All Chapters of O CHEFE QUE EU ODIEI AMAR : Chapter 161
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161 - MAS NÃO VOU ME RASTEJAR POR ELE
Depois de comer, Celina se levantou:— Vou escovar os dentes.— Tem escova reserva pra mim? — perguntou Gabriel.— Tem, no armário do banheiro social.Cada um foi para um lado. O som das torneiras, escovas e o leve bater de portas preenchiam o apartamento, devolvendo-lhe a normalidade.Gabriel, já pronto, parou na porta do quarto de Celina.— Posso entrar?— Pode, sim — respondeu ela do banheiro.Ela saiu pouco depois, enxugando as mãos na toalha.— Acho que vou tentar dormir.Gabriel se aproximou da cama, sentou na beirada e depois se encostou na cabeceira. Pegou um travesseiro, colocou no colo e disse com suavidade:— Deita aqui. Quando você dormir, eu vou pra sala, tá bom? Pode dormir tranquila. Não vai te acontecer nada.Celina hesitou por um segundo. Mas havia segurança demais naquele gesto para que ela recusasse. Deitou, encostando a cabeça no colo dele, e ele a cobriu com a coberta leve. Começou a fazer carinho em seus cabelos, de forma lenta, quase hipnótica.Minutos depois, a
162 - MINHA AUTORA FAVORITA
Gabriel sorriu, orgulhoso.— E vai dar. Eu acredito muito em você.— Obrigada... — ela disse, com um olhar que misturava gratidão e força. — E você, tem planos pra hoje?— Algumas coisas pra resolver na rua. E pensei... Se você quiser, posso vir dormir aqui até domingo. Resolvo tudo durante o dia e à noite volto pra ficar com você.Celina sorriu, os olhos se iluminando.— Quero sim. Temos um acordo, então.Terminando o café, Gabriel se levantou.— Vou descer rapidinho no carro pegar minha mochila reserva. Sempre deixo uma lá pra emergência. Se você permitir, vou tomar um banho também...— Claro que permito! Nem precisa pedir, Gabriel. Esta casa também é sua.Ele deu um sorriso leve e saiu.Enquanto Gabriel descia, Celina ficou na cozinha por um instante, olhando para o copo, refletindo sobre tudo que estava vivendo. Era como se a vida tivesse decidido testar todas as suas forças de uma vez. Mas agora, mais do que nunca, ela sabia o que queria. E isso a mantinha de pé.Ao voltar, mochi
163 - EU VOU PEDIR FÉRIAS OU UM EXORCISMO
Celina então contou tudo: a invasão no apartamento, a bagunça proposital... Zoe ficou em choque. — Essa mulher é uma psicopata! Celina, você precisa tomar cuidado. — Eu sei. Por isso o Gabriel está dormindo aqui desde então. Ele vai ficar até domingo. Me sinto mais segura assim. Conversaram mais alguns minutos, desabafando, trocando palavras de carinho e força. Celina sentia-se acolhida mesmo à distância. Quando desligaram, já sentia o aroma da comida vinda da cozinha. Ela se juntou a Gabriel, jantaram juntos. Celina contou sobre a ida ao shopping, os móveis de bebê, a emoção de se imaginar montando o quartinho dos gêmeos. Gabriel ouvia com atenção, com aquele olhar que transbordava apoio e ternura. Depois, arrumaram tudo juntos e foram descansar. Gabriel dormiu na sala. Na manhã de sexta-feira, Celina despertou com o coração pesado. O dia amanheceu nublado, refletindo seu estado de espírito. Era véspera do casamento de Thor com Isabela, e a ansiedade a consumia. Deitada na cam
164 - EU PRECISAVA TE VER
A pista de dança vibrava com luzes coloridas, pessoas se moviam ao som da batida animada, gargalhadas ecoavam, conversas se perdiam no barulho. Celina estava ali, presente, dançando ao lado de Gabriel, Zoe e Arthur, mas seu pensamento estava em outro lugar. Os movimentos do seu corpo se misturavam com a música, mas seu coração batia num ritmo próprio, inquieto, como se anunciasse algo prestes a acontecer.Foi então que sentiu. Um arrepio percorreu sua espinha, como uma corrente elétrica e um calor conhecido se espalhou por seu corpo quando braços firmes envolveram sua cintura por trás. O coração, traidor, disparou no peito com a força de um trovão. O perfume, aquele perfume... era inconfundível. Amadeirado, envolvente, nostálgico. Sua respiração falhou, e ela soube. Não precisava ver para saber. O coração não mente. O corpo lembra. Porque o amor não avisa, ele apenas se impõe.Ela virou-se lentamente, como se o tempo estivesse suspenso, como quem já conhece o destino e apenas o aceit
165 - ESTAMOS TE ESPERANDO
Celina se afastou da porta do banheiro e apoiou as mãos trêmulas na bancada de mármore fria. O reflexo no espelho a encarava de volta, os olhos cheios de lágrimas, os lábios trêmulos e a maquiagem começando a borrar. Respirou fundo, tentando recuperar o controle sobre si mesma. Estava ali, sozinha, ou pelo menos achava que estava. Ela precisou daquele momento.De repente, a maçaneta girou e Thor entrou no banheiro feminino, fechando a porta atrás de si com um clique seco e trancando-a. Celina arregalou os olhos pelo espelho.— O que você está fazendo? Você não pode entrar aqui! — disse ela, com a voz embargada, virando-se um pouco, mas sem sair de frente ao espelho.Thor se aproximou devagar, colando o corpo ao dela por trás. Abraçou sua cintura com firmeza e encostou o rosto em seus ombros. Seus olhos se encontraram pelo reflexo.— Precisamos conversar. — Ele falou com a voz rouca e carregada de urgência.Celina levou as mãos ao rosto, enxugando as lágrimas que insistiam em cair. Vir
166 - ACHEI QUE ELA IA CEDER.
A madrugada havia mergulhado São Paulo em um manto escuro e frio. O local ainda vibrava com a energia do evento, mas para Thor, tudo parecia distante. Ele voltava para onde Arthur o aguardava, seu semblante estava carregado de pensamentos. A atmosfera estava abafada, e o peso das emoções recentes pressionava seu peito como uma rocha. Ao se aproximar, ele encontrou Arthur encostado numa pilastra, os olhos atentos e os braços cruzados. — Vou embora, Arthur. — disse Thor com a voz firme, mas abafada pelo peso da frustração.Arthur, observando o amigo, suspirou, descruzou os braços e respondeu com serenidade: — Eu te avisei que não ia funcionar dessa forma. Você sabe o que tem que ser feito primeiro.Zoe, que estava próxima, interveio com um tom de leve ironia: — É, poderoso chefinho, a Celina está mudando, está decidida. Sinceramente, achei que ela ia ceder, mas me surpreendi. Corre atrás do teu prejuízo antes que seja tarde demais.Thor suspirou, passando a mão pelos cabelos. — Sua
167 - NADA VAI IMPEDIR O MEU CASAMENTO
Celina pegou a bandeja e começou a comer. — Quer conversar? — perguntou Gabriel.— Não vou chorar, Gabriel. — disse Celina, determinada. — Tudo bem. — respondeu Gabriel, respeitando o momento dela. — Eu não esperava ele lá, Biel. Não esperava tocar justamente nossa música. — disse Celina, com os olhos marejados. — É o destino, Celina. Não podemos fugir dele. — disse Gabriel. — Ele disse que foi lá pra falar comigo, queria me levar pra cobertura dele. Acredita nisso, Gabriel? — disse Celina, incrédula. Gabriel apenas ouvia, atento. — Ele disse que não quer mais ficar separado, que quer se acertar comigo, mas o casamento é daqui a algumas horas. Como pode isso, Gabriel? Eu não entendo... Como ele se desfez de tudo que lembrava a Karina e o filho pra ficar comigo, se não cancelou o casamento?Celina mordeu o sanduíche, mastigou olhando para o nada e disse: — Eu não aceitei, Gabriel. Se ele realmente quer ficar comigo, então vai ter que resolver a vida dele com a Isabela. Não acei
168 - EU TENHO CERTEZA QUE ELE É SUA ALMA GÊMEA
Letícia riu alto junto da filha. O tom das duas era quase sádico, uma mistura de cinismo e arrogância. — A Celina foi só um obstáculo no caminho — disse Letícia. — E obstáculos existem pra serem removidos. Ela mesma se tirou do caminho. Se tivesse um pingo de dignidade, se mudaria de São Paulo, ou melhor, do país. Isabela então pegou o celular e começou a rolar sites de notícias, redes sociais. Os portais de fofoca já estampavam manchetes sobre o casamento do herdeiro dos Miller com a bela e jovem Isabela Koch. Algumas notas falavam em casamento por amor, outras em aliança estratégica. Mas todas exaltavam o evento como um dos mais esperados do ano. — Olha isso, mãe! Já estamos nos portais. Eles não têm ideia da grandiosidade que será essa cerimônia. O mundo inteiro vai ver. E ela... vai assistir de longe. Letícia sorriu com um olhar gélido. — O mundo é dos fortes, filha. Dos que não têm medo de sujar as mãos. As duas brindaram novamente, com champanhe caro, ignorando a sensatez,
169 - NOIVA DOIDA OU CENA DE FILME?
O escândalo tomava forma diante de todos. Do lado de fora da igreja, em uma limusine prestes a estacionar, o celular de Isabela começou a tocar insistentemente. Era seu pai, Otávio.— Pai? Já estou chegando, o vestido tá perfeito!Mas a voz do outro lado da linha veio trêmula, sufocada, desesperada:— Isabela, escuta o que eu vou te dizer... não vem. Pelo amor de Deus, não entra nessa igreja.— Como assim não entrar, pai? Que absurdo é esse?!— Thor... Thor acabou de gritar na frente de todo mundo que não vai se casar. Ele disse que não vai viver uma mentira. Ele ama aquela mulher filha! — Otávio soltou num só fôlego, como se ainda não acreditasse no que presenciara.Isabela ficou muda por alguns segundos. O celular escorregou de leve por entre seus dedos trêmulos, e a expressão de vitória em seu rosto se transformou em puro terror.— Ele... o quê?!— Filha, escuta seu pai. Não passa por essa humilhação. A imprensa tá toda aqui. Foi um escândalo. Vai embora agora. Por favor. Eu vou ac
170 - A GUERRA HAVIA COMEÇADO
O entardecer lançava uma luz dourada pelas frestas das cortinas, preenchendo o quarto de Celina com um brilho suave que contrastava com o turbilhão dentro dela. Deitada em sua cama, ela mantinha os olhos fixos no teto, tentando conter as lágrimas. Ao seu lado, Zoe permanecia em silêncio, respeitando a dor da amiga, oferecendo apenas sua presença como consolo.Celina respirava fundo, como se buscasse forças no próprio ar. O peito doía. Para ela, o casamento de Thor e Isabela já estava selado — um fato cruel que tentava engolir como se fosse uma pedra pontiaguda. Zoe, percebendo o sofrimento crescente da amiga, havia tomado seu celular mais cedo e o guardado, com receio de que Celina fosse consumida pelas notícias sensacionalistas que dominavam os sites de fofoca.— Amiga, não se tortura, por favor — disse Zoe, acariciando a mão de Celina. — Isso tudo vai passar.— Quero tomar sorvete — respondeu Celina, a voz embargada. Era um desejo simples, quase infantil, mas que expressava sua nece