All Chapters of O CHEFE QUE EU ODIEI AMAR : Chapter 351
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351 - VOCÊ ESTÁ SEM CALCINHA
A noite avançava em São Paulo, e a chuva que caía desde a tarde se intensificava, transformando ruas em rios e arrancando árvores pelas raízes. A cidade parecia sucumbir à fúria do temporal, enquanto dentro da cobertura de Arthur, outro tipo de tempestade se desenrolava — silenciosa, emocional, íntima.Zoe observava a água escorrer pelas vidraças do quarto de hóspedes. O vento batia forte, fazendo as janelas tremerem. Estava sozinha. E arrependida.Como pôde dizer que não tinha preferência de lugar? Se tivesse sido firme, estaria em seu apartamento agora, longe de Arthur, longe daquele furacão de emoções que ele despertava e que ela lutava para controlar.A campainha de suas lembranças tocava sem parar. Ela havia se recusado a jantar com ele, e quando a empregada foi chamá-la, sua resposta foi seca. Mas Arthur, como sempre teimoso, pediu que Cleide levasse o jantar até ela mesmo assim, junto com um blusão dele e as instruções sobre onde encontrar toalhas e itens de higiene.Zoe não q
352 - NENHUM OUTRO HOMEM TE TOCOU
Ela tentou resistir.— Arthur... para com isso... eu não acredito em nada do que você fala.Ele beijou seu ombro, depois o pescoço.O corpo dela tremeu.— Você acha que isso é mentira, Zoe? — murmurou contra a pele dela.Ele não deu tempo dela responder. Simplesmente a beijou.Um beijo desesperado, intenso, faminto.Ele a puxou pela nuca, aprofundando o beijo. Era selvagem, urgente, cheio de dor e desejo.Quando se separaram, ele colou a testa na dela.— Me dá uma chance, linda... por favor... me perdoa. Eu juro que não lembro de nada. Não existe outra mulher. Só você.Ela chorava.— Eu não consigo te perdoar, Arthur... Nem sei mais o que sinto por você.— Você ainda me ama — disse ele, a voz baixa, tensa. — Por mais que diga o contrário.Zoe não respondeu de imediato. Respirou fundo, como se aquilo a irritasse profundamente. Então se afastou dele.— E se eu não amasse? — rebateu, com firmeza. — E se eu já estivesse com outra pessoa? Alguém que não me traiu, que não me escondeu nada?
353 - ELA FOI EMBORA CEDO
Arthur chamou, por Zoe com a voz ainda sonolenta, procurando por ela com os olhos.Silêncio.Pegou o celular do criado-mudo e ligou para Cleide.— Cleide, a Zoe está aí na cozinha? — perguntou, já com a ansiedade crescendo no peito.— Não, senhor. Ela foi embora cedo. Saiu antes mesmo de eu começar a preparar o café. Disse que precisava ir pra casa. — respondeu Cleide, com cautela.Arthur desligou sem dizer mais nada. Ligou para Zoe. Chamou uma, duas, três vezes. Sem resposta.Na quarta tentativa, uma notificação chegou: uma mensagem dela. Respirando fundo, ele abriu:“Arthur, me desculpa por sair sem avisar. Preciso de um tempo. Minha cabeça está confusa. Me deixa respirar um pouco.”Arthur leu e releu as palavras. Ele jogou o celular sobre a cama com frustração. O peito apertado, a respiração pesada. Ele sabia que aquela noite tinha mexido com os dois. Mas não esperava que ela fugisse assim.Enquanto isso, Zoe, do outro lado da cidade, caminhava de um lado para o outro no apartament
354 - VOCÊ É UM PERIGO
Na manhã seguinte, o sol ainda não havia tocado plenamente os jardins da mansão Miller, mas o interior do quarto já começava a despertar com um gesto de carinho. Thor sentou com delicadeza na beirada da cama, onde Celina dormia profundamente ao lado de suas duas filhas. As bebês estavam aninhadas em cobertores macios, seus rostinhos serenos, completamente entregues ao sono tranquilo.Com cuidado, Thor inclinou-se, distribuindo beijos suaves pelo rosto de Celina. Seus lábios tocavam com reverência cada traço daquela mulher que tanto amava.— Amor, acorda... já estou de saída. — sussurrou ele com a voz baixa, quase como um segredo compartilhado entre os dois.Celina remexeu-se levemente, os cílios se agitaram e, quando abriu os olhos, encontrou o sorriso de Thor a centímetros do seu.— Amo ser acordada assim, sabia? — murmurou com um sorriso sonolento, a voz rouca da madrugada ainda presente.— Por isso faço isso todos os dias. — sussurrou ele novamente, antes de depositar um beijo demo
355 - EU NÃO SOU SUA RIVAL
Uma semana havia se passado desde aquela madrugada intensa entre Zoe e Arthur, mas ela não o procurou. Por mais que algo dentro dela gritasse por sua presença, seu orgulho e as feridas abertas ainda falavam mais alto. Zoe se sentia em conflito. A saudade vinha como ondas, principalmente quando suas mãos tocavam instintivamente a barriga ainda discreta, lembrando do filho que carregava.Mesmo com o pedido para que ele desse espaço, Arthur não passou um só dia sem mandar uma mensagem. Sempre respeitoso, carinhoso, às vezes apenas desejando um bom dia de trabalho ou dizendo o quanto estava ansioso para conhecer o bebê. Aquilo partia ainda mais o coração de Zoe, porque cada palavra demonstrava o quanto ele estava tentando.Zoe estava mergulhada em relatórios na sala da empresa de Thor. O trabalho havia sido sua válvula de escape para não enlouquecer com os próprios sentimentos.O telefone da sala tocou.— Zoe, tem uma mulher aqui na recepção dizendo que quer falar com você. — disse a rece
356 - FAÇA ISSO POR AMOR
Arthur franziu a testa. Conhecia cada nuance dela. A secura na resposta, o olhar baixo, a tensão nos ombros — algo estava errado.— Está tudo bem mesmo, Zoe?Ela não respondeu. Permaneceu calada, os olhos fixos em um ponto qualquer da mesa. O silêncio cresceu entre eles, e, num instante, uma lágrima escorreu silenciosa pelo rosto de Zoe.Arthur se inclinou devagar, estendendo a mão e tocando com carinho a dela.— Fala comigo, amor. O que aconteceu?Zoe balançou a cabeça, os olhos marejados.— Se eu pudesse voltar no tempo... — murmurou com a voz embargada — ...eu não teria me casado com você.Aquelas palavras foram como facas. Arthur sentiu o peito apertar, mas manteve a calma. Apertou com carinho os dedos dela.— Eu entendo que você esteja machucada... mas vou fazer você mudar de ideia. Prometo, linda. Vou te provar que nosso amor ainda tem conserto. Que vale a pena.O almoço seguiu silencioso. Zoe quase não comeu. Arthur respeitou o espaço dela, mesmo doendo. Sabia que algo tinha ac
357 - ME SURPREENDA
Arthur sentiu o mundo parar.A imagem à sua frente era tão inesperada quanto dolorosamente desejada.Zoe estava ali.Com os olhos marejados, expressão fragilizada e as mãos tremendo levemente, ela segurava a alça da mala ao lado do corpo. Os cabelos caíam em ondas desalinhadas sobre os ombros, denunciando o cansaço. A respiração dela era curta, como se precisasse buscar coragem no próprio ar para estar onde estava.Nenhuma palavra foi dita de imediato.Ela apenas o olhou.As lágrimas começaram a rolar lentamente pelas bochechas de Zoe, enquanto Arthur, diante daquela imagem, sentiu o chão desaparecer. Ele piscou lentamente, como se tentasse ter certeza de que aquilo era real. O coração batia tão forte que parecia ecoar pela sala inteira. Suas mãos apertaram os braços da cadeira. Ele quase não respirava.— Zoe... — murmurou, a voz falha, o olhar preso nela.Ela deu um passo à frente. Ainda em silêncio.E com a voz embargada, quase inaudível, respondeu:— Arthur...O corpo dela tremia.
358 - ISSO É SÓ O COMEÇO
Arthur ainda sentia os lábios de Zoe nos seus. O gosto dela permanecia em sua boca como uma lembrança viva, um calor que não cessava. Quando os dois afastaram os rostos, mantendo as testas coladas, suas respirações descompassadas traduziam muito mais do que palavras. — Eu te amo, linda. Como nunca amei alguém antes. — murmurou ele, com a voz rouca e emocionada.Zoe sentia o coração pulsar no peito como se cada batida fosse uma súplica. Queria dizer que também o amava, que o amor nunca morreu, apenas foi abafado pelas dores e mágoas. Mas ela ainda não estava pronta para expor tudo com palavras. Ainda não. Então, apenas assentiu com a cabeça, tentando conter o que queimava em seu peito.Arthur entendeu. Sabia que seria um longo processo. Que teria que reconquistar cada pedaço dela, cada gesto, cada olhar, cada palavra de carinho. E estava disposto. Completamente disposto a isso.— Quer fazer um lanche? — perguntou ele, com um sorriso suave.Zoe suspirou.— Não, consegui jantar com minh
359 - O MAIS DIFÍCIL EU JÁ CONQUISTEI
No outro dia, a noite em São Paulo trazia um vento fresco e leve, que dançava entre as árvores do bairro nobre onde ficava a imponente mansão dos Ferraz. O céu estava limpo, pontilhado de estrelas tímidas. Dentro do carro, Arthur dirigia com atenção, mesmo que os olhos de vez em quando se desviassem para a mulher ao seu lado — Zoe. Ela mantinha as mãos cruzadas sobre a barriga, um gesto inconsciente de proteção. Apesar de pequena, a curva já era visível sob o vestido soltinho. Zoe encarava a janela, vendo as luzes da cidade passarem como flashes de um filme. Era estranho pensar que, em menos de vinte e quatro horas, sua vida havia mudado mais uma vez. — Nervosa? — perguntou ele, quebrando o silêncio. — Um pouco — confessou ela, sem desviar o olhar da janela. — Seus pais nem sabem que eu vou, né? — Não. Achei melhor deixar como surpresa. Eles só sabem que eu vou jantar com eles. Zoe o olhou, levemente preocupada. — E se for uma surpresa ruim? Arthur sorriu de leve, virando
360 - PERDOAR É RASGAR A DÍVIDA
A noite prosseguia com tranquilidade. — Zoe — disse Otto, num tom mais sério. — Só queria que você soubesse que... nós não estamos parados. Eu e Arthur estamos trabalhando discretamente para descobrir todos os envolvidos no que aconteceu com vocês dois. Aquilo que fizeram com meu filho foi cruel. Injusto. E Sabrina... assim que der à luz, vai pagar por tudo que fez. Nós temos provas, e estamos agindo com cautela, para que nada escape. Zoe respirou fundo, sentindo o coração disparar com a lembrança. — Obrigada por me dizer isso. Às vezes eu me pergunto se ela realmente vai pagar... — Vai, filha — garantiu Otto. — Mas quero te pedir uma coisa, que vem do coração de pai e avô. Não fique chateada comigo e com a Eloísa por querermos fazer parte da vida do filho da Sabrina. Eu sei que é difícil. Mas a criança não tem culpa. Ela vai existir. E assim como seu filho... ou filha... esse bebê também será nosso neto. Vamos tratar os dois com o mesmo amor. Isso é justiça. Isso é humanidade