All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 131
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131 - Laranja
Cássio riu, nervoso e divertido ao mesmo tempo. — Não acredito, você já tinha até pensado nisso, não é? Você é um psicopata funcional, Dorian. O canto da boca do CEO se curvou em um sorriso mínimo. — Prefiro “planejador eficiente”. Ele se levantou com a calma de sempre e caminhou até a janela de vidro, onde a cidade se estendia como um tabuleiro iluminado, repleto de peças que só ele sabia mover. — Prepare um laranja — ordenou, sem desviar o olhar. — Quero alguém limpo, sem ligação com o grupo. Ele vai comprar a parte do André e, quando a poeira baixar… eu assumo como sócio majoritário. Cássio arregalou os olhos, o riso escapando quase em choque. — Isso vai arrancar o couro do Natan. Ele nem imagina. Dorian ajeitou com precisão o punho da camisa, o gesto meticuloso de alguém que nunca deixava uma ponta solta. — É esse o objetivo. Mais tarde, em uma sala de reuniões discreta, as paredes forradas com painéis de madeira abafavam até a respiração dos presentes. Doi
132 - Está pronta?
Francine estava no quarto alugado na casa de Adele e Pierre, já de pijama, passando um hidratante diante do espelho quando o celular vibrou sobre a mesinha de cabeceira. O relógio marcava quase onze da noite, e ela pensou em ignorar, mas ao ver o nome de Malu na tela, atendeu com um sorriso cansado. — Oi, Malu… já ia deitar. — disse, a voz macia, entre um bocejo e outro. — Oh, amiga, desculpa, eu sempre esqueço do fuso horário! — respondeu Malu em tom animado. — Mas me conta, como estão as coisas por aí? Aquela foto que você me mandou, você tava deslumbrante! Francine ajeitou uma almofada nas costas e se encostou melhor na cama. — Meu final de semana foi um caos, você sabe, mas de um jeito muito bom. Só estou com os pés implorando por misericórdia. Preciso de uma semana de spa, no mínimo. As duas riram juntas, e a conversa seguiu leve por alguns minutos, até que Malu mudou o tom, com aquele ar de quem não se aguentava para soltar uma bomba. — Bom… já que estamos falando de coisa
133 - Fotos
Na manhã seguinte, Francine voltou ao Café como se nada tivesse acontecido no fim de semana. As roupas glamourosas, os flashes e os olhares do desfile agora pareciam tão distantes quanto um sonho. Em seu lugar estava o uniforme simples, o avental amarrado na cintura e a bandeja equilibrada com cuidado entre as mesas lotadas. Mas, diferente de antes, ela carregava um brilho discreto nos olhos, como se tivesse descoberto que podia ser mais do que aquilo, sem precisar deixar de ser quem era. Cada café servido era um lembrete de que estava em Paris, vivendo sua própria história. A rotina era puxada, os clientes às vezes rudes, e os pés doíam no final do turno. Ainda assim, Francine sorria, lembrando de pequenos detalhes do desfile: a energia das modelos, o bater dos saltos, o cheiro de maquiagem e perfume misturado ao calor das luzes. O desfile não tinha mudado sua realidade imediata, mas tinha plantado uma certeza dentro dela: as coisas estavam caminhando. E só isso já fazia seu
134 - Jantar profissional
Francine acordou com o celular vibrando na mesinha de cabeceira. O sol mal tinha atravessado as cortinas quando ela piscou os olhos inchados e puxou o aparelho. Uma notificação de Lohan. “Bom dia, estrelinha do meu sábado ✨ Já pensou em transformar isso em rotina?” Francine riu sozinha, rolando na cama. — Mal me conhece e já quer me colocar na passarela todo dia… — murmurou, digitando a resposta. “Bom dia, fotógrafo. Vamos com calma, ainda sou só a garçonete da esquina, lembra?” A resposta não demorou. “Garçonete nada. Uma modelo que o acaso me deu de presente. E te digo mais: eu seria um péssimo profissional se deixasse esse talento escapar.” Francine estreitou os olhos, divertida. “Olha, se esse é o seu jeito de convencer clientes, entendo porque tem tanto trabalho. Mas, de verdade, agradeço, ainda tô meio sem acreditar em tudo que aconteceu no fim de semana.” Do outro lado, o ícone de digitação piscou. “Então deixa eu te ajudar a acreditar. Tenho um contato numa agência a
135 - Está decidido
Francine tentou manter a compostura, mas não conseguiu evitar um sorriso leve. — Hum… vou pensar a respeito — disse, cruzando as pernas, tentando parecer indiferente, mas claramente intrigada. Olivier, observando a interação, completou com profissionalismo: — Se ela topar, podemos planejar algo ainda esta semana. Paris tem locações excelentes para isso. — Ótimo — respondeu Lohan, ainda com aquele ar de cumplicidade silenciosa entre eles. — Francine, se você topar, vamos transformar essas fotos em algo que realmente mostre quem você é. Nada forçado, nada artificial. Só você. Francine respirou fundo, sentindo uma mistura de nervosismo e empolgação. Apesar de estar atenta à sua carreira, não pôde deixar de perceber que Lohan tinha um talento natural para fazer alguém se sentir confiante diante da câmera. — Certo… então, vamos planejar. — disse ela, finalmente cedendo, com aquele leve sorriso de quem ainda mantinha a guarda, mas estava curiosa para ver onde tudo poderia chegar. Loh
136 - Caixas e papéis
O aroma do café recém-passado se espalhava pela cozinha ampla do apartamento de Natan. Ele se serviu com calma, ajeitando a xícara no pires com o mesmo cuidado de sempre.O som do rádio, ao fundo, trazia notícias triviais da manhã da cidade: trânsito, economia, política. Nenhuma menção a ele, nenhum escândalo.Natan sorriu de canto. O dinheiro tinha feito seu trabalho. O silêncio comprado da mídia era, para ele, a prova de que ainda estava no controle.Agora, poderia voltar a andar pelas ruas como o empresário respeitado, o exemplo de sucesso que sempre acreditara ser.Enquanto descia do carro em frente ao prédio da empresa, ajeitou o paletó, respirando fundo. Os sapatos ecoaram firmes no mármore da recepção, e por um instante, ele quase acreditou que a tormenta dos últimos dias havia passado.Mas bastou atravessar os corredores para sentir algo estranho.Os olhares que antes o seguiam com admiração agora se desviavam apressados. Telefonemas cessavam de repente, sussurros surgiam em c
137 - Até meu último centavo
Natan ergueu o olhar devagar, como se a presença do advogado fosse apenas um incômodo menor em sua rotina.— Já está tudo pronto, então? — perguntou, em tom carregado de desdém.— Sim. — O advogado abriu a pasta e depositou os papéis sobre a mesa, alinhando-os com precisão milimétrica. — Conforme combinado, a parte do senhor André Soares foi transferida para o novo sócio, Eduardo Rangel.O nome ecoou na sala como um tiro abafado.Natan leu rapidamente as primeiras linhas do contrato, tentando manter a compostura.Eduardo Rangel? Nunca ouvira falar. Um investidor discreto, certamente. Talvez até útil, pensou num lampejo de otimismo forçado.Mas a cada palavra lida, o sangue parecia latejar mais forte nas têmporas. Assinar significava admitir que estava perdendo o controle, que a empresa já não era inteiramente dele.O advogado permaneceu em silêncio, apenas empurrando a caneta em sua direção.Natan a segurou firme, mas antes de se decidir, fechou os olhos por um instante. O coração d
138 - Pagando o táxi
O celular vibrou sobre a mesa de mogno, interrompendo o silêncio disciplinado do escritório. Dorian ergueu os olhos do relatório que lia, já com a sensação de que sabia do que se tratava.A tela confirmava: era uma nova mensagem dos advogados."Compra da parte de André concluída. Estamos apenas aguardando a assinatura final de Natan para oficializar a transferência."Um músculo discreto se contraiu no maxilar dele. Mais uma peça do tabuleiro no lugar.Guardou o aparelho no bolso do paletó, levantou-se e ajeitou a gravata com o gesto automático de quem não admitia brechas. O dia havia sido longo, mas não improdutivo.Enquanto seguia em direção ao elevador privativo, ainda no corredor Cássio o alcançou com a mesma energia inquieta de sempre, o sorriso fácil contrastando com a sobriedade de Dorian.— Fugindo mais cedo hoje? — provocou o amigo, acompanhando seu passo firme até o elevador.— Encerrando no horário. — Dorian respondeu sem humor, apertando o botão.— Ah, então sobra tempo pr
139 - Ensaio
O sol de Paris ainda não tinha se recolhido completamente quando Lohan estacionou em frente ao apartamento de Adele para buscar Francine. Ela apareceu na porta com um leve sorriso nervoso, segurando a alça da bolsa como se fosse um escudo. — Boa noite, senhorita Francine — disse Lohan, abrindo a porta do carro. — Pronta para conquistar o A7? Ela deu uma risadinha, subindo no banco ao lado dele: — Conquistar? Acho que só estou tentando não tropeçar nas próprias pernas. Ele riu, ajeitando o retrovisor: — Confie em mim, ninguém tropeça aqui. E se tropeçar, pelo menos vai sair bem nas fotos. O caminho até o estúdio foi tranquilo. Eles falaram sobre coisas leves, como cafés favoritos em Paris, pequenas descobertas que ela fizera na cidade, e algumas histórias engraçadas do backstage do desfile. Francine se sentia estranhamente confortável, como se estivesse rindo com um amigo de longa data, e não com um fotógrafo que ela mal conhecia. Ao chegar ao Studio A7, o espaço a
140 - Pagamento
Enquanto Lohan guardava os últimos equipamentos, Francine dirigiu-se à recepção do estúdio para acertar o pagamento do aluguel. Ao abrir o aplicativo do banco e conferir o saldo, a constatação veio como um frio na espinha: o dinheiro era pouco, e cada centavo precisava ser contado. Ainda assim, ela respirou fundo. Nada ali era gasto supérfluo; cada real investido naquele ensaio era um passo em direção ao seu sonho. Com cuidado, pagou o valor do estúdio, sentindo um misto de alívio e orgulho. Ao se sentar em uma das poltronas da recepção, o coração aqueceu. Ela estava ali sozinha, mas estava dando conta, fazendo as escolhas certas e investindo em si mesma. Francine se recostou na poltrona, deixando escapar um suspiro de alívio. O ensaio tinha sido intenso, mas incrivelmente satisfatório. Ela tirou o celular do bolso do casaco para checar rapidamente as mensagens, pensando em enviar algumas fotos do espaço para Malu. Foi então que a tela acendeu com uma notificação inesperad