All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 171
- Chapter 180
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171 - Palpites de amor
O burburinho tomou conta do salão assim que o leilão foi encerrado.Convidados cochichavam entre si, alguns impressionados com a ousadia de Dorian, outros calculando mentalmente quanto tempo levariam para juntar uma quantia sequer próxima da que ele havia acabado de oferecer. O nome Villeneuve circulava em sussurros, acompanhado de olhares curiosos e até um ou outro gesto de respeito disfarçado.Dorian, indiferente à comoção que causara, levou a taça de espumante aos lábios, tomou um último gole lento e repousou o cristal vazio sobre a bandeja de um garçom que passava.Em seguida, ergueu-se com a mesma tranquilidade de quem havia dado apenas um lance modesto. Malu, ainda com o coração disparado, levantou quase no mesmo instante, como se o instinto dissesse que seu lugar era seguir os passos dele.Cássio, claro, não perderia a oportunidade de se manter próximo. Ergueu-se também, ajeitando o paletó com ares de deboche.Os três seguiram juntos rumo à equipe de organização para acertar
172 - Quase…
O avião começou a perder altitude suavemente, e pelas janelas largas da primeira classe, Dorian podia ver Paris surgindo emoldurada pela manhã nublada. Seus olhos fixaram-se em algum ponto distante, como se pudessem adivinhar onde Francine estava naquele instante. A ideia de estar tão perto e ainda assim tão longe fez seu peito apertar. O pouso foi rápido, mas a espera no saguão do aeroporto o lembrou que, para certas coisas, o tempo parecia se arrastar. Enquanto aguardava o táxi, o cansaço que vinha sendo ignorado ao longo do voo finalmente se impôs. Assim que entrou no carro, deixou o silêncio dominar. Não havia espaço para pequenas conversas com o motorista, não naquela manhã. O hotel escolhido para a estadia era um dos mais renomados da cidade, com colunas imponentes na entrada e lustres de cristal que cintilavam no lobby. Funcionários impecavelmente vestidos o receberam com a deferência de quem já sabia exatamente quem ele era, levando suas malas até o quarto com
173 - Dois dias
Francine mantinha o ritmo da corrida ao lado de Adele, sentindo o ar fresco da tarde invadir os pulmões e despertar cada fibra do corpo. Quando passaram por um grupo de rapazes concentrados em exercícios de calistenia, Francine não pôde evitar o pensamento imediato em Dorian. A postura ereta, a intensidade dos movimentos, a disciplina estampada naqueles rostos, tudo lhe trazia à mente a figura dele. O coração apertou de leve, e ela sacudiu a cabeça como quem tenta espantar uma lembrança inconveniente. — Vou aumentar o ritmo um pouco — disse, forçando um sorriso para disfarçar. Adele riu, ajeitando a faixa que prendia o cabelo grisalho. — Não há necessidade disso, chérie. Você se esquece que eu não sou mais uma jovenzinha como você. Se acelerar demais, vou ficar para trás. A observação arrancou de Francine uma gargalhada sincera, daquelas que desarmavam qualquer tensão. As duas continuaram correndo lado a lado, rindo do exagero, sem perceber que acabavam de passar por D
174 - Chegou a hora
A maquiadora baixou o spray, deu um passo para trás e disse com um sorriso satisfeito: — Terminamos. Aquela simples palavra foi suficiente para Francine sentir o coração acelerar. Por um instante, teve vontade de chorar, mas conteve-se para não borrar nada. Levantou-se devagar, os pés descalços tocando o chão de madeira, e se colocou diante do espelho de corpo inteiro. Ficou apenas olhando para si mesma por um momento. O reflexo que a encarava não parecia a garota de semanas atrás, perdida no meio de cafés e clientes habituais. Era uma mulher pronta para enfrentar o salão mais importante da sua carreira. Os cabelos, agora mais curtos, caíam em curvas suaves pelo pescoço, deixando um lado do rosto completamente à mostra e cobrindo levemente o outro, numa assimetria charmosa. Havia algo de quase cinematográfico na forma como uma mecha ondulada roçava a linha do maxilar, lembrando a sensualidade velada da Jessica Rabbit. O quarto de Francine, improvisado como camarim naquela no
175 - Orgulho e medo
Dorian ajeitava a gravata pela terceira vez diante do espelho, a mandíbula rígida, os olhos frios, tentando disfarçar o turbilhão que se agitava por dentro. Separou três ternos sobre a cama, mas não havia dúvidas: escolheu o de corte impecável em azul-marinho, alinhado milimetricamente ao corpo. Pegou o estojo de veludo preto e abriu com calma, revelando as abotoaduras de prata. Segurou-as na palma da mão por alguns segundos, como se aquelas pequenas peças fossem talismãs, e então as fixou nos punhos com gestos calculados. — Perfeição ou nada — murmurou, quase como um mantra. A gravata escolhida não era qualquer uma: seda italiana, azul profundo, discreta e imponente. O tipo de detalhe que falava sem precisar de palavras. Um sinal silencioso de que estava ali para reconquistar o que lhe pertencia, e ninguém o impediria. Endireitou os ombros diante do espelho e viu refletida a mistura contraditória de orgulho e medo. Estava preparado, mas também ciente de que aquela noite p
176 - Convidados
Uma limusine preta deslizou suavemente até a entrada do prédio. O burburinho dos convidados que aguardavam do lado de fora se dissipou, substituído pelo clique frenético das câmeras. Os fotógrafos se inclinaram à frente, já esperando que alguma celebridade surgisse. Mas antes que Chloé pudesse mover a perna para fora do carro, uma mão masculina segurou a dela com firmeza. O homem que a acompanhava, um senhor grisalho, de terno preto impecável e ar contido, inclinou-se levemente na direção dela e disse, num tom baixo, porém cortante: — Lembre-se: o convidado sou eu, e você é apenas a acompanhante. Não quero ver meu nome nas colunas de fofoca amanhã. Chloé ergueu o queixo e sorriu, um sorriso doce, ensaiado. — Claro, querido. Ela deslizou para fora da limusine com a leveza de quem ensaia há anos para um momento como aquele. Assim que seus saltos finos tocaram o tapete vermelho, ergueu levemente o queixo e deixou que os flashes a envolvessem. O vestido vermelho de cetim, justo
177 - A entrada
O carro em que Francine estava deslizou lentamente até a entrada do hotel histórico onde acontecia o baile. As luzes douradas refletiam na lataria preta, criando um brilho quase líquido. Francine, do banco de trás, observou a fachada imponente, colunas de mármore, janelas arqueadas, lustres que cintilavam atrás dos vitrais. Por um instante, teve a sensação de ser pequena demais para aquele cenário. Respirou fundo. O motorista abriu a porta com um gesto cortês, e o barulho dos flashes estourando do lado de fora invadiu o interior do carro. Francine passou a mão levemente na barra do vestido, sentindo o frio dos paetês sobre o tecido translúcido. A tensão que subia por sua espinha foi contida por uma lembrança que a fez sorrir discretamente: “Calma, Francine… não é tão diferente de uma passarela.” Ajeitou a postura, ergueu o queixo, e, com a serenidade que treinara por anos, saiu do carro. O ar da noite estava morno, carregado de expectativa. Assim que seus saltos dou
178 - Campo de batalha
Dorian olhou pela enésima vez para o relógio. O ponteiro parecia se arrastar, zombando de sua ansiedade. Um incômodo que ele raramente sentia começou a pesar sobre o peito. A ideia de que talvez ela não viesse o fazia reconsiderar, pela primeira vez em semanas, a própria escolha de ter esperado tanto por aquele encontro. Respirou fundo, passou a mão pelo cabelo com um gesto controlado, quase militar, e decidiu que precisava fazer algo para aliviar a tensão. Seus passos, firmes porém contidos, o levaram até o bar do salão. Sentou-se no banco de couro macio, apoiou os antebraços no balcão polido e chamou a atenção do bartender com um leve aceno de cabeça. — O que vai beber, senhor? — perguntou o homem atrás do balcão, com a postura impecável de quem já tinha servido inúmeros clientes exigentes. — Um Negroni — respondeu Dorian, sem pensar muito, a voz grave saindo num tom baixo que mal foi ouvido sobre a música ambiente. Assim que pronunciou aquelas palavras, algo dentro dele pa
179 - Algumas coisas não mudam
A porta se abriu com um estalo suave e, assim que Francine cruzou o limiar, um feixe de luz dos flashes dos fotógrafos explodiu contra seu rosto. Ela piscou algumas vezes, a visão embaralhada, sentindo o calor das luzes e o burburinho dos convidados à frente. Por instinto, parou no lugar, ainda se adaptando. Lohan, ao lado dela, manteve a calma habitual. Ofereceu o braço com a mesma elegância com que alguém oferece uma dança. Francine aceitou o gesto, apoiando a mão com delicadeza, e soltou uma risada breve, quase infantil: — Acho que fiquei meio cega… Ele inclinou o rosto para ela, um sorriso de canto surgindo nos lábios. — Achei que você já estivesse acostumada com os flashes. E então, baixou levemente a cabeça até a altura do ouvido dela, a voz soando baixa, aveludada, carregada daquela calma que parecia envolver tudo ao redor: — …mas posso ser seu guia o tempo que precisar. A proximidade fez com que Francine sentisse a respiração morna dele tocar de leve a pele do pesco
180 - O lugar ao seu lado
Para Lohan, não tinha se passado mais que alguns segundos. Enquanto ajudava Francine a atravessar a multidão perto da entrada do salão, soltou o braço dela por um momento, distraído com uma breve saudação a um conhecido. Quando voltou a olhar, Francine já estava parada a poucos passos dali, de frente para um homem alto, de semblante contido e olhar intenso, que lhe estendia um copo. Lohan franziu o cenho. O que para ela parecia uma eternidade, com aquele turbilhão de lembranças, olhares e silêncio denso entre os dois, para ele não passara de uma fração de tempo. Não entendeu nada do que os ouviu dizer, porque as palavras haviam sido trocadas num idioma que não dominava. Mas percebeu de imediato a tensão no ar. Ele se aproximou, com a curiosidade misturada a um incômodo crescente, e parou ao lado de Francine. — Ele é seu amigo? — perguntou em francês, a voz carregada de um tom leve demais para esconder o interesse real. Francine desviou o olhar de Dorian, como quem desperta de