All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 121
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121 - Empurrão
A sala de reuniões estava silenciosa, exceto pelo som discreto do ar-condicionado. A mesa comprida de madeira escura refletia o brilho frio das lâmpadas de teto, e Natan se recostava na cadeira de couro com o semblante confiante, ou pelo menos tentava. Do outro lado, André folheava uma pasta repleta de relatórios. Os dois sócios raramente discordavam em público, mas, a portas fechadas, a conversa já havia tomado um tom ácido. — Vou ser direto, Natan — disse André, inclinando-se para frente, a voz baixa mas cortante. — Esse escândalo te expôs e, por consequência, expôs a empresa. Tivemos perda de clientes importantes, investidores recuaram, e só não foi pior porque agimos rápido. Natan ajeitou a gravata, disfarçando o incômodo. — E tem mais uma coisa — acrescentou André, ajeitando os papéis à sua frente como quem encerra o assunto. — Só conseguimos segurar parte da imagem porque injetamos dinheiro em ONGs, em projetos sociais, em campanhas de responsabilidade corporativa. Uma
122 - Espetáculo
O telefone de Natan não parava de tocar desde as primeiras horas da manhã. Primeiro foi o jurídico, depois o setor de obras, em seguida o assessor de imprensa. Ele atendia uma ligação e já havia outras três esperando. A cada notícia, o sangue subia-lhe ao rosto. — Como assim a obra no centro foi embargada? — rugiu no viva-voz, caminhando de um lado para o outro no escritório. — Eu quero que resolvam isso imediatamente! A voz do engenheiro-chefe soou trêmula do outro lado da linha: — Senhor, a fiscalização apareceu com uma lista detalhada de irregularidades. É como se… como se soubessem exatamente onde procurar. Natan parou no meio da sala, o coração acelerado. Não era coincidência. Alguém estava guiando cada passo contra ele. Antes que pudesse responder, outra chamada entrou. Ele atendeu com um estalo de impaciência: — Fala! Era o assessor de imprensa, quase sem fôlego. — Senhor, saiu matéria de capa no Jornal do Comércio. Acusam a Ferraz & Soares de descumprir no
123 - Primeiro passo
Francine se jogou na cama, exausta depois de um longo dia servindo clientes no café. O corpo doía, mas a mente estava inquieta, talvez por isso tenha pego o celular quase sem pensar, deslizando pela agenda até encontrar o nome que lhe trazia aconchego imediato. — Malu! — disse com um sorriso ao ver o rosto da amiga do outro lado. — Liguei só pra matar saudades. — E eu tava mesmo precisando ouvir a sua voz — respondeu Malu, cheia de energia. — Mas me diz, você tá bem? Parece que afinou o rosto... não tá deixando de comer, né? Francine riu, apoiando a mão no estômago. — Claro que não, menina! Tô até mais disciplinada agora. A Adele tá cuidando de mim, preparando minhas refeições. Tô me sentindo renovada. — Adele... a esposa do seu patrão? — Malu perguntou, curiosa. — Ela mesma. Virou quase uma mãe pra mim — respondeu Francine com entusiasmo. — Ah, precisava te contar: amanhã vou estar num desfile. Do outro lado da linha, Malu soltou um gritinho. — COMO ASSIM? Você já
124 - O caos antes da beleza
O cheiro de café fresco se espalhava pela cozinha iluminada, misturando-se ao aroma doce do pão recém-saído da torradeira. Francine se sentou à mesa ainda com os cabelos soltos, a pele viçosa de quem vinha se cuidando com mais disciplina nas ultimas semanas. Adele, como sempre, já estava impecável, cortando frutas em fatias delicadas para compor o prato das duas. — Você não tem ideia de como está diferente, — disse Adele, entregando-lhe um sorriso orgulhoso. — A dieta, os exercícios… tudo isso deixou você ainda mais bonita. Não apenas bonita, mas… no padrão que qualquer agência exigente vai querer. Francine deu uma risadinha, ajeitando a xícara entre as mãos. — Exagero seu, Adele. Eu só estou menos descuidada, só isso. — Não, querida, — insistiu Adele, erguendo o garfo para dar ênfase às palavras. — Você está no ponto. Se eu fosse apostar, diria que muitas daquelas francesas vão ter que se esforçar pra não ficarem na sua sombra. O comentário fez Francine rir alto, um riso leve
125 - Voto de confiança
Francine não demorou a perceber onde poderia ser útil. Uma modelo choramingava porque a barra do vestido havia descosturado; Juliette estava ocupada demais com o celular para notar. Sem hesitar, Francine pegou uma caixa de costura esquecida em cima de uma mesa e se abaixou. — Fica parada um segundo, querida — pediu com naturalidade. Seus dedos ágeis seguraram a barra, alinhando o tecido com a precisão de quem já tinha feito isso muitas vezes. Um ponto rápido, firme, e em menos de dois minutos a situação estava resolvida. — Pronto, ninguém vai nem perceber. A modelo suspirou aliviada. — Merci… — De rien — respondeu Francine, no mesmo tom, sem pensar. A troca em francês não passou despercebida. Um estilista que passava apressado parou no meio do caminho, olhando-a com surpresa. — Vous parlez français? Francine ergueu o olhar e sorriu. — Oui, bien sûr. Ele pareceu avaliá-la por um instante, antes de soltar um breve aceno, satisfeito, e seguir seu caminho
126 - Quem é essa mulher?
Juliette não perdeu tempo; já a puxava em direção à equipe de maquiagem. — Ótimo! Vamos, depressa, não temos um segundo a perder! Enquanto era levada para a cadeira, Francine sentia as pernas tremerem de adrenalina. Não de medo, mas de pura excitação. Aquilo era tudo o que ela queria: voltar, provar que ainda podia, que o brilho não tinha se apagado. As mãos de três pessoas a envolviam ao mesmo tempo: uma maquiadora passava pinceladas rápidas para acentuar seus traços, outra ajeitava os fios do cabelo com sprays que perfumavam o ar, e uma assistente prendia o vestido na parte de trás com uma destreza nervosa. — Fica parada, respira fundo — dizia a maquiadora, sem levantar os olhos do trabalho. Francine tentava obedecer, mas sentia o coração martelando como um tambor de guerra. A cada segundo, a contagem regressiva para a entrada se aproximava do zero. O vestido caía sobre ela como se tivesse sido feito sob medida. As mãos suavam, e a mente rodava em lembranças de o
127 - Essa é a Francine
O desfile não parava. Assim que saíram da passarela, as modelos eram puxadas de volta ao turbilhão do backstage: trocas rápidas de roupas, maquiadores retocando sombras e batons em segundos, costureiras correndo para ajustar um zíper que insistia em emperrar. Francine, ainda sem acreditar que estava ali, foi guiada por Juliette para a arara seguinte. — Você vai vestir este agora — disse a estudante, firme, sem espaço para hesitação. Em poucos minutos, Francine já estava pronta para a segunda entrada. O frio na barriga ainda latejava, mas o corpo parecia ter recuperado uma memória esquecida. Cada salto dado na passarela fazia seu andar ganhar mais naturalidade, como se não tivesse passado um só dia longe daquele mundo. A terceira entrada trouxe algo novo: um vestido ousado, cheio de recortes assimétricos que exigia não apenas postura, mas presença. Ao atravessar a passarela, os holofotes destacavam cada curva do tecido sobre o corpo dela, e mais uma vez os olhares d
128 - Coisa profissional
Francine hesitou por um segundo diante do homem com a câmera pendurada no pescoço. Ele tinha cabelos escuros e ondulados, levemente desgrenhados, que caíam sobre a testa de maneira despretensiosa, mas charmosamente calculada. Os olhos eram profundos, intensos, capazes de prender a atenção sem esforço, e os lábios, firmes mas sensíveis, pareciam esconder um sorriso constante. Havia algo nele que lembrava uma mistura de sofisticação e casualidade, um tipo de elegância que não precisava de roupas caras para se destacar. Quando levantou os olhos da tela da câmera, Francine percebeu o efeito quase hipnotizante daquele olhar. — Então você é a tal Francine… — disse Lohan, a voz baixa e carregada de sotaque francês. Não soava como uma pergunta, mas como se já tivesse visto o suficiente para afirmar. Ela ajeitou a postura, meio sem jeito. — A tal? O fotógrafo sorriu de lado, inclinando levemente a cabeça como quem estudava uma obra de arte. — A mulher que dominou o desfile
129 - Vivendo um filme
O backstage já começava a se esvaziar, cabides voltando às araras, maquiadores recolhendo pincéis e potes de glitter, assistentes correndo de um lado para o outro como se apagassem os últimos vestígios do espetáculo.Entre o barulho de zíperes fechando malas e vozes apressadas em francês, Francine se esgueirou para um canto, ainda com o coração acelerado e o cartão de Lohan queimando na palma da mão.Sem pensar muito, desbloqueou o celular e apertou o nome de Malu.A tela piscou duas vezes até a chamada de vídeo se abrir, revelando o rosto da amiga emoldurado pelo avental da cozinha de Dorian.— Menina! — Malu quase deixou a colher cair ao ver o cenário atrás dela. — Você tá viva aí? No meio dessa confusão toda?Francine não conteve o riso.— Estou, acredita? Parece que ainda tô sonhando… — girou a câmera só para mostrar o burburinho em volta, os cabides lotados de vestidos e um maquiador passando apressado atrás dela.Do outro lado, Malu arregalou os olhos, tentando absorver aquele c
130 - Menos que um relógio
A segunda-feira começou cedo, e Dorian saiu da cozinha e atravessou o corredor em silêncio, ainda com a imagem de Francine acesa no fundo dos olhos. Malu havia mostrado a ele uma foto que Francine havia enviado, onde ela aparecia meio distraída, como se tivesse sido pega de surpresa. Tão linda quanto ele se lembrava. Pegou o paletó da cadeira do hall, ajustou a gravata com um gesto automático. Foi quando Denise surgiu da ala de serviço com a prancheta de sempre, os óculos escorregando na ponta do nariz. Parou diante dele como fazia desde que ele era adolescente: firme, discreta, eficiente. — Senhor Dorian, uma coisa rápida antes do senhor sair — disse, folheando as anotações. — Os jardineiros perguntaram se o senhor prefere a poda das árvores ainda esta semana. E as roseiras do canteiro central… mantemos ou trocamos pelas novas mudas que chegaram? Ele demorou um segundo para responder, como se a mente precisasse voltar do lugar onde tinha ficado. Passou os dedos nos botões da