All Chapters of Vendida ao Sheik: Chapter 81
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CAPÍTULO – A MARCA DO HERDEIRO
Narrado por LaraEu estava olhando pela janela do quarto, observando as luzes de Dubai piscarem como constelações em queda livre, quando ele entrou. A porta se fechou com o som de sempre — aquele clique suave e abafado, mas que em mim já soava como o toque de um cadeado.Eu não me virei. Só ouvi os passos dele se aproximando, firmes e silenciosos. Khaled sempre andava como um predador que não precisava correr — porque sabia que a presa jamais escaparia.— Está admirando a cidade? — ele perguntou, ficando atrás de mim.— Tentando entender como o mundo pode ser tão bonito e tão cruel ao mesmo tempo.Ele colocou as mãos nos meus ombros, massageando com gentileza.— O mundo só é cruel para quem tenta lutar contra ele.Respirei fundo.— Ou para quem é obrigado a aceitá-lo sem escolha.Ele ignorou meu comentário. Ou fingiu.Apertei o vidro da janela, como se ele pudesse me sugar para fora d
CAPÍTULO 9 – O SOPRO DA REBELIÃO
Narrado por LaraDepois daquela noite, nada mais teve gosto.Não o chá com especiarias, nem as frutas frescas, nem os vestidos que Samira cuidadosamente escolhia para mim. Tudo parecia ser parte de uma armadilha decorada. Como se eu vivesse em uma prisão dourada — cada detalhe cuidadosamente projetado para me distrair do fato de que eu não era mais livre.A decisão de Khaled havia sido tomada.Eu seria a mãe do herdeiro Rashid.E ponto.E mesmo que eu tivesse dito “não” mil vezes com o olhar, com o corpo retraído, com os gestos de recuo, ele não viu nada disso como recusa. Para ele, resistência era charme. Era tempero. Era apenas mais uma camada de algo que já era dele.Mas eu sabia.Sabia que, se uma gravidez acontecesse, eu não teria mais escapatória.Ele não deixaria.Nem eu conseguiria escapar com uma criança no ventre.E foi naquele momento que algo rompeu dentro de mim.Um sopro d
CAPÍTULO – CAÇADA DE AREIA E SANGUE
Narrado por Khaled Quando entrei em casa naquela manhã e não a vi na varanda, algo dentro de mim estralou. Um pressentimento. Frio. Preciso. Chamei um dos seguranças com o olhar. Ele veio correndo. — Onde está minha esposa? — No quarto, senhor. — respondeu, hesitante. Mentira. Fui até lá. A cama estava intacta. Lençóis esticados. Nenhum perfume no ar. Abri o armário. A abaya simples, o lenço branco. Sumidos. Meu coração, treinado para guerra, não acelerou. Ele congelou. Abri a gaveta das joias. Um par de brincos de ouro e uma corrente sumiram. No canto inferior, onde ela guardava os passaportes que eu mesmo devolvi para que ela se sentisse “livre”… vazio. Sentei na beira da cama. Fechei os olhos. Deixei queimar por dentro.
Last Updated : 2025-05-25Read more
CAPÍTULO – ENTRE CORRENTES E PROMESSAS
Narrado por Lara As mãos dele nunca tremeram. Nem quando seguraram meu pulso com força suficiente para cortar a circulação. Nem quando me colocaram no carro, ao lado de dois seguranças silenciosos, armados, com olhos frios como a noite que me engoliu. Nem quando ele fechou a porta com um estalo que soou mais alto que qualquer grito que eu pudesse dar. Eu estava de volta. Mas não porque queria. Porque falhei. Porque subestimei o homem que me possuía. --- Foram oito horas de viagem até a propriedade em Ras Al Khaimah. Uma das casas mais afastadas da família Rashid. Isolada, cercada por dunas, muralhas e segredos. Eu não sabia que ele ainda mantinha aquilo. Um esconderijo particular. E agora… minha nova prisão. Chegamos no meio da madrugada. Luzes acesas. Funcionários alinhados em silêncio na
CAPÍTULO – O FRUTO DA PRISÃO
Narrado por Lara Eu voltei ao quarto principal como quem volta a um campo de guerra. Os lençóis estavam limpos. As cortinas abertas. As flores frescas no vaso. Mas o ar... Estava podre. Não de cheiro. De memória. A memória do toque dele. Dos olhos que me queimavam mais do que as mãos. Dos sussurros que pareciam promessas, mas eram só ordens disfarçadas de afeto. Entrei como uma sombra. Dei três passos. Fechei a porta atrás de mim. Era ali que eu ia viver. De novo. Até ele permitir o contrário. --- Os dias passaram lentos. Khaled voltava tarde. Falava pouco. Observava muito. Dormia ao meu lado. Às vezes me tocava. Às vezes só me encarava no escuro, como se quisesse ter certeza de que
A MÃE DO HERDEIRO
Narrado por LaraDesde que Khaled soube da gravidez, tudo mudou.Mas não da forma que eu esperava.Nem da forma que eu queria.Ele não gritou.Não comemorou com euforia.Não fez promessas doces.Apenas... observou.Com os olhos fixos em mim como se agora eu carregasse algo que o tornava invencível.Como se minha barriga — ainda invisível — fosse a prova viva de que ele tinha vencido.Eu não era mais esposa.Nem refém.Eu era território conquistado.E ele…o soberano de cada batida dentro de mim.---Na primeira manhã após a confirmação, acordei com três mulheres dentro do quarto.Duas eram enfermeiras. A outra, uma médica obstetra.— O que é isso? — perguntei, sentando na cama, o estômago embrulhado.— Elas vão cuidar de você. — Khaled apareceu na porta, com uma xícara de chá na mão. — A partir de agora, cada detalhe da sua saúde é prioridade.<
O PREÇO DO SILÊNCIO
Narrado por LaraO celular vibrou sobre a mesa de mármore.Era cedo. Muito cedo.Khaled ainda dormia — ou fingia.O sol mal tocava a cortina translúcida, e o ar carregava o silêncio abafado das primeiras horas do dia.Eu hesitei.Mas quando vi o nome na tela…Algo dentro de mim travou.Alberto.Meu pai.Ou, melhor dizendo… o homem que me vendeu.Atendi.— Lara. — a voz dele saiu trêmula, embargada, quase irreconhecível. — Filha... graças a Deus você atendeu. Eu... eu não sabia mais o que fazer.Silêncio da minha parte.Deixei ele se afundar.— As suas irmãs... Bianca e Natália... elas sumiram, Lara.Ele soluçou do outro lado da linha.— Elas desapareceram. Eu falei com o hotel, com a embaixada, com a polícia. Ninguém sabe onde estão. Elas foram até Dubai... pra te ver. E agora... nada.Fechei os olhos.Uma parte de mim — humana, antiga, quase i
SÓ RESTA O SILÊNCIO
Narrado por LaraEu não consegui dormir.Depois da ligação com meu pai, fiquei deitada, imóvel, com o olhar preso no teto do quarto. As palavras dele ecoavam na minha mente como uma sirene de guerra."Elas sumiram.""Estavam em Dubai.""Você sabe onde estão?"E eu…Eu não sabia.Mas alguém sabia.Me levantei da cama de repente, os pés tocando o mármore frio como se despertassem uma parte adormecida de mim. Saí do quarto sem pensar muito, atravessando o corredor iluminado por arandelas douradas. O silêncio era denso. Cada passo ecoava como um golpe.Bati na porta do escritório dele. Duas vezes. Três.Nada.Girei a maçaneta.Estava aberta.Khaled estava ali, em pé, de costas, observando alguma coisa no celular. Usava apenas uma camisa branca aberta no peito e uma calça escura. Estava relaxado demais… para alguém que carrega tantas verdades nas mãos.— Preciso falar c
ENTRE CICATRIZES E PROMESSAS
Narrado por LaraA dor não fazia barulho.Ela só ficava ali, encostada no peito, como um animal ferido respirando baixo, à espera do golpe final.Depois que Khaled confessou o que fez com minhas irmãs — com aquela frieza calculada que já me fez tremer antes — eu simplesmente… desliguei.Voltei para o quarto.Sentei na cama.O mundo era silêncio.O tipo de silêncio que pesa.As horas passaram, e o dia virou noite sem que eu notasse.Foi quando ouvi a porta abrir.Sem pressa.Sem arrogância.Era ele.Khaled.Sem terno. Sem armas visíveis.Só uma camisa branca dobrada nos antebraços, o peito parcialmente à mostra, e um olhar que me confundia.Ele parecia cansado.Ou fingia bem demais.Me olhou por longos segundos, parado na entrada. Depois entrou, devagar, como se temesse assustar.— Posso?Não respondi.Mas não o expulsei.I
O SILÊNCIO ENTRE AS FLORES
Narrado por LaraAcordei com o som de vozes abafadas no corredor.Passos apressados, o arrastar de alguma mobília leve, e o cheiro de frutas cítricas misturado a flores frescas.Me sentei na cama, ainda com o corpo cansado e a cabeça pesada pelos últimos dias.Havia dormido embalada pelos dedos de Khaled nos meus cabelos — um gesto tão contraditório que doía mais do que o silêncio.Estávamos presos naquele estranho limbo entre guerra e trégua.E eu já não sabia o que doía mais: a prisão, ou o carinho envenenado.Samira entrou no quarto, com uma expressão mansa.— O senhor Khaled pediu para que você se arrumasse. — ela disse suavemente. — Ele organizou algo especial... no jardim.— O quê?— Um café da manhã. Apenas para vocês dois.Minha primeira reação foi desconfiar.Mas então me lembrei da noite anterior. Das palavras dele. Do olhar levemente quebrado.Talvez fosse verdade.Ou