All Chapters of O CHEFE QUE EU ODIEI AMAR : Chapter 411
- Chapter 420
431 chapters
411 - ESSE VINHO SÓ ESTÁ AQUECENDO
Dentro, o juiz de paz já os aguardava. A mesa simples estava organizada com a licença de casamento aberta, carimbos ao lado e a formalidade que preenchia aquele ambiente de paredes claras. Era uma cerimônia administrativa, sem enfeites, sem exageros. Apenas olhares, assinaturas e o peso de um compromisso que, para eles, já existia muito antes do papel.— Bom dia. — disse o juiz, cordial. — Vocês trouxeram alianças? Desejam incluí-las na cerimônia?Gabriel ajeitou a postura, como se aquele momento, por mais sóbrio que fosse, fosse grandioso demais para ser tratado com pressa. Tirou do bolso interno do paletó uma pequena caixinha de veludo azul e respondeu com um sorriso leve, mas firme:— Sim, senhor. Estão aqui.— Excelente. Então vamos prosseguir. — disse o juiz.Ele respirou fundo e, com tom solene, perguntou:— Ava Richardson, você aceita Gabriel Vicente como seu legítimo esposo, para amá-lo, respeitá-lo e caminhar ao lado dele em todos os dias de sua vida?Ava olhou para Gabriel,
412 - ISSO PARECE UM SONHO
A noite caía serena sobre a mansão, espalhando sombras delicadas pelos corredores. Do lado de fora, o jardim permanecia iluminado pela lua cheia, que se erguia majestosamente no céu, enquanto o canto dos grilos e o farfalhar das árvores compunham a trilha sonora daquela hora tardia. No andar de cima, tudo já estava em silêncio. As crianças dormiam em seus quartos, embaladas em sonhos inocentes. Cada respiração suave que Zoe escutava ao beijá-los antes de descer parecia confirmar que o mundo estava em paz.Para Zoe, no entanto, o descanso parecia sempre distante. Desde que Arthur aceitou o convite para trabalhar na Universidade, algo dentro dela mudou. Nos dias que lecionava, ele saía cedo e voltava apenas à noite, muitas vezes cansado. Porém realizado. Ela se orgulhava dele, do homem que não deixava que a cadeira de rodas definisse os limites da sua vida. E, ainda assim, um hábito se enraizou em sua rotina: ela simplesmente não conseguia dormir antes de vê-lo chegar.No início, dizia
413 - PARABÉNS A TODOS NÓS
O beijo só cessou quando a respiração de ambos já estava entrecortada. Zoe encostou a testa na dele, ofegante, e Arthur sussurrou com a voz rouca:— Como senti falta disso…Ela sorriu, ainda emocionada.— Eu também.Ele lhe roubou outro beijo rápido, mas intenso, antes de falar:— A babá está com as crianças?— Sim. — Zoe respondeu, mordendo o lábio, já adivinhando o rumo da conversa.Arthur estreitou os olhos, a boca curvada num meio sorriso provocador.— Então agora nós vamos comemorar em nosso quarto. Primeiro… com um banho de banheira.Zoe riu, encostando a boca na orelha dele, e respondeu com o seu jeito divertido, provocativo, típico dela:— Eu quero você dentro da banheira… e dentro de mim. Mas dessa vez é você quem vai estar no comando. — Ela sorriu, atrevida, os olhos queimando de desejo. — Porque naquela cadeira, Arthur… você já fazia loucuras comigo. Agora de pé… eu quero ver se vai se superar.Ela riu baixinho, mordendo o lábio, provocando de um jeito tão natural que ele q
414 - SER FELIZ OUTRA VEZ
Nos três primeiros anos de prisão, Sabrina acreditou que só lhe restavam a dor, o arrependimento e a culpa. Cada dia era um peso, cada noite um abismo. Ela se movia entre grades como quem carrega correntes invisíveis, acreditando que a vida já havia acabado ali.Mas foi nesse tempo sombrio que algo inesperado surgiu: os olhares. Discretos no começo, demorados depois, eles vinham de Maurício, o diretor da penitenciária. Um homem intocável, autoridade máxima, respeitado e temido por todos. Ela sabia que era proibido — todos sabiam. E, ainda assim, havia algo naquele olhar que parecia atravessar o uniforme, as paredes e até mesmo as culpas que ela carregava.Naquele mundo feito de ferro e silêncio, Maurício se tornou para Sabrina aquilo que ela já não acreditava merecer: uma centelha de luz em meio à escuridão.Durante um ano, eles conversaram longamente. Maurício queria conhecer a verdadeira Sabrina, não apenas a detenta marcada por culpas e cicatrizes. Ele enxergava a mulher por trás d
415 - SUA PRIMEIRA NOITE EM LIBERDADE
Ele soltou um riso leve, quase aliviado, antes de beijar sua testa com devoção.— Obrigado, amor. Você não faz ideia de como esse “sim” é a maior vitória da minha vida.Um ano se passou em que os dois se limitavam a beijos roubados, longos e ardentes, carregados de desejo contido. Cada encontro era uma batalha entre o que sentiam e o que sabiam ser errado. Era como se aquele controle fosse a única linha que ainda os mantinha em pé dentro das regras silenciosas da penitenciária.Mas naquela tarde, na sala fechada, Sabrina não resistiu mais. Havia algo em seus olhos que pedia entrega, e Maurício, não conseguiu segurar. O ar parecia mais denso, o coração dela acelerava de uma forma que misturava medo e coragem. A adrenalina queimava em suas veias, o gosto amargo e doce de saber que era proibido só fazia aumentar a intensidade.Maurício a envolveu com a força de quem havia esperado demais, mas também com o cuidado de quem sabia que ali estava algo de muito valor. Os beijos dele abafavam s
416 - ESPEREI SETE ANOS
Sabrina e Maurício chegaram ao apartamento dele. Ela respirou fundo quando a porta se fechou atrás de si, como se aquele simples gesto tivesse um peso simbólico: era a primeira vez em anos que um espaço se tornava só dela — sem grades, sem barulho metálico de chaves, sem sirenes ecoando. O silêncio que a envolvia não era o da prisão, pesado e sufocante. Era o silêncio da liberdade. Da escolha.Maurício aproximou-se por trás, envolvendo-a num abraço firme, pousando o queixo em seu ombro.— Seja bem-vinda à sua nova casa, amor — murmurou, com uma suavidade que contrastava com a firmeza de seus braços.Ela sorriu de leve, emocionada, mas com um toque de provocação.— Ainda não é minha casa amor. Nós combinamos que eu só viria morar aqui depois do casamento.Ele a virou de frente e roçou os lábios nos dela antes de responder:— E eu só estava esperando você sair para dar entrada no cartório. — O olhar dele brilhou de seriedade, mas também de desejo.Sabrina respirou fundo, lutando contra
417 - MINHA MAMÃE
As lágrimas caíram de novo, e Sabrina murmurou:— Muito obrigada. De verdade. E pode ficar tranquila, Zoe. Eu não vou entrar na justiça para pedir guarda compartilhada. Sei que ela tem a vida dela aí, a rotina dela com vocês. Você é mais mãe dela do que eu. E como você disse, ela e Miguel são inseparáveis. Zoe sorriu com cumplicidade.— E com o Arthur também. Você acredita que ele precisou viajar para o Brasil a trabalho e disse que ficaria um mês. Com uma semana voltou correndo porque Clarisse ficou com febre por conta da saudade, não comia direito, vivia chorosa… mesmo falando com ele por vídeo.Sabrina sorriu baixinho, enxugando as lágrimas.— Fico feliz em ouvir isso.Zoe balançou a cabeça, sorrindo também.— O Arthur é insuportável com a Clarisse, você não tem noção. Lembra que um dia eu disse que ele ia amar tanto essa menina que chegaria a ser sufocante? Pois é. Cumpriu.Sabrina sorriu com ternura.— Nunca vou esquecer daquela nossa conversa.— Pois então… — Zoe suspirou, mexe
418 - NÓS RECEBEMOS SUA CARTA
Oito anos haviam se passado desde o julgamento e a condenação de Isabela. Para Celina e Thor, aquele período tinha sido marcado por reconstrução, conquistas e novos caminhos. Para Isabela, os anos foram vividos entre grades, muros altos, sofrimentos e o peso insuportável das próprias lembranças.Naquela manhã, Celina atravessava os portões da penitenciária ao lado de Thor. O som metálico das trancas ecoava como marteladas em sua mente, e o cheiro frio de desinfetante misturado ao ferro enferrujado parecia grudar em sua pele. Cada porta que se fechava atrás deles fazia seu coração se apertar mais.Ela respirava fundo, tentando manter a calma. Havia lido e relido a carta de Isabela tantas vezes que quase sabia cada palavra de cor. Ainda assim, estar ali, prestes a encará-la, era diferente.Thor caminhava em silêncio, com a mão firme na cintura da esposa, como um lembrete silencioso: estavam juntos naquela decisão.Quando finalmente entraram na sala de visitas, Celina parou por um instan
419 - QUER UMA CARONA?
Ele sustentou o olhar com seriedade, mas também com humanidade.— Eu também errei, Isabela. Não deveria ter aceitado aquele casamento, ainda mais sabendo que você tinha sentimentos. Não deveria nunca ter dormido com você. Me perdoa também. Agora… vamos seguir em frente. Tenho certeza que você vai conseguir refazer sua vida.Isabela balançou a cabeça, os ombros caídos como quem finalmente se despia do peso da ilusão.— Hoje eu sei que o que sentia por você era doença. Mas estou curada. Tenho certeza disso.Thor apertou a mão de Celina, como se quisesse que ela fosse testemunha da verdade de suas palavras.— Se estamos aqui, é porque acreditamos que você está mudando. Nunca permitiria que minha esposa viesse a este lugar se soubesse que fosse em vão.Celina se inclinou levemente para frente, a voz carregada de ternura.— Então… vai aceitar minha proposta? Você ainda é jovem, Isabela. Quando sair daqui pode dar uma repaginada na sua vida.Isabela sorriu entre lágrimas, o rosto marcado pe
420 - FOI PERFEITO
Ela sorriu com timidez, mas os olhos marejados revelavam a verdade.— Estou com medo. Mas… eu vou conseguir.Felipe assentiu, mantendo o olhar firme na estrada.— Eu estava contando os dias para você sair. Pensou no meu pedido?Ela engoliu em seco, desviando os olhos para a janela.— Felipe… eu não sou a pessoa apropriada para estar ao seu lado. Não estou pronta para um relacionamento. Tenho pavor só de pensar em um homem encostando em mim.Ele sorriu de leve, sem pressa, sem pressão.— Eu já te dei beijos no rosto várias vezes, já segurei sua mão… já te abracei e você não teve pavor. Eu tenho paciência, Isabela. Vou estar com você, num relacionamento ou não. Estamos conversando há dois anos. Nós nos conhecemos bastante.Ela suspirou, com o coração dividido.— Você vai encontrar uma mulher bonita, Felipe. Uma mulher com a vida limpa. Eu não sou pra você… desculpa.Ele apenas sorriu, como quem já sabia a resposta que carregava dentro de si.— Vou repetir: eu tenho paciência.Dois meses