All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 161
- Chapter 170
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161 - Quem é você?
Francine abriu a porta de casa com um suspiro longo, ainda ajeitando os fios recém-cortados com a ponta dos dedos.Mal teve tempo de pousar a bolsa sobre a poltrona quando Adele, que estava acomodada no sofá com uma revista no colo, ergueu os olhos e deixou escapar um grito dramático:– Mon Dieu! Quem é você? O que fizeram com a minha Francine?Francine riu sem graça, fechando a porta atrás de si.– Calma, Adele… sou eu. Só precisei dar um jeitinho no cabelo.Adele largou a revista de lado e foi até ela, andando em círculos como se examinasse uma obra de arte.– Um jeitinho? Isso aqui é uma revolução, minha filha! Conta logo o que aconteceu.Francine suspirou, meio sem saber se ria ou se chorava.– Foi um acidente no desfile. Acabei com chiclete grudado no cabelo e não tinha como salvar. Tive que correr para o salão… e o resultado foi esse.Adele arqueou as sobrancelhas, fingindo indignação.– Chiclete? Mas que mundo é esse em que colam chiclete no cabelo de uma modelo? Essas francesa
162 - O vestido perfeito
Na manhã seguinte, Francine mal teve tempo de terminar o café. Adele surgiu pela porta do quarto como um furacão, já de salto, bolsa pendurada no ombro e óculos escuros apoiados na cabeça. — Vamos, menina! As melhores lojas não vão se esperar por nós. — Ela ergueu as sobrancelhas, impaciente. Francine riu, ainda ajustando o casaco. — Achei que fosse exagero quando você disse que iríamos cedo. — Exagero? — Adele levou a mão ao peito, indignada. — Francine, achar um vestido perfeito para um baile de gala não é tarefa simples. É praticamente uma missão de guerra. O dia estava nublado, mas isso não impediu Adele de arrastar Francine para a primeira leva de lojas. As vitrines exibiam vestidos reluzentes, mas a cada cabide que Francine pegava, vinha também um suspiro de reprovação. — Não serve. — Ela balançou a cabeça, analisando o tecido de cetim azulado que marcava demais a cintura. — Muito simples. — Largou outro modelo, que mal havia vestido. — Esse parece fantasia de carna
163 - Hora da virada
O sol mal havia despontado no horizonte quando Dorian já estava de pé. O hábito disciplinado o fazia despertar sempre com a primeira luz do dia, como se o próprio corpo tivesse sido treinado para nunca desperdiçar tempo. No terraço, o ar fresco da manhã tocava sua pele enquanto ele executava os movimentos precisos da calistenia. Cada flexão, cada prancha, cada salto era controlado, medido, não apenas um exercício físico, mas também um ritual de domínio sobre si mesmo. Depois de meia hora de treino intenso, desceu para um banho rápido e gelado, deixando a água correr pelos ombros largos, reacendendo a energia que o aguardava para a semana decisiva. Quando atravessou a porta da cozinha, Malu já estava lá, como sempre, organizando a mesa do café. Mas foi ela quem primeiro percebeu: havia algo diferente no semblante de Dorian naquela manhã. O olhar menos carregado, os ombros menos tensos, até a postura parecia mais leve. — Que alegria é essa logo cedo? — ela provocou, arquean
164 - Um novo sócio
Natan chegou ao escritório com o passo firme e o peito estufado, como se cada centímetro de mármore do saguão pertencesse a ele. O terno perfeitamente alinhado, o relógio suíço brilhando sob a luz artificial e o sorriso de autossuficiência completavam o quadro de um homem que acreditava estar no controle absoluto. Assim que entrou em sua sala, foi recebido pela secretária, que aguardava com a prancheta em mãos. — Bom dia, doutor Natan. — disse ela com a formalidade de sempre. — Hoje à tarde teremos o primeiro conselho após a cisão. É nesse momento que será apresentado o novo sócio, o senhor Eduardo Rangel. Natan assentiu com um gesto preguiçoso, como quem já sabia de tudo. — Muito bem. Prepare a pauta da reunião. Quero que esteja organizada com os pontos centrais das minhas estratégias para os próximos dois anos. O mercado precisa enxergar que estamos prontos para crescer ainda mais. A secretária anotou rapidamente, sem levantar os olhos. — Claro, doutor. Natan caminho
165 - O peso da vingança
O silêncio pesado que dominou a sala logo foi quebrado por um burburinho contido.Os conselheiros trocaram olhares entre si, alguns inclinando-se para o colega ao lado para cochichar, outros apenas arregalando os olhos diante da ousadia da frase recém-proferida por Dorian.A tensão vibrava no ar, como se o espaço entre aquelas quatro paredes fosse pequeno demais para conter o confronto que estava prestes a acontecer.Natan ajeitou o paletó com a calma ensaiada de quem se recusa a perder o controle diante do inimigo.Forçou um sorriso cínico, tentando recuperar a autoridade que escorregava de suas mãos:— Quem é você pra falar comigo assim dentro da MINHA empresa? — a ênfase na palavra saiu carregada de arrogância, como se fosse um lembrete a todos na sala de que ele ainda se via como o único dono do lugar.Alguns conselheiros desviaram o olhar, desconfortáveis; outros se remexeram em suas cadeiras, ansiosos pelo desfecho.A secretária, que permanecia próxima à porta com uma prancheta
166 - Um presente
O silêncio naquele momento ficou ainda mais denso, como se a sala inteira tivesse parado de respirar. Dorian continuou, sem perder o tom cortante:— Espero que isso sirva para você mudar de foco. Talvez, se começar outra empresa do zero, você não tenha tempo para assediar mais ninguém. Agora retire-se desta sala. Você não faz mais parte deste conselho. E se não sair voluntariamente, chamarei os seguranças para tirá-lo.Aos poucos, Natan abaixou a voz, ofegante, sentindo o peso das palavras alheias esmagar a vaidade que o sustentava. Levantou-se com um gesto brusco, recolheu documentos, dispositivos, papéis espalhados, gestos entrecortados, indignados.Antes de atravessar a sala, lançou um último olhar que mais parecia uma ameaça do que uma despedida:— Vocês vão se arrepender disso. Vou processar, vou expor, vou… — as palavras viraram fumaça. Nenhuma delas encontrava caminho onde antes havia apoio.Ele empurrou a cadeira e saiu em passos igualmente bruscos, arrastando consigo a sobra
167 - É uma ordem
Malu quase deixou a xícara cair. O choque transformou-se num riso nervoso que logo deu lugar a um protesto sincero. — Sem chance! — exclamou, levando as mãos ao peito. — Eu não tenho nem o que vestir numa ocasião dessas! Dorian ergueu um canto de boca, divertido com a expressão dela. — Não seja por isso. Amanhã você tira o dia de folga e vai às compras. — falou com a calma de quem já decidiu. — Vou pedir que Denise te acompanhe e providencie o pagamento do que você escolher. Malu arregalou os olhos, incrédula. — Não, senhor Dorian, eu não sou a Francine, nunca tive aulas de etiqueta, vou te fazer passar vergonha… Ele a interrompeu com um tom que misturava comando e cuidado, máscara costumeira de quem não trocava ordens por afeto, mas que naquele instante soava surpreendentemente protetor. — Malu, você vai. É uma ordem. E não se preocupe, eu vou garantir que ninguém te diminua. Malu sorriu, meio sem jeito, não sabia se de prazer por ele a defender ou de pudor por se
168 - Dando um lance
O hall da mansão estava iluminado por lustres imponentes quando Dorian surgiu, impecável em seu terno preto de corte preciso. O brilho discreto da gravata de seda refletia a frieza habitual em seus olhos. Malu já o aguardava alguns passos à frente, vestida em um longo de tecido fluido, que parecia realçar a juventude em contraste com a solenidade do ambiente. — Vamos. — disse, curto, sem cerimônias, estendendo-lhe o braço. Malu respirou fundo, ajeitando discretamente o vestido antes de aceitar o gesto. Caminharam lado a lado pelo mármore polido até o carro que os aguardava na entrada. A noite estava fria, mas a expectativa no ar carregava um calor peculiar. Ao adentrar o carro, Malu fitou a própria imagem refletida no vidro escuro, tentando decifrar se o que sentia era nervosismo ou pura antecipação. Dorian, por sua vez, apenas se recostou, ajustando o relógio no pulso, como se cada segundo estivesse exatamente sob seu controle. O carro deslizou suavemente até a entrada ilumi
169 - A escolha ideal
Cassio apenas respondeu com um sorriso provocador, ajeitando o paletó e inclinando-se na cadeira, como se estivesse muito confortável com a advertência silenciosa.Malu, por sua vez, apertou a taça entre os dedos, nervosa.O perfume sofisticado ao lado direito e a presença imponente ao lado esquerdo a deixavam quase sem ar.O salão, iluminado por lustres de cristal, começava a se aquietar quando o leiloeiro subiu ao pequeno palanque, abrindo o catálogo em mãos. Ainda assim, o burburinho dos convidados persistia em alguns cantos. Malu, tentando se camuflar naquele mar de gente elegante, se refugiava no catálogo distribuído logo na entrada. Folheava as páginas com atenção, como se estivesse decifrando um código secreto, cada descrição mais rebuscada que a outra. Cássio, sentado ao lado dela, inclinou-se o suficiente para que sua voz grave fosse ouvida apenas por ela: — Esse anel é interessante… — disse, indicando uma peça de esmeralda cercada de diamantes na página que ela segurava
170 - Tentando impressionar
Outros três convidados acompanharam o lance de Cassio, os números subindo rápido, o leiloeiro conduzindo o ritmo com voz firme. A cada novo lance, porém, Cássio não tirava os olhos de Malu. O sorriso insinuante, quase imperceptível, parecia feito para desconcertá-la, e conseguia. O coração dela acelerava, e a pergunta martelava em sua mente: "O que esse homem está fazendo?" Dorian, por sua vez, não se moveu. Acompanhava em silêncio, o olhar fixo em Cássio, analisando cada gesto. Aquilo não era apenas sobre o anel, ele sabia. Havia uma intenção escondida ali, e ele precisava entendê-la. Um a um, os outros participantes desistiram, deixando a disputa restrita àquele único nome. Com a mesma calma de quem já sabia o resultado, Cássio ergueu a placa pela última vez. — Dou-lhe uma, dou-lhe duas… vendido! — anunciou o leiloeiro, batendo o martelo. O salão aplaudiu discretamente, mas Malu mal registrou o som. Seus olhos estavam presos no homem ao lado, que, ao receber os parabéns d