All Chapters of Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário: Chapter 631
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Capítulo 631
~ NICOLÒ ~Naquela segunda-feira, eu deveria ter voltado cedo para Montepulciano.Esse era o plano. Acordar, tomar um café rápido, pegar o carro e voltar pra vida real.Em vez disso, eu estava sentado na cafeteria mais barata que encontrei num raio de três quadras do centro, encarando um cappuccino aguado e um croissant que claramente tinha conhecido dias melhores.O celular estava apoiado na mesa, a tela aberta numa busca: “Bellucci Florença sede”.Havia um endereço. Fotos do prédio. Matérias falando de expansão, exportação, prêmios. Eu passava o dedo pela tela como se aquilo fosse sobre outra galáxia, não sobre a família da mulher com quem eu tinha dividido um quarto minúsculo na pousada.Suspirei.Eu não tinha um plano perfeito. Tinha só uma sensação incômoda que não desgrudava desde o fim de semana: a de que, se eu ia mesmo tentar dividir a vida com uma Bellucci, precisava pelo menos tentar deixar a minha em um ponto em que eu não me sentisse um peso.Não era sobre provar algo pra
Capítulo 632
~ NICOLÒ ~O escritório do Christian era grande, mas não enorme. Mais comprido do que largo, uma parede inteira de vidro com vista para Florença e, no centro, uma mesa que parecia menos “trono” e mais “campo de batalha”. Notebook aberto, algumas pastas empilhadas, uma garrafa de água pela metade. Nada fora do lugar.Ele estava em pé, ao lado da mesa, terminando uma conversa com duas pessoas de terno. Nem levantou a voz, só concluiu, seco:— Mandem a projeção revisada até o final do dia. Sem maquiagem.Os dois assentiram rápido, recolheram papéis e saíram. Uma assistente entrou, deixou outra pasta, saiu de novo. A porta se fechou. Ficamos só nós três: Christian, Dante e eu.Christian finalmente se virou por completo.Os olhos dele pousaram em mim por um segundo, avaliando, depois em Dante.— Problema interessante, hein? — ele repetiu o que o primo tinha dito na porta.Dante deu um meio sorriso.— Prometo que é melhor do que muitos que você pega por e-mail.Christian respirou fundo, com
Capítulo 633
~ NICOLÒ ~ O silêncio que veio depois do que eu disse pesou mais do que qualquer uma das contas que ele tinha jogado na minha cara até ali. Eu ainda ouvia, na cabeça, cada “escala”, “volume”, “estrutura” que ele tinha enumerado como quem disseca um problema simples. Pra mim, não era simples. Era a minha vida inteira em fileiras de videiras.Ele franziu levemente a testa.— Não foi isso que eu disse.— É o que parece.Ele respirou fundo, apoiando os cotovelos na mesa.— Nico, você não é um fracasso — afirmou, com firmeza. — Você só não é um homem de negócios. Você é um homem de coração.Ri, sem humor.— E não tem como ser as duas coisas?— Tem — ele admitiu. —
Capítulo 634
~ RENATA ~ Era quarta-feira quando voltei a Florença.Tinha tentado falar com Nico desde que descobri a verdade. Desde que aquela recepcionista idiota na Bellucci confirmou que Christian era Christian Bellucci, CEO da empresa de vinhos. Desde que todas as peças se encaixaram na minha cabeça como um quebra-cabeça grotesco e satisfatório.Bianca Bellucci.A consultora de marketing pobre era na verdade herdeira de um maldito império.No sábado, fui até a Tenuta. Dirigi duas horas só para descobrir que Nico não estava. Martina me recebeu na porta com aquela expressão de quem preferiria estar em qualquer outro lugar.— Ele foi para Florença — disse secamente.— Florença? — repeti, já sabendo exatamente onde ele estava. Enfiado naquele apartamento obsceno com aquel
Capítulo 635
~ BIANCA ~ O mundo pareceu parar por um segundo.2,3 milhões de euros.Ela sabia.Renata sabia.Respirei fundo, forçando minha expressão a permanecer neutra. Anos de reuniões corporativas me ensinaram a não demonstrar pânico. Mas por dentro, sentia como se o chão estivesse cedendo.Virei-me lentamente para Mia.— Vai na frente — disse, minha voz saindo surpreendentemente calma. — Vou resolver isso e te encontro depois.Mia olhou de mim para Renata, claramente preocupada.— Bianca, eu não acho que...— Por favor — cortei gentilmente, mas com firmeza. — Eu resolvo.Ela hesitou por mais um segundo antes de concordar relutantemente, me dando um último olhar de aviso antes de sair pela porta giratória.Quando ficamos sozinhas, ou tão
Capítulo 636
~ BIANCA ~— Não.A palavra saiu antes mesmo de eu perceber que tinha decidido. Seca. Do tipo que não dá espaço pra negociação.Renata piscou, como se não tivesse ouvido direito.— O quê?Levantei da cadeira. Senti minhas próprias mãos tremerem, mas a voz saiu firme.— Eu disse não. Não vou pagar um centavo para você. Não vou ceder a essa chantagem patética.Apontei para a porta.— Sai daqui. Agora.Ela riu. Aquele riso irritante, elástico, que sempre pareceu mais uma provocação do que qualquer coisa engraçada.— Você vai se arrepender…— SAI DAQUI! — gritei, mais alto do que pretendia. — AGORA!Minha voz ecoou pela sala, batendo nas paredes de vidro e voltando pra mim. Por um segundo, até eu me assustei comigo mesma.Renata se levantou com toda a calma do mundo, como se estivesse saindo de um café, não de uma tentativa de extorsão. Pegou a bolsa, ajeitou a alça no ombro.— Tudo bem — disse, caminhando em direção à porta.Já na moldura, virou-se de novo. Os olhos vazios de qualquer re
Capítulo 637
~ RENATA ~Ouvi o som antes de ver.Metal amassando. Vidro se estilhaçando. Aquele barulho horrível e inconfundível de acidente grave.Olhei pelo retrovisor instintivamente.O Audi tinha saído da estrada. Estava rodando descontroladamente. Levantando nuvens de poeira. Batendo em algo que não consegui ver direito.E então parou.Torto. Completamente amassado. Imóvel.Meu pé foi automaticamente para o freio sem que eu tomasse decisão consciente.O carro diminuiu a velocidade rapidamente. Derrapei levemente antes de conseguir controlar.Parei completamente no acostamento irregular, mãos apertadas no volante com força dolorosa, olhando fixamente pelo retrovisor.Fumaça começando a subir lentamente do capô amassado do Audi.Não.Não, não, não.Eu não queria isso.Não queria que ela se machucasse de verdade. Não assim. Não tão sério.Só queria... só queria tirá-la da estrada por alguns minutos. Atrasá-la um pouco. Chegar na Tenuta antes dela. Contar minha versão primeiro.Era só isso. Só um
Capítulo 638
~ NICOLÒ ~Estava consertando a cerca próxima à área de barris quando ouvi o som distinto de um carro subindo pela estrada de terra da propriedade.Não estava esperando ninguém hoje.Larguei o martelo sobre a madeira velha, limpei as mãos sujas de graxa e terra no jeans já manchado e caminhei até a frente da Tenuta, franzindo a testa contra o sol forte da tarde.O carro parou perto da entrada principal, levantando uma pequena nuvem de poeira que demorou a assentar.Renata saiu do lado do motorista.Senti minha mandíbula travar automaticamente. Os músculos do pescoço tensionando de forma involuntária.— Você não deveria estar aqui — disse antes mesmo que ela conseguisse abrir a boca completamente.Ela fechou a porta do carro com cuidado exagerado, ajeitou a bolsa no ombro com movimentos lentos.Parecia... estranha. Diferente do normal. Nervosa, talvez? Hesitante? Não conseguia definir direito, mas algo estava claramente fora do padrão dela.— Nico, eu preciso falar com você — começou,
Capítulo 639
~ NICOLÒ ~O carro de Renata desapareceu pela estrada levantando poeira, e eu fiquei ali parado como um idiota.As palavras dela ecoando na minha cabeça."Bianca Bellucci comprou sua dívida por 2,3 milhões de euros."Não.Não ia fazer isso.Não ia acreditar em nada que saísse da boca daquela mulher.Bianca me avisou. Avisou para não acreditar em absolutamente nada que Renata dissesse.Eu podia não saber exatamente onde Renata queria chegar com aquela história toda, mas definitivamente ela queria chegar em algum lugar. Sempre queria.Respirei fundo, passando as mãos pelo cabelo com força.Voltei para a cerca. Peguei o martelo novamente.Concentra, pensei comigo mesmo. Só concentra no trabalho.Posicionei o prego. Levantei o martelo.Mas minhas mãos tremiam levemente.Tentei de novo. O prego entrou torto.— Merda — murmurei, arrancando e tentando novamente.Era impossível.Não era porque eu escolhi ignorar que minha mente simplesmente ia parar de se preocupar. Não funcionava assim.Bian
Capítulo 640
~ NICOLÒ ~Não lembro direito como cheguei até o carro.Só sei que um segundo estava parado no quarto segurando o celular com força dolorosa, ouvindo a voz tensa de Dante dizendo "Bianca sofreu um acidente grave, está em cirurgia de emergência agora", e no segundo seguinte estava correndo escada abaixo com as chaves do carro na mão.Martina apareceu subitamente quando passei pela cozinha em disparada.— Nico? — chamou alarmada. — O que aconteceu? Você está pálido.— Tenho que ir — foi tudo que consegui dizer sem parar de andar, sem olhar para ela direito. — Emergência em Florença. Cuida da Bella quando ela voltar da casa da amiga, por favor.Não esperei confirmação. Não esperei perguntas. Não podia.Saí pela porta, atravessei o pátio em passos largos e descontrolados.Entrei no carro, enfiei a chave na ignição com mãos que tremiam visivelmente, liguei o motor que roncou irregular.Dante tinha passado o endereço rapidamente pelo telefone antes de desligar. Um hospital particular em Flo