All Chapters of O CHEFE QUE EU ODIEI AMAR : Chapter 341
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341 - ELA FOI CORAJOSA
Dois dias depois, Thor havia saído cedo para resolver algumas pendências urgentes na empresa. O dia parecia não ter fim. Mesmo com o corpo mais pesado e o cansaço evidente, Celina havia organizado tudo. Estava determinada a surpreender Thor naquela noite. As meninas logo estariam nos braços dela — a gravidez já avançada não deixava espaço para longos planejamentos —, e ela sabia que aqueles momentos a dois, ainda que simples, logo se tornariam mais raros.Ela preparou um jantar simples, mas cheio de amor e carinho. Cada detalhe da cozinha estava em ordem, mas o ponto principal do cenário era ela mesma.Às 19h14, o celular vibrou sobre a ilha. Uma mensagem dele:"Amor, estou saindo da empresa agora. Chego em 30 minutos."Celina sorriu. Levou a mão até o ventre redondo e acariciou suavemente.— Papai já está vindo, meninas… — murmurou, com ternura.Respondeu rápido:"Quando chegar, sobe e toma um banho. Que vou estar te esperando na cozinha."Ao receber a mensagem de Thor dizendo que j
342 - EU ESTOU MORRENDO
Me envergonha te contar isso, porque sempre procurei te criar com princípios e retidão. Mas essa é a minha história. E, filha, eu me arrependi. Mudei de vida.Peguei todo o dinheiro que vinha guardando para a velhice, pedi afastamento do hospital e fugi com você para o sul dos Estados Unidos. Ficamos um tempo na Carolina do Sul, até termos todos os documentos prontos. Gregory conseguiu tudo, ganhei uma nova identidade. Alguns meses depois, deixei o país. Fui para o Brasil. Era longe o suficiente para ninguém nos encontrar.E, filha… foi a coisa mais assustadora que já fiz na vida.Chegar em um país estranho, sem ninguém, sem família, com uma bebê no colo e um passado que eu precisava esconder... foi aterrorizante.Por mais que eu falasse português, por causa de gostar de aprender outros idiomas, meu sotaque me denunciava. Era impossível disfarçar. Bastava eu abrir a boca e todos sabiam que eu não era brasileira. O medo era constante. O medo de ser descoberta. De te perder. De que tud
343 - EU NÃO VOU TE PERDER
Celina respondeu com dificuldade, a pressão na cabeça era insuportável.— Estou passando muito mal... minha cabeça vai explodir...— Amor, senta aqui. Vamos ver como está sua pressão — disse Thor, ajudando-a a se sentar na poltrona.Ele pegou o aparelho de pressão e, com as mãos firmes — embora por dentro estivesse em pânico — mediu a pressão da esposa.O visor piscou. Em seguida, os números apareceram.— Merda... 16 por 10... — pensou ele, aflito.Ele tinha aferido três vezes. O número era o mesmo. Alto. Perigoso.Mas ele não teve coragem de dizer. Sabia que se revelasse o quanto aquilo era grave, o estado de Celina ficaria pior e isso só agravaria a situação.— Está alta? — ela perguntou, inquieta.Ele forçou um sorriso.— Está tudo dentro do esperado pra essa fase, amor. Gravidez de gêmeas já exige muito do seu corpo, lembra? Mas é melhor eu te levar na maternidade só pra garantir. Ela o segurou com firmeza.— Thor não mente... as meninas... — ela conseguiu dizer, quase sem voz.—
344 - ESTAMOS PERDENDO PACIENTE
Imediatamente, duas enfermeiras e uma médica vieram correndo com uma maca.— Deita ela aqui, rápido! — ordenou a médica.Com todo o cuidado que o pânico permitia, Thor a deitou sobre a maca, ainda segurando a mão dela.— O que aconteceu com ela? — perguntou a médica, enquanto uma equipe começava os primeiros procedimentos.— Quando cheguei em casa ela estava passando muito mal… verifiquei a pressão estava 16 por 10 … e… e quando cheguei aqui ela apagou! No meu colo! — Thor mal conseguia falar sufocado pelo medo. — Por favor, salva ela… salva ela…— Pressão altíssima! — gritou uma das enfermeiras. — 19 por 12! Saturação caindo!— Ela estava se queixando de dor de cabeça intensa antes de desmaiar? — perguntou a médica, enquanto examinava rapidamente os olhos, reflexos e auscultava o coração.— Sim! Ela disse que parecia que a cabeça ia explodir! Começou a passar mal depois que leu uma carta! — Thor apertava a mão dela com força, desesperado. — Ela tá grávida de 34 semanas… são duas meni
345 - ME PERDOA MÃE
Algumas horas se passaram.Lá dentro, Celina permanecia dormindo, mas viva. Os monitores já não gritavam como antes. O pulso havia estabilizado, a pressão controlada com medicação intravenosa. Seu corpo ainda estava fraco, vulnerável, mas lutando.Thor foi autorizado a entrar novamente por alguns minutos.Quando ele entrou, a enfermeira o guiou até o leito. Celina estava ali, viva. Cada bip do monitor era uma pequena vitória.Thor sentou-se ao lado da cama. Pegou a mão dela com cuidado, a emoção transbordando em seu ser.— Você me deu o melhor presente do mundo, amor. Duas princesinhas mais lindas deste mundo — sussurrou. — Eu achei que ia te perder, minha vida. O que seria de mim sem você?Ele se inclinou, encostou a testa na dela.— Eu te amo mais do que tudo nesta vida!Ele voltou a olhar para ela.— Eu juro pra você que vou fazer uma vasectomia. Nunca mais quero te ver sofrendo. Nunca mais quero sentir que estou te perdendo.Ele saiu poucos minutos depois, com a promessa de ser ch
346 - EU VOU COMEÇAR O TRATAMENTO
O silêncio que veio a seguir foi pesado. — O quê? — a voz de Arthur soou trêmula, quase inaudível. Thor respirou fundo e continuou: — A mulher que você ama está esperando um filho seu. Entendeu? O filho que você tanto queria com a Zoe, irmão. Daqui a alguns meses ele vai nascer e vai precisar de um pai presente, com a cabeça boa. Já passou da hora de você parar de se culpar. Levanta e vai à luta. A linha ficou muda. Em vez de responder, Arthur simplesmente desligou. Ficou ali, parado, encarando o vazio enquanto segurava o celular com força. A cadeira de rodas parecia mais fria do que nunca. Era como se tudo estivesse girando em torno daquela frase: "A Zoe está grávida." Ele sentiu as palavras ecoando no peito. Lentamente, respirou fundo, os olhos marejados. Estava cansado de fugir, de se punir, de mergulhar no abismo da autopiedade. Pegou o celular de novo, com mãos trêmulas, e discou. — Oi, filho! — atendeu a voz forte e paternal do pai. — Pai… — Arthur disse de imediato, se
347 - DOIS CORAÇÕES CHEGARAM AO MUNDO
Os dias se passaram desde aquele momento mágico e aterrorizante em que Celina deu à luz suas filhas gêmeas. Agora, o quarto da maternidade ganhava um clima diferente. Era hora de partir. Hora de sair dali e recomeçar a vida – uma nova vida, como mãe.Celina estava sentada na poltrona perto da janela, observando a luz suave da manhã que entrava no quarto. Nos braços, ela segurava Antonella, que dormia tranquila. A outra estava no berço, já vestida para a saída: um vestidinho lilás com laços delicados e uma manta combinando. A irmã usava rosa, com detalhes em pérolas e babados finíssimos. As duas pareciam bonequinhas de porcelana.Emma estava ao lado da filha, agachada, ajeitando com cuidado o sapatinho da Antonella.— Mãe… a senhora tem tanta prática — disse Celina, com um sorriso misto de admiração e medo. — Eu fico com tanto receio de machucar elas… São tão molinhas, meu Deus!Emma sorriu com carinho, erguendo os olhos da neta e encarando a filha.— Filha, eu sou a mãe da filha do Ja
348 - NUNCA VOU SER UM PAI AUSENTE
Um mês havia se passado.Trinta dias de silêncio, recomeços e reconstrução. Para Arthur, não foi fácil. Desde o acidente, sua vida parecia dividida em dois: antes e depois da verdade, antes e depois do acidente, antes e depois de Zoe.Focado em sua reabilitação, enfrentava dias bons e dias ruins. Havia momentos em que acreditava que poderia voltar a andar, sentia os músculos reagirem, pequenos avanços que acendiam esperança. Mas também havia os dias escuros, quando o corpo não correspondia, quando as mãos tremiam, quando as pernas pareciam de chumbo. E nesses dias, a frustração vinha como tempestade.Foi nesse tempo que ele entendeu o verdadeiro significado de força. E não a força física, mas a força de continuar, de tentar, de acreditar.Seus pais foram seu alicerce. A mãe o acompanhava nas sessões de fisioterapia, e o pai, que sempre fora um exemplo de dignidade e presença, estava ali todos os dias. Já Thor, além de irmão, era seu incentivador seu confidente. A distância não atrapal
349 - EX-MARIDO MÃE
Zoe e Arthur foram para o estacionamento em silêncio. — Você tem alguma preferência de lugar? — perguntou Arthur, sua voz serena, mas carregada de expectativa. Zoe hesitou. Os olhos vagaram pelo estacionamento do pavilhão, como se buscassem uma rota de fuga invisível. Respirou fundo, mas respondeu com neutralidade: — Desde que seja reservado… não. Arthur assentiu com um leve gesto de cabeça. Não disse mais nada. Apenas girou a cadeira de rodas em direção ao carro adaptado que o aguardava. Zoe o seguiu em silêncio, sem se permitir pensar demais no que estava fazendo. Era um campo minado entre eles, e qualquer passo em falso podia explodir tudo de vez. O carro seguiu pelas avenidas de São Paulo em um silêncio que dizia mais do que qualquer grito. Zoe manteve o olhar fixo na janela, observando os prédios que passavam, a cidade correndo lá fora, como se nada tivesse acontecido. Mas dentro dela, tudo era caos. — Onde estamos indo? — ela perguntou, depois de longos minutos de sil
350 - QUASE ROLOU UM BEIJO
Ele se aproximou, encostou o rosto no pescoço dela, sentiu o cheiro da pele e murmurou:— Do seu cheiro...Beijou devagar a curva entre o ombro e o pescoço. Zoe fechou os olhos. O corpo reagiu antes da razão.Ele voltou a encará-la. Segurou os braços dela com suavidade, aproximou os lábios:— Da sua boca...Estavam a centímetros de um beijo quando…— Senhor, com licença — disse Cleide, entrando com a bandeja e parando ao ver a cena. — Perdão...Zoe se levantou de imediato, desconcertada. Arthur limpou a garganta.— Tudo bem, Cleide. Pode deixar na mesa de centro.A empregada saiu, e Zoe pensou, em silêncio: “Você ia beijar o homem que te traiu? Você está completamente doida, Zoe.”— Eu vou embora — disse ela.— Você vai comer, e depois vamos terminar de conversar — rebateu Arthur.— De jeito nenhum. — ela falou de imediato.— Zoe, não aceito objeção, ok?Ela bufou, sentou-se no sofá, pegando um pedaço de fruta.— Como isso aconteceu? Você estava decidida que só engravidaria depois q