All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 331
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331 - Pra onde a gente vai
Depois de alguns segundos de silêncio, segundos que pareceram longos demais para quem ainda sentia o impacto do quase tombo, Cássio levantou Malu com cuidado, como se ela fosse feita de algo frágil demais para ser apressado.Ela piscou algumas vezes, tentando reorganizar os pensamentos, o frio, a surpresa… ele.Tudo o que conseguiu dizer foi:— Obrigada.A voz saiu baixa, quase engolida pelo cachecol.Cassio apenas assentiu com a cabeça, sem sorrir, sem ironia, sem pressa. Continuou segurando o braço dela, como se aquele fosse agora o lugar natural da mão dele.— Eu posso te ensinar a patinar.— Eu acho que consigo sozinha — Malu respondeu, tentando se desvencilhar, mais por orgulho do que por convicção.O movimento, porém, teve o efeito contrário. O patim escorregou, o corpo inclinou, e ela perdeu o eixo de novo.Cássio a segurou pela cintura com naturalidade, como se aquele gesto já fosse um hábito antigo.— Vem — disse baixo, quase perto demais. — É mais divertido a dois.Ela hesito
332 - Milagre de Natal
Cássio pediu ao taxista para descerem antes do destino final.— Prefiro andar um pouco — disse. — Se estiver tudo bem pra você.Malu assentiu.O Central Park estava quase vazio. A iluminação suave desenhava sombras longas no caminho, e o frio parecia menos agressivo ali dentro, como se Nova York tivesse abaixado o tom de voz.Eles caminharam lado a lado, sem se tocar.À frente deles, a Bow Bridge surgia delicada, quase etérea sob as luzes.Cássio percebeu Malu tentando aquecer as mãos dentro do bolso do casaco.— Toma — disse, estendendo as luvas. — Tá muito frio.— Está mesmo... mas eu quero que esfrie mais — ela respondeu, colocando-as. — Aliás… eu quero que neve.— Nevar em dezembro… — ele começou.— …é muito raro — ela completou, fazendo uma meia careta que arrancou uma risada sincera dele. — Eu sei. A Francine já me falou. Mas eu acredito em milagres de Natal.Cássio parou por um instante.— Então eu também vou acreditar — disse, olhando nos olhos dela. — Se você voltar pra mim.
333 - No mesmo lugar
A neve, que começara tímida, ganhou corpo rápido demais. Os flocos já não eram apenas um milagre delicado pousando nos cabelos, agora se acumulavam nos ombros, no casaco, no chão da ponte, transformando o cenário em algo tão bonito quanto impraticável. O vento cortava. Malu esfregou as mãos enluvadas uma na outra, rindo. — Tá oficialmente frio demais pra continuar aqui fora.Cássio olhou em volta, avaliando o parque que já começava a esvaziar, as luzes ficando mais difusas atrás da cortina branca que se formava.— Concordo. Ficar na neve é tão ruim quanto ficar na chuva. Só que mais bonito.Eles deixaram a Bow Bridge devagar, sem pressa, caminhando pelo parque quase vazio. O Central Park parecia outro lugar à noite, aos poucos ficando coberto de branco, silencioso como se a cidade tivesse concordado em cochichar.Os passos deles marcavam o caminho na neve fresca. Cássio puxou o gorro um pouco mais para a testa e passou o braço em volta de Malu, encaixando o corpo dela contra o s
334 - Feliz Natal
A luz da manhã entrou silenciosa pelas paredes de vidro do hotel, refletindo na cidade inteira coberta de branco.Nova York estava irreconhecível.Os prédios, os carros, as calçadas… tudo parecia ter sido redesenhado durante a noite, como se alguém tivesse decidido apertar o botão de recomeço enquanto eles dormiam.Cássio acordou primeiro.Por alguns segundos, ficou apenas observando Malu dormindo ao seu lado, o cabelo espalhado no travesseiro, o rosto relaxado de quem finalmente tinha descansado depois de dias demais em guerra consigo mesma.Ele se inclinou devagar e deixou um beijo leve na testa dela.Depois outro, mais lento, nos lábios.Malu despertou aos poucos, ainda meio perdida entre o sonho e a realidade.— Feliz Natal — ele disse, a voz baixa, um pouco rouca de sono… e de emoção. — Duvido que eu vá ganhar um presente melhor do que esse algum dia na minha vida.Ela sorriu, se aconchegando mais contra o peito dele, respirando fundo.— Eu tava com saudade do seu cheiro — murmur
335 - Plano B
Depois do Natal, Nova York não desacelerou. Ela apenas mudou de humor. O clima continuava frio, as luzes ainda piscavam nas vitrines, mas havia uma pressa diferente no ar, como se a cidade inteira estivesse contando os minutos até o fim do ano. A agenda voltou a ocupar cada fresta do dia: provas de roupa, reuniões, ajustes de última hora, chamadas que começavam cedo demais e terminavam tarde demais. Ainda assim, tudo parecia… mais leve. Não fácil, mas suportável. Talvez porque, em Nova York, tudo tivesse um prazo implícito. Até os problemas pareciam temporários. Enquanto elas se ocupavam do trabalho, Cássio e Dorian assumiram uma missão paralela, nunca declarada, nunca nomeada, mas perfeitamente compreendida entre eles. Garantir um plano B. Não houve discursos, nem planos desenhados em guardanapos. Apenas conversas curtas, olhares objetivos e decisões tomadas com a eficiência de quem já se conhece há tempo demais. Nada foi explicado em detalhes. Nenhum endereço
336 - Um ano... novo
O acesso ao telhado foi mais simples do que Francine imaginava.Nada de tapetes vermelhos, portas escondidas ou seguranças de terno.Apenas uma porta metálica discreta no fim de um corredor pouco iluminado, o rangido suave da maçaneta sendo girada e, logo em seguida, o vento frio batendo no rosto como um aviso claro de que eles estavam muito mais altos do que deveriam.Assim que saíram, a cidade se abriu diante deles.Nova York parecia outra dali de cima.Menos barulhenta, menos agressiva.Um emaranhado de luzes pulsando em silêncio, prédios recortando o céu escuro, ruas que pareciam veias luminosas levando gente de um lado para o outro sem que eles precisassem ouvir o caos.A área coberta ocupava apenas parte do telhado, suficiente para protegê-los da chuva fina que começava a cair, quase tímida.Duas poltronas confortáveis, um sofá compacto encostado na parede, mantas dobradas com cuidado como se alguém tivesse pensado em cada detalhe.Uma mesa pequena com petiscos simples, queijos,
337 - Em casa
O impacto veio antes mesmo de atravessarem as portas de desembarque.O ar quente envolveu Francine e Malu como um abraço exagerado, quase teatral, daqueles que fazem a pele lembrar imediatamente onde está.O contraste com o inverno nova-iorquino foi tão brusco que Malu riu sozinha, sentindo o suor surgir antes mesmo de dar três passos.— Meu Deus… — Francine soltou o casaco no braço. — Assim que chegarmos em casa eu quero um banho de piscina. Pra lavar esse frio até da alma.— Você acabou de sair do avião — Malu provocou. — Já quer entrar na água?— Quero — Fran respondeu, sem culpa nenhuma. — E depois quero reclamar do calor. É o ciclo natural da vida.O caminho até a mansão foi silencioso no começo.Não um silêncio pesado, um silêncio confortável, de quem ainda estava se reajustando ao próprio fuso horário e às próprias emoções.Foi Malu quem quebrou primeiro.— Fran… eu tava pensando. — Ela apoiou o braço no vidro, observando a cidade que reaparecia familiar. — Acho que tá na hora
Epílogo I
A casa estava um caos cuidadosamente organizado.Luzes montadas na sala, cabos no chão, um fotógrafo tentando enquadrar a cena perfeita enquanto Francine mudava de posição pela terceira vez, procurando um jeito minimamente confortável de sustentar a barriga já enorme.— Amor, se eu cair pra trás, você segura — ela avisou, sem nenhuma cerimônia.— Eu seguro você, a barriga, o bebê e o fotógrafo se for preciso — Dorian respondeu, ajustando a postura no sofá.Theo, com seus quatro anos recém-completos, não parecia minimamente interessado no conceito de editorial de revista.Estava inquieto no colo do pai, girando o tronco, esticando o pescoço para procurar qualquer coisa que fosse mais interessante do que ficar parado.— Theo, amor… fica quietinho só mais um pouquinho — Francine pediu, tentando manter o sorriso.— Mas eu já fiquei quieto! — ele rebateu, indignado, como se estivesse há horas cumprindo um castigo.No colo de Francine, Matheus, com pouco mais de um ano, dormia profundamente
Epílogo II
Na penitenciária o curso de empreendedorismo acontecia duas vezes por semana, sempre no mesmo horário, sempre na mesma sala sem janelas, com paredes bege encardidas e cadeiras de plástico alinhadas em fileiras quase militares.Gaspar sentava-se sempre no fundo, mais por hábito do que por escolha. Não gostava de chamar atenção. Não gostava de falar. Gostava menos ainda de ouvir discursos sobre futuro.Aquele dia não parecia diferente.O educador, um homem jovem demais para estar ali, como Gaspar diria, falava sobre empreendedorismo, gestão moderna, liderança responsável. Palavras grandes para um ambiente pequeno.Ainda assim, Gaspar prestava atenção.Não por interesse real, mas porque aprender rendia dias a menos de pena, e ali dentro o tempo era a única moeda que importava.— Hoje eu trouxe um exemplo atual — disse o educador, levantando uma revista. — Um case real, brasileiro, de crescimento sólido nos últimos cinco anos.Alguns presos se inclinaram para frente. Outros bocejaram.Gas
Epílogo III
Cássio chegou em casa e largou as chaves sobre a mesa de madeira da entrada.O som ecoou baixo pelo apartamento silencioso.Enquanto soltava a gravata e tirava o paletó com movimentos automáticos, chamou:— Malu?Nenhuma resposta.Ele franziu o cenho, caminhou pelo corredor e empurrou a porta do quarto com cuidado, mas ainda assim, um pouco apressado.— Malu, você…— Shhhhhhh… — Malu levou o dedo aos lábios, pedindo silêncio, os olhos atentos.Cássio parou imediatamente.A luz suave que atravessava a cortina na janela iluminava a cena com delicadeza.Malu estava sentada na poltrona, o corpo relaxado, a cabeça levemente inclinada enquanto amamentava a bebê.O mundo parecia caber inteiro naquele gesto.Ele se aproximou devagar, como se qualquer passo em falso pudesse quebrar aquele instante.Depositou um beijo calmo na testa de Malu, depois se inclinou um pouco mais, observando a filha.— E como você está, Cassinha? — murmurou, passando os dedos com extremo cuidado pelos fios fininhos,