All Chapters of Caminho Traçado - Uma babá na fazenda : Chapter 181
- Chapter 190
444 chapters
Regras
Ao ver o fogo consumir os papéis, Aurora abraçou o marido e começou a chorar discretamente. Não era tristeza, era alívio. Alívio por perceber que, após tantos anos, as coisas finalmente se resolveram por completo.— Vamos nos arrumar. A festa da Eloá começa em breve — disse Noah, no momento em que as cinzas começaram a ser levadas pelo vento.— Claro, vamos sim. Hoje é dia de festa. Temos que comemorar com alegria.Enquanto caminhavam em direção à casa, Noah parou de repente e levou a mão à cabeça.— Eita!— O que foi, filho? — perguntou Aurora, preocupada.— Com tudo o que aconteceu, esquecemos de buscar o bolo da Eloá — ele explicou.— Meu Deus, é mesmo! — exclamou Aurora, alarmada.— Vou tomar um banho rápido e ir até a capital buscar.— Não precisa dessa correria — interveio Oliver. — Podemos pedir aos avós dela que tragam. Eles estão vindo de lá. Vou ligar para a Cora e pedir esse favor.Pegando o telefone, Oliver fez a ligação rapidamente. Ao desligar, se virou para os dois e anu
O gêmeo errado
— Tudo bem, como o senhor quiser — Noah respondeu, antes que Elisa protestasse novamente. — Vamos fazer isso, até que o senhor perceba que não há o que temer.Percebendo que o rapaz estava sendo bem flexível, Saulo decidiu ir além.— Eu percebi que vocês já estavam bem soltinhos aqui, então… vai mais uma regra — continuou, enquanto via a filha revirar os olhos, impaciente. — Quero que evitem esse contato todo.— O quê? — indagou Elisa, incrédula.— Nada de beijos ou abraços demorados. Podem dar as mãos, se quiserem, isso eu deixo.— Ah, não! — ela protestou, revoltada.Sem dizer mais nada, Elisa se levantou e caminhou até a mãe, que conversava com um dos convidados.Puxou Denise discretamente para um canto e cochichou algo em seu ouvido. Imediatamente, Denise lançou um olhar direto na direção do marido e fez uma careta. Em seguida, caminhou até o grupo.— Amor, o que você pensa que está fazendo com os dois?— Estou apenas impondo limites, Morena — respondeu Saulo, com firmeza.— Limit
Expectativas
Já passava de meia-noite quando os convidados começaram a se despedir. Eloá estava contente ao ver a quantidade de presentes que havia ganhado.— Vai passar a noite abrindo os presentes ou vai deixar para amanhã? — perguntou Elisa.— Vou deixar para amanhã — respondeu, sorrindo.— Então é melhor a gente ir dormir. Hoje o dia começou tão mal… mas, graças a Deus, terminou melhor do que eu imaginava.— Tem razão. Nem acredito que você e o Noah estejam namorando — disse, animada. — Meus parabéns, irmãzinha!— Obrigada.— Espero que, a partir de agora, nada estrague o relacionamento de vocês.— Ah, pode ter certeza de que não vou deixar. Se eu já cuidava do Noah antes mesmo de namorarmos, imagina agora como vou ser como namorada?— Tem razão. Você foi muito paciente com ele… e com aquela prima dele.— Nem me fala! Se eu aguentei tudo aquilo, foi por amor mesmo.— Já que estamos falando disso… ainda bem que você não escutou o meu conselho e resolveu contar tudo para nossa mãe.— Eu sentia q
Idiota
Quando Noah chegou com o irmão à casa da namorada para buscá-la, ainda era bem cedo.— Bom dia, meninos! Por que não tomam café conosco? — Denise os recebeu com um sorriso acolhedor.— Não queremos atrapalhar, tia Dê — respondeu Noah, educadamente.— Que isso, não é incômodo algum. Vamos, entrem.Os dois rapazes, altos e de porte atlético, desceram do veículo e atravessaram a porta. Denise já se adiantava:— Vou mandar preparar a mesa — disse, se afastando em direção à cozinha.Assim que Elisa viu Noah, correu até ele e o abraçou com força, colando seus lábios nos dele sem hesitar.— Bom dia, Noah. Como você está?— Melhor agora — respondeu ele, sorrindo enquanto envolvia a cintura dela com as mãos.A demonstração de carinho causou certo constrangimento em Henri e Eloá, que estavam ali próximos. Eloá, especialmente, sentiu o rosto corar ao olhar para Henri. Queria tanto ter coragem de fazer aquilo com ele… mas desde que chegou, ele sequer a olhou nos olhos.Mesmo assim, decidiu se arr
Conversa ao telefone
O trajeto de carro até a capital não foi dos mais agradáveis para Eloá, que teve que se sentar ao lado de Henri, enquanto Elisa ocupava o banco da frente com Noah, que dirigia e conversava animadamente sobre os planos do dia.— Podemos ir naquele restaurante de frutos do mar na hora do almoço — sugeriu Elisa, empolgada.— Claro, eu amo aquele lugar — respondeu Noah, sem hesitar.— E depois, podemos passar no shopping, o que você acha?— Vou adorar — ele respondeu de imediato, aceitando com um sorriso cada uma das sugestões da namorada.— E à noite, antes de voltarmos, que tal jantar naquele restaurante italiano?— Perfeito. Eu vou amar — repetiu Noah, sem esconder o entusiasmo.Ver o namorado da irmã disposto a agradá-la em cada detalhe despertou algo amargo em Eloá. Inveja. Não uma inveja maldosa, mas aquela dorzinha silenciosa de quem também queria ser amada daquele jeito.Elisa nunca precisou fazer esforço nenhum para conquistar o coração de Noah. Tudo entre eles aconteceu de forma
Praia e indiretas
Assim que entrou de volta no quarto, Eloá encontrou a irmã já pronta, vestida com sua roupa de praia e o sorriso largo no rosto.— Onde você estava? — perguntou Elisa, animada.— Fui beber água — respondeu, com o olhar distante, sem emoção na voz.Tomada pela empolgação daquele dia, Elisa não percebeu o desapontamento escondido no rosto da irmã.— Vai trocar de roupa! Aposto que a água do mar está uma delícia.— Já vou — respondeu, entrando no banheiro.Assim que fechou a porta, girou a chave e encostou-se contra a madeira. E então desabou. Silenciosamente, deixou que as lágrimas corressem, abafando o choro com as mãos.Sabendo que a irmã poderia demorar um pouco, Elisa saiu do quarto e foi até o de Noah. Bateu uma única vez antes de abrir a porta e deu de cara com ele vestido apenas de sunga.Mesmo já tendo o visto assim outras vezes, naquele instante algo dentro dela pareceu diferente. Noah estava de costas, mas ao se virar, o olhar dele cruzou o dela. Alto, de corpo atlético, barba
Que droga!
Enquanto aproveitavam a água do mar, Elisa enlaçou as pernas em volta da cintura de Noah. Ele a segurou firme pela cintura, com os olhos fixos nos dela, como se o mundo todo tivesse desaparecido ao redor. Beijou-a com calma, depois percorreu o pescoço dela com beijos leves, quase como uma prece silenciosa.— O Henri achou que a gente estava avançando mais uma etapa no relacionamento — comentou Elisa, entre risos, enquanto ainda sentia o toque suave dos lábios dele na sua pele.— Eu sei — respondeu ele, sorrindo com diversão. — Só de imaginar a cena… Já pensou se fosse o seu pai abrindo aquela porta?— Ele te mataria — disse ela, sem pensar duas vezes.— Tem razão… ele me mataria mesmo — concordou Noah, com um olhar provocador. — Mas quer saber? Valeria a pena. Morrer por você seria um fim glorioso.Elisa riu, tocando o rosto dele com carinho.— Só promete não morrer. Eu ainda quero você por perto por muito tempo.— Prometo. Até o fim dos meus dias… mas de preferência, bem longe do seu
Algo está errado
— O que houve? — Henri já estava ao lado dela, em pé, observando os cacos de vidro espalhados pelo chão.Percebendo que não tinha mais como escapar, Eloá parou. Fechou os olhos por um instante, tentando conter a frustração antes de responder:— Não foi nada… eu apenas tropecei sem querer.— Não se mexe — ele alertou, sério. — Você pode se cortar. Vou pegar uma pá e uma vassoura, espera aqui.Ela quis dizer que não precisava, que ele podia deixar para lá, mas antes que abrisse a boca, ele já havia se afastado pelo corredor.Alguns minutos depois, Henri voltou com a vassoura e a pá nas mãos. Ajoelhou-se diante dos cacos e, em silêncio, limpou tudo com cuidado. Eloá permaneceu parada, com os braços cruzados, desejando estar em qualquer outro lugar.— Pronto. Está tudo certo agora — disse ele, se levantando e limpando as mãos na bermuda. — Você é muito desastrada — conclui sorrindo.Aquilo a deixou nervosa. Ele pronunciou aquela frase como se ela fosse uma criança.Com raiva, se preparava
Uma irmã nada feliz
Ao ver o casal entrar, Mariana se levantou num salto e correu até Noah, como se o tempo tivesse parado só para ela.— Oh, Noah! Quanto tempo! — exclamou, abraçando-o e deixando um beijo em seu rosto.— Como vai, Mariana? — respondeu ele, sorrindo educadamente e se afastando do abraço com sutileza. — Realmente, faz tempo.— Nem me fale… Seu irmão vive me evitando e, com isso, acabo afastada de você também — disse, lançando um olhar dramático para Henri.— Ah, você sabe… Não dá para esperar muita coisa do Henri — brincou Noah, encarando o irmão, que apenas revirou os olhos e bufou, sem se dar ao trabalho de rebater.Enquanto a conversa se desenrolava, Elisa observava Mariana com um olhar de desdém. Não precisava de muito para saber que não gostava dela, não só pelo jeito exageradamente solto com Noah, mas também pela forma como a presença dela parecia pesar nos ombros de Eloá, que mantinha a expressão baixa e o olhar distante.— Deixa eu te apresentar alguém — disse Noah, rompendo o desc
Preocupação
— O que será que essa mulher quer? — Elisa perguntou, sentindo o nervosismo crescer no peito.— Eu não sei — respondeu Noah, sem tirar os olhos da tela do celular.— Você não vai atender, vai? — ela insistiu, preocupada com o rumo que aquela ligação poderia tomar.— O que você acha? — Ele rebateu, olhando para ela com um misto de dúvida e nervosismo.— Eu acho que não devia — disse Elisa, firme. — Seja lá o que ela queira, não é mais problema seu, Noah.Ele assentiu, hesitante, e apertou o botão para recusar a chamada. Mas antes que pudesse guardar o aparelho, o telefone voltou a tocar. A mesma pessoa. De novo.— Deve estar acontecendo alguma coisa — murmurou. — Preciso atender.E, contra o que sua razão dizia, apertou o botão verde.— Dona Marta?— Noah, querido! Que bom que você atendeu! Já estava ficando desesperada. A Luana está aí com você?— Como assim? — Ele franziu o cenho.— Estou ligando para ela desde ontem e ela não me atende. Já faz mais de 24 horas que não tenho contato