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Capítulo 8 - Possessão
Author: M Souza
last update2025-02-26 13:00:59

Khaled

Desde o começo, eu não confiei totalmente em Alberto. Um homem que vende a própria filha sem hesitar não merece confiança. Então, fiz o que sempre faço: garanti que teria o controle da situação. Coloquei um dos meus homens para vigiar aquela família.

E foi uma decisão sábia.

Ela tentou fugir.

Lara, tão ingênua, acreditou que poderia simplesmente sair pelas ruas de Dubai sem ser notada, sem ser pega. Se não fosse por mim, ela estaria morta ou pior. Não importa o quanto ela me odeie agora—eu a salvei.

Enquanto a observava, sentada no sofá da minha sala, os olhos vermelhos de chorar, eu não conseguia evitar o pensamento que me veio à mente. Ela era linda. Mesmo no meio da sua raiva, do seu desespero, sua beleza era quase hipnotizante. Os cabelos bagunçados caíam sobre o rosto delicado, os lábios trêmulos, o peito subindo e descendo rápido por conta da respiração acelerada.

Ela era minha.

Virei-me para uma das empregadas e ordenei:

— Prepare um quarto para ela.

A mulher assentiu e saiu apressada. Voltei minha atenção para o meu homem de confiança.

— Avise a família dela que Lara está segura.

Ele apenas inclinou a cabeça, respeitoso, e saiu.

Assim que ficamos sozinhos, Lara desabou.

As lágrimas escorreram pelo rosto dela, e, pela primeira vez na minha vida, senti um aperto no peito. Pena? Talvez. Algo dentro de mim não gostava de vê-la tão destruída.

Dei um passo à frente, me aproximando, mas ela imediatamente recuou, como se eu fosse um monstro.

— A família dela é tão importante assim? — perguntei.

Ela soltou uma risada amarga.

— Não. Eles me odeiam. Na verdade, eu morri no dia em que minha mãe morreu no parto.

Havia tanta dor na voz dela que, por um momento, apenas fiquei em silêncio. Ela não era apenas uma garota mimada que não aceitava seu destino. Ela era alguém que havia sido rejeitada pela própria família.

— Então por que está chorando?

— Porque eu não quero ser uma prisioneira de luxo! — Ela gritou, e vi seus olhos brilhando com pura frustração.

Sorri, me divertindo com sua resistência.

— Se obedecer, será bem tratada.

— Mas nunca mais serei livre — ela rebateu, e sua voz falhou no final.

Cruzei os braços.

— E o que você chama de liberdade?

Ela hesitou por um instante antes de responder.

— Fazer o que eu quiser.

Arqueei a sobrancelha.

— Você podia fazer o que queria quando estava com seu pai?

O silêncio dela foi a resposta.

— Então, estava presa de qualquer jeito.

Antes que ela pudesse retrucar, a empregada se aproximou.

— O quarto está pronto, senhor.

Estendi a mão para Lara.

— Vamos.

Ela não pegou. Em vez disso, abraçou o próprio corpo e andou atrás de mim, como um animal acuado.

Quando entramos no quarto, vi seu olhar surpreso. Era um dos melhores quartos da mansão, com uma cama imensa, lençóis de seda e uma sacada com vista para a cidade iluminada.

— Agora, vamos às regras.

Ela se virou para mim, a expressão endurecendo.

— Regras?

— Sim. Aqui em Dubai, a esposa deve respeitar o marido. Você nunca deve levantar a voz para mim em público, sempre me acompanhar quando eu ordenar e usar roupas adequadas. Isso significa que, quando sairmos, você cobrirá o cabelo e vestirá roupas que cubram seu corpo.

Ela me olhava com fúria nos olhos, mas não disse nada. Continuei.

— Se me desobedecer, as punições podem variar. Desde restrições, como não sair do quarto, até punições físicas.

Ela arregalou os olhos.

— Você está falando sério?

Inclinei a cabeça.

— Eu nunca brinco, Lara.

Ela engoliu em seco, e então sua expressão mudou para desconfiança.

— Por que eu?

Sorri de lado.

— Você chamou minha atenção. E eu não perco a oportunidade de ter o que quero.

— Eu não sou um objeto que você pode comprar!

A risada escapou dos meus lábios.

— Mas eu já comprei.

Ela explodiu de raiva.

— Eu odeio você!

— Baixe o tom, Lara — avisei, o tom de ameaça em minha voz. — Não quer receber seu primeiro castigo antes mesmo do casamento, quer?

Ela ficou em silêncio, mas o ódio em seus olhos dizia tudo.

— O casamento será em dois dias — anunciei. — Sua família estará presente, e farei a cerimônia mais luxuosa que Dubai já viu.

Ela soltou um suspiro pesado.

— Eu não me importo.

Sorri de lado.

— Amanhã, sua assistente pessoal irá com você escolher roupas apropriadas.

Ela me olhou como se eu tivesse enlouquecido.

— Eu não quero o seu dinheiro. Eu não tenho assistente nenhuma.

— Tem sim. E você não tem querer.

Os olhos dela brilharam de fúria, mas ela ficou quieta.

— Além disso, você receberá aulas sobre a cultura do seu novo lar.

— Eu não quero.

Minha paciência começava a se esgotar.

— Mas terá.

Dei um passo na direção dela, e ela automaticamente começou a recuar. Continuei avançando até que ela sentiu as costas baterem contra a parede.

— Você acha que pode se rebelar contra mim, Lara?

Ela não respondeu, apenas me encarou.

— Você pertence a mim.

E então, sem aviso, capturei seus lábios com os meus.

Ela tentou resistir, mas eu senti o momento em que seu corpo relaxou, quando sua raiva começou a ceder à sensação do meu beijo. Suas mãos subiram até meu peito, como se quisesse me afastar, mas então seus dedos se fecharam no tecido da minha camisa.

A sensação de vitória percorreu meu corpo.

Nos separamos por falta de ar, e no instante seguinte, uma dor ardente atravessou meu rosto.

Ela me deu um tapa.

Minha visão escureceu de raiva. Agarrei seu pulso, segurando sua mão com força.

— Se você bater no meu rosto de novo, eu arranco sua mão.

Ela me olhava com olhos arregalados, a respiração ofegante.

— Quem manda aqui sou eu.

E então a joguei na cama, com força suficiente para que entendesse seu lugar.

Lara ficou ali, me encarando, o peito subindo e descendo, os olhos cheios de um misto de raiva e medo.

Sem dizer mais nada, saí do quarto e fechei a porta atrás de mim.

Ela aprenderia.

Eu faria questão disso.

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