All Chapters of Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário: Chapter 651
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Capítulo 651
~ BIANCA ~A alta médica tinha demorado mais do que eu queria.Dez dias no hospital. Dez dias de testes, fisioterapia, médicos checando cada detalhe antes de me liberarem finalmente.Mas agora estava saindo. De verdade.Nico me ajudou a entrar no carro com cuidado excessivo, como se eu fosse quebrar ao menor movimento brusco.— Estou bem — garanti pela décima vez. — Pode relaxar.— Você literalmente saiu de coma induzido há poucos dias — retrucou, ajustando o cinto de segurança por mim. — Vou continuar sendo cuidadoso, obrigado.Sorri apesar da frustração com minha própria fragilidade.A viagem até o apartamento foi tranquila. Nico dirigindo devagar, evitando buracos, conversando sobre coisas leves.Quando paramos em frente ao prédio, o porteiro veio ajudar imediatamente.— Senhorita Bellucci! — cumprimentou com sorriso genuíno. — Que bom vê-la de volta. Estávamos todos preocupados.— Obrigada, Carlo — respondi, tocada pela preocupação.Subimos no elevador. Nico ainda me segurando pel
Capítulo 652
~ BIANCA ~Voltar ao trabalho foi algo que precisou ser feito aos poucos.Muito mais devagar do que eu queria. Infinitamente mais devagar do que estava acostumada.Na primeira semana após a alta, mal consegui ficar sentada na mesa do escritório por mais de duas horas seguidas antes de precisar me deitar. As costelas reclamavam. O braço imobilizado atrapalhava tudo. A fadiga vinha em ondas imprevisíveis.Frustrante não era nem palavra forte o suficiente.Mas na segunda semana, algo mudou.Minha cabeça finalmente estava muito mais ágil, por mais que meu corpo não conseguisse acompanhar.E isso era horrível. Porque eu conseguia pensar com clareza total. Conseguia analisar, planejar, estrategiar. Mas executar fisicamente? Impossível sem dor.Christian tentou me mandar para casa três vezes só na segunda-feira.— Você literalmente está pálida — argumentou, de pé na porta do meu escritório com expressão preocupada. — Vai descansar.— Estou descansando — menti descaradamente, digitando relató
Capítulo 653
~ BIANCA ~Montepulciano estava linda naquela tarde de quinta-feira.Sol quente mas não escaldante. Brisa suave trazendo cheiro de vinhas maduras das colinas ao redor. Turistas passeando pelas ruas estreitas de pedra com aquela preguiça característica de quem está de férias.Nico e eu estávamos sentados em mesinha pequena na frente da gelateria principal da praça central.Ele tinha insistido em vir até aqui depois que contei sobre a descoberta de Alessandro. Disse que precisava processar longe de Florença. Longe do apartamento. Em território familiar.Eu tinha concordado. Também precisava de ar fresco. De perspectiva.E, honestamente, de gelato excepcional.Estava saboreando bacio — avelã com chocolate — enquanto Nico mexia distraído no pistachio dele sem realmente comer muito.— Eu ainda não acredito nisso — disse eventualmente, olhando para a pasta discreta que estava na bolsa ao meu lado. — Renata...?— Mas faz sentido, não faz? Como ela conseguiu dinheiro para advogados caros tão
Capítulo 654
~ RENATA ~Por um momento — um momento muito rápido — senti o chão desaparecer debaixo dos meus pés.Olhei para aquela pasta. Para aqueles documentos. Para as palavras que saltavam da página como acusações gritadas."Investigação. Tráfico. Mula. Suspeita."Meu coração disparou. Minhas mãos ficaram geladas.Como?Como eles tinham conseguido isso?Aquilo tinha sido enterrado. Arquivado. Trancado em gavetas burocráticas que ninguém deveria ter acesso.E ainda assim, ali estava. Na minha frente. Sendo jogado na minha cara pela princesinha Bellucci com aquela expressão superior dela.Mas então — rápido, instintivo, automático — meu cérebro começou a processar.Investigação. Não condenação.Suspeita. Não prova.Arquivado. Por falta de evidências.E comecei a rir.Baixo primeiro. Depois mais alto. Até estar genuinamente gargalhando na frente dos dois.— Vocês sabem que isso não vale absolutamente nada, não sabem? — disse quando consegui controlar o riso.Bianca me encarou com aquela frieza i
Capítulo 655
~ BIANCA ~Nos dias que se seguiram ao encontro na gelateria, algo mudou.Não de forma dramática. Não com discussão ou palavras duras.Mas mudou.Sutil. Gradual. Como uma camada fina de gelo se formando por cima de algo que antes corria livre.Nico começou a dormir no sofá.— Bella e Martina estão no quarto de hóspedes — explicou na primeira noite, pegando um travesseiro extra no armário. — E vou ficar assistindo uns documentários sobre vinicultura até tarde. Não quero te acordar com barulho da TV.Fazia sentido. Era até cuidadoso.Então não questionei.Mas na segunda noite ele repetiu a mesma justificativa, com a mesma naturalidade. Na terceira também. Na quarta.E, quando eu percebi, tinha passado uma semana inteira sem ele dormir na nossa cama.A cama ficou grande demais.Comecei a acordar sozinha todas as manhãs.Nico já tinha saído. Sempre cedo. Sempre antes do sol nascer completamente.— Preciso chegar na Tenuta cedo — dizia quando eu perguntava por mensagem. — A empreiteira com
Capítulo 656
~ BIANCA ~Não avisei que estava indo.Simplesmente entrei no carro na manhã de sexta-feira, disse para Dante assumir minhas urgências, e dirigi até Montepulciano.Até a Tenuta.A propriedade estava irreconhecível em alguns aspectos. Andaimes de metal cercando toda a ala destruída pelo incêndio. Lonas azuis cobrindo partes do telhado danificado. Homens de capacete amarelo trabalhando, carregando materiais, operando equipamentos.Som de serras elétricas e martelos pneumáticos ecoando através das colinas normalmente silenciosas.Mas também estava familiar. Profundamente familiar. As vinhas continuavam verdes e perfeitamente ordenadas, fileiras intermináveis se estendendo em padrões geométricos satisfatórios. O cheiro característico de terra rica e uva madura no ar quente. O céu azul toscano se estendendo infinito acima de tudo, indiferente aos dramas humanos abaixo.Era lindo aqui. Sempre tinha sido.Estacionei perto da casa principal, na área que não tinha sido afetada pelo fogo. Desli
Capítulo 657
~ BIANCA ~Olhei para ele. Para o homem que eu amava, parado no topo daquela torre, segurando a caixinha aberta com a aliança brilhando sob o sol toscano implacável.Vulnerável. Exposto. Com aquele medo ainda preso nos olhos — e, por baixo dele, uma esperança frágil tentando não morrer.Meu coração apertou.Por dias, eu tinha assistido Nico se afastar. Construir muros. Criar uma distância artificial entre nós por causa de Renata — por causa do veneno que ela plantava com precisão cirúrgica.Não mais.Respirei fundo, enchendo os pulmões com o ar perfumado de terra e uva madura.— Você me pede — falei. A voz saiu firme, limpa, como uma decisão. — Colocando esse anel no meu dedo.Nico piscou, como se eu tivesse puxado o chão debaixo das desculpas dele.— Mas… Renata...— Foda-se a Renata — cortei, com uma raiva que me surpreendeu. — Foda-se o plano dela. Foda-se o que ela quer, o que ela espera, o que ela contou que você faria.Dei um passo na direção dele.— Se você me ama — continuei,
Capítulo 658
~ BIANCA ~A sala de reuniões do departamento jurídico da Bellucci era intimidante por design.Mesa longa de mogno escuro polido. Cadeiras de couro preto, rígidas demais para qualquer conversa que envolvesse sentimentos. Uma parede inteira de vidro com vista para Florença — como se a cidade fosse um lembrete silencioso de que ali, dentro, o mundo funcionava por regras.Na outra parede, estantes repletas de volumes encadernados de legislação italiana, alinhados com uma precisão quase agressiva.Três advogados estavam do lado oposto da mesa.Giulia Marchetti, direito de família, olhar afiado de quem já viu todo tipo de guerra doméstica. Marco Rossetti, blindagem patrimonial, a calma clínica de quem transforma pânico em cláusulas. Leonardo Conti, coordenando tudo, óculos de armação fina e uma voz que parecia feita para dizer “isso é incontestável”.Christian estava sentado ao meu lado. Postura relaxada, atenção absoluta — como sempre, mesmo quando fingia casualidade.Eu estava reta, mãos
Capítulo 659
~ BIANCA ~— Mas... eu? Não... como?As palavras não faziam sentido juntas dessa forma. Não faziam conexão lógica no meu cérebro.Christian riu baixinho apesar da tensão óbvia no ar.— Aposto que não preciso te explicar os detalhes biológicos — brincou com leveza claramente forçada.Dei um tapinha no ombro dele, mais reflexo que raiva real.— Não seja idiota — murmurei automaticamente.Então reformulei, porque a pergunta verdadeira era outra completamente diferente.— Como você pode saber disso e eu não? — demandei, olhando diretamente para ele. — Como é possível que você saiba que estou grávida antes de mim?Christian ficou sério novamente instantaneamente.— Descobriram nos exames pré-operatórios — ele explicou, com uma calma que parecia treinada. — Antes da cirurgia de emergência. É protocolo: teste de gravidez antes de anestesia geral.Ele pausou. Eu vi algo pesado atravessar o rosto dele, como se a palavra seguinte tivesse gosto de metal.— E como eu era o parente mais próximo di
Capítulo 660
~ BIANCA ~No minuto em que saí daquela sala do jurídico, com a palavra grávida ecoando em tudo, eu já estava no corredor, com o celular na mão, o coração batendo alto demais para um corpo que ainda devia estar agradecendo por estar vivo.Não dava para contar para o Nico só com uma frase jogada no meio do caos da casa.Não dava para dizer “estou grávida” como quem diz “acabou o leite”.E, principalmente… eu precisava ver. Precisava ter certeza com os meus próprios olhos. Um papel. Um carimbo. Um número.Porque o medo tem uma forma cruel de sussurrar: e se for um engano?E a esperança, quando já foi quebrada uma vez, aprende a pisar com cuidado.Pedi a minha secretária para remarcar o que fosse possível. Liguei para o meu médico. Recebi um encaixe.O hospital cheirava a desinfetante e ansiedade. E isso foi o suficiente para fazer o estômago revirar.Passei por recepção, assinatura, pulseira, aquelas etapas automáticas em que você vira paciente antes de virar pessoa. Fiz o exame. Espere