All Chapters of O CHEFE QUE EU ODIEI AMAR : Chapter 311
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311 - VOCÊ VAI ME DEIXAR VICIADA
Zoe mordeu o lábio, sentindo o corpo inteiro arrepiar. O toque dele... a voz rouca... tudo nela reagia.— Você fala essas coisas com essa voz e depois quer que eu fique normal? — disse ela com os olhos arregalados, tentando disfarçar o nervosismo com seu jeito meio doidinha de ser.Arthur sorriu baixo, achando graça do charme natural dela. Aquele misto de inocência e atrevimento, que só a Zoe tinha.— Ficar normal, linda, é a última coisa que eu quero que você fique.Ela colocou uma mecha molhada atrás da orelha, corando um pouco, e então o provocou, erguendo uma sobrancelha:— Só te aviso uma coisa... Eu ainda sou meio “versão beta” nessas paradas aí. Se eu travar no meio, você reinicia com beijo, tá?Arthur gargalhou, puxando-a pela cintura com mais firmeza, colando os corpos debaixo da água.— Agora sim minha Zoe doidinha voltou. Estava sentindo falta. E se você travar, eu te reinicio com beijo, com toque, com tudo que tiver direito, minha doidinha.Zoe sorriu daquele jeito sapeca
312 - AMO SER EU MESMA
Mais tarde, enquanto Arthur assistia a um noticiário na televisão da suíte, Zoe apareceu com uma expressão tranquila, mas firme. Ela sentou-se ao lado dele na cama e entrelaçou os dedos.— Amor… preciso te contar algo. Eu aceitei a proposta do Thor. Volto a trabalhar na empresa segunda-feira.Arthur desligou a televisão imediatamente. O sorriso escapou do rosto e os olhos se tornaram densos.— Como assim? Nós já tínhamos conversado sobre isso, linda. O combinado seria que você sairia da empresa para investir em algo seu. Lembra disso? Desde que começamos nosso relacionamento, sempre conversamos e decidimos as coisas juntos. Zoe respirou fundo.— Eu sei. E não é que eu tenha mudado de ideia. Mas… eu ainda não sei no que quero investir. Você mesmo disse que queria que eu tivesse independência, que construísse algo meu. Enquanto eu não descubro o quê, prefiro continuar trabalhando. Não quero ficar em casa.Arthur passou a mão pela nuca, visivelmente incomodado.— Mas você não precisa tr
313 - ELE TE USOU COMO DESPEDIDA
Sabrina estava impecável, sentada no sofá como se fosse dona do ambiente. Os cabelos loiros estavam presos em um coque elegante, o jaleco dobrado repousava ao lado da poltrona, e um leve sorriso descansava nos lábios — frio, calculado, como porcelana.Ela se levantou lentamente, ajeitou a saia com delicadeza e caminhou em direção a Zoe com a segurança de quem pisa em território conquistado.— Boa noite, querida Zoe. Como foi sua lua de mel? Aproveitou bastante seu conto de fadas?— A minha vida pessoal não te diz respeito — respondeu Zoe, firme. — Se veio até aqui só por isso, já teve sua resposta. Pode ir embora.— Arthur te contou a verdade? Acho que não. Uma mulher com orgulho jamais se casaria com um homem depois de saber o que ele fez. Então sim… temos um assunto sério a tratar.Zoe cruzou os braços, os olhos estreitados.— Você tem dois minutos.— Vim te contar a verdade. A parte da história que o seu "marido perfeito" convenientemente esqueceu de mencionar — disse Sabrina, com
314 - ISSO É CIÚMES
Sabrina levantou-se, ajeitou a bolsa, e sorriu.— Vai ver que eu te fiz um favor. Porque ele sempre vai voltar pra mim, sempre vai bater em minha porta. E eu, como sempre, não vou impedir que entre. Enquanto você se negava a transar com ele, a dar um filho pra ele, era comigo que ele se satisfazia. Principalmente na sua ida aos Estados Unidos. Foi comigo que ele fez o tão sonhado herdeiro. Olha, eu até bato palmas pra você... por aceitar essa humilhação. — disse Sabrina com sarcasmo venenoso.— E eu bato palmas por você ser tão mal amada a ponto de se contentar em ser a outra. — rebateu Zoe com um sorriso frio, erguendo a mão e mostrando a aliança. — Porque, mesmo que tenha sido por conveniência, fui eu — a mulher pobre e esforçada — que ele escolheu para dar o sobrenome. Eu sou a senhora Ferraz, não você. Boa noite, querida!E, com a cabeça erguida, Zoe a viu sair. Só então fechou os olhos, permitiu que o mundo desabasse por alguns segundos — e respirou fundo.Ela não sabia ainda o
315 - ME PERDOE PELA HORA
A secretária, percebendo o clima, se apressou em justificar:— Estávamos só alinhando a apresentação de amanhã, senhora Miller.Celina não deixou de lançar um olhar afiado.— Tenho certeza, querida. Obrigada por avisar.Thor entendeu o recado e pediu educadamente para que a secretária desse um tempo a sós para ele e sua esposa. Assim que a porta se fechou, ele segurou o rosto de Celina com as duas mãos, fazendo-a olhar nos olhos dele.— Celina, não existe outra mulher no mundo pra mim. Desde que você apareceu na minha vida, é só você. Só você me tira o fôlego, só você faz meu coração acelerar desse jeito. E mesmo com essa carinha emburrada... ou talvez por causa dela... — ele sorriu — eu te amo mais a cada dia.— Ela tem namorado? — perguntou Celina no automático.— Não sei. Nunca perguntei. — disse Thor tranquilamente.— Ela é bonita, né? — os hormônios dela estavam gritando.— Não sei. A única beleza que me interessa é a sua. — respondeu Thor a olhando fixamente.Celina cruzou os br
316 - ISSO É UMA TROLAGEM?
O silêncio que se seguiu após a pergunta de Zoe era tão denso que parecia preencher cada canto daquele quarto. A voz dela, firme e trêmula ao mesmo tempo, ainda ecoava no ar:— Quando você ia me contar… que vai ser pai?Arthur parou no mesmo lugar, a chave do carro entre os dedos, como se o tempo tivesse congelado.— Como assim… pai? — ele perguntou, franzindo a testa, tentando entender se aquilo era alguma brincadeira.Zoe continuou a encará-lo com os olhos marejados.— Arthur, acho que você não entendeu... — ela repetiu, com mais ênfase. — Quando você ia me contar que engravidou a Sabrina?O nome caiu como uma bomba no ambiente. Arthur ficou lívido. A cor desapareceu do rosto dele.— Zoe, do que você está falando? Isso é alguma pegadinha? Você está... você está grávida? Foi isso? Isso é uma trolagem? — ele tentou sorrir, nervoso.— Não. Eu vou reformular a pergunta, já que você quer se fazer de idiota. — Zoe deu um passo à frente. — Quando você iria me contar que transou com a Sabri
317 - ME DEIXA LUTAR POR VOCÊ
Arthur olhou em volta como se não reconhecesse mais a casa que tanto amava. A dor no rosto dele agora se misturava à revolta.Zoe, com a respiração ofegante, tirou a aliança do dedo com as mãos trêmulas.— Eu não vou continuar com isso. — ela disse, com firmeza. — O casamento acabou.Ela jogou a aliança no peito dele. O metal fez um som seco ao bater contra a camisa dele, depois no chão. Arthur olhou para a jóia no chão, mudo.— Eu confiava fielmente em você. Eu acreditei em você. — ela completou, virando-se para sair.Mas antes que pudesse alcançar a porta, Arthur se moveu.— Não! Você não vai sair assim! — gritou, andando até a porta do quarto. Ele parou na porta bloqueando a passagem, com os olhos marejados e o peito arfando.— Nossa conversa não acabou! Arthur tentou se aproximar, mas ela deu um passo para trás.— Eu te amo, Zoe. Desde o momento que eu te vi, foi você. Eu errei. Eu me odeio por isso. Mas eu nunca mais encostei nela depois daquele dia.Zoe sacudiu a cabeça.— Mas
318 - ELE MATOU O QUE A GENTE ERA
Zoe permaneceu imóvel, lágrimas deslizando pelas bochechas, o rosto manchado pela dor.— Não grita. Não transforma isso em cena — disse ela, com a voz baixa, mas letal. — Você teve mil chances pra dizer a verdade. Mil. E escolheu o silêncio. E agora vem berrar como se fosse a vítima? Se fosse eu que tivesse traído, você com certeza, não me perdoaria. Se bobear teria até me agredido, me jogado pra fora dessa casa. Arthur respirava com dificuldade. O peito subia e descia num ritmo descontrolado. Ele olhou para ela uma última vez, o olhar fervendo de raiva, dor, orgulho ferido.Sem dizer mais nada, saiu do quarto como um furacão. A porta bateu com tanta força atrás dele que tremeu nas dobradiças. O som ecoou pela mansão como um trovão seco no meio do silêncio.Zoe permaneceu ali, em pé, com o coração em pedaços. O som da porta ainda ecoava em seus ouvidos, mas dentro dela o barulho era outro: o da confiança despedaçada, do amor ferido, e da certeza de que nada voltaria a ser como antes.
319 - ELE ME TRAIU SOGRA
O carro avançava pela avenida molhada. Os pneus cortavam a poça d’água com violência. O peito de Arthur parecia prestes a explodir. As luzes dos postes refletiam borradas no para-brisa como fantasmas em fuga. O mundo ao redor dele já não era real. Era barulho, velocidade e culpa. No cruzamento à frente, o sinal mudava de verde para amarelo. Mas Arthur não freou. Nem hesitou. Nem viu. Tudo era um borrão. Zoe gritando. Aquela frase que ele jamais imaginou que ela descobriria. — EU VI, ARTHUR! EU VI! O grito de Zoe ecoou dentro da mente dele como um trovão rasgando o céu. Foi a última coisa que ouviu antes de a luz vermelha explodir à frente. Um clarão. Um buzinaço estridente vindo da esquerda. E então, o impacto. Um caminhão atingiu o carro com toda a força, bem na lateral do motorista. O som foi seco, brutal. Metal contra metal, vidro estilhaçando, o corpo de Arthur sendo lançado contra o cinto. O carro girou duas vezes no ar e só parou ao bater com a traseira em um poste.
320 - A ÁGUA DO RIO NÃO FICA PARADA
Zoe caminhava com passos duros, sem olhar para os lados, como se os sons dos monitores cardíacos e dos respiradores fossem agulhas invisíveis cutucando a sua mente. A enfermeira que a acompanhava indicou a porta do leito com um leve aceno, mas Zoe mal registrou. Seus olhos estavam cravados no vidro, além do qual Arthur estava deitado, imóvel.Havia tubos demais.Máquinas demais.Silêncio demais.Ela parou antes de entrar. Observou por segundos longos — ou talvez eternos — aquele homem que, horas antes, era só velocidade, voz e mentiras. Agora, era só corpo. Um corpo ferido, vulnerável, ligado a fios e números. O peito subia e descia de forma controlada, como se cada respiração dependesse de permissão.Zoe respirou fundo, uma, duas vezes, como se estivesse treinando para não desmoronar. Abriu a porta com cuidado, sentindo o cheiro metálico e estéril da sala. Seu salto ecoou no chão de resina clara, cada passo mais pesado que o anterior.Ela parou ao lado da cama, os olhos presos ao ros