All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 271
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271 - Pode beijar sua esposa
Francine estava parada, imobilizada como se o tempo tivesse prendido o ar ao redor dela. Os votos de Dorian ecoavam na mente, cada palavra ainda vibrando como cordas de violino bem afinadas. Ela piscou algumas vezes, não para enxugar as lágrimas, que já escorriam sem vergonha, mas para tentar acreditar que aquele homem… aquele homem ali… tinha acabado de falar tudo aquilo. Em público. Em Paris. — Caramba, Villeneuve… — ela murmurou, meio rindo, meio chorando. — Assim você acaba comigo antes mesmo do “sim”. A plateia riu com ela, a tensão romântica dissolvida num sopro leve e humano. Francine respirou fundo, puxou o ar pela boca e, como boa palhaça que era, recuperou o brilho debochado dos olhos. — Tá. Agora é minha vez. Mas já aviso… — ela virou para Malu. — Eu não decorei nada. Eu não tenho essa memória de robô do meu noivo, então… me dá aí. Malu, como quem já esperava, abriu a clutch e tirou o celular novíssimo. — Presente dele, aliás — Francine comentou, erguendo o aparelho.
272 - Despedidas
Quando o celebrante se afastou e o beijo terminou, o convés explodiu numa salva de aplausos.E então, como se o barco tivesse guardado a última surpresa, começou a cair do alto uma chuva leve de pétalas de rosa.Rosas cor-de-chá, brancas e rosadas, lançadas pelos convidados com uma euforia quase infantil.Francine riu ao sentir as pétalas tocando seus ombros e cabelos, o véu se misturando às flores.Dorian segurou sua mão e a guiou para o caminho central, os dois atravessando o corredor entre amigos, familiares e algumas figuras importantes demais para serem nomeadas, mas que, naquele momento, eram só parte de um público derretido.A cada passo, pétalas voavam, flashes se acendiam, e a expressão no rosto de Dorian era algo entre orgulho, encantamento e aquela admiração silenciosa que parecia crescer sempre que ela estava ao lado dele.— Nem acredito que isso tudo é pra gente — Francine murmurou, apertando a mão dele.— É pouco — ele respondeu baixinho. — Você merece mais.O jantar hav
273 - Eu tô fazendo merda
— Minha noivaaa! — Malu cantou, abraçando Francine com a força de quem tinha bebido mais champanhe do que pretendia. — Você estava perfeita. Per-fei-ta. Eu tô tão orgulhosa que nem sei como meu coração não explodiu.Francine riu e a segurou pelos ombros, só por precaução.Cassio se aproximou um passo atrás, com a mão já posicionada meio que no reflexo na lombar dela, pronto para salvar qualquer tropeço iminente.— Ela tá ótima — ele afirmou à Francine, num tom que misturava paciência, carinho e um leve desespero. — Eu vou escoltar essa criatura em segurança até o hotel. Palavra de honra.Malu estreitou os olhos para ele, balançando o dedo como quem tenta mirar num inimigo imaginário:— Eu não sei se tô 100% segura com o Cassio… — disse, com a voz arrastada. — Ele tem cara de vilão.Francine colocou a mão na cintura e respondeu na lata:— Amiga, sinceramente? Eu tô mais preocupada se o Cassio tá 100% seguro perto de você desse jeito.Cassio levantou a mão imediatamente.— Obrigado. Alg
274 - Casados
Enquanto isso, no barco, o convés ficou silencioso.Dorian entrelaçou os dedos nos de Francine.— Pronta? — ele perguntou.Ela sorriu.— Pra você? Sempre.Ele a puxou para mais perto, plantou um beijo demorado em sua têmpora e murmurou:— Saint-Tropez nos espera.Eles desceram pela passarela iluminada que conectava o barco ao cais, passando por um pequeno grupo de funcionários que os aguardava.Um carro preto já estava estacionado ali, motor ligado, pronto para levá-los.O carro avançou pelas ruas noturnas de Paris até um pequeno aeroporto particular.Em poucos minutos, eles estavam diante do jatinho que aguardava silencioso na pista, a escada iluminada por luzes suaves.— Você fretou um jato só pra gente? — Francine perguntou, arqueando a sobrancelha com um sorriso malicioso.— Meu amor… — ele segurou a cintura dela. — Depois de tudo que vivemos, você acha mesmo que eu ia te levar pra lua de mel em voo comercial?Francine gargalhou, e o som ecoou pelo vento frio da noite.— Ok, Ville
275 - Visão maravilhosa
Pela manhã Malu abriu os olhos, incomodada com a luz natural que atravessava a janela como uma lâmina brilhante.A ressaca bateu forte.Boca amarga. Cabeça latejando.Sentou-se na cama com dificuldade, sentindo as pernas bambas e a garganta seca como papel.Passou as mãos pelos cabelos completamente bagunçados, tentando lembrar como tinha ido parar ali.Nada. Vazio absoluto.A visão já tremulava, o estômago ameaçava protestar, e a única coisa que conseguiu pensar foi:“Água. Jesus amado… água.”Tropessando nos próprios pés, ela caminhou até a janela e puxou a cortina com certa violência, derrubando metade da luminosidade que queimava seus olhos.Virou-se, pronta para se arrastar de volta à cama e renegociar sua existência.E parou.Congelou.Cassio estava ali. Na cama de Francine. Dormindo tranquilamente.Sem camisa.Espalhado pelos lençóis como se fosse a própria capa da GQ — Edição Especial: Amigos do Noivo.— Cassio??? — ela arfou, a voz saindo fina, estrangulada.Ele abriu os olho
276 - Uma boa ideia
A cabeça de Malu ainda parecia um tambor velho sendo golpeado por uma banda marcial invisível quando ela atravessou a porta do elevador.Com passos lentos e óculos escuros enormes cobrindo metade do rosto, ela adentrou o salão.Seu look matinal era um contraste total com o traje da noite anterior: um vestidinho confortável, um casaquinho leve e o andar de quem estava a duas tossidas de implorar por soro fisiológico.E o pior: ela ainda não tinha decidido se deveria mandar mensagem para Francine… ou fingir que nada tinha acontecido e esperar a amiga voltar da lua de mel.— Imagina eu mandando: “Fran, acordei pelada com o Cassio no quarto, help”. — ela resmungou baixinho enquanto caminhava até o buffet de café. — Não, né? A mulher casou ontem, por Deus…Respirou fundo.O salão estava cheio de estrangeiros sorrindo, conversando, rindo alto, gesticulando com taças e croissants.Nada fazia sentido. Nenhum som parecia familiar.Ela pegou um prato, colocou qualquer coisa que parecia comestív
277 - Jardin du Luxembourg
O carro avançava pelas ruas de Paris em silêncio, aquele silêncio que não era confortável, mas também não era hostil. Era apenas… cheio de coisas não ditas. Malu mantinha os óculos escuros como uma armadura e o casaco fechado até o pescoço, mesmo não estando frio. Era mais uma proteção emocional do que térmica. Cassio dirigia sem dizer uma palavra, concentrado na estrada como se a vida dependesse da constância do acelerador. O sol aparecia e desaparecia atrás das nuvens, criando pontos dourados nas fachadas antigas dos prédios. Era uma manhã bonita, mas gentil, sem sol forte, sem vento gelado, perfeita para alguém que estava lutando contra uma ressaca e uma avalanche de vergonha. Quando o carro entrou pela avenida lateral do Jardin du Luxembourg e estacionou, Malu finalmente abriu a boca pela primeira vez desde o café da manhã. — Nossa… — ela sussurrou, tirando os óculos para enxergar melhor. A entrada do jardim era imensa, com canteiros impecavelmente alinhados, flores perf
278 - Tarde demais
Cassio olhou para o relógio, o sol refletindo no aro metálico por um instante.— Vamos? — ele disse com a voz calma, mas firme.Malu ergueu o rosto para ele, surpresa.— Já?— Já. — Ele conferiu as horas de novo. — Inclusive já passamos bastante os vinte minutos que você estabeleceu.Malu riu, um riso que até o vento pareceu gostar.— Esse lugar é tão bonito que nem vi o tempo passar.Cassio deu aquele sorriso de canto… o sorriso que sempre parecia saber mais do que dizia.— Eu acho que foi a minha companhia… mas ainda é cedo pra você admitir. Te entendo.— Ridículo — Malu resmungou, ajeitando a bolsa no ombro.— Eu não tenho problemas pra admitir que sua companhia é maravilhosa — ele continuou, abrindo caminho pelo jardim — mas o dever me chama. Meu voo sai em algumas horas, e como Dorian tá em lua de mel, alguém tem que trabalhar.Malu suspirou dramaticamente.— Isso que dá ser um megaempresário.— Opa. — Cassio ergueu uma sobrancelha. — Isso foi um elogio? Estamos evoluindo.Malu m
279 - Apartamento novo
Dois dias depois, Malu desembarcava no Brasil com uma certeza absoluta: precisava alugar um apartamento.Não que Dorian e Francine não a quisessem mais na mansão.Mas ela… ela simplesmente sentia que não fazia mais sentido.Talvez fosse Paris. Talvez fosse o elevador. Talvez fosse Cassio sussurrando coisas perigosamente memoráveis. Talvez fosse só maturidade.Ou talvez um misto de tudo isso.Pela primeira vez na vida, Malu sentia necessidade de privacidade. De ter a própria porta. O próprio teto. O próprio silêncio.Assim que chegou à mansão, nem desfez a mala.Passou direto pela cozinha, tirou os sapatos assim que entrou no quarto e já ligou para um amigo corretor.— Separa umas opções pra mim. Urgente — disse, enquanto andava pelo quarto que já não parecia seu.No dia seguinte, descansada da viagem e com café reforçado no estômago, Malu partiu em busca do novo endereço.Andou por bairros estranhos, edifícios que pareciam ter sobrevivido a guerras, apartamentos com cheiro de mofo, ja
280 - Vizinhos
O elevador ainda nem tinha terminado de abrir por completo quando Cassio inclinou levemente a cabeça, analisando Malu como quem acaba de encontrar uma coincidência boa demais para desperdiçar.O sorriso dele veio lento, travesso, com aquela confiança irritante que parecia vir instalada de fábrica.— Está me seguindo? — ele provocou, inclinando levemente a cabeça, como quem saboreia a pergunta.Malu arfou, indignada.— Claro que não! — Malu rebateu na hora. — Você é que tá! O que você tá fazendo aqui?Cassio deu um passo pra fora do elevador, como se estivesse entrando no próprio território.— Eu moro aqui.As portas se fecharam atrás dele com um ding suave, deixando-a ali, paralisada, segurando as malas como se fossem escudos contra a informação absurda que tinha acabado de receber.Ela piscou.Cassio continuou olhando para ela, divertido, os olhos descendo até as malas enormes ao lado dela.— Está de mudança? — ele perguntou, com aquela naturalidade que deixava ela inquieta. — Vejo q