor, Pedro também está acompanhado e eu fico feliz por isso, quem sabe assim ele tira a Ana da cabeça.
Já passam das 22h.
Decido ir embora, não me despeço de ninguém. Não paro de pensar nas palavras do Henry. Vou em direção ao portão, decidi pedir um Uber, mas não está dando rede.
— Droga! — Resmungo para mim mesma. Saio na rua e vou andando para ver se tem sinal, só aí percebo que já estou longe da casa do Pedro e que tem um carro se aproximando.
Sinto meu corpo todo estremecer, não devia ter saído sozinha.
O carro começa a me acompanhar, até que ouço uma voz desconhecida perguntar.
— Oi, quer carona?
— Não... Obrig... Obrigada. — Respiro fundo, tentando não demonstrar o medo que estou sentindo.
— Eu não mordo moça. — Eu continuo andando e ele me acompanha com o carro. — Só se você quiser! — Ele j**a o carro na frente e abre a porta do carona.
As lágrimas já começam a escorrer pelo meu rosto, o desespero começa a tomar conta de mim.
— Entra logo! — Não consigo ver o seu rosto, só vejo alguma coisa em sua mão que brilha. Fico paralisada. — Anda porra! Você não vai querer que eu te ajude a entrar, né?!
Meu coração já está saindo pela boca, quando ouço o barulho de um carro esportivo acelerando que aparece em alta velocidade e b**e com tudo no carro daquele cara.
— Merda! — Ele grita com a pancada, acelera com a porta aberta e o carro some numa rapidez.
— Você está bem? — Henry desce do carro e vem correndo em minha direção. — Vem cá! — Ele fala isso e me abraça. Meu Deus, que homem é esse? Que cheiro gostoso, posso sentir o seu corpo grande e quente contra o meu.
Meu choro já está descontrolado e ele me leva até o seu carro. Posso ver a preocupação em seu olhar.
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Capítulo 270
Imperfeita Para O Mafioso - Valentina KuhnTem momentos na vida que você simplesmente não consegue explicar. Eles acontecem, você vive, mas parece que não tem palavras suficientes para capturar o que está realmente acontecendo. Aquele dia foi assim. A gente sempre imagina como vai ser, o que vai sentir, mas na hora, a realidade tem uma forma própria de se apresentar, e nada do que você imaginou faz sentido. Tudo o que você pode fazer é viver, sentir, e se deixar levar.Desde que aquele peso todo foi tirado das nossas costas, algo mudou no ar. Eu senti isso. Daniel também. Algo no modo como nos olhamos agora, como se tivéssemos redescoberto um ao outro de uma maneira nova. A luta, os dias difíceis, tudo o que passamos... agora parecia fazer sentido. Mas não só isso. Agora, a nossa vida estava prestes a ganhar outro capítulo. Algo mais. Algo que só nós dois poderíamos escrever juntos.Eu estava ali, deitada no sofá, assistindo a um filme qualquer, mas minha mente estava em outro lugar.
Capítulo 269
Imperfeita Para O Mafioso - Valentina KuhnO tempo passou, não rápido ou fácil, mas passou.E, contra todas as expectativas, contra todo o sangue derramado e todas as promessas quebradas, a vida encontrou um jeito de florescer de novo.A mansão ainda estava sendo restaurada — um cômodo de cada vez. Mas a parte mais importante já estava reconstruída: nós.Eu caminhava devagar pelo jardim — ou melhor, me arrastava — enquanto carregava a barriga gigante que parecia querer explodir a qualquer momento.Daniel andava do meu lado, uma mão em minha cintura, a outra acariciando a barriga de tempos em tempos como se não conseguisse evitar.Era engraçado ver ele assim.O mesmo homem que um dia foi puro aço e fúria agora era só doçura e sorrisos bobalhões.Ele se abaixou, falando com a barriga em voz baixa:— Ei, pequeno, tá quase na hora, hein? — murmurou, beijando a minha barriga. — Papai tá esperando você aqui fora... com muito amor e um pouquinho de medo, não vou mentir.Soltei uma risada.—
Capítulo 268
Imperfeita Para O Mafioso - Daniel LuzhinO cheiro de fumaça ainda pairava no ar, como se toda aquela guerra ainda não tivesse terminado — mesmo eu sabendo que… já não havia perigo algum naquele lugar.Dias haviam se passado desde a noite em que o inferno desabou sobre nós, mas a mansão ainda carregava as cicatrizes da batalha.As paredes rachadas, o mármore manchado de sangue, pegadas que nunca haviam aparecido por ali antes e as janelas estilhaçadas deixavam o vento frio cortar os corredores silenciosos.E também estávamos tentando juntar os pedaços.Pietro se recuperava aos poucos, ele ainda mancava e carregava a expressão dolorida, mas o brilho nos olhos dele, o fogo, ainda estava lá.Irina era outra história. Ela se movia como uma sombra pela casa, o olhar perdido, os ombros caídos, a respiração sempre pesada, como se cada dia fosse um fardo que ela mal conseguia carregar, por conta da culpa que agora parecia reverberar dentro de seu ser, como fosse a porcaria de uma maldição da
Capítulo 267
Imperfeita Para O Mafioso - Valentina KuhnTinha coisa que a gente achava que ia conseguir controlar. Que ia conseguir respirar fundo, contar até dez, e fazer o que tinha que ser feito.Quando o inferno estourou dentro da nossa casa, eu nem sabia se ainda sabia respirar.— Entra no armário. Agora! — Daniel disse, a voz tensa, os olhos gritando perigo.Eu obedeci sem perguntar ou balancear.Fechei a porta e me encolhi no fundo, tentando me convencer de que isso ia ser rápido, de que ele ia voltar pra me buscar logo. Mas aí... Os tiros começaram, primeiro um, depois outro em seguida dezenas.Cada disparo parecia explodir dentro do meu peito. Meu coração batia tão alto que abafava tudo.O som dos gritos, barulho dos móveis sendo quebrados, ruídos da nossa casa morrendo.Eu apertei os joelhos contra o peito, tentando me encolher, tentando me convencer a ficar ali, trancada, quieta, como o Daniel mandou.Mas como você fica quieta quando o mundo desmorona do lado de fora da porta?Eu não ag
Capítulo 266
Imperfeita Para O Mafioso - MarcusA rua estava úmida, o cheiro de lixo e chuva misturado, grudando na pele. Acendi um cigarro e encostei na parede fria do bar desbotado. Cada tragada era como um pequeno castigo — e eu aceitava todos eles.Evie apareceu, saindo da neblina como uma sombra. O capuz do casaco cobria metade do rosto, mas eu reconheceria minha irmã em qualquer lugar. O jeito que ela caminhava, firme, determinada, como quem já nasceu pronta pra guerra.Sem palavras, ela parou na minha frente. O olhar era duro, exigente.— Fala logo, Marcus — resmungou, a voz rouca, arrastada.Eu joguei a bituca no chão e pisei nela com força, sentindo o chiado morrer sob minha bota.— Valentina está grávida — disparei, cravando os olhos nela. Evie congelou. Por um segundo, nem respirava.Então, ela soltou uma risada breve, quebrada, cheia de veneno.— Claro que está — cuspiu, cruzando os braços. — Sempre tem que ser ela, né? Sempre ela, a maldita favorita.Ficamos em silêncio. Só o som da c
Capítulo 265
Imperfeita Para O Mafioso - Valentina KuhnEu nem sei direito como começou. Só sei que naquela noite, depois de um dia inteiro de passeio, risadas e beijos roubados, a gente mal conseguiu esperar chegar no quarto.A porta nem tinha batido direito atrás da gente e Daniel já me prensava contra ela, os olhos queimando os meus, como se eu fosse a única coisa que existia no mundo inteiro. E, meu Deus, como eu amava aquele jeito dele. Aquele fogo misturado com carinho, aquela vontade crua de me ter... mas sempre com aquele cuidado que só ele sabia ter comigo.Eu soltei uma risadinha meio sem ar, deslizando as mãos pela nuca dele, puxando ele pra mais perto.— Achei que você estava cansado, marido... — provoquei, mordendo o lábio só pra ver ele perder o controle.E funcionou.Daniel rosnou baixinho e me ergueu no colo, me carregando até a cama sem desgrudar a boca da minha pele. Cada beijo dele era uma promessa, uma confissão muda de tudo que ele sentia. Eu tremia inteira só com o toque dos
