All Chapters of O CHEFE QUE EU ODIEI AMAR : Chapter 201
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201 - ESSES BEBÊS SÃO UM ELO
O céu de Nova Iorque, pintado por tons acinzentados, anunciava a chegada precoce da noite. O vento frio soprava entre os prédios, cortando como navalhas, enquanto as luzes da cidade começavam a se acender, uma a uma, trazendo vida às janelas dos arranha-céus e aos olhos distraídos dos que andavam pelas calçadas apressadamente.No alto de um edifício sofisticado, o quarto de hotel onde Zoe estava hospedada exalava conforto e modernidade. A calefação mantinha o ambiente aquecido, contrastando com o gélido mundo lá fora. Zoe estava sentada na poltrona junto à janela, com um roupão felpudo e uma xícara de chá quente entre as mãos.O dia tinha sido corrido ao lado do seu poderoso chefinho exigente, que não dava folga nem para respirar. Mas mesmo com o cansaço no corpo, havia um leve sorriso nos lábios dela. A mente inquieta girava em torno de uma pequena travessura cometida pela manhã.O celular vibrou em cima da mesinha de apoio. A tela iluminou o nome de Arthur. Só de ver o nome dele, o
202 - EU NÃO VOU DEIXÁ-LA SOZINHA
A noite em Nova York estava especialmente fria. Um vento cortante soprava entre os prédios, e a névoa cobria os becos como um véu silencioso de ameaça. Celina saiu do restaurante mais tarde do que o habitual, enrolada no seu sobretudo escuro, os olhos cansados e os pensamentos embaralhados. Pegou o metrô como de costume e, ao sentar, pegou o celular, colocou o fone e foi ouvindo música o trajeto inteiro. Ao chegar em seu bairro, notou que a rua estava mais deserta do que o normal. O silêncio era denso. As árvores balançavam sob a brisa gélida, e as casas pareciam adormecidas, com luzes apagadas e janelas fechadas. Caminhou com passos apressados, abraçando-se a si mesma. Seu corpo tremia, mesmo com o sobretudo fechado, mas não sabia se era mais pelo frio ou pela sensação incômoda de estar sendo observada. Atravessou a rua em direção à sua casa, uma pequena residência charmosa, com um alpendre e uma cerca branca, quando percebeu passos atrás dela. Apressou o passo. Os passos atrás dela
203 - A VIDA DELES DEPENDE DA SUA CALMA
A porta se fechou com um estalo metálico. Do outro lado, Thor caiu de joelhos, o sangue da facada ainda escorrendo pelo braço, já escurecido pelo casaco. Mas ele não se importava com a dor. A única dor real era a de vê-la naquele estado — e o medo de perdê-la.Uma enfermeira veio a até ele e disse:— Senhor, você também está sangrando. Precisa de atendimento.— Eu só quero saber se ela vai ficar bem! — gritou, quase em pranto.— Vão cuidar dela. Confie na nossa equipe. Agora venha, precisamos tratar esse corte.Thor olhou para onde tinham levado Celina, seu rosto marcado por medo, fúria e um amor desesperado. No fundo, ele sabia. Aquele momento mudaria tudo. E ele jamais deixaria que algo acontecesse com a mulher que ainda fazia seu coração bater fora do ritmo.O corredor frio e estéril do hospital ecoava o som dos passos apressados de enfermeiros, médicos e visitantes aflitos. A luz branca, incômoda aos olhos de quem passava horas esperando ali, refletia o estado de tensão que preenc
204 - NINGUÉM ME ENFRENTOU COMO VOCÊ
Ao chegar na porta do quarto, a enfermeira a empurrou com suavidade.— Aqui está, senhor — disse ela com voz baixa. — Ela está dormindo. O soro já está quase ajustado.Thor entrou devagar, como se atravessasse a linha tênue entre a tormenta e a paz. Lá estava Celina, deitada, os cabelos espalhados no travesseiro, a expressão cansada, mas serena. O curativo na testa contrastava com sua pele clara. Ao lado, o suporte de soro pendia com o líquido translúcido, o único som no ambiente sendo o gotejar ritmado.A enfermeira se aproximou do equipamento, ajustou algo com leveza, conferiu os batimentos na tela do monitor e anotou em uma prancheta. Ao virar-se para sair, lançou um olhar gentil para Thor.— Qualquer alteração, o botão de emergência está ao lado da cama. E… ela está bem. Agora, é repouso, calma… e amor — disse com um sorriso discreto, quase cúmplice, antes de sair do quarto com a discrição típica dos profissionais que sabem o valor do silêncio diante do amor e da fragilidade human
205 - O URGENTE É ELA
O relógio marcava quase meio-dia. A luz fria e pálida de uma manhã de inverno invadia o quarto hospitalar. Lá fora, o céu permanecia cinzento. O soro pingando lento no suporte metálico, a cobertor pálido cobrindo o corpo de Celina, os aparelhos apitando em intervalos regulares. Thor estava ali, vigilante, com os olhos fundos e o corpo exausto. Não dormira um minuto sequer naquela madrugada.A cada entrada de enfermeira, ele se erguia, atento, querendo saber cada procedimento, cada detalhe. "— Está tudo bem com ela? E com o bebê? Thor repetia, incansável. As enfermeiras sempre respondiam com paciência, compreendendo a angústia em seus olhos. Mas as respostas não acalmavam seu peito ansioso. Ele só se acalmava quando olhava para ela, mesmo desacordada, segurando sua mão com firmeza, como se através daquele toque pudesse protegê-la de tudo.Celina havia se mexido algumas vezes, murmurando palavras desconexas. Em todas as vezes, Thor segurava sua mão com mais força e murmurava baixinho:
206- TIVEMOS MUITOS DESENCONTROS
Depois que a enfermeira saiu, o silêncio se instalou. Celina olhou a bandeja, tentou se ajeitar melhor na cama e pegou a colher com um leve tremor nas mãos. Mexeu na sopa, observou os legumes boiando no caldo ralo e, após levar uma única colher à boca, franziu o rosto. Soltou a colher no pratinho de plástico com um suspiro, deixando os ombros caírem.— Eu não consigo... — murmurou.Thor observava cada gesto dela com atenção. Sentou-se na ponta da cama, de frente para ela, e apoiou os antebraços sobre os joelhos.— Celina... você precisa se alimentar. — Sua voz veio baixa, mas firme. — Por você. Pelo bebê.Ela o olhou, as pálpebras um pouco pesadas, o rosto pálido, mas o brilho nos olhos denunciava que as emoções estavam à flor da pele.— Eu não quero. Essa comida tem gosto de papel molhado.— Eu imagino... mas é importante. — Thor se aproximou mais, pegou a colher e encheu com um pouco da sopa. — Só algumas colheradas. Vai te fazer bem, e ao bebê também.Celina suspirou, mas quando el
207 - O QUE VOCÊS TÊM NÃO ESTÁ PERDIDO
A psicóloga respondeu:— Todo medo tem uma raíz, Celina. E nós vamos trabalhar para entender essas raízes. Mas você já deu um grande passo hoje: você falou. Expôs sua dor, sua verdade. Isso é mais do que muita gente consegue fazer.Celina piscou rápido para conter as lágrimas.— Eu não sei mais como me abrir. Como confiar. Mas... quando ele me abraçou hoje... eu senti... — ela hesitou. — Senti que ainda tem algo ali. Mas eu não sei como começar. O que dizer.A psicóloga sorriu com doçura.— Às vezes, o primeiro passo é só estar presente. Ficar. Ouvir. Dizer o que sente, mesmo com medo. O amor, Celina, também se reconstrói. Com cuidado, como quem refaz os próprios alicerces depois de uma tempestade.— O que eu faço agora? Como eu falo com ele?A psicóloga sorriu com serenidade.— Comece sendo honesta. Fale com o coração. Você não precisa ter todas as respostas. E ele também não precisa. Mas, se houver respeito, afeto e verdade, o caminho se constrói.— E se ele quiser se afastar?— Aí,
208 - EU TAMBÉM NA MAIORIA DAS VEZES ME ODEIO
Celina ficou em silêncio, digerindo cada palavra.— E olha que as assanhadas ficaram de olho nele, viu? Mas ele nem olhou para nenhuma. Um homem bonito, daquele jeito, leal à parceira… isso está raro demais hoje em dia. Você é uma mulher de sorte.A enfermeira sorriu com ternura e se aproximou um pouco mais.— E ele deve ter muito ciúmes de você, né? Porque, me desculpa, mas você é linda demais.Apesar do turbilhão dentro dela, Celina não conseguiu conter um leve sorriso.— E na hora de fazer o curativo nele? Nem queria deixar terminar. Saiu correndo para o corredor para saber de você. Foi cena de filme, viu?Nesse instante, a porta se abriu e Thor entrou, entregando a bolsa dela com cuidado. A enfermeira sorriu, fez um aceno com a cabeça e disse:— Tenham uma boa recuperação.— Obrigada — disse Celina, abrindo a bolsa e pegando o celular. Estava descarregado. — Droga… o carregador não tá aqui.— Eu posso carregar no carro — falou Thor, mas antes que pudesse sair, o médico entrou.— S
209 - ELE ESTÁ TENTANDO MUDAR
A água quente escorria pelo corpo de Thor como se pudesse lavar, junto com o suor e a tensão, também a culpa, a vergonha e o medo.Ao sair do banheiro, com a toalha na cintura e os cabelos ainda molhados, foi até o closet. Observou suas roupas, suas conquistas materiais, tudo aquilo que, por tanto tempo, havia achado que o definia. Mas ali, naquele instante, sentia-se pequeno diante da imensidão que era reconquistar o amor de Celina. Ele sabia que havia um caminho longo e doloroso pela frente, e estava disposto a atravessá-lo. Quebraria todas as barreiras, uma a uma, para merecer de novo o lugar no coração dela.Quando o relógio marcava 19h, Celina, que já havia lanchado e lido algumas páginas de um dos livros da estante ao lado, ouviu batidas leves na porta.— Pode entrar — disse, esperando ver Thor.Mas, para sua surpresa, era Gabriel quem entrava, com um sorriso aberto e um buquê de rosas brancas nas mãos.Seus olhos se arregalaram.— Gabriel? Eu... eu não acredito que você está aq
210 - SENDO MEU FILHO OU NÃO EU AMO VOCÊ
Ambos pegaram no sono ali, naquela posição que parecia proteger os dois do mundo.Duas horas depois, Celina acordou primeiro. A luz do entardecer já invadia o quarto com delicadeza. O coração dela batia devagar, compassado com o dele. Olhou para o rosto de Thor, ainda adormecido, e ficou assim por longos minutos. Observando cada detalhe. As sobrancelhas levemente franzidas, como se mesmo dormindo ele carregasse o peso de muitas preocupações. O queixo forte, a respiração profunda.Quando ele se mexeu, de leve, num suspiro, ela se aconchegou ainda mais. Como uma criança que encontra abrigo no calor do colo. Voltou a fechar os olhos, respirando o cheiro dele.Thor despertou por volta das 18h. Abriu os olhos devagar, tentando entender onde estava. O peso leve de Celina sobre seu peito ainda o mantinha em um estado de paz que há tempos ele não sentia. Olhou para o criado-mudo, pegou o celular. Ao ver a hora, sentou-se com cuidado.— Celina...— sussurrou, fazendo cafuné em seus cabelos.Ela