All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 261
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261 - Turistando
Quando Francine desembarcou em Paris com Malu a tiracolo, a cidade parecia ter ganhado um brilho diferente.Não era como da primeira vez, quando chegou desiludida e sozinha, tentando se esconder da própria dor.Nem como da segunda, quando o coração batia acelerado pela chance de realizar um sonho.Dessa vez, Paris não era fuga nem conquista.Era celebração.As duas seguiam no carro que as levava do aeroporto até o hotel, e Malu, colada na janela, parecia uma criança em parque de diversões.Os olhos saltavam a cada esquina, a cada cafeteria charmosa, a cada floricultura com buquês espalhados na calçada.— Amiga, eu não tô acreditando que tô em Paris! — disse, com a voz embargada e um sorriso que não cabia no rosto. — Isso é loucura demais.Francine riu, observando a reação da amiga.— Você ainda não viu nada. Assim que tomarmos café no hotel, quero que veja a cidade de cima.— Como assim? — Malu perguntou, virando-se curiosa.— Vamos subir a Torre Eiffel. — respondeu, com naturalidade,
262 - Últimos detalhes
O salão reservado para degustação ficava em um casarão antigo às margens do Sena, com janelas altas e cortinas de linho que dançavam com o vento. A mesa à frente delas parecia uma exposição de arte: pequenos pratos decorados com flores comestíveis, porções minúsculas de massas, molhos coloridos, terrines, queijos e sobremesas tão delicadas que pareciam joias. Malu olhou para tudo aquilo com um misto de encanto e espanto. — Me diz que isso não é a refeição inteira — murmurou, cutucando com o garfo um pedaço de salmão do tamanho de uma moeda. Francine, rindo, acenou para o chef que as observava atentamente. — É o estilo francês, Malu. Pequenas porções, sabores delicados, tudo com elegância. — Elegância? Isso aqui é tortura gourmet! — Malu retrucou, levando o garfo à boca. — Se o casamento durar mais de uma hora, o povo vai atacar o bolo antes da cerimônia acabar. Francine gargalhou. — Ah, para! Tá tudo delicioso. Esse molho de trufas é divino. — É divino, mas não enche. — Malu p
263 - O grande dia
O sol mal começava a desenhar tons dourados nas cortinas do hotel quando um grito atravessou o quarto:— BOM DIA, NOIVINHA DO ANO!Francine soltou um resmungo abafado, puxando o travesseiro sobre a cabeça.Mas era tarde demais.Malu já estava em cima da cama, pulando como uma criança em dia de Natal.— Chegou o grande dia! — anunciou, entre risadas. — Bora, bora, bora que a gente tem um cronograma digno de missão impossível!Francine ergueu o travesseiro e o usou como escudo.— Amiga, o casamento é só no fim da tarde… temos o dia inteirinho pra eu viver o auge da senhorita Morais: cama confortável, vista maravilhosa e...— ... e nada! — Malu interrompeu, arremessando outro travesseiro que acertou Francine em cheio. — Hoje não tem preguiça! Você tem unha, cabelo, maquiagem, spa e o caramba a quatro pra fazer.Francine suspirou, se rendendo, e se sentou na cama, o cabelo uma bagunça encantadora e o rosto amassado de sono.— Tá bom, tá bom. Me dá cinco minutos pra acordar… ou dez, vai.Fo
264 - Armadilha
Malu empurrou o celular na direção de Francine, com os olhos arregalados. — Lê isso. Agora. Francine arqueou uma sobrancelha, pegando o aparelho das mãos dela. Bastou um segundo para a manchete saltar diante dos seus olhos: “Casal de estelionatários procurado pela justiça é preso tentando fugir do Brasil.” Ela começou a deslizar o dedo pela tela, lendo cada linha em silêncio, e a cada nova frase, o cenho dela se franzia um pouco mais. “Gaspar e Magnólia Morais, acusados de aplicar diversos golpes de estelionato em famílias de alto padrão, foram presos nesta manhã ao tentar embarcar em um voo com destino à França utilizando identidades falsas. O casal já era investigado e teve prisão preventiva decretada dias atrás, após o golpe mais recente em uma família de empresários paulistas. Foram reconhecidos pela equipe de segurança e detidos ainda no aeroporto.” Francine piscou, sem acreditar. Releu o trecho duas vezes, como se tentasse encaixar o absurdo da notícia na realidade. Por
265 - Embarque
O pqueno cais às margens do rio fervilhava de movimento.O sol da manhã dourava as águas do Sena, e o reflexo tremeluzente parecia dançar junto com o burburinho da equipe que corria de um lado para o outro, ajustando os últimos detalhes.Malu parou no meio do caminho, boquiaberta, segurando a mão de Francine para garantir que ela não estava imaginando tudo aquilo.— Eu admito — ela disse, ajustando os óculos escuros enquanto observava o barco ancorado. — Quando você disse “vou casar num barco”, achei que você tivesse perdido o último parafuso. Mas… meu Deus, amiga… isso aqui tá surreal.Francine sorriu, orgulhosa.— Eu te avisei que você ainda ia mudar de ideia.— Que ideia maravilhosa, viu? — Malu continuou, girando como uma turista emocionada. — É exclusivo, é elegante, é intimista… e ainda vai passar pelos cartões-postais da cidade! Quem perder o horário literalmente perde o casamento! É tão a sua cara que chega a dar vontade de te socar.Francine riu.— Eu queria algo nosso, algo
266 - O noivo
A cabine reservada para Dorian era um contraste absoluto com o burburinho que tomava o restante do barco.Ali dentro, tudo parecia calmo, organizado, com o perfume discreto de cedro e notas cítricas preenchendo o ar.Ele estava sentado em uma poltrona de couro, a toalha quente repousando sobre o rosto enquanto o barbeiro ajustava os últimos detalhes em torno da barba.— Mais curta, senhor Villeneuve? — perguntou o homem, meticuloso.— Apenas aparada. — Dorian murmurou, a voz baixa, relaxada. — Ela gosta assim.O barbeiro sorriu, compreendendo, e continuou o trabalho com precisão.A lâmina desenhou o contorno do maxilar, deixando a barba curta e impecavelmente alinhada.Nada exagerado, só o suficiente para destacar ainda mais os traços fortes e simétricos do rosto dele.Quando a toalha foi retirada, Dorian abriu os olhos e encontrou seu reflexo no espelho.Os olhos acinzentados, límpidos, estavam mais intensos do que nunca, talvez pela luz suave da janela, talvez pelas horas de ansieda
267 - A noiva
O spa da noiva parecia uma cena arrancada de um comercial de perfume francês: luz dourada atravessando as cortinas, aroma de lavanda no ar, bandejinhas com macarons coloridos e duas mulheres de roupão felpudo vivendo o luxo absoluto como se fosse a coisa mais normal do mundo.Malu estava jogada na chaise longue, com uma máscara hidratante no rosto e os pés mergulhados numa bacia de água morna, quando soltou:— Amiga… sinceramente? Se eu soubesse que casar com o Dorian vinha com spa, manicure, comidinhas, viagem pra Europa, barco chique e meia dúzia de franceses me chamando de “mademoiselle”, eu teria te empurrado no pescoço dele muito antes. — Ela ergueu as mãos dramaticamente. — Meses perdidos. MESES.Francine, com as mãos sendo massageadas pela manicure, nem abriu os olhos.— Já que gostou tanto, casa você com o Cassio… — murmurou, completamente relaxada. — Aposto que ele te transforma em esposa-troféu em duas semanas.Malu engasgou com o próprio ar.— Eu? Esposa-troféu? Francine, m
268 - Em movimento
O sol já começava a descer sobre Paris, tingindo o céu de dourado quando o burburinho no cais tomou forma.Não era apenas uma cerimônia, era um acontecimento.Cada convidado, ao se aproximar, era recebido por um segurança impecavelmente trajado, que conferia nomes em uma lista curta e exclusiva antes de conduzi-los ao barco.Os mais íntimos, cerca de trinta pessoas, eram guiados até o deck frontal, o coração da celebração.O espaço parecia flutuar entre o céu e o Sena.O piso de madeira clara estava impecavelmente limpo, e o vento leve carregava o perfume das flores que decoravam todo o contorno da proa.Peônias, orquídeas brancas e rosas em tons de champanhe, blush e marfim formavam uma moldura que abraçava o altar sem excessos, mas com um refinamento que deixava a alma leve.Sobre suas cabeças, fios finíssimos de luzes penduradas criavam a ilusão de um céu estrelado que começava a nascer antes mesmo do anoitecer.Eram pequenas, delicadas, cintilantes, exatamente o tipo de brilho que
269 - Lá vem a noiva
Dorian sentiu o próprio coração parar quando a porta branca se abriu.Por um instante ele fechou os olhos. Não porque quisesse evitar a visão... Mas porque precisava ter certeza de que ela era real.Quando voltou a olhar, Francine estava ali. Vestida de noiva. Uma aparição saída de algum lugar entre sonho e milagre.E nenhuma expectativa, nenhuma memória, nenhuma fantasia que ele já tivesse criado em segredo chegava sequer perto daquilo.Ela surgiu moldada pela luz dourada do fim de tarde, o vento suave do Sena brincando com o véu leve, que flutuava atrás dela como uma pequena nuvem branca.A saia ondulava a cada passo, criando o efeito de que ela caminhava sobre o ar, etérea, delicada, quase mágica.O buquê de orquídeas brancas e rosadas combinava com a pele clara dela, e a tiara, aquela que Dorian lhe dera no baile da Montblanc, cintilava em harmonia com as luzes penduradas acima do deck.Era como se tudo tivesse sido criado só para enquadrá-la.E, pela primeira vez na vida, Dorian
270 - De cabeça
O barco avançava sem pressa pelo Sena, cada metro percorrido banhando o convés em tons dourados das luzes da cidade. Então, enquanto o barco passava sob o arco imponente da Pont Alexandre III, a mais ornamentada, a mais dourada, a mais parisiense de todas, o celebrante respirou fundo, sorriu para o casal e anunciou num sussurro reverente: — Agora… é o momento de vocês. Dorian virou o corpo de leve na direção de Francine. O vento brincava com o véu dela, e a luz dourada contornava seu rosto como se a cidade tivesse emprestado o brilho só para aquele instante. Ele não tinha papel nas mãos. Nenhum caderno, nenhuma anotação, nenhum celular. Nada. Francine percebeu isso no mesmo segundo em que os olhos dele encontraram os dela. Dorian ia falar de cabeça. Claro. Claro que o homem certinho, calculado, metódico… teria decorado seus votos. Mas havia algo nos olhos dele, uma vulnerabilidade calma, firme e tão sincera, que ela nunca tinha visto. Ele respirou fundo e começou: — Franc