All Chapters of Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário: Chapter 711
- Chapter 720
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Capítulo 711
~ RENATA ~Depois da fuga, Isabella ficou pior.Não pior no sentido bonito que todo mundo finge entender — “traumatizada”, “sensível”, “precisando de acolhimento”. Não. Pior no sentido prático: mais alerta, mais desconfiada, mais difícil de dobrar.Antes, eu tinha uma criança que reclamava e depois obedecia.Agora, eu tinha uma criança que observava.E criança que observa vira risco.Eu já tinha conseguido contornar a narrativa de negligência uma vez.Aquela história do “sequestro arquitetado” tinha funcionado melhor do que eu esperava, porque era exatamente o que as pessoas queriam acreditar: que a esposa rica, grávida e intrometida tinha ciúmes, que o pai tinha sido cúmplice, que a menina tinha sido usada como peça.Foi um espetáculo.E eu sou boa em espetáculo.Mas espetáculo não aguenta repetição. Isabella precisava andar na linha. Precisava voltar a ser previsível.Naquela noite, ela estava sentada no tapete da sala com um conjunto de blocos espalhados ao redor. Montava alguma co
Capítulo 712
~ MATHEUS ~Eu deveria ter dito não.Não pelo que era, porque eu já tinha entendido, na prática, que a vida de uma criança pesa mais do que qualquer desconforto pessoal.Eu deveria ter dito não pela cena.Pela cadeira da COO que ainda parecia grande demais sob minhas costas.Pela ironia de estar usando um terno escolhido para reunião e não para… aquilo.E, principalmente, porque só Bianca conseguiria me colocar num plano que exigia sangue frio, estômago e um tipo de coragem muito específico: a coragem de entrar no território da pior inimiga dela e não perder o controle.Eu parei diante da casa e olhei para o interfone.Endereço confirmado.O dedo ficou suspenso por um segundo.Era ridículo: eu já tinha lidado com coisa pior. Já tinha negociado com gente que sorria enquanto calculava como te destruir. Já tinha atravessado aeroportos com documento errado e desculpa perfeita. Já tinha trabalhado num país onde um erro vira motivo de deportação.E, ainda assim, apertar aquele botão parecia
Capítulo 713
~ RENATA ~— O quê? — ele respondeu, rápido demais. — Ninguém me mandou… eu vi seu perfil e… e…Eu inclinei a cabeça, só o suficiente para ele entender o que eu estava ouvindo — e julgando.— Você é bonitinho, sabe? — eu disse, com um sorriso pequeno. — Mas não sabe mentir.Ele piscou.Eu completei, sem pressa, como quem já tinha chegado no fim do caminho.— Foi a Bellucci, não foi?— Quem? — ele soltou, fingindo confusão. — Eu não sei do que você tá falando.Eu deixei o silêncio trabalhar.Homens sempre se denunciam no intervalo entre a pergunta e a resposta. Nesse intervalo, o corpo decide.E o corpo dele tinha decidido mal.Claro que foi.Claro que foi a Bianca.Por algum motivo, ela se apagou a Bella de verdade e é exatamente por isso que ela é perigosa. Porque amor faz a Bella obedecer sem medo. Faz minha filha confiar. Faz minha filha escolher.E escolha é o único luxo que eu não posso deixar essa criança ter.E eu vi, com mais clareza ainda, o que veio depois da fuga.Se Bella
Capítulo 714
~ BIANCA ~No dia seguinte, eu fui até a sede da Bellucci de novo.Não porque eu estivesse fingindo normalidade. Porque a normalidade tinha acabado na hora em que meu nome virou manchete junto com a palavra “sequestro”.E sim porque nós tínhamos combinado: nada de mensagem, nada de ligação, nada de áudio dramático. Pessoalmente.Renata não era só uma mulher vingativa, ela era uma mulher inteligente. Entendia como uma peça pequena pode virar uma avalanche se você souber em qual encosta empurrar. E eu não fazia ideia do alcance dela. Eu só sabia que subestimá-la era um luxo que eu não tinha.Se Renata conseguisse colocar as mãos no meu telefone, num histórico, em qualquer frase minha fora de contexto, ela transformaria isso em prova de perseguição. Eu respirei e decidi: não vai ter munição. Só ação.Então eu entrei no prédio com o coração na mão.O elevador me levou até o andar executivo e, por um segundo, eu senti a estranheza física: aquele caminho ainda era meu, mas a cadeira lá em c
Capítulo 715
~ BIANCA ~O almoço com Mia tinha sido exatamente o que eu prometi ao Nico que seria: uma pausa controlada, um lugar público, uma conversa que parecia normal para quem olhasse de fora.Mia falou do caos interno na sede, dos olhares atravessados, de como certos nomes do conselho já tinham decidido uma versão antes mesmo de qualquer apuração. Eu ouvi, respondi, organizei prioridades na minha cabeça como eu sempre fazia. Só que, por baixo da mesa, minha perna não parava de balançar.Cada frase de Mia virava um lembrete de que o tempo tinha virado inimigo, e que eu estava andando com duas guerras ao mesmo tempo: a que aparecia nas manchetes e a que estava acontecendo dentro de uma casa em Montepulciano, atrás de uma porta trancada.O plano do Matheus continuava lá, girando, encaixando peças sozinho, como se meu cérebro não soubesse desligar. Ele tinha razão em uma coisa: ainda dava para pegá-la.Só que não hoje. Não agora.Hoje eu ia colocar o plano numa gaveta mental e trancar. Hoje eu i
Capítulo 716
~ BIANCA ~O sol de Florença tinha aquela luz que faz tudo parecer possível por algumas horas. Como se a cidade estivesse me oferecendo uma trégua, uma pequena janela onde nada era urgente, nada era manchete, nada era tribunal.Eu segurei a mão do Nico no caminho até o estacionamento do hospital e senti a palma dele relaxar na minha. Não completamente — ele não era um homem de relaxar completamente —, mas o suficiente para eu entender que aquela notícia tinha entrado como água em terra seca.Uma menina.Eu repeti a palavra por dentro como quem testa um tecido caro: com cuidado, com medo de rasgar.— Você tá sorrindo — ele disse, enquanto abria a porta do carro.— Eu tô tentando não chorar de novo — eu respondi, e a minha voz saiu com aquela honestidade leve que só existe quando a gente está cansada demais para performar.Ele encostou a mão na minha nuca por um segundo, um gesto rápido, protetor. Depois entrou no banco do motorista e ficou em silêncio, olhando para frente.Nico não com
Capítulo 717
~ BIANCA ~O balcão do caixa parecia menor do que era, como se as sacolas — muitas, organizadas, com papel de seda e laços discretos — ocupassem também o espaço que eu tentava manter livre dentro de mim.A vendedora passou as peças uma a uma com uma eficiência quase elegante.Eu fiquei ao lado do Nico observando, e por um instante raro eu consegui sentir o peso bom daquela cena: nós dois comprando enxoval como um casal normal. Como se o mundo não estivesse o tempo inteiro tentando se enfiar na nossa sala e decidir como a gente deveria existir.— Perfeito — a vendedora disse, quando finalizou o último item no sistema. — Vamos providenciar a entrega. Qual é o endereço?A pergunta caiu no ar com a simplicidade de uma coisa óbvia.E, mesmo assim, eu senti meu corpo travar um segundo.Nico também.Nós nos encaramos.Não foi um olhar dramático. Foi um olhar limpo, direto, como se a pergunta tivesse puxado uma linha que a gente vinha evitando segurar. Em qualquer outro dia eu teria respondid
Capítulo 718
~ RENATA ~A sexta-feira chegou com um gosto de promessa silenciosa: gente bem-vestida, luzes calculadas, taças que nunca ficam vazias e conversas que parecem casuais, mas são currículos disfarçados.Eu tinha recebido um convite para uma exposição de arte em Florença. Não um desses eventos pequenos, com meia dúzia de conhecidos e vinho morno. Era uma daquelas noites lotadas de gente rica e bebida cara, em uma galeria conceituada que sabia fazer o próprio nome soar como senha.Era sempre bom ir.Meu trabalho vinha resolvendo meu problema temporário de dinhero, mas beleza e juventude têm prazo. Eu não tinha o hábito de apostar todas as minhas fichas em uma única solução. Eu tinha planos.E sim, um marido rico ainda era o principal deles. Uma excelente opção. Porque, no fim, o mundo perdoa quase qualquer coisa quando você está no lugar certo ao lado do homem certo.Eu fui até a sala, onde Bella estava vendo televisão.— Meu amor, a mamãe vai sair hoje — eu disse, com a voz doce que funci
Capítulo 719
~ BIANCA ~Eu me movi com a naturalidade. Cumprimentei um funcionário, atravessei a lateral da galeria e entrei na área de guarda-volumes, onde as bolsas e casacos dos convidados estavam armazenados com etiquetas numeradas.Eu empurrei a porta de uma salinha menor, reservada para a equipe.O ar era diferente. Mais abafado, mais real.— Então — eu perguntei, antes mesmo de fechar a porta. — Deu certo?Matheus e Dante estavam sentados em uma mesa estreita, como se aquilo fosse uma reunião improvisada de guerra. Ao lado deles, um homem mais baixo, concentrado, com um notebook aberto e cabos que eu não quis identificar. Paolo.Eu só sabia duas coisas sobre ele: que entendia muito de tecnologia… e que essa habilidade não era limitada ao que era permitido.Matheus levantou o olhar para mim, e eu vi a mesma exaustão que vinha me acompanhando nas últimas semanas, só que nele parecia sempre mais contida. Como se ele tivesse medo de gastar energia com qualquer coisa que não fosse útil.— Pegamo
Capítulo 720
~ BIANCA ~Eles tinham dito vinte e quatro a quarenta e oito horas.Eu repeti esse intervalo mentalmente tantas vezes que virou uma espécie de relógio interno. Um relógio de tensão: a sensação constante de que algo podia acontecer a qualquer momento, de que a linha do tempo não era mais minha.Vinte e quatro a quarenta e oito horas para a investigação seguir depois que as provas foram apresentadas.O que significava que o telefonema podia vir a qualquer momento.Eu ainda não tinha contado nada para o Nico. Porque havia um tipo específico de esperança que, quando colocada na mão de um homem quebrado, vira uma promessa.E promessa é coisa perigosa.Se o plano não desse em nada, nós de fato precisaríamos seguir pelas vias legais. O caminho formal, demorado, cheio de audiências e versões. Eu não queria dar ao Nico a sensação de que estava tudo resolvido, para depois ver a realidade arrancar isso dele com a mesma facilidade com que Renata arrancava nossa paz.Eu não queria ver os olhos del