All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 151
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151 - Torcedores
Francine piscou rápido, como se tivesse acordado de um transe, e largou a gravata de volta na prateleira.— Nada. Estava só pensando alto.Ele não insistiu, mas o olhar dele dizia mais do que qualquer palavra.Um silêncio leve se instalou, cheio de significados, até que Lohan riu baixinho, mudando de assunto para não deixá-la ainda mais sem saída.Francine desviou rápido o olhar da gravata e caminhou alguns passos adiante, tentando disfarçar o próprio deslize.Parou diante de uma estante colorida de miniaturas da Mona Lisa e chaveiros em formato da pirâmide do Louvre. Pegou dois itens, avaliando com atenção.— Acho que Adele ia gostar disso… — disse baixinho, segurando um pequeno quebra-cabeça com a obra. — E talvez uma caneca pra Malu. Ela vive reclamando que as dela sempre quebram.Lohan a observava com interesse, sem pressa de interromper.— Vai mandar pro Brasil? — ele perguntou.— É… mas não sei se é muito complicado mandar presente pra lá. — Francine mordeu o lábio, pensativa.E
152 - Não fuja
Adele e Pierre estavam fascinados com a tela, admirando a energia da torcida, o barulho, os bandeirões coloridos, os gritos de emoção.Para eles, tudo aquilo parecia um espetáculo vibrante e organizado.— Uau, olha como eles comemoram! — exclamou Pierre, batendo palmas junto com a transmissão.— Que incrível, tão empolgados! — concordou Adele, sorrindo.Francine, por sua vez, estava completamente imóvel, os olhos brilhando de surpresa. Um sorriso involuntário se formou em seus lábios.Ela não conseguia parar de observar: como o destino podia ser tão irônico?— Francine? — Adele chamou, percebendo o sorriso curioso. — Está tudo bem?Ela riu baixinho, ainda hipnotizada pela tela:— Eu… eu nunca esperaria ver algo assim. É tão irônico!— Ué, mas não é assim que todas as torcidas no Brasil comemoram? — perguntou Adele, curiosa.— Não, é exatamente assim! — respondeu Francine, ainda com os olhos grudados na tela. — A ironia está no fato de eu abrir justamente o vídeo em que aparece meu ant
153 - Agências
A manhã seguinte trouxe consigo o aroma familiar de café fresco e o burburinho constante da cafeteria. Francine ajeitava as bandejas, servia mesas e sorria para clientes habituais, mas sua mente estava longe dali. As palavras de Adele ainda ecoavam, insistentes, como se tivessem plantado raízes. Enquanto limpava uma mesa próxima à vitrine, seus olhos pousaram em um casal que ria despreocupado, dividindo uma fatia de bolo. Logo ao lado, outro casal discutia baixinho sobre qual filme assistir mais tarde, mas sem perder o tom de intimidade. A cena se repetia em diferentes formas pela cafeteria inteira, e Francine se perguntou se realmente tinha feito bem em abandonar tudo de forma tão abrupta. "Ele errou comigo… mas será que eu não errei também?" – pensou, ajeitando os talheres sem perceber que repetia o gesto três vezes no mesmo lugar. Ela balançou a cabeça, tentando afastar a dúvida. Paris era sua chance. Ali estava a agência indicada por Olivier, uma oportunidade que talv
154 - Um rosto menos francês
O elevador subia em silêncio, quebrado apenas pelo leve zumbido mecânico. Francine ajeitava a bolsa no ombro, respirando fundo como quem tentava controlar a ansiedade. Lohan, ao lado, observava-a com aquele meio sorriso confiante que parecia nunca o abandonar. — Está nervosa? — perguntou, ajustando a manga do casaco. — Um pouco — ela admitiu, com um riso breve. — Nem sei se meu book ficou pronto a tempo… Lohan inclinou a cabeça, divertido: — Claro que ficou. Só não tive tempo de mandar imprimir. Mas as fotos estão prontas e já separei as melhores. Assim que você for aprovada, e vai ser, eu encaminho tudo direto para eles. Francine arqueou uma sobrancelha, desconfiada. — Você fala com tanta certeza… — Porque eu sei reconhecer talento — respondeu sem pestanejar. O elevador se abriu com um ding discreto, revelando um andar de pé-direito alto, paredes envidraçadas e uma recepção moderna, iluminada pela claridade que entrava das janelas. Modelos esperavam em sofás minimalistas, a
155 - Novidades da investigação
Natan entrou no prédio da construtora com passos largos e firmes, a postura impecável, o queixo erguido, transmitindo a impressão de que já era o dono de tudo.O vazio deixado por André parecia preencher o ar ao seu redor, e ele saboreava a sensação de superioridade que aquele silêncio lhe proporcionava.Cada detalhe do saguão, o piso polido, os painéis de vidro refletindo sua imagem, reforçava a ideia de que aquele espaço agora estava sob seu controle.Ao chegar em sua sala, a secretária, sempre eficiente, ergueu os olhos do computador e informou:— Senhor Natan, o advogado de André chegou para buscar os documentos da cisão da empresa.Ele assentiu de forma imperceptível, mantendo o olhar firme à frente:— Muito bem. Mande-o entrar.Minutos depois, a porta se abriu e o advogado adentrou, pastas em mãos, com a expressão profissional e calculada.Natan estendeu a mão com naturalidade, mas não sem aquele toque de altivez característico, entregando-lhe os documentos com todas as assinatu
156 - Você é impiedoso
O escritório estava em silêncio, exceto pelo tilintar de gelo contra o cristal do copo de uísque de Cassio.Ele ainda balançava a cabeça, incrédulo, com um meio sorriso provocador.— Eu ainda não acredito que você foi parar num estádio de futebol. — Cassio reclinou-se na poltrona de couro, como quem saboreia a piada. — Achei que ia morrer e não ia ver essa cena.Dorian, atrás da mesa impecavelmente organizada, ergueu os olhos do relatório que lia. Um sorriso discreto, quase imperceptível, curvou seus lábios.— Foi menos pior do que eu imaginava. — confessou, em tom seco. — O barulho, a confusão… suportáveis.Cassio gargalhou.— Suportáveis? Você estava abraçado comigo e gritando feito um torcedor fanático. Se não tivesse fotos e vídeos, ninguém acreditaria.Dorian não respondeu, apenas virou levemente um copo de água nas mãos, como se analisasse cada gota com atenção exagerada.O telefone de mesa vibrou, interrompendo a provocação. A secretária avisava pelo ramal:— Senhor Villeneuve
157 - Primeira de muitas
Francine deixou o celular cair ao lado do travesseiro e soltou um suspiro pesado. Já tinha checado os e-mails umas dez vezes só naquela hora da noite, mas a caixa de entrada seguia intacta. O toque da chamada fez seu coração acelerar, mas ao ver o nome de Malu na tela, ela atendeu quase aliviada. — Amiga, não aguento mais esperar — Francine desabafou, sem nem dar oi. — O diretor disse que daria retorno, mas nada até agora. — Calma, Fran — a voz de Malu veio suave, com aquele sotaque familiar que apertava o coração dela. — Essas coisas levam tempo. Pode ser que ele nem tenha conseguido parar pra avaliar ainda. Francine rolou na cama, encarando o teto do quarto alugado. — Mas e se ele já viu e simplesmente não gostou? — Se fosse isso, ele nem teria pedido seu material atualizado, pensa. Diretor de agência não perde tempo com quem não interessa. Um silêncio curto pairou na linha, quebrado pelo som de Malu bebendo algo do outro lado. — Eu só me sinto parada — Francine mu
158 - Sabotagem
Francine chegou cedo ao local do desfile, o coração acelerado e as mãos frias de expectativa. O backstage fervilhava com modelos, maquiadores, costureiras e produtores correndo de um lado para o outro. O cheiro de laquê e tecido novo se misturava ao burburinho ansioso, e ela sentia cada batida do coração ecoar no ambiente. Estava tão imersa em tudo que quase tropeçou ao dar de cara com Chloé. As duas se entreolharam por um instante que pareceu eterno: o olhar de Chloé carregado de desprezo, e o de Francine devolvendo na mesma moeda. A produtora percebeu de longe e não deixou passar. — Meninas, eu preciso de postura. Aqui dentro não há espaço para disputas pessoais. Vocês entendem? Chloé foi a primeira a responder, com a voz melosa demais para soar verdadeira: — Pode ficar tranquila, foi tudo um mal-entendido. Eu sei ser profissional. Francine segurou a vontade de revirar os olhos. Havia tanto veneno escondido naquela doçura que dava para sentir no ar. Mas manteve a calma e
159 - É guerra
A cada flash, a cada olhar da plateia, ela se fortalecia. A dor dos sapatos apertados se transformava em combustível para manter-se ereta, determinada. Seus ombros não vacilaram, seu sorriso discreto permaneceu no ponto certo entre sofisticação e mistério. Do outro lado, observando, Chloé quase não acreditava. A armadilha que havia preparado com tanto cuidado estava se desfazendo diante dos olhos de todos. Não importava o quanto o salto esmagasse os pés de Francine, o que se via na passarela era uma profissional que parecia feita para estar ali. Quando deixou a passarela, sob aplausos calorosos, Francine finalmente soltou o ar que prendia. Os pés latejavam, mas a sensação de vitória era muito maior. Havia provado não apenas ao público, mas a si mesma, que era capaz de enfrentar qualquer obstáculo, até mesmo aqueles preparados por quem mais desejava vê-la cair. E, no canto, Chloé mordia a própria língua para não deixar escapar o ódio. Se antes já queria destruir Francine,
160 - Um corte e tanto
Francine permanecia imóvel diante do espelho, os olhos marejados, enquanto o cabeleireiro tentava, sem sucesso, desgrudar o chiclete que se misturara aos fios de seu cabelo. Cada puxada parecia mais dolorosa que a anterior, não pela dor física, mas pelo nó de frustração que se formava em sua garganta.– Mademoiselle… não há o que fazer. Vai ser preciso cortar. – disse o profissional, afastando as mãos, resignado.Francine engoliu em seco, respirou fundo e, tremendo, pegou o celular na bolsa. Procurou o nome de Olivier e pressionou o botão de chamada.Ele atendeu após o segundo toque, com a voz firme e atenciosa.– Francine? Está tudo bem?Ela hesitou um instante antes de responder:– Não exatamente. Aconteceu… um acidente no desfile. Um chiclete grudou no meu cabelo e o cabeleireiro acha que vou ter que cortar. Eu não sei o que fazer, estou desesperada.Do outro lado da linha, o agente não pareceu perder o controle.– Ouça, não entre em pânico. Isso acontece mais do que você imagina