All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 201
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201 - Corresponder às expectativas
O cheiro do café recém-passado se espalhava pela cozinha, misturando-se ao perfume leve de flores que Adele deixara sobre a mesa.Francine estava sentada, ainda de roupão, passeando pelos posts nas redes sociais que mencionavam o baile da Montblanc.O toque do celular interrompeu seus pensamentos.— Bonjour, Francine! — a voz inconfundível de Pascal soava animada do outro lado da linha. — Espero que tenha descansado, minha cara estrela. Temos muito o que conversar. Você pode vir à agência hoje à tarde?— Claro, Pascal. Que horas?— Digamos... quinze horas? Quero te apresentar oficialmente à equipe da Montblanc.— Estarei lá. — Francine sorriu, mesmo que ele não pudesse vê-la.Assim que desligou, ela digitou uma mensagem para Dorian:“Pascal acabou de ligar. Vou passar na agência pra pegar o book e ir à Montblanc mais tarde. Você vai comigo?”A resposta veio alguns minutos depois:“Queria muito, mas tenho um encontro com investidores. Não sei quanto tempo vai demorar.”Francine suspiro
202 - Por onde vamos
A conversa fluiu entre oportunidades de trabalho e mudanças de visual.Francine estava a vontade, e Pascal continuou passando as principais diretrizes da agencia.Em certo momento da conversa, ele adotou um tom mais ameno.— E pra finalizar, precisamos conversar sobre logística. Onde pretende se estabelecer?Ela hesitou por um instante.— Ainda não sei… pensei em voltar pro Brasil por uns dias.Pascal assentiu.— Sem problemas. Se tudo correr como planejado, você não vai se estabelecer em lugar nenhum. — Sorriu. — A ideia é que comece a viajar bastante, representando a marca em várias campanhas. Mas, por enquanto, fique onde se sentir confortável. Assim que os trabalhos forem confirmados, eu te direciono.Francine assentiu, satisfeita com a liberdade que aquela resposta trazia.— Então acho que começo pelo Brasil mesmo.— Excelente escolha. — Pascal levantou-se e apertou a mão dela. — Vou ver se consigo encaixar alguns trabalhos por lá. E, Francine… — acrescentou, com um olhar afetuos
203 - Pronta para viajar
Francine ergueu os olhos, e ali, perto da entrada, ele estava impecável, voltando de alguma reunião, já com um buquê leve na mão e um olhar que mesclava orgulho e um frescor de novidade.— Está atrasado — provocou Francine, com um sorriso enviesado, os braços cruzados e o olhar faiscando no meio do saguão da Montblanc.Dorian se aproximou num passo seguro, o terno perfeitamente ajustado, o perfume discreto e caro que sempre parecia acompanhá-lo como uma sombra de autoridade.Nas mãos, o buquê de flores brancas e miúdas parecia quase um contraste com o semblante firme, uma contradição feita sob medida.— Eu não chego atrasado. — respondeu ele, entregando o buquê e, num movimento quase automático, puxando-a para um beijo breve, mas cheio de intenção. — Eu chego na hora certa.O toque foi rápido, mas o suficiente para fazer Francine perder o ar por um instante.Quando se afastou, ele manteve o polegar sob o queixo dela, com um sorriso contido, o olhar que misturava ternura e poder, o mesm
204 - De volta ao Brasil
Pierre encostou-se no batente da porta com o ar teatral de sempre.— Vai mesmo nos deixar, ma chère?Francine ajeitou a alça da mala, sorrindo.— Só por um tempo. Prometo que volto antes de vocês sentirem falta das minhas panquecas.Adele cruzou os braços, fingindo indignação.— Isso é impossível. Ninguém sente falta de panquecas quando se perde uma amiga.O riso veio fácil, mas durou pouco.Adele a envolveu num abraço apertado, quente, cheirando a lavanda e saudade antecipada.— Merci por tudo, Adele. Por abrir a casa, o coração, e não me deixar enlouquecer.— Você chegou aqui perdida e agora está indo brilhar. Não tem como não se orgulhar. Boa viagem.Pierre piscou, tentando disfarçar os olhos marejados. Depois de meses com Francine sob sua tutela, ele já a considerava como uma filha.— E se esse tal de Dorian te magoar, me liga. Tenho uma frigideira e não tenho medo de usá-la.Francine gargalhou, enxugando as lágrimas.— Eu prometo visitar sempre que estiver na França. E se Amelie
205 - Reencontros
Francine observou aquela mansão tão familiar, e por um instante sentiu o coração bater mais rápido.O retorno ao Brasil e à casa de Dorian parecia o início de outra vida.Assim que Francine atravessou o hall, a primeira pessoa a aparecer foi Denise.Ela caminhava com o mesmo porte firme de sempre, as mãos cruzadas à frente do avental impecável.Quando enfim viu Francine, um sorriso discreto suavizou as linhas do rosto.— Então é verdade mesmo — disse ela, abrindo os braços para um abraço contido, mas sincero. — A senhorita voltou.Francine correspondeu ao abraço, sentindo o aconchego familiar daquele toque.Havia ali algo que lembrava casa, mesmo que ela não soubesse ao certo onde era o seu lar.— Desculpa pelo sumiço repentino, Denise — respondeu, a voz baixa, mas firme.Denise recuou um passo, lançando um olhar direto a Dorian.— E o senhor — ela começou, com um leve arquejo de repreensão — devia ter trazido essa moça de volta há muito tempo.Ele ergueu as mãos num gesto de rendição
206 - Amizade temperada
A cozinha estava tomada por luz e cheiro de tempero. O vapor subia da panela, e Francine, de avental emprestado e cabelo preso num coque improvisado, já se sentia em casa outra vez.Malu cortava legumes com destreza, o rádio tocava uma música animada, e por alguns minutos o tempo pareceu desacelerar.— Olha só — disse Malu, cruzando os braços e encarando as mãos de Francine, que descascavam batatas com cuidado —, as mãos da madame ainda sabem como se trabalha.Francine levantou o queixo, fingindo indignação.— Claro que sabem! Tá achando que dinheiro cai do céu? Eu tive que ralar muito em Paris.Malu arqueou as sobrancelhas, divertida.— Do céu eu não sei, mas da conta do Dorian pra sua, eu sei que cai.Francine riu alto, aquela risada gostosa que enchia o ambiente de vida.— Menina, nem me lembre! Acho que posso ficar um ano sem trabalhar e ainda vou ter dinheiro sobrando. Esse homem não tem noção do que a gente passa!— A gente não, né, você — Malu retrucou, mexendo o molho com a c
207 - Banho quente
Eles caminhavam lado a lado pelo corredor da mansão, o som suave dos passos ecoando pelo piso de mármore.Dorian olhou de relance para ela, que observava as paredes decoradas com quadros e iluminação suave.— Não está cansada da viagem? — perguntou ele, com aquele tom de voz rouco que carregava tanto curiosidade quanto provocação.Francine balançou a cabeça, sorrindo.— Sinceramente? Não. Foi completamente diferente viajar na primeira classe. Dormi quase o tempo todo. — Ela esticou os braços num gesto leve, como se ainda se espreguiçasse da soneca.— Eu percebi — ele respondeu, com um meio sorriso. — Dormiu tão bem que até o seu ronco eu ouvi.Ela arregalou os olhos e deu um empurrão brincalhão nele.— Mentiroso! Eu não ronco.— Aham. — Ele ergueu uma sobrancelha, fingindo seriedade. — Tenho provas.— Você é impossível.— E você é irresistível, o que me complica.Ela tentou disfarçar o sorriso, mas falhou.Quando chegaram ao quarto, Francine soltou um suspiro leve, tirando os sapatos.
208 - Poucas palavras
O quarto ainda cheirava a banho quente e lençóis amassados.Francine estava aninhada no peito de Dorian, o toque dos dedos dela percorrendo distraidamente o cabelo dele, como quem saboreia um momento raro de tranquilidade.— Você já fez rinoplastia, não é? — perguntou, com o tom leve de quem provoca só para ver a reação.Dorian abriu os olhos lentamente, arqueando uma sobrancelha, a expressão dividida entre preguiça e deboche.— É tão difícil assim admitir que eu sou naturalmente bem feito?Francine sorriu, rolando os olhos, pronta para retrucar mas o som do celular vibrando na mesa de cabeceira interrompeu o clima.O aparelho continuou vibrando, insistente, até que Dorian se esticou para pegá-lo.Assim que viu o nome na tela, o ar pareceu mudar. O sorriso sumiu.— Deve ser a Denise avisando sobre o almoço — arriscou Francine, observando o olhar dele endurecer.Mas ele não respondeu.O toque continuava, e, por um instante, o som pareceu ecoar no silêncio do quarto.Dorian apenas bloqu
209 - Chegaram
O restante do almoço transcorreu em silêncio.Dorian permanecia com o olhar perdido no prato, o garfo imóvel entre os dedos, como se cada pensamento pesasse mais que a própria comida.Francine observava de canto, tentando decifrar o que se passava por trás daquele semblante concentrado demais para um simples dia comum.— Acho que nunca vi você comer tão devagar — ela comentou, tentando aliviar o clima.Ele esboçou um sorriso curto, quase imperceptível, e respondeu apenas com um som vago.Era o tipo de reação que ela já reconhecia: quando Dorian estava prestes a se fechar completamente.Francine não insistiu.Terminou o almoço em silêncio e, ao levantar-se, disse suavemente:— Acho que vou deitar um pouco. A viagem me deixou meio cansada.— Vou pro escritório resolver umas pendências — ele respondeu sem erguer o olhar.Ela apenas assentiu e saiu, deixando-o sozinho com seus pensamentos.A casa mergulhou num silêncio espesso. Francine adormeceu rápido, exausta do trajeto e, talvez, da
210 - Doce veneno
Os pais de Dorian atravessaram o limiar com a postura impecável de quem está acostumado a ser notado.A mãe, envolta num casaco claro e lenço de seda, trazia o queixo erguido e o olhar analítico.O pai, imponente, segurava uma pasta sob o braço como se tivesse vindo discutir negócios.Mas, assim que os olhos dos dois se voltaram para o filho, a cena se partiu em dois mundos distintos.Eles avançaram até Dorian com sorrisos ensaiados, abraçando-o rapidamente, trocando cumprimentos formais e ignorando por completo a mulher ao lado dele.Francine sentiu o ar pesar, mas manteve o rosto sereno.O silêncio entre ela e os pais de Dorian foi tão cortante quanto elegante.Logo após o abraço frio, a mãe de Dorian se volta para Francine com um sorriso que ninguém esperava.— E esta deve ser a famosa Francine, certo? — a voz dela soa suave, quase melodiosa. — Finalmente nos conhecemos.Francine pisca, confusa. Por um instante, chega a achar que ouviu errado.— É um prazer conhecê-los — responde,