All Chapters of Querido chefe, os gêmeos não são teus!: Chapter 21
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20 - Está pegando fogo, Stella!
O som da risada deles preencheu a sala logo cedo. Orion e Apollo tinham empilhado todas as almofadas do sofá e estavam saltando como se estivessem numa cama elástica improvisada. Um desenho passava na TV, mas era ignorado em favor da brincadeira que inventaram.Mas eu não conseguia sorrir.Desde a madrugada, aquela mensagem pesava na minha cabeça. E eu sabia que não podia guardar aquilo sozinha.Alexander estava na cozinha, organizando as canecas no armário novo como se elas tivessem lugar certo já no primeiro dia. Leah, sentada à mesa com uma xícara de chá, mexia o líquido com uma colherzinha como se estivesse pensando em mil coisas ao mesmo tempo.— Leah. Alex. — chamei baixinho, me aproximando da mesa. — Posso falar com vocês um segundo?Ela ergueu o olhar, imediatamente. Alexander se virou no mesmo instante.— Aconteceu alguma coisa? — ele perguntou, já vindo na minha direção.Respirei fundo, tirei o celular do bolso e coloquei em cima da mesa, com a tela acesa, mostrando a mensage
21 - Você é uma heroína
STELLA HARPER A fumaça me cercava como um manto sufocante. Meus olhos lacrimejavam, a garganta ardia, mas não parei. A mulher no banco do motorista gemeu de novo, fraca. — Vai ficar tudo bem… — murmurei para ela, tentando manter a calma, mesmo sentindo meu corpo inteiro tremer. — Só mais um segundo, tá? Consegui soltar o cinto de segurança. Ele estalou, e o corpo dela caiu contra mim com um peso mole e estranho. Ela era mais leve do que eu esperava, ou talvez fosse só o desespero me dando força. — Precisamos sair daqui, senhora. O carro vai explodir. — avisei com urgência, falando próximo ao ouvido dela. Ela gemeu outra vez, a cabeça balançando levemente. Consciente o suficiente para andar, ou pelo menos eu torcia que estivesse. Com o braço dela sobre meus ombros, comecei a arrastá-la para fora. Os joelhos dela fraquejavam, mas consegui forçá-la a colocar os pés no chão. O calor aumentava atrás de nós, como uma fornalha aberta prestes a nos engolir. — Anda... só mais um pouco…
22 - Construiu sua vida perfeita
STELLA HARPER— Winter? — repeti, quase rindo, mesmo com a dor no joelho e o desconforto no ombro. — Olha só… é o mesmo nome da…Ela abriu um sorriso como se já soubesse o que eu ia dizer.— Winter Enterprises, sim. — falou com naturalidade, ajeitando a manta sobre as pernas. — Meu filho é quem está no comando agora.Meu estômago se contraiu de um jeito que quase me fez perder o ar. A palavra “filho” pareceu se expandir na minha cabeça até ocupar todo o espaço. Por dentro, eu já sabia a resposta, mas ainda assim… precisei confirmar.— Seu filho? Mas… — fingi uma confusão inofensiva — achei que o CEO da Winter tivesse uns trinta e cinco anos.Ela soltou uma risada tão genuína que por um segundo me perguntei se estava debochando ou apenas se divertindo com a minha ignorância.— Sim. Ele completou trinta e cinco anos. — Ainda estava confusa, a mulher em minha frente não aparentava ter mais que quarenta e cinco e isso sendo bem generosa.— Me perdoe a curiosidade, mas, quantos anos a senh
23 - Simples e civilizado
DAMIAN WINTER O dia estava sendo insuportavelmente normal. Reuniões sequenciais, relatórios intermináveis e a eterna sensação de que todos ao meu redor falavam mais do que realmente produziam. Eu já estava prestes a encerrar mais um encontro inútil quando o telefone vibrou sobre a mesa. Olhei de relance para o visor, esperando encontrar algum cliente ou um número interno da empresa. Mas não. O identificador mostrava o nome do hospital central da cidade. — Bom dia, você é o filho da senhora Elaine Winter? — Sim, aqui é Damian Winter — atendi, já com o semblante fechado. — O que aconteceu? A voz do outro lado provavelmente pertencia a uma enfermeira, aquele tom contido denunciava más notícias e eu não estava com paciência para enrolação. — Senhor Winter, estamos ligando para informar que a senhora Elaine Winter deu entrada no pronto atendimento após um acidente de carro. A cadeira quase deslizou para trás quando me levantei bruscamente. — Ela está consciente? — minha voz soou m
24 - Nós dois seremos infelizes
DAMIAN WINTER— Stella? — repeti, um pouco mais perto.Ainda nada.A impaciência venceu a cautela. Toquei seu ombro, e ela finalmente girou o corpo para me encarar.Não era ela.A mulher, com feições desconhecidas e olhos claros, franziu a testa.— Desculpe. — Falei, já me afastando.Foi quando uma enfermeira passou carregando uma bandeja de curativos. Eu me virei rápido.— Com licença! — chamei, andando até ela. — Você viu uma paciente chamada Stella Harper? Entrou há pouco, ferimento no joelho, loira.Ela pareceu pensar por um segundo, depois assentiu.— Sim, claro. Ela estava aqui agora, mas acabou de sair com o acompanhante.— Acompanhante? — ecoei, sentindo uma pontada estranha no estômago.— Sim. Um homem, acho que era o namorado. Saíram pela porta lateral.Não precisei ouvir mais nada. Passei por ela, quase correndo, e segui até a saída indicada. A porta automática se abriu num sopro de ar frio e o estacionamento se revelou diante de mim… vazio.Olhei de um lado para o outro. N
25 - Ameaça clara
STELLA HARPERAlexander não parava de falar do quanto fui impulsiva hoje e então começou um sermão sobre eu não ter esperado a alta do médico. Eu olhava pela janela, tentando controlar a respiração e ignorar o latejar no meu braço, e principalmente no joelho, onde o arranhão mais incômodo começava a arder agora que a adrenalina tinha passado. Minha manga estava manchada de sangue seco.Alexander mantinha uma das mãos no volante e a outra descansando sobre a marcha, mas eu sentia o olhar dele no canto do meu rosto enquanto falava.— Você deveria mesmo ter esperado pra terminar o atendimento — disse ele, virando o carro em um atalho. — E se fosse necessário algum outro exame? Quem sabe se você não machucou a cabeça ou algo assim.Respirei fundo, evitando encarar.— Eu não podia.— Não podia ou você não quis? — Ele franziu o cenho. — Ainda não entendi porque a gente saiu correndo daquele jeito.Olhei para minhas próprias mãos, que tremiam nervosamente, e engoli em seco.— É que... eu vi o
26 - Alguém em minha porta
STELLA HARPER SEMANAS DEPOIS Os dias seguintes foram um borrão de cuidados, precauções e um certo medo constante que eu tentava não deixar transparecer. Assim que li aquela mensagem ameaçadora, troquei o chip do celular no dia seguinte, na esperança de que o anônimo desistisse. Fui até a delegacia, registrei ocorrência, entreguei meu aparelho antigo com o número e tudo. Mas, como era de se esperar, a resposta da polícia foi um genérico: “Vamos investigar”. Investigação essa que não resultou em nada até agora, e imagino que não resultará em nada no futuro. No fundo, eu sabia que a sensação de estar sendo observada não desapareceria só com um número novo ou um boletim de ocorrência, era impossível não me sentir assustada, mas tentei ignorar essa sensação o máximo que pude. O tempo passou e, aos poucos, minha rotina foi se reencaixando. Os machucados sararam, o corte na testa virou apenas uma marca discreta, os arranhões no braço sumiram, e o joelho também cicatrizou e parou de recla
27 - Uma aproximação perigosa
STELLA HARPER A porta do carro abriu devagar, como se o tempo tivesse diminuído só para me torturar. A primeira coisa que vi foram as botas de salto, depois a bainha de um sobretudo bege que caía perfeitamente até o joelho. Ela levantou o rosto e, quando a luz do poste tocou seus traços, minha respiração ficou presa. — Foi um pouco difícil te achar, Stella Harper. — A voz dela era brincalhona e não havia hostilidade, na verdade soava como alguém que havia ensaiado aquela frase durante todo o caminho até aqui. — Elaine… — meu tom saiu quase num sussurro. A última vez que eu tinha visto aquela mulher, a situação tinha sido completamente diferente. Olhando para ela agora, parece até mentira que ela sofreu um acidente semanas atrás. Agora, ela estava ali, diante da minha casa, me fazendo ter diversos pensamentos preocupantes ao mesmo tempo. — Não quis aparecer de surpresa, mas… — ela deu de ombros, segurando uma sacola de papel nas mãos. — Acho que não havia outra forma. Olh
28 - Te achei
STELLA HARPER — Você disse a ele que descobriu onde eu moro? — minha voz saiu mais nervosa do que pretendia, e pude ver Elaine piscar, surpresa com a pergunta direta. Ela negou com a cabeça rapidamente. — Não, Stella. Eu não contei para o Damian. Não seria certo deixar ele vir a sua casa sem ter sua aprovação antes. Suspirei aliviada, mas não deixei de franzir o cenho. — Então, por favor, não conte. Não precisa desse agradecimento vindo dele ou de você. Eu teria feito o mesmo por qualquer um, o fato de ter ajudado alguém com tanto poder é só uma coincidência. Aceitar uma recompensa faria parecer que minha ação não foi genuína. Ela me olhou com uma expressão quase triste, mas compreensiva. — Entendo. Não quero te pressionar de maneira nenhuma e sei que você salvou minha vida sem nenhuma segunda intenção. Olhei para o relógio na parede e percebi que estava passando da hora dos meninos jantarem. — Já que veio até aqui e trouxe os presentes, quer ficar para jantar? — perguntei, qu
29 - Ele... é seu filho?
DAMIAN WINTERFiquei na sala, sentado em uma poltrona de couro escuro, com o olhar fixo na porta da frente. Estava determinado, essa noite a Sophie não escaparia de mim, não importa a hora que ela chegar. O relógio avançava lentamente, as horas se arrastavam como se conspirassem contra minha paciência.Quando o ponteiro finalmente marcou 2h03, a chave girou na fechadura e Sophie entrou. Ela parecia exausta, os ombros caídos de cansaço e o cabelo levemente desgrenhado.— Você chegou tarde. — Levantei-me e cruzei os braços, bloqueando a passagem dela para a escada. — Precisamos conversar.Ela me olhou, exausta, e deu um suspiro resignado.— Damian, eu estou cansada. Podemos falar amanhã? — disse, já virando para dar a volta.Mas antes que pudesse se afastar, coloquei a mão em seu braço.— Amanhã você foge de novo. Por isso, hoje você vai ficar exatamente onde está e conversar comigo.Ela parou, desviando o olhar.— Ok. O que quer falar?Olhei fixamente para ela, avaliando sua aparência