All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 321
- Chapter 330
341 chapters
321 - Eu vou descobrir
Cássio chegou ao escritório naquele dia como se estivesse carregando o próprio peso nos ombros.O reflexo no vidro da sala dele confirmava o que Dorian já vinha insinuando: o terno estava amarrotado, a barba por fazer, os olhos fundos que denunciavam noites mal dormidas, ou mal vividas.Um homem que perdeu o eixo, e ele sabia disso.Sentou-se à mesa, abriu o computador, encarou a tela… e não absorveu absolutamente nada do que aparecia ali.Planilhas, relatórios, números.Tudo parecia irrelevante diante da única coisa que ocupava sua cabeça: Malu tinha sumido.Não só do prédio. Da vida dele.Dorian percebeu logo de cara.Parou na porta da sala, observou o amigo por alguns segundos e soltou um suspiro pesado.— Você tá assustando até o RH — comentou. — Pelo amor de Deus, Cássio… quando foi a última vez que você se olhou no espelho?Cássio levantou os olhos devagar.— Não sei. E não me importo.— Pois devia. — Dorian entrou e fechou a porta atrás de si. — Você parece um homem das caverna
322 - Montando o quebra-cabeça
Cássio ficou de pé diante dos monitores como se estivesse prestes a assistir à própria sentença.O porteiro puxou as gravações, ajustando os horários conforme ele pedia.— Começa pelo corredor do terceiro andar — Cássio disse, com a voz baixa. — Pela manhã.A imagem apareceu.O corredor silencioso.A porta do apartamento 302 se abriu.Malu saiu alguns segundos depois.Ela caminhava devagar, vestida de forma simples, o cabelo preso de qualquer jeito. Parou em frente à porta do elevador e apertou o botão.Cássio franziu o cenho.— Ela não está com mochila — murmurou, mais para si do que para o outro. — Mas você disse que ela saiu com uma.— Saiu sim — confirmou o porteiro. — Tenho certeza. Mochila preta, pequena. Nas costas.O coração dele acelerou.— Então puxa a câmera do elevador.A imagem mudou.O elevador abriu no terceiro andar.Malu entrou.E então… apertou o botão do 24º andar.O ar pareceu faltar nos pulmões dele.— O que… — murmurou. — O que ela foi fazer no meu apartamento?—
323 - Juntando provas
Cássio terminou de tomar banho como se tivesse lavado a alma. O espelho refletia um rosto diferente do homem de dias atrás. Ainda cansado, sim, mas agora havia foco. Controle. Saiu do banheiro e encontrou o chaveiro que terminava de apertar os últimos parafusos da fechadura nova. — Pronto, senhor. — disse o homem. — Só essas chaves funcionam agora. Cássio pegou o molho, testou uma vez, duas. — Obrigado. Assim que ficou sozinho, vestiu o paletó, pegou o celular e saiu em direção ao hospital em que Maya havia sido atendida. Foi direto ao balcão de atendimento. — Bom dia. — disse, educado. — Preciso falar com o doutor Lucas. Assunto pessoal. A atendente digitou algo no computador. — Ele está em atendimento no momento… Cássio sorriu de canto, aquele sorriso treinado em reuniões difíceis. — Eu espero. — disse. — Ou posso falar com a coordenação médica sobre o plantão da última semana. Ela ergueu os olhos, avaliando. — Vou ver se consigo chamá-lo. Minutos depois, uma enfer
324 - Ponte quebrada
Cássio escolheu um restaurante com cuidado. Não era sofisticado demais, nem íntimo demais. Mesas espaçadas, iluminação morna, música baixa o suficiente para não exigir conversa, perfeita para quem precisava dizer algo difícil sem plateia. Pra ele, o mais importante era ser perto da cafeteria onde encontraria Bianca mais tarde. Maya chegou alguns minutos atrasada, como sempre. Vestia um vestido curto demais para um almoço que já caminhava para o início da tarde, óculos escuros mesmo sem sol, o celular colado à mão. Abriu um sorriso largo assim que o viu, como se nada tivesse acontecido. — Finalmente resolveu sair comigo — disse, sentando-se sem pedir licença. — Achei que você tivesse me abandonado de vez. Cássio apenas assentiu com a cabeça. Esperou que ela pedisse algo para beber, esperou o garçom se afastar, esperou o silêncio se acomodar entre os dois. Então falou. — Eu queria te apresentar a Malu. Maya congelou por um segundo. Foi quase imperceptível, mas ele viu. O s
325 - Aqui terminamos
Assim que saiu do restaurante, Cássio caminhou alguns metros pela mesma calçada até a cafeteria onde havia combinado de encontrar Bianca.Não escolheu o lugar por acaso.Ele queria que Maya não tivesse tempo de avisar a ela o que tinha acontecido.Bianca já estava sentada, mexendo distraída no celular, quando ele entrou.Ao vê-lo, abriu um sorriso automático, aquele que ela usava desde sempre, como se o tempo nunca tivesse passado.— Oi — disse ela, levantando-se para cumprimentá-lo.Cássio inclinou-se e deu um beijo breve no rosto dela. Educado. Frio. Sem memória.— Vamos? — disse apenas.Bianca estranhou o convite imediato, mas não questionou.Pegou a bolsa e guardou o celular, depois levantou-se rápido demais, quase ansiosa.O celular começou a vibrar dentro da bolsa, insistente, mas ela ignorou. Naquele momento, a atenção de Cássio parecia mais importante do que qualquer chamada.Entraram no carro.Cássio dirigiu em silêncio, sem ligar o som, sem puxar conversa.Bianca tentou com
326 - Injustiça
O avião pousou em Nova York no fim da tarde, quando o céu já começava a assumir aquele tom azulado profundo que anunciava o inverno de verdade. Assim que Malu atravessou a porta do aeroporto, o frio a atingiu em cheio, como um aviso claro de que ali não havia espaço para improvisos tropicais. — Bem-vinda à cidade onde o vento corta até a autoestima — Francine comentou, ajustando o cachecol com elegância. — Pode esquecer cropped, minha filha. Aqui você passa frio até dentro dos prédios. Malu fez uma careta dramática. — Nova York devia ser processada por atentado contra a sensualidade feminina. Francine riu, puxando a mala. — Relaxa. Você vai sobreviver. E, acredite, ainda dá pra ser sexy de casaco longo, bota e mistério. No caminho até o hotel, Malu grudou o rosto no vidro do carro, completamente hipnotizada pela cidade. As ruas estavam todas decoradas para o Natal. Guirlandas iluminadas nos postes, vitrines com cenários quase teatrais, laços vermelhos gigantes, árvores decorad
327 - Cruelmente enganada
Francine acordou antes que o céu de Nova York clareasse por completo.A cidade ainda estava num tom azulado, suspensa entre a madrugada e o dia, quando ela se sentou na cama, o coração inquieto demais para continuar fingindo sono.Havia passado a noite inteira virando de um lado para o outro, revendo mensagens, vídeos, imagens que não eram dela, mas que agora pesavam como se fossem.Vestiu o robe devagar e ligou para o serviço de quarto.— Dois chocolates quentes, por favor. — pediu, a voz baixa. — Bem quentes.Quando desligou, ficou alguns segundos parada, observando Malu dormir na outra cama.Ela parecia exausta até dormindo.O corpo encolhido, como se ainda estivesse se protegendo de algo que não sabia exatamente de onde vinha.Francine sentiu um nó apertar no peito.Minutos depois, a batida suave na porta.Ela se levantou rápido para atender, mas o som foi suficiente para acordar Malu, que se mexeu na cama e abriu os olhos ainda pesados.— Fran… — ela murmurou, sentando devagar. —
328 - Antes do Natal
Cássio entrou no escritório de Dorian sem bater.O terno estava passado, a barba recém-feita, o cabelo alinhado, mas nada disso conseguia esconder as olheiras profundas, e o olhar que carregava aquela mistura perigosa de culpa e urgência.Ele não parecia o vice-presidente impecável de sempre, parecia um homem que passou dias sobrevivendo à própria cabeça.Dorian levantou os olhos do notebook e, antes mesmo de falar qualquer coisa, entendeu.— Pelo visto… — disse, apoiando-se na cadeira — você descobriu o que foi que aprontou.Cássio fechou a porta atrás de si e respirou fundo.— O que aprontaram comigo, você quer dizer. Se você soubesse o que eu descobri… — começou, andando de um lado para o outro. — Eu fui um idiota. Um idiota completo.Dorian cruzou os braços e se recostou na cadeira.— Senta. — ordenou, com calma. — E me conta tudo. Do começo.Cassio sentou-se na cadeira à frente da mesa, passando a mão pelos cabelos como quem ainda tentava organizar a avalanche.— Maya armou tudo.
329 - Digestão
Os dias em Nova York começaram a passar de um jeito diferente para Malu.A agenda continuava cheia demais para permitir grandes colapsos.Chorar? Não.Pensar demais? Também não.Havia horários a cumprir, contratos para revisar, reuniões que precisavam começar no minuto exato.E Malu fazia tudo isso como sempre fizera: com eficiência quase cirúrgica.Organizava compromissos, antecipava problemas, respondia e-mails enquanto caminhava pelas calçadas geladas, o celular firme na mão, o casaco bem fechado até o pescoço.Por fora, ninguém diria que algo estava fora do lugar.Ela sorria quando era esperado, ria das piadas certas, comentava sobre o frio, sobre o trânsito, sobre a cidade iluminada para o Natal.Mas, entre um compromisso e outro de Francine, era impossível não tentar colocar a cabeça no lugar.E o coração também.Em uma tarde especialmente fria, enquanto Francine estava em preparação para um desfile, Malu saiu sozinha até uma cafeteria próxima.Precisava de café. Forte. Quente.
330 - Confia
A véspera de Natal em Nova York parecia saída de um filme.As ruas estavam mais iluminadas do que o normal, vitrines disputavam atenção com decorações exageradas, e o frio cortava o rosto de quem se aventurava para fora sem um bom cachecol.Malu caminhava ao lado de Francine com as mãos enfiadas no bolso do casaco, o cachecol bem apertado no pescoço, tentando absorver tudo de uma vez.Ainda assim, havia algo diferente no ar.Uma expectativa silenciosa, quase infantil, como se a cidade inteira estivesse prendendo a respiração à espera de um milagre.As duas caminharam juntas até o Rockefeller Center, misturadas à multidão que se espremia para ver a árvore de Natal mais famosa do mundo.Quando dobraram a esquina e a árvore de Natal surgiu diante delas, Malu simplesmente parou.Não era apenas grande.Era absurda.A árvore parecia tocar o céu, coberta por milhares de luzes que piscavam em tons quentes, refletindo nos prédios ao redor como se o próprio Natal tivesse descido ali para morar.