All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 211
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211 - Pisando em terreno instável
O silêncio que se seguiu foi denso, mas Eleonor parecia não perceber. Ela apenas cruzou as pernas com elegância e completou:— Deve ter sido um desafio encantador para você, conquistar alguém como o meu filho.Francine respirou fundo, mantendo o controle.— Na verdade, não houve conquista. Foi natural.— Natural. — repetiu Eleonor, como se experimentasse o sabor da palavra. — Que bonito. — Os lábios dela se curvaram num sorriso tão perfeito que beirava a falsidade. — Dorian sempre teve um coração sensível, embora esconda bem. Imagino que tenha se sentido… tocado pela sua história.— Talvez. — respondeu Francine, sem desviar o olhar. — Mas acredito que ele tenha se apaixonado por mim pelo mesmo motivo que eu me apaixonei por ele: porque somos iguais no que realmente importa.Dessa vez, o sorriso de Eleonor vacilou só por um instante, mas Francine percebeu.O silêncio na sala pesava, quebrado apenas pelo tique-taque ritmado do relógio antigo na parede.Um empregado trouxe uma bandeja co
212 - Herança de ferro
O escritório cheirava a madeira encerada e a uísque caro. O sol atravessava as cortinas pesadas, riscando o chão com faixas douradas que pareciam dividir o espaço em territórios invisíveis e Oscar Villeneuve, como sempre, já havia escolhido o seu. Quando Dorian entrou, o pai estava de costas, girando o copo entre os dedos, o líquido âmbar reluzindo nos detalhes do cristal. Serviu-se sem pedir permissão, sem sequer olhar para o dono do escritório. Um gesto simples, mas que dizia tudo: a autoridade não se pede, se impõe. — Que história é essa, Dorian? — a voz de Oscar soou calma, mas cortante. — De namorar uma ninguém? E pior: de tornar isso público? O nome Villeneuve estampado em manchetes de fofoca, como se fôssemos uma piada de salão? Dorian parou diante da mesa, mãos nos bolsos, olhar frio. — Desde quando se declarar a alguém é um escândalo, pai? Oscar soltou uma risada breve e sem humor. — Desde que esse “alguém” não pertence ao nosso mundo. Você sabe muito bem que estou
213 - Sobreviventes
Dorian saiu do escritório com o maxilar rígido, ainda sentindo o peso das últimas palavras do pai.O som da porta se fechando atrás dele ecoou como um lembrete de que nada havia terminado, apenas mudado de tom.Ao atravessar o corredor, ouviu vozes vindas da sala de visitas.Eleonor e Francine estavam sentadas uma de frente para a outra, envoltas num diálogo que parecia educado demais para ser confortável.O pai, Oscar, já observava de pé, com as mãos nos bolsos e a expressão neutra de quem acompanhava tudo em silêncio calculado.Assim que Dorian entrou, o olhar de Francine o encontrou e bastou um segundo para ele entender.O sorriso contido, os ombros tensos, o olhar ligeiramente cansado.Ela tinha resistido.Eleonor, por outro lado, levantou-se com a graça ensaiada de quem sabe dominar qualquer ambiente.— Denise já providenciou um quarto para nós — anunciou ela, como se nada tivesse acontecido. — Vamos nos acomodar e descemos assim que o jantar estiver pronto.Oscar apenas acenou,
214 - Em clima de guerra
A mesa do jantar parecia uma cena de revista, cada prato alinhado milimetricamente, as taças reluzindo sob a luz quente do lustre, e um aroma sofisticado escapando das travessas que o empregado havia acabado de dispor. Francine entrou pela porta alguns minutos depois, e até o som de seus passos pareceu chamar atenção. Vestia um conjunto marfim simples, mas elegante, o tecido leve contornando seu corpo com discrição. O cabelo preso em um coque baixo, os brincos discretos, era o equilíbrio perfeito entre delicadeza e firmeza. Dorian se levantou quando ela apareceu, o que fez Eleonor erguer as sobrancelhas, impressionada com o gesto. — Que surpresa agradável — disse a mulher, com um sorriso de porcelana. — Você está linda, Francine. E bem mais... apropriada, desta vez. Francine sorriu de volta, devolvendo o olhar com serenidade. — Que bom que acha. Nós não esperávamos visitas — respondeu, enquanto se sentava. — Fui pega desprevenida. O sorriso de Eleonor vacilou, mas logo voltou a
215 - Assertivos
Eleonor abriu um sorriso educado, como se a reação dela fosse... previsível.— Minha querida, você está interpretando tudo da forma errada. Ninguém está propondo nada aqui. Só estamos discutindo possibilidades — disse, em tom brando, quase maternal. — E, convenhamos, Dorian sempre foi prático.— Prático? — Francine repetiu, com um riso descrente. — Vocês estão falando de vender o filho de vocês.Oscar a olhou pela primeira vez naquela noite.— Jovem, você está sendo dramática. Isso é sobre legado, não sobre romance. — O olhar dele voltou a Dorian. — A Villeneuve Corp sempre foi mais do que uma empresa. É o nome da nossa família. O que você construiu deve ser preservado, e há maneiras inteligentes de garantir isso.Francine se inclinou levemente para frente.— E eu suponho que, para garantir isso, o amor seja o primeiro a ser descartado da equação?Eleonor soltou uma risada delicada, um som quase musical, mas que cortou o ar como vidro.— Querida, amor é lindo — disse, com doçura falsa
216 - Desculpas
Dorian subiu as escadas dois degraus por vez, o coração ainda acelerado.Abriu a porta do quarto. Vazio.Por um instante, o pânico lhe atravessou o peito. E se ela tivesse ido embora?Mas a bolsa dela ainda estava ali, largada sobre a poltrona.Ele soltou o ar, aliviado, e então ouviu o som distante da água sendo agitada.Saiu rapidamente do quarto e seguiu até o terraço.Francine estava sentada na beira da piscina, com a calça puxada até os joelhos e os pés mergulhados.A luz azulada da água subia e desenhava reflexos suaves pelo rosto dela, uma pintura viva entre a melancolia e o sossego.Por um momento, Dorian apenas ficou parado, observando.Era impossível não pensar no contraste: ela ali, tão calma e vulnerável, e ele, com o peito pesado por tudo o que acabara de acontecer.Era uma das cenas mais bonitas que ele já tinha visto, e ainda assim, doía.Sem dizer uma palavra, ele começou a desabotoar a camisa.Largou o celular sobre uma das espreguiçadeiras, tirou os sapatos e, num ge
217 - Visitas inesperadas
O quarto estava silencioso quando Francine abriu os olhos.A cama ao lado estava vazia e o perfume de Dorian já havia desaparecido, restando apenas o amasso no lençol como lembrança da noite anterior.Ela se espreguiçou devagar, tentando afastar o sono.Sabia que descer desarrumada era dar mais munição à mãe dele, então escolheu com cuidado uma roupa que equilibrasse conforto e elegância: uma calça de tecido leve, blusa em tom neutro e um rabo de cavalo simples, mas firme.O suficiente para se sentir segura.Enquanto se olhava no espelho, ouviu vozes vindas do andar de baixo.Reconheceu o timbre contido de Dorian e a voz firme de Oscar trocando palavras rápidas, provavelmente sobre negócios.Ela se apressou, mas quando chegou à escada, só ouviu o som da porta se fechando e o motor do carro partindo.Um suspiro escapou.O dia mal começara, e ela já se sentia em desvantagem.Ao descer, encontrou Eleonor confortavelmente instalada no sofá da sala de estar, lendo um livro de capa rígida,
218 - Família reunida
Por alguns segundos, Francine acreditou ter ouvido errado.Os ecos da palavra sogros ainda vibravam dentro da cabeça, mas o corpo reagiu antes que a mente conseguisse processar: o estômago embrulhou, e o café da manhã que ela havia forçado a descer ameaçou voltar.Ela piscou, tentando organizar os pensamentos.Seus pais. Ali. Na mesma casa em que ela estava. Com Eleonor sorrindo como se tivesse acabado de promover a união do século.Dorian pareceu levar alguns segundos para assimilar também.O olhar dele viajou de Eleonor para Francine e de volta, como se procurasse alguma explicação racional para aquilo.Mas Eleonor apenas ajeitou a postura, satisfeita com o silêncio que pairava, e foi até a porta com passos tranquilos, o som dos saltos ecoando pelo mármore.Francine sentiu o coração bater no pescoço quando ouviu o clique da maçaneta.E então, as vozes.Inconfundíveis. Familiares o suficiente para fazerem o sangue gelar.— É um prazer recebê-los! — disse Eleonor, em tom amável. — Ent
219 - Choque de realidade
O clima à mesa estava mais espesso que o ar quente que vinha da cozinha.O perfume caro de Eleonor misturava-se ao cheiro de comida, e Francine sentia cada garfada presa na garganta.Eleonor, com seu sorriso impecável e voz doce demais, conduzia o almoço como quem rege uma orquestra, e cada palavra dela era uma nota de provocação.— Espero que estejam gostando do almoço — disse, inclinando-se com elegância. — Fiz questão de pedir algo simples… imaginei que talvez pudessem estranhar algo mais refinado.O pai de Francine pigarreou antes de responder, forçando um tom de falsa cortesia.— Não precisava se preocupar. Seria ótimo nos acostumarmos com esse tipo de refeição, afinal, se Francine e Dorian se casarem, isso se tornará recorrente.Eleonor quase deixou escapar uma risada, mas conteve-se com um gole de vinho.O olhar que trocou com Oscar dizia tudo: era o tipo de comentário que eles esperavam ouvir.— E vocês moram em qual região mesmo? — perguntou Oscar, com a voz grave e educadame
220 - Chega!
Francine permaneceu imóvel, sentindo o rosto queimar.As palavras de Oscar tinham atravessado o ar como lâminas.Por um segundo, ela pensou em se levantar e ir embora.Mas então viu Dorian empurrar a cadeira para trás, devagar, o olhar escuro fixo no pai.O silêncio se tornou absoluto, o tipo de silêncio que antecede uma tempestade.Dorian largou o talher com um estrondo que fez todos se sobressaltarem.— Já chega. — A voz dele não era alta, mas havia nela uma firmeza que fez até o relógio na parede parecer hesitar.Eleonor congelou no lugar. Oscar ergueu o queixo, confuso.— Dorian… — começou Eleonor, com um sorriso nervoso.— Eu disse chega. — Ele levantou-se devagar, os olhos percorrendo a mesa. — Eu não acredito que vocês trouxeram os pais dela aqui pra isso.— Nós só queremos o melhor pra você, filho — disse Oscar, ajeitando o guardanapo no colo. — Está se envolvendo demais, e isso pode ser prejudicial.— Prejudicial pra quem? Pra imagem da empresa? — ele rebateu. — Ou pro ego de