All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 111
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Capítulo 80: De volta a vida
O salão da marca parecia um altar de guerra. Paredes de pedra escura, colunas cravejadas de prata, e no centro, um círculo de ferro desenhado no chão. O braseiro cuspia fumaça grossa; o cheiro de incenso e mata-lobos se misturava ao suor dos lobos de elite que observavam.Smaill esperava de pé, o corpo nu da cintura pra cima, as veias pulsando sob a pele. Runas vermelhas estavam pintadas em seus braços e peito, e os olhos brilhava à luz do fogo.— Tragam ela.Dois guardas empurraram Melia para o centro, o vestido colado ao corpo parecia arder, a coroa tilintou quando ela tropeçou.Smaill caminhou até ela, as botas batendo no chão com o som de comando.— Linda. — O sorriso era de caçador. — Do jeito que eu imaginei.Melia não respondeu, o olhar vazio, a respiração contida, dentro dela, só uma chama: sobreviver.— Aumentem a dose — ele disse. — Quero ela bem calma.O sacerdote mascarado se aproximou com uma seringa cheia de veneno, segurando o braço de Melia com força, aplicando mais um
Capítulo 81: Reencontros
O teto parecia baixo demais. Juno corria com uma mão na parede úmida e a outra segurando Emma por puro instinto, enquanto Justine vinha logo atrás, e Iriel fechava a fila contando degraus num sussurro que era quase uma oração. As catacumbas cheiravam a musgo antigo e ossos molhados, o ar tinha um frio que passava pela pele e se instalava nos nervos.— Mais rápido — Juno disse, a voz baixa e firme, como se pudesse domar o pânico no peito das quatro. — Não parem!. — Eu tô tentando — Emma respondeu, ofegante. — As pedras escorregam.O corredor se abriu num escuro e lá adiante, silhuetas se fizeram ver no escuro. Duas. Três. Altas, imóveis por um segundo, depois movendo-se com precisão de caça.— Guardas — Justine sussurrou, os olhos arregalados. — Eles acharam a gente! Temos que voltar! — Se voltarmos, vão nos matar! Não podemos fazer isso! — Iriel rebateu, num fio de voz. — Eu fico — Juno cortou, já abrindo a postura. — Se forem guardas eu luto e vocês continuam correndo, entenderam
Capítulo 82: Intervenção divina
O salão todo pareceu prender a respiração. A loba prateada plantou as patas no mármore, o pelo em pé, o rosnado ecoando por toda parte fazendo as paredes tremerem, a aura de poder dela era inconfundível. Aquilo não devia acontecer, havia mata-lobos demais no sangue dela. Servos e generais se entreolharam como se precisassem que outro dissesse “eu também estou vendo” para acreditar no que estava acontecendo ali. E ainda assim, lá estava ela: viva, feroz, olhos como luas brilhantes, desafiando qualquer um a tentar domá-la e falar.— Impossível… — sussurrou o sacerdote, dando alguns passos assustados para trás.— Segurem! — gritou um capitão, mas os pés ficaram colados.Smaill mudou primeiro. O ruído grosso de osso contra osso tomou o salão, o corpo se expandiu, cresceu, rasgou a roupa num segundo que pareceu uma eternidade. O lobo ruivo caiu de quatro no chão, colossal, boca aberta num rosnado brutal e cruel.“Fica quieta!” a voz dele entrou na mente de Melia, baixa e venenosa. “Se não
Capítulo 83: Voltando para casa - parte 1
O primeiro grito que eles ouviram foi o do mármore rachando sob as patas.O segundo foi o uivo que cortou o castelo inteiro, longo, raivoso, prometendo caça. Smaill.Imobilizado, mas não derrotado, deixando claro que cumpriria sua promessa.— Vamos, mais rápido! — Killer rosnou, já puxando Melia pela mão.Eles mergulharam de volta para as catacumbas, a névoa prateada se desfazendo atrás como cortina puxada. Liza foi na frente, as garras prontas para cortar qualquer um que tentasse impedir; Trash fechou a retaguarda, colado em Juno; Emma, Justine e Iriel vinham em fila, agarradas umas as outras; Aprys corria com as pernas curtas e os olhos enormes.— Tão vindo atrás da gente! — choramingou a elfa a tempo de sentir os braços de Iriel em volta de si e a loba a puxar para o colo, já que as perninhas curtas da menina não conseguiriam nunca acompanhar o ritmo dos lobos.Passos, vozes, a coisa toda virou um grande caos. O cheiro de incenso e sangue cedeu espaço ao de pedra molhada, lá em ci
Capítulo 83: Voltando para casa - parte 2
O alfa Micail, alto, cabelo preso num nó baixo, se aproximou, medindo Killer com o olhar antes de curvar a cabeça. Já havia chegado ao conhecimento dele os recentes desentendimentos com Obsidian. — Bem-vindos a minha alcateia. — disse oferecendo a mão após um momento de silêncio.Killer assentiu uma vez. — Precisamos apenas de um tempo para descansar antes de seguir viagem, não queremos trazer problemas para vocês.. — Não se preocupem — Micail garantiu. — É um prazer ajudar.Horas depois, a água quente arrancou a poeira da pele e a guerra da alma por alguns minutos. Juno ficou tempo demais dentro de uma banheira com água bem quente e sais de banho até a pele enrugar e a água esfriar. Trash lhe entregou uma camisa larga e ficou do lado de fora, costas na porta, como guarda sem turno. Emma, Justine e Iriel, pela primeira vez em quase dez anos, tomaram banho de banheira sem alguém jogando água nelas e apalpando seus corpos com brutalidade. Se limparam, respiraram tranquila, relaxaram
Capítulo 84: Me dá uma nova chance
Em outra casa, quando o dia amanheceu, num quarto simples mas igualmente bem arrumado e com roupa de cama nova, Juno estava sentada de lado, de pernas cruzadas, as mãos escondidas nas mangas de uma blusa de algodão, de calça jeans simples, o cabelo ainda úmido, preso sem cuidado. Olhava para um ponto no chão como se pudesse furar a madeira com a força do olhar.A porta do banheiro abriu, Trash saiu secando o cabelo com uma toalha. Parou ao vê-la encolhida daquele jeito, o lobo dentro dele se mexeu, proteção e culpa no mesmo movimento.— Juno… — Ele tentou dar um passo e travou, respirando fundo. — Eu sei... — O ar pesou no peito. — Sei que você deve estar com a cabeça… confusa por causa do que viu aquela noite.— A gente não pode — ela cortou, sem levantar a cabeça. A voz saiu limpa, como quem já treinou a frase na mente pra não tremer. — Você precisa… você precisa me rejeitar.O corpo de Trash deu um soluço. — O quê?Ela ergueu o olhar, e tinha água ali, mas tinha aço também.— Você
Capítulo 85: De volta ao lar
O sol abriu o dia com aquela luz fria de quem ainda lembra da noite. No Vale Frio, a fumaça dos fogões subia em linhas finas, e a vila tinha o som bom de gente se movendo com calma e sem medo: botas no chão de terra batida, portas rangendo, vozes baixas dizendo “leva isso”, “não esquece aquilo”. Killer saiu da casa que Micail lhe emprestara ajeitando o cinto, o rosto sério e descansado. Lita já o esperava na varanda com uma caneca fumegante.— Chá — ela disse, empurrando a caneca para ele. — Para acalmar os nervos e deixar você mais tranquilo, alfa, tudo o que passaram antes de chegar aqui foi bem dificil.— Eu agradeço — Killer respondeu, bebendo um gole. O liquido quente desceu pela garganta confortavelmente, e estava bem doce. Ele ergueu os olhos para Lita, depois para Micail, que vinha pelo pátio com dois homens carregando sacolas. — Vocês salvaram a pele da minha gente, não vou esquecer disso nunca.Micail assentiu, os braços cruzados, encarando Killer de igual para igual.— A gen
Capítulo 86: Comemoração
As despedidas foram curtas, afinal, precisavam voltar para casa e não queriam dar margem para o perigo. Partiram em dois carros que conseguiriam seguir por uma trilha e, em seguida, entrariam finalmente na estrada que levaria a capital de Valtheria e, consequentemente, a dentes de prata. O Vale Frio ficou para trás como lembrança boa; a estrada abriu em faixas de campo e uma linha de terra batida que, horas depois, se transformou numa pista que parecia não treinar nunca. Killer dirigia em um carro e Trash no outro, e o silêncio tomou conta da maior parte da viagem exceto quando a pequena elfa fazia perguntas bobas sobre para onde estavam indo e quanto tempo demorariam para chegar.Do meio-dia para tarde, a floresta ganhou mais densidade, então, pouco depois, a cidade imensa e majestosa já surgiu no horizonte. Entraram pelo lado do bairro dos renegados, que escarraram com olhos curiosos os carros chiques passando por ali, então seguiram para a parte alta, passando pelas casas grandes
Capítulo 87: Nova vida
O dia amanheceu com aquele azul limpo, nos jardins da Dentes de Prata, o orvalho ainda fazia contas nas pontas das folhas e o cheiro de terra molhada brigava de leve com o das flores novas. Juno, Melia, Emma, Justine e Iriel caminharam devagar pelo local, sem pressa alguma, afinal, as três últimas ainda estavam se acostumando com a alcateia e queriam conhecer tudo.Justine perguntava sobre tudo, cada lugar, cada banco, até sobre as pessoas que passavam e sorriam. Iruel estava mais calada, só olhando, e Emma também não estava tão falante mas parecia muito confortável e até sorria sempre que alguém falava com ela. Para as três aquele tratamento gentil, que era o básico que qualquer pessoa tinha que receber, era incrível, já que passaram anos das proprias vidas sendo tratadas como objetos a serem negociados. — Eu ainda acordo achando que é mentira — Emma disse, sem drama, só a verdade. — Estou muito feliz, e não me entendam mão, eu realmente amo estar aqui, , mas… — a voz falhou um milí
Capítulo 88: Rei amaldiçoado
Tudo estava escuro.Não só ausência de luz, era o tipo de escuro que tem espessura, que parece tocar a pele. Nele, dois olhos vermelhos se acenderam de uma vez, faróis de raiva antiga, puro ódio preso e flamejante.A voz de Celeste veio de todos os lugares e de lugar nenhum, nem grave nem aguda, apenas um som inevitável, que parecia entrar até os ossos e gelar a medula.— Acabou o tempo, Smaill. — Seu tom era calmo, não estava gritando apenas dando sua sentença ao cruel rei de Obsidian. — Eu dei a você chance de aprender por bem. Agora você e o seu povo vão pagar pelos erros que escolheram cometer. Eles o seguiram, abraçaram a terra morta, a crueldade, apenas os inocentes serão poupados.As imagens começaram a correr como se alguém vergasse o céu e despejasse uma história.Uma mulher de beleza impossível, pele de mel claro, cabelos brancos caindo como neve, olhos lilases que pareciam nascer brilhar. Grávida, as mãos no ventre como quem segura um mundo. Smaill ao lado, mais jovem, meno