All Chapters of Querido chefe, os gêmeos não são teus!: Chapter 11
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10 - Uma boa garota
STELLA HARPER Depois de passarmos na minha casa para pegar o que eu precisava, seguimos para o apartamento dele. O carro estacionou diante da entrada luxuosa do prédio dele. Eu estava nervosa. Damian não me olhou quando desceu do carro, apenas abriu a porta para mim com um gesto seco. — Entre. A palavra saiu como uma ordem, não um convite. Subimos no elevador privativo e permaneci quieta enquanto era guiada até sua cobertura. — Tire os sapatos. Obedeci. Ele se aproximou lentamente, e seus olhos deslizaram por mim de cima a baixo. — Você lembra por que está aqui? — Sim. — murmurei, sem encará-lo. Ele segurou meu queixo com firmeza, me forçando a levantar o olhar. — Olhe para mim quando falar. Você está aqui porque concordou com meus termos. E isso significa que, a partir de agora, você vai seguir minhas regras. Está claro? Engoli em seco, mas assenti. — Está claro. — Ótimo. Então vá até o quarto. Tire a roupa. E espere na beira da cama. Sem tentar cobrir o
11 - Fui mais generoso do que o previsto
STELLA HARPERA luz da manhã filtrava pelas frestas da cortina como se quisesse me forçar a abrir os olhos, mas eu já estava acordada fazia tempo. Não conseguia dormir. Meu corpo ainda doía, não só fisicamente, mas num lugar muito mais fundo. A noite anterior grudava na minha pele como algo que eu não conseguiria lavar. Damian estava de pé, ao lado da cama, abotoando a camisa branca. Ele sequer olhou para mim quando falei bom dia. Na verdade, ele só respondeu com um murmúrio ininteligível, seco, como se qualquer palavra a mais fosse desperdício de tempo.Sentei devagar, puxando o lençol para cobrir o corpo. Não que isso importasse, ele já tinha me visto de todas as formas possíveis.— Eu... vou tomar um banho. — murmurei.— Faça isso. Mas não demore — ele respondeu sem qualquer emoção, ajustando os punhos da camisa e checando o relógio. — Você vai para o trabalho, certo?— Vou.— Ótimo. Nos vemos lá.Ele saiu do quarto sem mais uma palavra. Nenhum olhar, nenhum traço de preocupação.
12 - Você tem um mês
DAMIAN WINTERO restaurante era elegante, como mandava o figurino. Sophie Pósitron já estava sentada quando cheguei. Ergueu o rosto para mim e esboçou um discreto aceno com a cabeça. Nenhum sorriso falso, nenhuma tentativa de parecer acessível demais. Vestia um tailleur azul escuro que contrastava com a pele pálida e os cabelos negros perfeitamente alinhados atrás da orelha. Tudo nela parecia comedido e sério.Nada como a pirralha mimada que eu esperava encontrar.— Senhor Winter — cumprimentou, estendendo a mão.— Senhorita Pósitron.— Sophie, por favor. Não estamos em uma sala de reuniões.— Damian, então.Sentamos. Pedimos vinho. O silêncio entre nós era confortável, o que era estranho. Não gosto de longas introduções nem de conversas vazias. Mas também não gosto de distrações mentais, e Stella Harper estava se tornando exatamente isso.Ela estava estranha hoje. Não ergueu os olhos para mim nenhuma vez e até mesmo passou no meu escritório para perguntar se eu precisaria dela depois
13 - Plano sem escrúpulos
DAMIAN WINTER Sai do clube depois de ser dispensado pelo meu pai e entrei no meu carro. Deslizei o dedo sob a aba do envelope que ele me deu e o abri. Havia um contrato de noivado já redigido. Meu nome e o de Sophie Pósitron estavam ali, lado a lado, em letras elegantes. O acordo parecia mais uma fusão de empresas do que um compromisso afetivo. “Termos de união e convivência”, “integração de ativos familiares”, “projeções de valorização patrimonial conjunta”, “responsabilidade sobre herdeiros e educação primária”. Tudo descrito como se eu fosse um touro premiado em um leilão genético. Na segunda folha, um cronograma: jantares públicos, aparições conjuntas e a data de anúncio oficial do noivado. Aconteceria em dois meses. Pensei em Sophie. E tudo aquilo me cheirava a manipulação. Fechei os olhos por um instante, sentindo a tensão subir pela nuca e pulsar na têmpora esquerda. Minha respiração ficou lenta. Não vou entrar nessa por imposição. Peguei o celular e digitei rápi
14 - Término de uma vida
STELLA HARPER DOIS MESES DEPOIS... Os últimos dois meses pareciam ter sido vividos por outra pessoa. Uma mulher que se parecia comigo, que usava meu nome, que ainda andava com as mesmas roupas, dormia no mesmo colchão… Mas que havia perdido completamente o senso de si. Essa mulher, outra versão da Stella Harper estava vivendo entre os extremos, do prazer e da angústia, do afeto e da humilhação. Damian Winter era o único responsável por eu estar vivendo assim: inconstante, contraditório, ameaçador. Me puxava para perto quando queria se afogar em mim, e me empurrava para longe quando tinha vontade. Não havia meio-termo. E eu, como uma idiota, fui me acostumando com essa montanha-russa disfarçada de rotina. Ele me dizia para ir embora para casa e depois me buscava no meio da noite. Me chamava de incompetente e depois me deixava dormir em seu peito. Tocava meu corpo como se fosse só dele e, no dia seguinte, aparecia em fotos com outra mulher como se eu fosse uma amante. Sophie
15 - Ela foi embora
DAMIAN WINTER — Chega de drama, Stella. Vista-se e esteja no escritório até às nove. — finalizei a chamada antes que ela respondesse, deixando o celular sobre a mesa do camarim. A maquiagem no meu rosto era sutil, só o suficiente para suavizar o brilho da pele sob as luzes intensas. Meu pai apareceu atrás de mim no espelho com um sorriso satisfeito, orgulhoso como se eu estivesse prestes a receber uma medalha de honra ao mérito. — Está pronto? — ele perguntou, ajustando a lapela do próprio paletó. — Não vejo como isso é diferente de qualquer coletiva. — respondi, seco. Ele deu uma risada breve. — Mas é diferente. Você vai anunciar o início de uma nova era para a nossa Winter. E com a Sophie, nada menos que perfeita. O mercado vai reagir bem. A Positron já sinalizou apoio à fusão. Só precisamos manter a imagem. Sim, só preciso manter essa imagem até Stella engravidar. Está demorando mais do que pensei. Meu pai fez um sinal com a cabeça para o assistente de palco, que n
16 - Uma mulher humilhada
DAMIAN WINTER SEIS MESES DEPOIS Seis meses desde que Stella Harper sumiu da minha vida sem deixar rastros. Exatos cento e oitenta e dois dias, treze horas, vinte e cinco minutos e… três segundos Quatro. Cinco. Estou parado na porta de casa, encarando o relógio que Sophie me deu, perdido nos números que só me lembram dela. Depois que Leah me disse que ela tinha ido embora e não voltaria, fiz de tudo para encontrá-la. Coloquei até detetives atrás dela. Nada. Stella desapareceu do mapa com a mesma facilidade com que surgiu. No trabalho, ainda me pego olhando para o lado da mesa da secretária, mas quem tá lá nunca é ela. A nova secretária? Comete erros que Stella nunca cometeria, mas, estranhamente, eu nem sinto vontade de brigar. Estou vivendo a fase mais importante da minha vida. Todo mundo me respeita, me teme ou me inveja. E mesmo assim… não sinto nada. É como se tivessem arrancado um pedaço de mim. Meu pai estava disposto a me deserdar, a empresa precisava da imag
17 - Minha luz e minha constelação
STELLA HARPER Havia se passado pouco mais de oito meses desde que deixei Nova York. O tempo em Wethersfield parecia ter um ritmo diferente. Não era só a cidade pequena, as casas com cercas brancas, os cafés que fechavam às seis da tarde ou o fato de todo mundo conhecer o nome do outro. Era o silêncio. A ausência de buzinas, de olhares julgadores, de pressão constante sobre mim e minhas escolhas. A cidade tinha cheiro de terra úmida e pão recém-assado, de café forte e hortênsias nos jardins. Um lugar onde as janelas ainda ficavam abertas à tarde e os vizinhos perguntavam como foi o seu dia. Onde o tempo passava mais devagar, como se o mundo lá fora, com toda sua pressa, tivesse esquecido desse pequeno ponto no mapa de Connecticut. Me lembro do primeiro mês como se tivesse sido ontem. Alexander estava me esperando no aeroporto com uma plaquinha torta onde se lia: “Fugitiva protegida por Leah”. Eu teria rido se não estivesse tão nervosa, com os olhos inchados e o corpo dolorid
18 - Retorno
STELLA HARPERCINCO ANOS DEPOISCinco anos. Parece impossível dizer isso em voz alta e acreditar que realmente se passou tanto tempo. Às vezes, quando estou sozinha, ainda me pego olhando pela janela e me perguntando se tudo foi um sonho. Se algum dia estive mesmo na Califórnia, se algum dia trabalhei na Winter Enterprises, se algum dia me apaixonei pelo homem errado e se algum dia fugi com dois corações batendo dentro de mim, desesperada por salvar o pouco de sanidade que me restava.Mas então ouço as risadas.— Mamãe, o Apollo me empurrou! — grita Orion do corredor, correndo desajeitado, com os cabelos escuros completamente desgrenhados.— Não foi de propósito! — retruca Apollo, logo atrás, com a cara mais inocente que já vi.— Foi sim! Só porque eu não quis ajudar a embalar as coisas dele.— Eu sou o mais velho, você devia me obedecer. — Apollo retruca, a resposta de Orion é mostrar a lingua.Eles invadem meu quarto como um furacão, pulando na cama, disputando espaço ao meu lado, c
19 - Nova casa
STELLA HARPER A viagem foi longa, mas os meninos não pararam de falar nem por um segundo. Apollo insistiu em descrever cada nuvem com formato diferente, ouvi coisas como: "essa parece um coelho" ou “essa parece um dragão!” enquanto Orion tentava convencer Alexander de que a velocidade do avião ultrapassava os limites permitidos pela física. Não sei nem onde ele aprendeu que a física tinha limites. Alexander escutava tudo com paciência. Ele sempre escutava. E quando, por fim, o avião tocou o solo, senti algo dentro de mim também aterrissar. Segurança. Estabilidade. E uma pontinha teimosa de medo. O aeroporto estava mais cheio do que me lembrava. Pessoas com olhos apressados, malas arrastando, crianças dormindo nos ombros dos pais. Um mundo inteiro em movimento. E ali, entre tantos rostos desconhecidos, um rosto me fez sorrir largamente. — TIA LEAH! — meus filhos gritaram em uníssono. Os dois saíram correndo, como se tivessem sido soltos de uma mola invisível, e se jogaram nos braç