All Chapters of Vendida ao Sheik: Chapter 61
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CAPÍTULO — A CARNE E O VENENO
Narrado por LaraO carro parou em frente a um hotel elegante, mas discreto, no centro de Dubai. Eu não conhecia o lugar, mas sabia que era o tipo de hospedagem onde pessoas ricas se escondem — ou onde gente suja se disfarça de respeitável.Dois dos seguranças de Khaled me acompanharam até a entrada. Um deles me olhou com seriedade e disse:— Vinte minutos. Se não sair, entramos.Assenti. Minhas mãos estavam suadas. Meu coração parecia um tambor. Mas eu não podia hesitar.Subi ao andar indicado. Quarto 412. Bati uma, duas vezes. E quando a porta se abriu, o rosto que me encarou foi o de Natália.Ela congelou por um segundo, e depois sorriu — aquele sorriso falso, esculpido por anos de manipulação.— Ora, ora... a princesa árabe resolveu aparecer.— Precisamos conversar. — respondi, direta.Ela me deixou entrar.Bianca estava sentada na poltrona, com uma taça de vinho na mão, as pernas cruza
CAPÍTULO — A LIMPEZA COMEÇA EM CASA
Narrado por Khaled Confiança é algo que não dou duas vezes. Quem trai a minha confiança não tem segunda chance. Não há perdão. Só consequência. Sentei na penumbra do meu escritório, girando lentamente o copo de cristal entre os dedos. O ar estava carregado, o silêncio denso. A cidade ainda se iluminava pelas janelas, mas eu só conseguia pensar numa coisa: Lara. A forma como ela desceu as escadas implorando que eu poupasse Ranya. O tremor na voz. As lágrimas nos olhos. Ela não sabia, mas eu já estava monitorando as duas responsáveis por aquilo muito antes da visita dela ao hotel. Eu sabia que as irmãs dela estavam em Dubai. Sabia que haviam usado Ranya como peça. Sabia que Bianca tentou se jogar sobre mim como uma cadela no cio, e que Natália não passava de uma serpente vestida de seda. Mas eu esperei. Esperei o momento certo. E ele veio. Quando Hadi me enviou o áudio da conversa no quarto de hotel, ouvi tudo. Com calma. Sem pressa. As palavras cortavam mais do que punhais.
CAPÍTULO — NÃO TEM VOLTA
Narrado por NatáliaAquilo era pra ser só mais uma noite tranquila.Bianca e eu tínhamos acabado de jantar num restaurante elegante, a poucos metros do hotel. Pedimos vinho, rimos dos turistas exagerados que tiravam fotos em cada prato, e falamos sobre o plano de “reaproximação” com Lara como se fosse um jogo.Só que não era.E a gente esqueceu disso.— Amanhã a gente bate de novo na casa dela. — disse Bianca, passando batom no reflexo do espelho do celular. — Com aquele olhar de irmã carinhosa e arrependida. Quem sabe até com um presentinho.— E se ela não deixar a gente entrar?— A gente inventa qualquer coisa. — ela deu de ombros. — Mulheres são emocionais. Alguma hora ela vai ceder.— Você viu a cara dela no hotel? Ela nos odeia.— E o que você espera? A gente nunca gostou dela mesmo. Mas agora ela é a chave. Khaled pode ser bruto, mas ela é o ponto fraco.Nós rimos. Ignorantes.Estávamos a uma quadra do hotel. Andávamos pela calçada, distraídas, cheias de si.Até que tudo escurec
CAPÍTULO — A CELA DAS PROMESSAS PARTIDAS
Narrado por BiancaO cheiro era a primeira coisa que batia.Podre. Enjoativo. Um misto de mofo, suor, metal oxidado e medo. O tipo de cheiro que se entranha na pele, que gruda no nariz e se recusa a sair mesmo quando você fecha os olhos.Acordei com esse cheiro invadindo minhas narinas, com a sensação de que tinha areia nos pulmões. Minha cabeça latejava. O estômago doía como se estivesse sendo torcido. E quando tentei me mexer, senti a corda bruta presa ao meu pulso.Foi só então que percebi: aquilo não era um sonho.Estávamos presas.Presas de verdade.A luz da cela era fraca, amarela, pendurada por fios que balançavam levemente. As paredes eram cinzas, com rachaduras e manchas escuras. O chão de concreto estava úmido em alguns pontos. Não havia cama, nem janela. Só uma privada encardida no canto. Sem descarga. Sem dignidade.Me arrastei como pude e olhei para o outro lado.Natália estava acordada, sentada de costas contra a parede, com os olhos fixos em algum ponto imaginário. A Na
CAPÍTULO — A CELA DAS PROMESSAS PARTIDAS (Parte 2)
Narrado por BiancaAcordei com um tapa na cara.Seco. Doído. Estalado.Meus olhos arderam. Um segundo depois, senti a água fria caindo no rosto. Tossi. Engasguei. Meu corpo se contorceu todo, batendo no chão áspero.— Em pé, porra! — gritou uma voz com sotaque forte.Tentei entender o que estava acontecendo, mas a luz fraca da cela e a dor nas costas me deixavam zonza. Uma mão grossa me agarrou pelos cabelos e me puxou com força. Tive que levantar ou teria o couro cabeludo arrancado.Natália já estava de pé, encostada na parede, ofegante. O rosto dela estava sujo, a boca cortada. Ela tremia. Nossos olhos se encontraram e ali, sem dizer uma palavra, nos demos conta de que a primeira noite havia sido só a introdução do pesadelo.Duas escovas foram jogadas no chão.Pequenas. Duras. Do tipo que não servia nem pra limpar a unha.— Ajoelha. — disse o soldado. — Vocês vão esfregar esse chão. De canto a canto. Sem parar. E se encostar a bunda no chão… leva vara.Tentei falar alguma coisa, mas
CAPÍTULO — O SILÊNCIO QUE QUEIMA
Narrado por LaraA manhã estava linda demais.O céu limpo, o sol cortando as janelas com aquele brilho dourado típico de Dubai. Mas dentro de mim… só existia sombra. Uma inquietação silenciosa, um aperto no peito que não passava.Fazia dias que eu não ouvia falar das minhas irmãs.E isso era estranho.Mesmo depois de toda a confusão, da traição, da raiva… eu sabia que Natália não era o tipo de pessoa que desaparecia. Ela era barulhenta, insistente, venenosa. Bianca também. Se elas tinham desistido de mim… algo estava errado.Muito errado.Peguei o celular. Nenhuma mensagem. Nenhuma tentativa de contato. Nenhuma postagem em rede social. Nada.Um sumiço completo.Khaled entrou no quarto logo depois do café da manhã, vestindo uma camisa branca de linho e a expressão neutra. Ele sempre parecia calmo… até quando não estava.— Dormiu bem? — perguntou, se aproximando da cama e beijando minha testa.— Uhum… — murmurei, desviando o olhar.Ele me encarou por um segundo.— O que foi?— Nada.— L
CAPÍTULO — A PRISÃO DOURADA
Narrado por LaraA porta do quarto se fechou devagar atrás dele. O silêncio que ficou ecoou mais alto do que qualquer discussão.Eu continuei sentada na cama, paralisada. Estava com a pele arrepiada, o estômago embrulhado, e um nó preso na garganta que me impedia de respirar direito. Por alguns minutos, apenas encarei o vazio — a colcha macia, o tapete perfeito, a decoração meticulosamente elegante. Tudo ao meu redor era bonito demais.E mesmo assim, me sentia como se estivesse cercada por muros.“Proteção.” Era isso que ele dizia. Que tudo o que fazia era para me proteger.Mas desde quando proteção se parecia tanto com prisão?Levantei devagar. Minhas pernas estavam fracas, como se eu tivesse corrido uma maratona. Caminhei até o banheiro sem acender a luz. Sentei no chão gelado, de frente pro espelho do armário, e encarei minha própria silhueta na penumbra.Não me reconhecia mais.Antes, eu era a filha esquecida. A garota que lia escondida no quarto. Que sonhava com uma família norma
CAPÍTULO — A VERDADE ESCONDE FERIDAS
Narrado por LaraA manhã nasceu abafada. Eu ainda sentia o gosto amargo da noite anterior na boca. A sensação de estar dividida por dentro me impedia de respirar com facilidade. Mas naquele dia… algo mudou em mim.Eu decidi não ficar só sentindo.Eu precisava saber.Precisava ver com meus próprios olhos.Khaled tinha me contado sua verdade. Mas e a minha?Ele dizia que as minhas irmãs estavam “fora de alcance”. Que estavam “apagadas”. Que agora, finalmente, eu estava segura. Mas o que isso significava na prática?Onde estavam?Como sumiram?E o que ele fez exatamente?Andei pela casa em silêncio. Os empregados sempre me tratavam com respeito, mas notei que evitavam me olhar diretamente nos olhos. Sinais de medo. Ou pior… de cumplicidade.Desci até a biblioteca da mansão, onde sabia que Khaled costumava guardar documentos. A chave da porta estava em um vaso — um dos poucos esconderijos que aprendi a decifrar. Entrei.Tudo ali era ordenado. Gavetas trancadas. Pastas com etiquetas impecá
CAPÍTULO — EU NÃO SEI AMAR COMO OS OUTROS
Narrado por Khaled A primeira coisa que percebi quando entrei em casa foi o silêncio. Não aquele silêncio comum de um dia calmo, mas sim o tipo de silêncio carregado — como o ar antes de uma tempestade. Como se a casa soubesse o que eu ainda não sabia, mas estava prestes a descobrir. Samira passou por mim no corredor, os olhos abaixados demais. Isso já era um alerta. — Samira. — chamei. Ela congelou. — Sim, senhor? — Você viu minha esposa? — No quarto, senhor. Agradeci com um aceno e subi. Quando abri a porta, vi Lara sentada no chão do closet. As mãos tremiam. Os olhos estavam vermelhos. O caderno aberto ao lado. A expressão dela... Era como olhar para o precipício. Fechei a porta atrás de mim. — Lara... Ela não respondeu. Caminhei até ela devagar, c
CAPÍTULO — UM LEGADO DE SANGUE
Narrado por Khaled O nome dela me assombra até quando estou em silêncio. Lara. Ela está entranhada nos meus ossos. A pele dela, o cheiro, o jeito como morde os lábios quando está desconfiada. O som da voz, mesmo quando está gritando comigo. Eu absorvi cada detalhe dessa mulher como quem memoriza um segredo precioso, que precisa ser guardado a qualquer custo. Hoje era dia de selar isso de vez. Entrei na clínica particular por uma entrada lateral, longe dos olhos curiosos. A segurança cuidou da parte de fora, como sempre. Mas lá dentro, era só eu. Eu e o peso da decisão que, até pouco tempo atrás, eu jamais cogitaria tomar. Desfazer a vasectomia. O médico era o melhor do Oriente Médio. Discreto. Eficiente. Não fazia perguntas demais. Só o necessário. — Senhor Rashid — disse ele, enquanto ajeitava os instrumentos de aço —, é mesmo isso que deseja?