All Chapters of Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário: Chapter 661
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Capítulo 661
~ BIANCA ~A casa inteira pareceu entrar em conspiração.Não de um jeito mágico — de um jeito prático, italiano, quase militar. Martina não fez festa, não fez alarde, não fez perguntas demais. Só arregaçou as mangas como quem diz: certo, vamos fazer isso direito.E, por alguns minutos, eu deixei que ela conduzisse.— Você vai ficar aqui — Martina disse, me empurrando para uma cadeira da cozinha com uma firmeza carinhosa. — E vai beber água.— Eu não estou doente — murmurei, obedecendo mesmo assim.— Está grávida — ela corrigiu, como se aquilo explicasse tudo. — E está pálida. Água.Eu bebi. E, por um segundo, eu me vi pelo olhar dela: alguém que passou tempo demais tentando ser invencível, e agora precisava ser só… humana.Martina abriu a geladeira, avaliou ingredientes como um general avaliando terreno.— Nada pesado — ela decretou. — Hoje é noite de coração, não de estômago.Eu quase ri.— Isso foi profundo vindo de você.Ela me lançou um olhar que era metade censura, metade humor.
Capítulo 662
~ RENATA ~Dirigir até Florença era uma humilhação que eu engolia com dentes cerrados.Não pela estrada — a Toscana sempre foi bonita demais para merecer gente como eu e como eles — mas pelo simbolismo. Antes, Bella vinha até mim. Agora eu era quem tinha que atravessar colinas, pedágios, placas e curvas para “pegar minha filha” na cidade dela. Na cidade deles. Na cidade onde a Bianca Bellucci respirava como se o ar tivesse sido inventado para os pulmões dela.A cada quinze dias.Como se eu fosse um compromisso de agenda.Como se eu fosse uma visita.Eu estacionei com precisão cirúrgica, desliguei o motor e fiquei alguns segundos com as mãos no volante. O couro ainda guardava o calor dos meus dedos. O carro cheirava a perfume caro e a raiva antiga.Calma, Renata.Eu me olhei no espelho do retrovisor. Batom intacto. Cabelo perfeito. Olhar afiado o suficiente para cortar metal.Eu não perderia o controle.Não hoje.Hoje era dia de Bella. E Bella era, sempre, a peça que importava.Ela sai
Capítulo 663
~ RENATA ~Eu apertei a mão dela com cuidado, como se eu estivesse protegendo.Como se eu tivesse acabado de dizer algo doloroso só por amor.E esperei a verdade fazer o resto sozinha.Bella olhou para a própria fatia de pizza como se a pizza tivesse ficado mais pesada.— Mas ela gosta de mim — Bella insistiu, como quem tenta segurar uma certeza.Eu sorri, maternal, e foi aí que eu fiz a coisa mais perigosa: concordei antes de torcer.— Eu acho que ela gosta, sim. — Eu passei o polegar na mão dela, um carinho. — Só que… pessoas são complicadas. Às vezes elas gostam e, ainda assim, querem um lugar que seja só delas.Bella piscou.— Um lugar?— Uma família “certinha”, sabe? — eu falei como se fosse uma coisa do mundo. — Papai, mamãe e bebê. Sem bagunça. Sem passado. Sem… nada lembrando que existiu uma vida antes.Eu vi a Bella ficar imóvel.E eu suavizei, como se eu tivesse me arrependido de ter dito demais.— Eu não estou dizendo que vai acontecer — eu menti com elegância. — Eu só… eu
Capítulo 664
~ NICOLÒ ~Renata já tinha ido embora quando eu consegui respirar de verdade, mas o estrago ficou como vidro moído no chão: invisível, impossível de pisar sem se cortar.Bella não parava de chorar. Não era aquele choro “dramático” de criança contrariada. Era um choro com raiva e medo misturados, como se alguém tivesse puxado o tapete do mundo dela e agora ela estivesse tentando, com o corpo inteiro, não cair.— Princesa… — eu tentei de novo, ajoelhado na altura dela. — Olha pra mim.Ela virou o rosto com violência e esfregou as lágrimas na manga, como se estivesse com vergonha de estar chorando.— Você mentiu pra mim! — ela gritou.A palavra me atingiu no peito.— Eu não menti. Eu só… — Eu parei, porque “eu só não contei” era, no idioma dela, exatamente a mesma coisa. — Eu errei. Eu devia ter falado com você.O lábio dela tremeu. O queixo tremeu. Os olhos ficaram enormes.— Você vai embora — ela repetiu, numa voz menor, quase sem ar. — Você vai me deixar e vai ficar só com o bebê.Meu
Capítulo 665
~ BIANCA ~Eu esperei.Não porque eu fosse covarde demais para estar lá. Mas porque eu ouvi o choro da Bella e reconheci, de longe, o tipo de tempestade que não precisa de plateia. Tempestade de medo. De criança.Eu fiquei do lado de fora do quarto, encostada na parede do corredor, com a mão pressionando a boca como se isso impedisse algum som de escapar de mim. Como se o mínimo ruído meu pudesse virar mais um motivo para ela me odiar.Quando ela gritou que eu não era a mãe dela, eu senti a frase atravessar a carne.Eu sabia que não era.Eu nunca tentei fingir.Mas havia um lugar dentro de mim — um lugar silencioso e ridículo — que acreditava que amor, com tempo suficiente, virava família.Bella tinha me dado esse lugar. Desde o primeiro minuto.Desde o início, ela não me olhou como intrusa. Me olhou como… alguém. Um adulto seguro. Um porto.E agora, de repente, ela me olhava como ameaça.Eu fui para o meu quarto para não desabar no meio da casa. Fechei a porta com cuidado e me sentei
Capítulo 666
~ RENATA ~O telefone tocou antes de eu chegar em casa.Eu vi o nome do meu advogado no painel do carro e sorri sem mostrar dentes.Perfeito.Atendi no viva-voz, com as duas mãos no volante e a expressão calma de quem não fez nada além de cumprir “o direito de mãe”.— Renata — ele disse. — Acabei de receber uma mensagem do meu estagiário. Sobre a confusão na residência do senhor Montesi.“Confusão.” Adoro como advogados chamam incêndio de “evento”.— Confusão é uma palavra bonita — eu respondi, doce. — A Bella teve uma crise. Coisa de criança. Mas eu imagino que o que eu chamo de “coisa de criança” vocês possam chamar de prova.Ele ficou em silêncio por meio segundo. Calculando.— Você mencionou que havia rumores sobre uma gravidez.— Não são rumores — eu corrigi, ainda com o mesmo tom. — Eu vi o suficiente para ter certeza. E eu não precisei inventar nada. A notícia vazou. Perfis de fofoca. Comentários. A cidade inteira falando.Eu podia ouvir o clique mental dele se encaixando.— Vo
Capítulo 667
~ NICOLÒ ~A ligação da escola veio numa terça-feira de sol forte, dessas em que a poeira da obra gruda na pele como uma segunda roupa.Eu estava com um capacete na cabeça e uma prancheta na mão, tentando entender por que o fornecedor tinha entregue a maldita viga com medidas diferentes das aprovadas, quando o celular vibrou no bolso.Número da escola da Bella.— Alô? — atendi, tentando manter a voz neutra.— Senhor Montesi? Aqui é da secretaria da escola da Isabella. A diretora gostaria de falar com o senhor. É… uma questão importante.— Aconteceu alguma coisa? Ela se machucou?— Não, não é um acidente. Mas pedimos que o senhor venha hoje, se possível. O quanto antes.Eu olhei para o canteiro. Homens carregando material. O som metálico. O caos controlado. E, de repente, nada ali importava mais do que o tom daquela mulher.— Estou a dez minutos — eu disse.E estava mesmo. Montepulciano não era grande, e o trajeto da Tenuta até a escola era conhecido. Só que eu fiz em metade do tempo,
Capítulo 668
~ BIANCA ~O prédio da Comune não tinha nada de romântico.Era bonito do seu jeito: pedra antiga, escada larga, uma bandeira tremulando preguiçosamente do lado de fora. Mas não era o tipo de lugar que você escolhe porque quer “um cenário”. Era o tipo de lugar que você escolhe porque precisa.E, naquele momento, eu precisava.Eu andava com os documentos dentro de uma pasta fina, como se papel fosse capaz de segurar uma casa inteira em pé. Cada passo ecoava no corredor alto, e eu reparei em detalhes que normalmente ignoraria: o som dos meus saltos, o cheiro de cera no chão, a luz atravessando vitrais sem intenção.Nico estava ao meu lado. Não de terno impecável, não como o homem que poderia ser em uma festa de revista, mas arrumado do jeito que ele ficava quando queria parecer calmo e não estava. Camisa clara, jaqueta escura, aquele ar de “eu faço isso com as mãos”, mesmo quando a batalha hoje era outra.Christian vinha atrás, mexendo no celular com a concentração de quem tenta controla
Capítulo 669
~ BIANCA ~Eu achei que, depois do civil, eu ia querer silêncio.Um quarto escuro. Um banho quente. Um Nico inteiro ao meu lado, sem barulho, sem perguntas, sem o mundo tentando transformar nossa vida em legenda.Mas Zoey tinha outros planos — e, quando Christian e Martina chegaram com a gente na porta da balada, eu entendi por quê.O lugar estava fechado só para família e amigos. Sem curiosos, sem câmera, sem imprensa. Na entrada, um segurança que eu não conhecia me reconheceu mesmo assim e fez um gesto discreto com a cabeça para que entrássemos.Ali dentro, era como se alguém tivesse decidido construir uma cápsula de alegria no meio do caos.Luzes baixas, música boa, comida circulando em bandejas e um bar inteiro liberado.Eu ainda não tinha me acostumado com as palavras que vinham agora grudadas em mim.Grávida.Esposa.Futuro.Bella não estava ali. Naquele horário, ela estava na escola e, sinceramente, nós achamos melhor assim. Porque o nome “casamento” ainda estava cheio de espin
Capítulo 670
~ BIANCA ~Minha cabeça explodiu antes mesmo de Zoey terminar a frase.Problema.A palavra era uma chave. Abria, sem querer, todas as portas que eu vinha tentando manter trancadas: Bella, Renata, audiência, fofoca, vazamento, o tipo de tragédia que chega sem bater.Eu senti o corpo inteiro endurecer.— O quê? — eu perguntei, já com o coração acelerando. — O que aconteceu? É a Bella?Zoey piscou, como se eu tivesse pulado vinte capítulos.— Não. Não! — ela segurou meu braço de novo, quase rindo. — Calma. Não é nada disso.— Então fala logo — eu exigi, e eu odiei ouvir a minha própria voz nesse tom.Zoey respirou fundo com uma solenidade ridícula, como se fosse anunciar uma guerra. E então, com a seriedade de quem está prestes a confessar um crime, ela disse:— O bolo… não é do chocolate certo. Não é do seu favorito.Eu fiquei olhando para ela.Um segundo.Dois.Até a realidade encaixar.— Você… — eu comecei, e a frase morreu no meio porque eu ri. Eu ri de verdade, com uma espécie de al