All Chapters of O CHEFE QUE EU ODIEI AMAR : Chapter 321
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321 - ALGUÉM VAI PRECISAR MUITO DO SEU AMOR
Zoe balbuciou: — Tenho. Mas obrigada... por tudo. E fica tranquila que eu prometo que não vou deixar de falar com a senhora. As duas se abraçaram uma última vez. Zoe se despediu de Otto com um aceno contido, pegou o celular e chamou um Uber. Saiu sem olhar para trás. No banco de trás do carro, Zoe não conseguia conter o choro. As lágrimas escorriam silenciosas, pesadas, como se carregassem o peso de todas as verdades que ela fingiu não ver. O motorista, um senhor de cabelos grisalhos e olhar sereno, olhava discretamente pelo retrovisor, respeitando o silêncio, mas preocupado. Após alguns minutos, ele quebrou o silêncio com uma voz calma, mas firme: — Moça... a senhorita está bem? Zoe não respondeu. Apenas balançou a cabeça, apertando os olhos como se isso pudesse conter a dor. Ele suspirou e, sem tirar os olhos da estrada, disse algo que soou como um aviso: — Eu sei que agora tudo parece fora do lugar... Mas você não está entendendo a bagunça que virou sua vida da noite pro di
322 - NÃO VOU FAZER TRATAMENTO
A luz da tarde penetrava fracamente pelas janelas da Unidade de Terapia Intensiva, pintando tons pálidos no chão branco e nos aparelhos que cercavam a cama de Arthur. O bipe constante do monitor cardíaco era a única trilha sonora daquele ambiente estéril e silencioso. O ventilador sussurrava baixinho, embora Arthur já respirasse por si. Havia horas que ele se mantinha sedado, mas naquele momento, seus dedos estremeceram.O médico residente ao lado percebeu e rapidamente chamou o titular. Em poucos instantes, dois profissionais se aproximaram da cama, enquanto a enfermeira ajustava os parâmetros da máquina. O médico-chefe, experiente, colocou a mão no ombro de Arthur.— Arthur? Doutor Arthur? Você consegue me ouvir?Os olhos dele se moveram sob as pálpebras, e com esforço, abriram-se lentamente. O teto branco surgiu como um borrão. O som ficou mais nítido.— Estou... onde? — murmurou com a voz rouca.— Você sofreu um acidente de carro. Está na UTI. Sobreviveu, mas passou por uma cirurg
323 - NÃO TEM VOLTA
A maçaneta girou lentamente, como se quem estivesse do outro lado da porta hesitasse antes de entrar. Um ranger suave denunciou a abertura da porta do quarto. Zoe, encolhida na beirada da cama com os olhos vermelhos e inchados, levantou o rosto com certa dificuldade. Quando viu quem estava ali, seus olhos se encheram ainda mais de lágrimas.— Amiga... — murmurou, com a voz embargada, levantando-se de súbito. Sem pensar, atravessou o quarto em poucos passos e abraçou Celina com força, como se aquele gesto fosse seu único elo com a sanidade.Celina retribuiu o abraço com ternura, apertando Zoe contra o peito, mesmo com o barrigão de gravidez já bem avançado dificultando seus movimentos. Sua voz veio calma, firme, como a de alguém que está ali para sustentar o outro.— Pode chorar, amiga... Estou aqui. Chora tudo que precisar. Eu te seguro.Zoe apertou os olhos e desabou. Chorou como se cada lágrima lavasse a dor que a consumia por dentro. Seus ombros tremiam, os soluços tomavam conta de
324 - VOCÊ PRECISA ESCOLHER UM CAMINHO
Celina deslizou para mais perto dela na cama, apoiando a cabeça no ombro da amiga, como quem quer partilhar a dor.— Às vezes, não importa o quanto a gente faça tudo certo... o erro pode estar no outro. No seu caso, você não falhou, Zoe. Ele falhou com você. Ele jogou fora algo que muitos dariam tudo pra ter. Você foi leal, honesta, pura de coração. Mas você já parou para analisar o que o levou a tomar essa atitude? Não estou defendendo ele ok?Zoe fechou os olhos, como se quisesse acreditar naquelas palavras.— Amiga ele decidiu se calar, ele decidiu mentir. Sabia que ele queria que eu engravidasse na lua de mel? Insistiu. Disse que queria construir uma família logo. E eu quase fui na dele. Quase. Ainda bem que não fui.Celina sorriu levemente.— Com filho tudo fica mais dificil. Olha o que eu passei no início. Porém não é impossível. Você teria ficado presa a ele por algo ainda maior. Agora, como você está decidida em se divorciar, tem a chance de recomeçar.— Recomeçar... — Zoe rep
325- INVENTAR EXPLICAÇÕES
A mãe de Zoe respondeu: — Obrigada querida. Eu vou deixar vocês sozinhas. Mas, Zoe... meu amor... comer também é se cuidar. E eu sei que você tem essa força aí dentro. — Ela acariciou o rosto da filha e, antes de sair, beijou a testa de Celina. — Cuida dela, gravidinha. E se cuida também.Quando a porta se fechou, Celina se aproximou com o prato de sopa nas mãos. Sentou-se na beira da cama e tocou o ombro de Zoe.— Amiga... olha pra mim.Zoe demorou, mas finalmente virou o rosto, os olhos marejados.— Eu não tenho fome, Celina...— Mas vai comer. Nem que seja duas colheradas. Não é só o corpo que precisa de energia. A mente, o coração... tudo em você está cansado, eu sei. Mas essa sopinha da sua mãe? É mais do que comida. É amor puro.Ela pegou uma colher e aproximou da boca da amiga com um sorriso doce e determinado.— Vai, só uma. Por mim?Zoe bufou, contrariada. Mas abriu a boca e deixou que a colher entrasse. O sabor a atingiu como um afago na alma. Era simples, caseiro, carregad
326 - NÃO MEREÇO SEQUER ANDAR DE NOVO
Já era noite quando Celina olhou no relógio e percebeu que já passava das nove da noite. Continuava no apartamento de Dona Maria dando todo apoio para a amiga. Zoe estava emocionalmente abalada, e ela, como boa amiga, decidiu não deixá-la sozinha nem por um minuto.As duas estavam sentadas no sofá da sala, conversando em voz baixa, quando o celular de Celina tocou. Era Thor. Ele deu todo apoio para o amigo, foi na empresa e agora vinha buscar sua esposa. Celina se despediu de Dona Maria com um abraço afetuoso e apertou suavemente a mão de Zoe.— Qualquer coisa, me chama, tá? — disse Celina.— Obrigada por tudo, amiga. De verdade — Zoe respondeu com a voz embargada.Minutos depois, Celina entrou no carro de Thor. Ele a recebeu com um beijo carinhoso na testa.— Como ela está? — perguntou ele enquanto dirigia pela avenida iluminada.— Abalada, mas firme. Você conhece a Zoe, ela finge que está bem, mas por dentro... está despedaçada. — Celina suspirou, encostando a cabeça no encosto do b
327 - ELE NÃO É UM MONSTRO
Antes de partir com Celina, Thor virou-se para Zoe.— Zoe... pensei numa coisa. Você devia tirar uns dias de férias. Ir com a gente pros Estados Unidos, passar um mês por lá. Mudar de ares pode te fazer bem.Zoe sorriu, mas negou com a cabeça.— Eu agradeço muito, Thor. Mas não posso. Preciso trabalhar... mais do que nunca, na verdade. O trabalho vai me ajudar a distrair a cabeça, e agora tenho que resolver tudo do divórcio também. Não posso fugir disso. Preciso ser forte.Thor assentiu, respeitando sua decisão, mas com um olhar preocupado. Celina abraçou Zoe e prometeu que ligaria todos os dias. Zoe chorou e agradeceu a amiga por toda ajuda. Por todo sacrifício que fez.No caminho de volta à cobertura, Celina olhava pela janela do carro, pensativa. Thor mantinha uma das mãos no volante e a outra sobre o joelho dela, num gesto de carinho silencioso.— Eu fico pensando neles, sabe? — disse ela. — Zoe e Arthur... tudo o que viveram. O casamento deles foi tão bonito amor, tão emocionante
328 - O RESULTADO DO EXAME DE DNA
Gabriel e Zoe ficaram em silêncio por alguns segundos, um silêncio reconfortante. — Eu só queria que doesse menos — murmurou. — Eu sei… Mas às vezes, Zoe, a dor tem uma função. Ela mostra onde ainda precisamos curar. Uma terapia vai te ajudar bastante. Vai por mim! Zoe hesitou. — Mas parece que se eu parar pra falar, vou desabar de vez. — E às vezes, desabar é o primeiro passo pra se reconstruir. Você não precisa carregar tudo sozinha, entende? Procura alguém que te ajude a organizar o que está aí dentro. Você tem direito a esse cuidado. Ela respirou fundo. — Arthur acabou com tudo que estávamos construindo. — Olha, eu sei que você está magoada. Com razão. Mas… posso ser sincero? — Claro. — Eu fico pensando nele também. Arthur… ele errou muito. Demais. Mas também está despedaçado. Um cara jovem e agora… paralítico. Não é só físico. É a identidade dele sendo esmagada. A sensação de impotência, de fracasso. E a culpa… Celina nos falou como ele se pune. — Eu fiquei sabendo… — d
329 - NÃO ESTOU FELIZ COM ISSO
O advogado se aproximou da cama onde Arthur estava sentado, ainda com o semblante abatido pela internação. Com um gesto respeitoso, estendeu o envelope pardo em suas mãos.— Está tudo aqui, Doutor Arthur. Tudo foi feito como vocês solicitaram. — disse, mantendo o olhar firme e respeitoso.Arthur pegou o envelope em silêncio. O quarto ficou tomado por uma tensão densa, onde o som do papel sendo rasgado parecia alto demais. Ele retirou cada documento com calma, seus olhos percorrendo as palavras, os valores, os nomes. Primeiro, a ultrassonografia. Depois, o beta-hCG. Por fim, o exame de DNA.Os olhos de Arthur pararam no resultado.— Compatível. 99,99% de probabilidade. — Sua voz não passou de um sussurro, mas todos ouviram.— Não houve objeção da parte dela. Com isso já sabia que ela estava falando a verdade e que o filho era seu. Fiz tudo dentro da lei como seu pai me pediu. Ela já tem em mãos esses exames. Só você pode decidir o que fazer com isso agora. — disse o advogado.Otto se
330 - NOS VEREMOS NO FÓRUM
No outro dia, o sol do meio-dia brilhava forte sobre a fachada de vidro da empresa onde Thor. O advogado Álvaro Cordeiro estacionou seu carro preto de luxo a poucos metros da entrada principal, deixando o motor ligado enquanto consultava os documentos em sua pasta de couro. Vestia um terno sob medida, sóbrio, e seus óculos retangulares refletiam uma expressão firme e controlada. Respirou fundo antes de discar um número salvo como "Zoe Arthur."— Senhora Zoe? — disse com polidez assim que ela atendeu. — Boa tarde. Aqui é Álvaro Cordeiro, advogado de Arthur. Preciso conversar pessoalmente com a senhora. É de extrema importância.Do outro lado da linha, Zoe respondeu com educação, mas surpresa:— Boa tarde, doutor. Eu estou saindo agora para o almoço. Pode me esperar na recepção, estou descendo.— Perfeito. Aguardarei por você.Poucos minutos depois, Zoe surgiu no saguão da empresa, elegante em sua simplicidade, o rosto abatido, mas curioso. Álvaro levantou-se imediatamente ao vê-la.— S