All Chapters of Vendida ao Sheik: Chapter 91
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ENTRE O DESEJO E O ORGULHO
Narrado por Lara A noite caiu devagar, envolta num silêncio espesso. Depois do café da manhã no jardim, tudo parecia suspenso. Nem brigas, nem afagos. Um tipo estranho de paz — desconfortável, como um laço frouxo em volta do pescoço. Passei o dia sozinha, lendo pedaços de um livro que não absorvia, tentando distrair a mente do caos que me habitava. Desde que soube o que Khaled fez com minhas irmãs, algo dentro de mim rachou de vez. E embora ele tentasse amenizar a brutalidade com gestos suaves, eu sabia que dentro daquele homem morava algo que eu nunca conseguiria entender completamente. Tomei um banho, vesti uma camisola de cetim clara — simples, mas justa o bastante para delinear minha barriga ainda discreta. Prendi o cabelo em um coque frouxo e fui até a cama. Não para dormir, mas para pensar. Foi quando ouvi a porta se abrir. Khaled entrou devagar, sem anunciar nada. Se
E SE EU ESTIVER AMANDO?
Narrado por KhaledO som do gelo batendo contra o fundo do copo era quase terapêutico.Fazia tempo que eu não tomava um whisky assim — sem ser em reuniões, em jantares com ameaças implícitas, ou em noites onde o álcool era mais arma que prazer. Mas hoje era diferente.Hoje, eu precisava de uma pausa.E quem melhor do que Rafiq pra isso?— Mano, essa casa tá grande demais. Me perdi entre o elevador e a sua cozinha. — ele entrou na sala como sempre fazia: reclamando, sorrindo e com a mesma cara de safado de dez anos atrás. — E você ainda mora nesse palácio sozinho? Com uma mulher grávida e três ex-esposas mortas nas costas?— Duas. — corrigi com a sobrancelha arqueada. — Só duas.— Desculpa, é que o povo conta tanto boato que às vezes perco a conta. — ele jogou o casaco no sofá e se serviu do whisky sem cerimônia. — E então? Vai me dizer por que me chamou aqui com essa voz de “vou explodir alguma coisa”?Solt
O QUE ELA OUVIU?
Narrado por Lara Eu desci porque estava com fome. Simples assim. Nada filosófico, nem emocional. A insônia estava me consumindo e o enjoo das primeiras semanas finalmente tinha dado uma trégua. Então resolvi ir até a cozinha pegar alguma coisa. Talvez um chá, talvez algo doce. Qualquer coisa que preenchesse o vazio do estômago… e talvez o do peito também. Desci as escadas devagar, de camisola clara e robe por cima, com o cabelo solto caindo pelas costas. Era tarde. Silêncio total. Até que ouvi vozes. Fiquei surpresa ao ver luzes acesas na sala principal. E mais ainda ao reconhecer uma das vozes como sendo a de Khaled. A outra eu não conhecia, mas era masculina, leve e cheia de ironia. Me escondi parcialmente atrás da parede de mármore que dividia a escada da sala. Estava prestes a voltar quando ouvi. — "Você vai sofrer em pé." E então... — "Eu
QUANDO ELE SÓ QUIS FICAR
Narrado por LaraA bandeja veio antes do som dos passos.Eu estava sentada na cama, com as pernas cruzadas e o robe amarrado sobre a camisola. Tinha acendido apenas a luminária ao lado da cama, tentando ignorar os pensamentos que rodavam minha cabeça como um furacão silencioso.Então ouvi o clique suave da maçaneta.Olhei para a porta.Era ele.Khaled entrou com a bandeja nas mãos, vestido com uma camiseta preta de algodão e uma calça de moletom escura.Sem o peso do terno.Sem o peso do mundo.— O Rafiq já foi embora. — disse ele, sem a arrogância de sempre. — E eu achei que seria melhor eu mesmo trazer isso pra você.Meu coração bateu mais rápido, mas mantive o rosto sereno.Ele se aproximou com passos calmos, colocou a bandeja sobre a mesinha ao lado da cama.Havia chá de camomila, fatias de pão sírio, damascos recheados e uma pequena tigela com creme de iogurte e mel.— Est
O DOCE QUE EU QUERO
Narrado por Lara Acordei antes do sol. Talvez pelo costume de noites mal dormidas. Talvez porque, pela primeira vez em muito tempo, o travesseiro parecia mais leve. E o peso no peito… um pouco menor. Khaled ainda dormia ao meu lado, deitado de barriga pra cima, com um braço solto sobre o lençol e os cabelos levemente bagunçados. Sem máscara. Sem armadura. Apenas ele — um homem. O meu. Me virei de lado devagar e, sem pensar muito, deixei meus dedos tocarem de leve o peito dele. A pele quente, a respiração profunda e constante. Comecei a fazer carinho, desenhando linhas invisíveis com a ponta dos dedos. Ele se mexeu um pouco, abriu os olhos, e quando me viu, sorriu com preguiça. — Bom dia, jânnat albi. — murmurou com a voz rouca. — Bom dia. — respondi, com um meio sorriso. Ele se virou de lado, se aproximou e deslizou a mão até minha barriga, deixando um beijo leve sobre ela. — Dormiu bem? — Sim. Melhor do que nas últimas semanas. — confessei. Ele levantou os olhos para mim
DOCE COMO UM SIM
Narrado por LaraO carro deslizou pelas ruas de Dubai como se o dia tivesse sido feito só pra nós. O sol não estava forte, a brisa era quente na medida certa, e pela primeira vez desde que cheguei naquele país… eu me senti livre.Khaled segurava o volante com uma das mãos, os olhos alternando entre o trânsito e meus gestos. Eu estava empolgada demais para ficar parada — descrevendo o doce de infância com tanta paixão que ele riu mais de uma vez.— Você fala desse doce como se fosse um amor antigo. — ele disse.— É quase isso. Eu não sabia o nome, só lembrava do gosto. E da vitrine gelada da confeitaria. Eu devia ter uns sete anos, e minha mãe ainda estava viva.Ele ficou em silêncio por um momento. Depois esticou a mão e entrelaçou os dedos nos meus.— Então hoje… você vai reencontrar essa memória. Nem que eu compre a rua inteira.Rimos.Chegamos a uma confeitaria charmosa no bairro de Al Wasl. Fachada eleg
AGORA É MINHA ESCOLHA
Narrado por LaraChegamos em casa ainda com sorrisos presos no rosto. Meus dedos entrelaçados aos dele, o perfume dele grudado na minha pele, e a lembrança daquele mil-folhas ainda derretendo na minha boca.Mas agora, o que derretia… era outra coisa.Assim que cruzamos a porta principal, me virei de frente pra ele. Khaled parou no mesmo instante. Os olhos desceram do meu rosto até minha boca. Como se soubesse. Como se já sentisse.— Você tá me olhando assim por quê? — ele perguntou com a voz baixa, rouca.— Porque eu quero você. — respondi, com os olhos fixos nos dele. — Agora.O telefone no bolso dele começou a tocar. Alto. Insistente.Ele desviou os olhos por um segundo, puxou o aparelho. Olhou a tela.Alguma coisa importante. Urgente, talvez.Mas antes que ele atendesse, levei a mão até o rosto dele e puxei seu queixo de volta pro meu olhar.— Não. — sussurrei. — Eu preciso de você dentro d
O MAIS URGENTE
Narrado por Lara Estávamos deitados sob o lençol branco, envoltos pela penumbra tranquila do quarto. O abajur no canto deixava a luz suave tingir tudo de dourado. Havia um cheiro bom no ar, mistura do perfume dele com a minha pele, com algo novo que eu ainda não sabia nomear, mas que me fazia querer permanecer exatamente ali. A cabeça repousava sobre o peito firme de Khaled, que subia e descia lentamente com sua respiração. A mão dele descansava sobre minhas costas, como uma promessa muda de que eu não estava sozinha. — Isso foi... — comecei, mas a frase morreu na garganta, como se as palavras não estivessem à altura do que eu acabara de sentir. — Inacreditável. — ele completou, a voz rouca e baixa, ainda marcada pelo cansaço bom do prazer. Fiquei alguns segundos em silêncio, ouvindo o coração dele bater firme sob meu ouvido. — Eu não sabia que podia me sentir assim. — confessei.
Last Updated : 2025-05-30Read more
A MAIS CARA DAS MALDIÇÕES
Narrado por NatáliaFazia calor. Um calor seco, do tipo que gruda na pele e faz você querer arrancar o corpo fora. Mas o pior não era o calor. Era o silêncio. O silêncio de quem espera ser entregue. De quem sabe que não tem mais saída.Eu estava sentada no chão áspero de um cômodo sem janelas, com a cabeça encostada na parede de pedra fria, tentando manter a respiração estável. O cabelo grudava na testa, o suor escorria pelas costas, e o desespero vinha em ondas, como se meu corpo tivesse esquecido como era viver sem medo.Não sabia onde Bianca estava.Desde o dia em que nos separaram, não consegui vê-la mais.Mas eu ouvia. Ouviam-se os gritos.De mulheres tentando resistir. De outras sendo vendidas.O som do martelo batendo após cada leilão, como uma sentença definitiva.Toc. Vendida. Toc. Vendida.E eu sabia.A qualquer momento, seria eu.Eu, Natália Almeida. A preferida do papai. A que tinha o car
O SOM DO SILÊNCIO ANTES DA MORTE
Narrado por BiancaO tempo parece se arrastar aqui dentro.Mas, na verdade, ele só... desaparece.Eu não sei que dia é. Não sei se faz três, quatro ou cinco noites que me tiraram da casa de Khaled com Natália. Não sei quanto tempo faz desde a última vez que dormi de verdade. Ou comi algo que não tivesse gosto de medo.A única coisa que eu sei com certeza... é que estou viva.Ainda.Mas não por muito tempo.As paredes desse lugar são feitas de cimento grosso e rachado. Tem manchas escuras nos cantos, umidade no teto, e o chão… é frio, duro e manchado. Tudo aqui fede a desespero. E tem um ventilador no alto que gira devagar, como se também estivesse cansado de ver tanta miséria.Na cela ao lado da minha, tem uma mulher que chora o dia inteiro.Ela fala com alguém que não está ali. Talvez um filho. Talvez um Deus.Às vezes, ela sussurra:— Me leva… por favor, me leva primeiro…Eu a entendo.
Last Updated : 2025-05-30Read more