All Chapters of Caminho Traçado - Uma babá na fazenda : Chapter 191
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Agonia
Quando chegaram ao aeroporto, Noah e Elisa foram direto para o balcão de informações da companhia aérea, em busca de qualquer notícia sobre Luana.O atendente, ao ouvir o relato, se mostrou solícito e atencioso.— Sim, senhor, temos o registro de que ela embarcou normalmente no voo saindo daqui — informou, digitando no sistema. — No entanto… — ele franziu o cenho, analisando os dados com mais cuidado. — O voo dela tinha uma conexão em São Paulo, e... bem, pelo que consta aqui, ela não embarcou no segundo trecho da viagem.A informação caiu como um balde de água fria sobre o casal.— Como assim ela não embarcou? — Noah perguntou, sentindo a preocupação subir como uma maré dentro do peito.— Não temos detalhes do motivo, apenas que a passagem não foi validada no portão de embarque seguinte — explicou o atendente. — Pode ter havido um atraso, ela pode ter se perdido… ou outra situação que a impediu de seguir viagem.Elisa olhou para Noah, com o rosto sério.— Será que podemos ver as filma
Suspeitas
Eles bateram na porta indicada e, após alguns segundos, um homem alto, de porte atlético, barba bem aparada e olhar sério, abriu.— Vocês são os que estão procurando por uma passageira desaparecida em São Paulo? — perguntou, direto.— Isso mesmo — respondeu Noah, com urgência na voz.— Entrem.O casal entrou em uma sala escura, repleta de monitores, painéis com botões e cabos espalhados por todos os lados. Havia outros cinco seguranças ali, atentos às câmeras e se comunicando por rádios.— Me chamo Geraldo, sou supervisor da segurança. Me acompanhem — disse o homem, já se virando para um corredor lateral.Eles seguiram por um pequeno corredor até uma sala ainda mais isolada, onde os monitores ocupavam toda uma parede. Geraldo sentou-se em frente a uma central e apontou para duas cadeiras.— Podem se sentar.Elisa e Noah obedeceram em silêncio, atentos a cada movimento do segurança.— Consegui acesso às imagens dos passageiros que desembarcaram do voo em questão — explicou, digitando r
A volta ao passado
— Noah, precisamos contar para a sua família — disse Elisa, já se levantando. — Pode ser que alguém reconheça esse homem.— Você tem razão — ele respondeu, deixando o orgulho de lado, ainda visivelmente abalado.Elisa se voltou para o segurança.— Será que o senhor pode nos providenciar uma cópia das imagens e das informações desse tal de Túlio? — pediu com a voz bem decidida, percebendo que Noah estava emocionalmente esgotado demais para falar.— Claro, sem problema — respondeu Geraldo, já iniciando o processo.Em poucos minutos, eles estavam com as cópias em mãos: impressões das imagens, dados do passageiro e um pen drive com os registros de segurança.— Muito obrigado por tudo, senhor Geraldo. De verdade. Agradecemos pela atenção e pela rapidez com que nos ajudou — disse Elisa.— Não há de quê. Espero que encontrem essa jovem logo... e que ela esteja bem.— Que ela esteja bem... — repetiu Noah, num sussurro tenso, já pensando no que diria à tia caso algo ruim tivesse acontecido com
Um conquistador
Na casa dos avós, Eloá pegou o notebook e começou a pesquisar faculdades fora do país. Estava prestes a concluir o ensino médio e pretendia cursar Ciências Contábeis no Brasil. Para num futuro próximo auxiliar a família no gerenciamento dos negócios, mas, depois da decepção ao ver Henri com outra mulher, percebeu que permanecer ali, tão próxima de tudo aquilo, só a faria se machucar ainda mais a cada dia que passasse.Ela sabia que, ao comunicar sua decisão de estudar fora, seus pais ficariam profundamente tristes e sua irmã também. Mas, naquele momento, aquela parecia ser a única saída. Precisava colocar um oceano entre ela e tudo o que a fazia sofrer. Só assim, talvez, conseguisse arrancar Henri do coração.— É assim que eu espero — sussurrou para si mesma, enquanto começava a preencher os formulários e enviar suas informações para as universidades estrangeiras.Seus dedos tremiam levemente sobre o teclado, mas ela não parava. O coração apertava a cada clique, como se estivesse dand
Um perfume envolvente
— O que foi? — Henri perguntou, desviando rapidamente o olhar da estrada para encará-la.— Nada… — ela respondeu, depressa, percebendo que devia estar com uma expressão boba demais.— Pode falar a verdade — ele insistiu, com a voz mais suave.Ela apenas suspirou, engoliu em seco e decidiu ser sincera.— Eu só… não achava que você fosse assim.— Assim como?— Alguém que fica com várias garotas ao mesmo tempo.— Por quê? Por que sou mais quieto? Reservado?— Talvez — murmurou, pensativa.Henri manteve os olhos fixos na estrada por alguns segundos, antes de dizer:— Posso ser sincero com você?— Se quiser — respondeu, torcendo para que ele fosse.— Eu tenho dezenove anos, um bom emprego e venho de uma família influente. Por que eu iria me prender a um relacionamento sério agora, se posso aproveitar minha juventude? Não acho que exista problema em curtir esse momento.A sinceridade dele atingiu-a como um balde de água fria. Não era arrogância, nem deboche, era apenas a verdade crua, dita
Não estrague a noite
Enquanto se sentava em uma das cadeiras do local, que estava pouco movimentado naquela hora da noite, Eloá lançou um olhar discreto em direção a Henri, que examinava o cardápio com atenção.A testa levemente franzida, os olhos concentrados e a boca bem desenhada, mantida em linha reta, compunham, para ela, a visão do paraíso. Talvez fosse o amor falando mais alto — ou a carência —, mas, naquele instante, Henri parecia o homem mais perfeito da face da Terra.E, por mais engraçado que fosse, mesmo ele tendo um irmão gêmeo idêntico, Eloá jamais conseguiu enxergar em Gael a mesma beleza que via em Henri. Havia algo de único nele, algo impossível de explicar.— Eu te amo — murmurou, sem perceber que o pensamento escapava pelos lábios.Henri levantou os olhos do cardápio, surpreso.— O que você disse?Congelando por um segundo, Eloá sentiu seu coração disparar. Percebendo o deslize, se endireitou rapidamente na cadeira, enfiando uma mecha de cabelo atrás da orelha, tentando parecer natural.
Jaqueta
Quando terminaram o lanche, Henri pagou a conta e os dois voltaram para o carro. Eloá ainda usava a jaqueta dele, abraçada a ela como se fosse uma extensão da própria pele. O caminho de volta foi tranquilo, sem mais confissões, apenas um silêncio preenchendo os espaços.Assim que o carro parou em frente à casa, ela abriu a porta devagar e, antes de sair, virou-se ligeiramente para ele.— Vou ficar com ela… — disse, referindo-se à jaqueta. — Assim que lavar, eu te devolverei.— Não precisa lavar — respondeu, mas ela já havia fechado a porta do carro e atravessado a porta de entrada da casa.Sem alternativas, apenas observou enquanto ela desaparecia na casa. Engatou a marcha e seguiu para a fazenda. Estava exausto. Mariana não lhe deu um minuto de trégua na cama, e tudo o que mais desejava naquele momento era chegar em casa, tomar um banho rápido e se jogar na cama, na esperança de conseguir apagar por algumas horas.[…]A casa estava em silêncio. As luzes já apagadas indicavam que todo
Lamento de uma mãe
Na capital, Oliver prestava depoimento à polícia enquanto Noah e Saulo aguardavam do lado de fora, na recepção silenciosa da delegacia. O clima era tenso, carregado de uma expectativa sufocante que deixava o ar mais pesado a cada minuto.Assim que a denúncia foi registrada, as buscas por Túlio começaram imediatamente. A polícia descobriu que ele havia alugado uma casa em um bairro periférico, afastado do centro. No entanto, ao chegarem ao endereço, foram informados de que ele havia se mudado duas semanas antes, sem deixar rastros.A angústia de Noah só aumentava, enquanto encarava as paredes daquela delegacia. Mas nada o perturbava mais do que ver o nome da mãe de Luana acendendo repetidamente na tela do celular. Sabia que ela precisava de respostas, mas não tinha coragem de atender. Não sabia o que dizer. Nem sequer sabia o que sentir.— É a mãe da Luana, não é? — perguntou Saulo, ao notar o olhar aflito do genro, fixo no celular que vibrava em suas mãos.— É... — respondeu Noah, sem
Resgate
— Tudo o que tínhamos que fazer aqui, já fizemos — disse Oliver ao sair da sala de depoimento, com a expressão tensa e cansada.— E nada até agora? — Saulo perguntou, com a esperança se esvaindo a cada nova resposta.— Nada — confirmou, passando a mão pelo rosto. — A polícia de São Paulo já foi alertada. Estão tentando rastrear imagens de câmeras de segurança pela região do aeroporto e arredores.— Vamos para São Paulo — disse Noah, com a voz firme.— Vamos — Saulo assentiu sem hesitar.A viagem até a capital foi feita em silêncio. No avião, Noah preferiu se sentar longe do pai e do sogro. Não por falta de apoio, ambos estavam ao seu lado desde o início, mas por vergonha. A culpa pesava como chumbo sobre seus ombros, e o medo da decepção nos olhos deles o impedia de encará-los.Se pudesse, não voltaria a olhar nos olhos de nenhum dos dois. Sentia-se responsável por tudo, como se tivesse aberto a porta para um passado que deveria ter continuado enterrado. E agora, a dor de uma mãe, a a
Hospital
As luzes frias do hospital pareciam tornar tudo mais sombrio. Enfermeiros passavam apressados pelos corredores enquanto Noah permanecia sentado na sala de espera, com os cotovelos apoiados nos joelhos e o olhar fixo no chão. Luana havia sido levada direto para o atendimento emergencial, mas até aquele momento, ninguém havia dado um parecer concreto sobre seu estado de saúde.A espera corroía por dentro.Saulo e Oliver estavam na delegacia, tentando obter alguma informação com a equipe policial. Noah, por sua vez, não conseguia sair do lugar. O coração pesado, o estômago revirado, e uma sensação de culpa que se arrastava como uma sombra sobre ele.Foi então que a porta da recepção se abriu com violência.— Onde está a minha filha?! — A voz de dona Marta ecoou pelo ambiente, totalmente desesperada.Ela entrou com passos rápidos e desordenados, o cabelo desgrenhado e o rosto inchado de tanto chorar. Bastou encontrar o olhar de Noah para ir direto até ele.— Onde está a minha filha?! — re