All Chapters of O CHEFE QUE EU ODIEI AMAR : Chapter 191
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191 - UM BRINDE AO HOMEM QUE PERDEU A MULHER POR ORGULHO
Arthur olhou para Zoe preocupado.— Fiz algo errado?Zoe respirou fundo, tocando a mão dele com delicadeza.— Não. É só que... eu preciso te contar uma coisa. Eu sei que tenho esse jeito todo louco, sou desinibida, brinco com tudo, mas... eu sou virgem.Arthur arregalou levemente os olhos, surpreso, mas permaneceu em silêncio, ouvindo.— Eu prometi pra minha mãe que só vou ter relação depois do casamento. É uma coisa minha, um valor que levo a sério. Sei que isso pode ser demais pra algumas pessoas. Então, se você não quiser continuar comigo por causa disso, eu entendo. De verdade.Arthur a olhou, com ternura.— Zoe, você é ainda mais incrível por isso. Eu te respeito demais. E eu vou esperar o tempo que for preciso. Não quero estar com você só por isso. Quero estar com você porque você é você. E isso já basta pra mim.Zoe sorriu, emocionada, os olhos brilhando.— Obrigada por entender.Arthur segurou sua mão, beijando o dorso com carinho.— Entenda uma coisa Zoe, não é o seu corpo qu
192 - UM BRINDE AO HOMEM OTÁRIO
Angélica balançou a cabeça, contendo as lágrimas.— Eu não vou suportar ver meu filho dessa forma novamente, Sara... — disse ela, com a voz embargada. — Isso... isso está me matando. E o pior é que eu tenho culpa nisso. E agora...— Angélica... — interrompeu Dona Sara, com doçura. — Ele está perdido. Mas a gente não pode perder a fé. Ele ainda é aquele menino que você criou com tanto amor. Só está machucado. Paciência, minha filha... tudo se ajeita.— Não sei... — respondeu Angélica, olhando para Thor como se procurasse resquícios do filho que conheceu. — Dessa vez ele está pior. E a culpa também é minha...A tarde avançava lenta. O som da televisão ligada apenas para quebrar o silêncio, o tic-tac do relógio de parede, os passos abafados das funcionárias que circulavam pela casa. Angélica permaneceu sentada no sofá oposto, esperando. Orando em silêncio.Quando Thor começou a se mexer, já passava das três da tarde. Ele se espreguiçou lentamente, levou a mão à cabeça, pressionando as tê
193 - NÃO SEI MAIS SE ELE ME ODEIA
Risadas. Gritos. Palavras misturadas. E um novo gole de uísque. O copo tilintando no brinde solitário de alguém que preferia se afundar a encarar a verdade.Celina desligou o vídeo com um estalo seco. O coração parecia um tambor descompassado dentro do peito. Ela soltou o celular sobre o sofá e se levantou de repente.— Celi? — Gabriel repetiu, andando até ela.Mas ela não respondeu. Caminhou direto para o corredor, passos duros sobre o piso de madeira, desaparecendo no seu quarto.Gabriel ficou parado, confuso, o pano de prato ainda na mão. Ele olhou para o celular largado, viu a tela acesa com a imagem congelada de Thor no brinde, e entendeu. Fechou os olhos, respirou fundo, e seguiu para a cozinha sem dizer nada.Dentro do quarto, Celina sentou-se na cama e deixou o corpo cair para trás, como se tudo nela tivesse desmoronado ao mesmo tempo. O teto branco parecia girar. Uma lágrima escorreu quente por sua têmpora gelada.Ela se sentia ridícula.Ridícula por ainda se importar. Ridícu
194 - ELA TE TRAIU?
Na T&R Enterprise, Thor estava concentrado, sentado atrás de sua mesa, com uma pilha de documentos à frente. Assinava papéis com atenção cirúrgica, como se aquele momento fosse sua fuga. Seu refúgio. Sua forma de esquecer o próprio desastre.Vestia um terno cinza escuro, impecável, o rosto sério e os olhos cansados. Não dormira direito e não por arrependimento. Mas por raiva. Por orgulho ferido. Por algo que ele não sabia nomear.O celular dele, que permanecia em silêncio no canto da mesa, já havia vibrado dezenas de vezes desde o amanhecer. Mensagens de assessores, da equipe de marketing, da imprensa. E, claro, de pessoas próximas, chocadas com o vídeo que havia viralizado na noite anterior.O vídeo do brinde.“Um brinde ao homem otário... que acreditou no amor, virou as costas e foi traído com um sorriso. Saúde pra mim... e azar pra ela.”Aquela frase, dita num rompante de mágoa e álcool, agora corria o mundo como manchete. As imagens com a modelo internacional também haviam escapad
195 - PELO MENOS ALGUÉM É FELIZ
Zoe olhou para a mão, riu e respondeu com um sorriso sincero:— É. Ele me pediu em namoro no sábado. Oficialmente. — Fez um gesto orgulhoso com a mão. — Surpresa romântica, jantar, tudo no estilo Arthur de ser.Thor apenas respirou fundo, e balançou a cabeça de leve.— Pelo menos alguém é feliz.O silêncio que veio depois foi mais pesado que qualquer discussão. Zoe o estudou por alguns segundos. Sabia o quanto aquele comentário escondia. Sabia que Thor não era de abrir o coração, mas as rachaduras estavam expostas. Era impossível não ver.— Thor... — começou, com cautela — por que você não vai atrás da Celina?Ele ergueu os olhos, gelados, e respondeu, seco:— Ela fez a escolha dela.Zoe mordeu o lábio inferior e caminhou até a frente da mesa, desafiando o olhar impassível dele com a sua própria firmeza.— Vocês se amam, Thor. Todo mundo aqui vê isso. Tem tanta coisa que precisa ser dita. Vocês precisam conversar, colocar tudo pra fora. — Ela tentou um sorriso suave. — Poderoso chefin
196 - PREFERIU O GABRIEL
Minutos depois, alguém bateu de leve na porta.— Celina? — era a voz doce e firme de Charlotte. — Posso entrar?Celina destrancou a porta sem dizer nada. Charlotte entrou e viu a cena: a jovem com o rosto vermelho, olhos inchados, sentada com os braços ao redor do ventre.— Ei... — Charlotte se aproximou e se abaixou diante dela. — Não precisa chorar assim. Você não fez nada de errado.Celina tentou dizer algo, mas as lágrimas ainda escorriam, teimosas.— Eu conheço aquele cliente, Celina. Ele é assim com todo mundo. Tem o costume de mudar o pedido e dizer que a culpa é do garçom. A culpa não foi sua, e você lidou com tudo com muita educação. Fiquei admirada.— Eu tentei... — Celina sussurrou, a voz embargada. — Mas... é tudo tão difícil.Charlotte assentiu, compreensiva.— Eu sei. E infelizmente, situações como essa vão acontecer outras vezes. Na vida, no trabalho... você vai encontrar pessoas cruéis. Mas isso aqui — apontou para os olhos de Celina — é aprendizado. Você cresceu hoje.
197 - EU ESTOU APAIXONADO POR VOCÊ
A amiga se animou.— Sério? Olha, onde eu trabalho — é um restaurante elegante no Brooklyn — está precisando de uma garçonete pro turno da noite. E sabe o que é melhor? O chefe adora contratar brasileiros. Diz que não temos medo do trampo pesado.Os olhos de Celina brilharam.— Você acha que consigo a vaga?— Claro que sim. Se quiser te levo hoje, vou te apresentar pra ele. Mas posso garantir que, só pelo seu jeitinho educado, você já tem meio caminho andado.De lá, foram direto ao restaurante. Era um lugar bonito, iluminado com luzes quentes, com uma atmosfera que misturava sofisticação e aconchego. O gerente as recebeu cordialmente. A amiga falou brevemente sobre Celina, e o gerente, após algumas perguntas, sorriu.— Você pode começar amanhã, se quiser. Precisamos mesmo de alguém confiável.Celina aceitou de imediato. Quando voltou para casa, sentia-se renovada, motivada. Tomou um banho rápido, vestiu um conjunto de algodão, sentou-se no sofá com o notebook e começou a escrever.As
198 - VOCÊ É TEIMOSO DEMAIS PRA ADMITIR
Ao voltarem para o apartamento, Celina agradeceu pelo jantar, trocou um olhar demorado com Gabriel e foi para o seu quarto. Lá, trancada, deixou as lágrimas rolarem em silêncio. Não sabia como lidar com o carinho crescente por Gabriel e os sentimentos ainda mal resolvidos por Thor. Sentia-se em um limbo emocional, dividida entre o que queria esquecer e o que precisava enfrentar.Celina percebeu que a maior batalha não era contra a rotina exaustiva, mas contra o coração que insistia em lembrar o que a razão dizia para deixar para trás.Uma semana havia se passado desde que Celina iniciara sua nova rotina dupla de trabalho. Na cozinha do pequeno apartamento de Gabriel, ela preparava o café com leveza. As mãos ágeis moviam-se entre a chaleira e a torradeira. O aroma do café fresco logo tomou conta do ambiente. Gabriel apareceu com os cabelos bagunçados, esfregando os olhos, sorrindo com aquela ternura habitual.— Bom dia, chef! — disse ele, sentando-se à mesa.Celina sorriu, um tanto ner
199 - EU PRECISO SAIR DAQUI AGORA
No dia seguinte, Celina retomou sua rotina. Acordou cedo, arrumou-se com agilidade e pegou o metrô em direção ao café literário. Agora morando nos arredores do Queens, o trajeto até o café, estava mais longo e um pouco cansativo, mas ela estava determinada. Seu turno da manhã passou normalmente, com clientes habituais, conversas breves e muitos pedidos de capuccinos e croissants. Depois do expediente, voltou para casa, almoçou algo simples e tentou descansar um pouco antes de escrever. Apesar do cansaço, sentou-se frente ao notebook e escreveu por cerca de uma hora. Não conseguiu gravar nenhum vídeo naquele dia, o corpo pedia descanso, e a mente estava um pouco dispersa. Mesmo assim, sentia-se satisfeita por não ter deixado passar em branco a escrita. Era sua forma de permanecer fiel ao sonho. No fim da tarde, arrumou-se para mais um turno no restaurante elegante no Brooklyn. Vestiu o uniforme preto, prendeu os cabelos e passou um batom claro, como de costume. Pegou o metrô com fones
200 - ELE FAZ SUCESSO SABIA?
Celina olha e vê o garçom — o mesmo da bandeja derrubada — aparecer com um olhar constrangido, segurando a pasta porta comanda de luxo. — Desculpa Celina mas... o cavalheiro que invadiu a cozinha pediu pra entregar isso. Celina sente o estômago virar. Pega a pasta com as mãos trêmulas. O garçom complementa: — Ele disse que era para “a funcionária mais discreta da casa”. Celina arregala os olhos, engole seco e abre. Dentro, há um guardanapo dobrado com um bilhete escrito à mão por Thor, com a caligrafia firme e elegante dele e umas notas de dólares: "Esconder-se no armário de vassouras? Esperava mais da mulher que uma vez me desafiou de forma atrevida. Seu perfume sempre te entrega Celina. Já que você gosta de ir embora sem dizer adeus, achei que preferiria algo familiar. Essa gorjeta é suficiente para pagar o valor das taças quebradas. — Thor." Celina encarava o bilhete sentindo o rosto arder. O sangue ferver. Não é só um bilhete. É uma lembrança exata do que ela fez com ele