All Chapters of Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário: Chapter 721
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Capítulo 721
~ BIANCA ~O telefone ainda estava na mão do Nico quando ele se levantou num impulso. A manta caiu no chão e eu quase tropecei nela, mas ele já estava me puxando pelo pulso, já estava abrindo a porta, já estava indo.Eu peguei minha bolsa, mais instinto do que lógica. No corredor, eu senti o coração batendo em um lugar errado do meu corpo, como se tivesse descido para o estômago.— O que aconteceu? — eu perguntei, já no elevador, a voz cortada.Nico balançou a cabeça.— Eles não deram muitas informações — ele respondeu, e o tom dele era de um homem tentando manter a própria voz firme para não desmoronar. — Só disseram pra eu ir até o hospital pegar Bella.As portas se abriram na garagem.O ar frio bateu no meu rosto e eu quase agradeci por ele existir, porque pelo menos ele me lembrava que eu ainda tinha controle sobre as pernas.Nico destravou o carro, abriu a porta para mim, e eu entrei com a pressa desajeitada de quem não quer perder um segundo.Ele se sentou no banco do motorista
Capítulo 722
~ NICO ~A recepcionista olhou para a tela, depois para mim, e eu vi na expressão dela aquele segundo de avaliação que todo mundo faz quando a urgência não é a própria urgência.— Um momento, senhor — ela disse.Eu senti a mão da Bianca na minha, firme, como se ela estivesse me segurando no chão. Eu não olhei para ela. Se eu olhasse, eu ia quebrar de um jeito que não podia.A recepcionista fez um gesto para uma enfermeira no corredor. A enfermeira veio rápida.— Eu vou acompanhá-los — ela falou.Eu não perguntei para onde, só fui.O corredor parecia comprido demais. Cada porta que passava era um lembrete de que a vida do lado de dentro dessas paredes podia mudar em segundos.Eu tentei me manter respirando.A enfermeira parou em frente a uma porta. Olhou uma prancheta, conferiu.— É aqui.Eu abri antes que ela terminasse a frase.E, por um instante, tudo que eu vinha segurando dentro de mim caiu no chão.Bella estava sentada na cama, com uma bandejinha no colo e uma tigelinha de gelati
Capítulo 723
~ NICO ~Os dias foram passando e as semanas também.No começo, eu media o tempo pelo medo.Pelo telefone que podia tocar de novo. Por uma notificação jurídica. Por uma manchete. Por um carro estacionado tempo demais na frente do prédio. Pela sensação de que a vida estava apenas emprestada.Depois, sem que eu percebesse quando exatamente aconteceu, eu comecei a medir o tempo por outras coisas.Pelo horário em que a Bella acordava e ia direto para a cozinha, descalça, com o cabelo espetado. Pela rotina que a Martina montou como quem reconstrói uma casa com as próprias mãos. Pelo jeito que a Bianca passou a organizar pequenos detalhes do cotidiano.E pelo som do riso da minha filha voltando a existir sem medo.A guarda tinha começado como temporária.Uma medida de urgência, uma “residência provisória”, palavras que parecem neutras no papel e que, na vida real, significam: segure sua filha com força, mas não confie ainda.Só que provisório, com a Bella, nunca foi provisório.Ela não teve
Capítulo 724
~ NICO ~Nós quatro entramos no carro quase ao mesmo tempo.Bella se jogou no banco de trás, escorregando pelo assento como se aquilo fosse um sofá de casa — mochila pequena no colo, cabelo ainda meio amassado de manhã e a empolgação sem filtro de quem não guarda ansiedade no corpo.— Cinto — Martina avisou, automática, antes mesmo de sentar direito.— Eu sei, vó — Bella respondeu, e fez o clique com um suspiro dramático só para performar que estava sendo “obrigada”.Bianca fechou a porta do passageiro com cuidado e se ajeitou devagar, a mão indo para a barriga num gesto instintivo. Eu entrei do lado do motorista, coloquei a chave, e por um segundo fiquei só olhando para frente, sentindo o peso bom de ter todo mundo ali.Eu dei a partida.O motor pegou e, com ele, alguma coisa dentro de mim também.Bianca olhou para o banco de trás — Bella já tinha esticado as pernas e estava balançando os pés no ar — depois olhou para mim, com um sorriso que parecia inocente demais para a mulher que
Capítuo 725
~ BIANCA ~Na segunda-feira à tarde, eu voltei para a Bellucci como quem está retomando um pedaço de si.Eu atravessei a entrada do prédio com a mesma postura que eu sempre tive, mas com uma diferença essencial: eu não estava mais tentando provar nada.Durante semanas, eu tinha vivido com a sensação de que meu nome estava sendo usado como arma por gente que nunca me conheceu de verdade.E a parte mais cruel disso é que a mentira sempre ganha mais espaço do que a normalidade.O que dá manchete é “madrasta sequestradora”. O que dá clique é “escândalo”. O que rende comentário é a versão mais fácil de odiar.Mas o que eu tinha agora era a parte que ninguém na internet consegue roubar: o famoso “quem me conhece sabe”.E eles sabiam.Sabiam de verdade.Christian tinha conseguido domar o conselho do jeito que eu sabia que ele conseguiria: com fatos que não deixavam espaço para interpretação maldosa.Ele colocou tudo sobre a mesa — literalmente — e, quando terminou, a narrativa da armação fic
Capítulo 726
~ NICO ~A Tenuta tinha um som.Não era um som único, daqueles que você reconhece de olhos fechados. Era um conjunto de ruídos pequenos que, juntos, viravam ritmo. O portão abrindo cedo, pneus na estrada de cascalho, passos apressados no corredor de serviço, o tilintar contido de louça na cozinha, a máquina de café trabalhando sem pausa. Madeira rangendo sob pés que já não andavam com cuidado, porque o lugar tinha deixado de ser obra e virado casa.E tinha cheiro.Café forte, pão aquecido, uva madura que insistia em morar no ar mesmo fora da época. Um perfume limpo de roupa recém-passada vindo de algum canto, o sabonete de hotel que Martina aprovou com uma seriedade de conselho administrativo. Eu atravessava o pátio e sentia, por baixo de tudo, o cheiro de pedra fria — aquele que sempre me lembrava que as paredes dali tinham história.Quando eu cheguei à cozinha, a rotina já estava em movimento.Uma das meninas da equipe alinhava bandejas, outra conferia uma lista com caneta na orelha
Capítulo 727
~ BIANCA ~Eu aprendi que rotina não é falta de emoção.Rotina é a emoção domesticada, colocada para funcionar sem fazer barulho.Quando o Nico voltou para os pepinos dele, eu levei a Bella — e, em dois minutos, nós já estávamos indo para o carro.Ela ocupou o banco de trás como se fosse dona do território. Colocou a mochila no colo, olhou pela janela e depois me estudou pelo retrovisor.— Mãe — ela chamou, no mesmo tom de quem pergunta a hora.— Hum?— Quando a minha irmãzinha vai nascer?Eu soltei um ar que era metade riso, metade rendição.— Por que essa pressa?— Porque a sua barriga já tá enorme — ela disse, apontando sem delicadeza nenhuma, e depois completou, como se fosse um elogio: — Enorme mesmo.— Obrigada pela delicadeza — eu respondi, fingindo indignação.Bella riu com gosto.— É verdade.— É verdade — eu concordei. — Falta bem pouquinho agora. Daqui a pouco, vocês vão se conhecer.O olhar dela acendeu.— Eu contei pra Giulia — ela disse, como se tivesse feito um anúncio
Capítulo 728
~ BIANCA ~Florença tinha um jeito próprio de fazer tudo parecer maior.As luzes sempre pareciam mais bem posicionadas, os lugares sempre tinham história o bastante para virar cenário, e até o barulho das pessoas conversando carregava um tipo de beleza.Na entrada do evento, eu já senti aquela grandiosidade.O fluxo de convidados, o tapete discreto, a disposição calculada de fotógrafos que fingiam estar ali por acaso, mas já sabiam exatamente quem queriam capturar. A parede com o nome da linha em letras elegantes — LINHA MONTESI por BELLUCCI — e, ao lado, o rótulo ampliado como se fosse uma obra de arte.E talvez fosse.Eu ajeitei o vestido com um gesto pequeno e respirei fundo antes de entrar. Nico estava ao meu lado, impecável e claramente consciente do próprio corpo naquele ambiente, como se cada passo dele precisasse provar que ele merecia estar ali.Eu entrelacei meus dedos nos dele.— Respira — eu murmurei.— Eu tô respirando — ele respondeu, mas a voz saiu seca.Eu quase sorri.
Capítulo 729
~ NICO ~Eu já tinha passado a vida inteira treinando para manter o controle — na terra, na adega, nas contas, nas tragédias. Mas nada, absolutamente nada, te prepara para a sensação de que o mundo inteiro virou uma seta apontando para um único lugar: hospital. Agora.Eu não lembro de descer do palco. Eu lembro de mãos se afastando, de alguém abrindo espaço, de Christian dizendo alguma coisa que não entrou, de Zoey já no telefone com uma eficiência assustadora. Lembro do rosto da Martina, pálido de susto e firme de comando, puxando a Bella para perto do corpo.— Eu fico com ela — Martina disse. — Vai.Bella agarrou o vestido da avó com as duas mãos, os olhos enormes, mas não chorou. Só olhou para mim e para a Bianca com aquela coragem quieta de criança.— Vai com a mamãe — ela falou.Eu quis responder, beijar a testa dela, dizer que tudo ia ficar bem. Mas o “bem” estava no banco do carro, no cinto de segurança apertado na Bianca, no caminho mais rápido possível sem transformar a cidad
Capítulo 730
~ BIANCA ~A madrugada tem um silêncio que não existe em mais nenhum horário.Um silêncio de conforto.O hospital, mesmo com luzes acesas e corredores funcionando, parecia reduzir o mundo a coisas essenciais: o som baixo do ar-condicionado, o bip distante de algum monitor, o sussurro de passos de enfermagem indo e vindo como se carregassem o equilíbrio do planeta.Eu estava sentada na cama com a Chiara no colo.O rostinho dela era um conjunto de detalhes que eu tentava gravar como se isso fosse possível: a boca minúscula, a pele ainda com aquele tom de recém-chegada ao mundo, o nariz delicado, as pálpebras pesadas que abriam e fechavam como se ela testasse o próprio corpo.Nico estava ao meu lado, encostado na cabeceira, o braço apoiado atrás de mim num gesto protetor.Ele não falava muito.Só olhava.Como se o silêncio fosse o jeito mais honesto de dizer “eu não acredito e eu acredito ao mesmo tempo”.— Você tá bem? — ele perguntou baixo.Eu poderia ter respondido com uma lista intei