All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 101
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Capítulo 70: Dois alfas não podem coexistir
O tempo que separa um suspiro da morte e um suspiro da vida é menor do que um piscar, e ainda assim cabe um mundo inteiro ali dentro.A tocha descia. O brilho laranja lambeu o ar, pronto para devorar a madeira e a palha da pira. Beatrice sorriu com os dentes fechados, já sentindo o poder da escolha da alcateia correr por suas veias, ela era a nova alfa. E então, de repente, parou. Não porque ela quis. Mas porque uma mão segurou seu pulso no ar.Uma mão quente, firme, real.O jardim inteiro perdeu o chão. As cabeças se voltaram num movimento só, enquanto os olhos se arregalaram todos juntos, todos surpresos. Trash parou de gritar e se debater, e Liza encarou a pira com a boca entreaberta, desacreditada.A mão apertou mais, Beatrice soltou um “ah” fraco, e, finalmente, olhou para quem a prendia.Killer.Estava sentado, suado, respirando, os olhos vermelhos faiscando como fogo vivo, os cabelos colados na testa. A faixa clara do pescoço tinha escorregador quando ele levantou, e sua pele
Capítulo 71: Onde está minha mulher?
Killer rosnou, sua pele dele tremeu, os ossos estalaram, o corpo dele se expandiu com todo o poder que ele nunca perdeu mesmo na morte. Em segundos, o lobo tomou o lugar do homem: negro, imenso, olhos de brasa. O alfa respirou fundo as patas afundando na terra como se estivessem com saudades de casa.Beatrice respondeu com o mesmo instinto: o corpo dela se quebrou ao meio e se refez em loba de pelo dourado agora, olhos rubros queimando, dentes à mostra. Então, os dois avançaram e o impacto deles veio com rosnados. Garras contra garras, dentes procurando garganta. O jardim virou arena de guerra e a alcateia apenas assistia enquanto dois alfas disputavam o poder. “Você é um maldito desgraçado!”, Beatrice rugiu dentro da cabeça dele. “Era pra você ter ficado no chão. Era pra ser meu. A cidade, o brasão, essa maldita alcateia… tudo. Pelo meu irmão!”“Nada aqui te pertence!” Killer devolveu, flexionando as patas, as garras arranhando a terra quando ele parou no chão.A loba avançou, rápi
Capítulo 72: Vou te tirar do inferno
O cheiro de sangue ainda estava por toda parte quando Trash veio até ele. Todos ainda encaravam a cena diante deles abismados, com olhos arregalados e em completo silêncio.— Onde ela está? — perguntou de novo, agora com um quase rosnado.— Depois que você… caiu — Trash engoliu seco, não conseguiu dizer “morreu” —, Van Smaill levou a Melia e Juno pra Obsidian. A gente perdeu as duas, já fazem três dias.Por um momento, o chão sob os pés do alfa tremeu, mas Killer continuou firme.— Três dias é tempo demais. — A voz saiu baixa, como se falasse com a própria veia. — Vamos nos organizar e, em, no máximo, dois dias, vamos para fronteira. — Virou o rosto para Trash. — Você, vem comigo.— Vamos, temos muito pra conversar — Trash respondeu sem teatro.Liza aproximou mancando, estendendo a mão para Killer com um sorriso.— Bem-vindo de volta, alfa***O Conselho se reuniu às pressas no grande salão da mansão, os anciãos olhavam para baixo, envergonhados com o retorno do verdadeiro alfa e com
Capítulo 73: Você vai ser minha, por bem ou por mal
O corredor que levava aos quartos do harém era iluminado por luzes baixas, candelabros que jogavam uma luz amarela por todo lado e deixava tudo ainda mais sensual. Smaill caminhava sem pressa, o casaco aberto, as tatuagens antigas subindo da clavícula como rios escuros. O cheiro metálico do mata-lobos estava no ar antes mesmo de ele empurrar a porta.Melia estava caída de lado, semi-enrolada num tecido fino, a pele fria, o peito erguendo e descendo em intervalos lentos. A ampola vazia no chão ainda pingava. Um guarda na porta baixou a cabeça, evitando olhar o rosto dela por mais que um segundo.— Está acordada? — Smaill perguntou sem olhar para ninguém.— Ainda não, meu rei. A dose foi forte, como ordenou.Smaill entrou, passou dois dedos pelo queixo da prateada e sentiu o pulso, que estava fraco, mas presente, então afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, quase um carinho, quase um golpe.— Preparem, agora. — Parou na soleira, e a frase seguinte veio como nota de um instrumento af
Capítulo 74: Vou acabar com ele!
— Não… Killer…E o nome dele foi o suficiente para incendiar um lugar de sua mente que ela nem sabia que existia. Ondas invisíveis se abriram do peito de Melia, atravessaram a pele, foram bater no teto, voltaram. A loba dentro dela, exausta, envenenada, mas viva, se ergueu do lugar onde tinha sido amarrada. Um brilho prateado emanou de sua pele, começando pelas mãos, então sumiu e voltou mais forte, como lua emergindo de nuvem.Smaill encostou os dentes na pele dela e sentiu dor como se estivesse se queimando.Era repulsa, uma espécie de choque que atravessou o maxilar dele e estourou no peito, empurrando-o um passo para trás, como se o próprio corpo de Melia tivesse nojo dele, o recusasse.As servas encararam com os olhos arregalados, os guardas desviaram o olhar..— O que… — Smaill levou dois dedos ao próprio peito, procurando um machucado, um sinal do que foi aquela dor qualquer coisa, mas não tinha nada.Melia arfou, o corpo inteiro arrepiado, o instinto de loba se agitando por b
Capítulo 75: Planos
A troca foi no corredor estreito da lavanderia, onde o vapor quente subia das caldeiras e escondia passos. Juno encostou no arco de pedra, os braços cruzados, o corpo calmo demais para um coração que batia feito tambor. O soldado veio pelo corredor com o capuz baixo, olhando pros lados, nervoso, como se as paredes tivessem olhos e ouvidos ali, e realmente poderiam ter.— Você veio — ela disse, a voz baixa, com um sorriso falsamente ingênuo.— Eu... eu disse que vinha. — Ele tirou um pacote pequeno, embrulhado em pano, e estendeu pra ela. — Aqui. O mapa. É antigo, mas mostra as rotas e tem até uma planta do castelo... — parou, engolindo o fim da frase.Juno pegou o embrulho com firmeza, guardou dentro do decote e o olhou com um sorriso um pouco mais aberto, a roupa fina e quase inexistente de tão reveladora tremulando ao redor de seu corpo. — Obrigada.Ele hesitou. O olhar dele não parava quieto, subia, descia, voltava pro rosto dela. — Você disse que... quando eu te desse algo…Era
Capítulo 76: Como manda a tradição
Melia não voltou pro harém. O quarto de Smaill parecia um santuário de pedra e silêncio: cortinas grossas, tapetes que abafavam os passos, uma janela com grades tão bem desenhadas que pareciam ornamento. Ela estava deitada de lado, olhos entreabertos, o corpo pesado por dentro. Smaill ficava perto, como quem guarda troféu ao alcance da mão. Ele murmurava vez ou outra, a tocava, desenhava a marca recém queimada na pele com os dedos sem se importar se doeria em Melia. — Sua resistencia é bonita — comentou em dado momento, quase distraído, sentando na beira da cama. — É forte, assim que a rainha de Obsidian deve, realmente ser. So preciso… Guiar sua força para o lugar certo. A mão dele passou pelo cabelo dela, alisando como se estivesse tentando domar um animal selvagem. Outra vez, passou os dedos pelo contorno do rosto e roubou um beijo ávido e curto, não de carinho, de posse. Melia virou o rosto, mas estava lenta. Smaill sorriu de canto, satisfeito com o tanto que o veneno conseguia
Capítulo 77: Infiltrados
O clima na fronteira de Obsidian mudava drasticamente se comparado a Valtheria.O chão seco, rachado, cuspia poeira escura a cada passo, e o ar tinha cheiro de metal, suor e sangue. Killer caminhava à frente, o capuz cobrindo parte do rosto, os olhos ocultos pela sombra. Trash vinha logo atrás, tentando manter a postura, ocultando o rosto com o capuz afinal, um alfa e um beta eram fáceis de reconhecer, enquanto Liza empurrava uma carroça com algumas caixas vazias, usando um vestido um pouco mais surrado, os cabelos soltos que ocultavam um pouco o rosto e um manto sobre as costas, o disfarce perfeito para mercadores de escravos.Nenhum deles falava. As sentinelas observavam cada movimento, farejando o ar, desconfiadas, o sol filtrava pela névoa e fazia o metal das lanças brilhar, pontas de prata aparentemente mesmo os lobos ali usavam prata para se defender de outros lobos ou apenas matar quem tivesse vontade.Killer entregou o selo falso da caravana ao soldado na guarita e sustentou o
Capítulo 78: A Pedra da Lua
O quarto cheirava a medo e perfume, um perfume doce, sufocante, misturado ao aroma metálico do mata-lobos que pairava no ar como fumaça venenosa. Melia estava imóvel no centro do aposento, o olhar perdido em um ponto qualquer da parede, tentando ignorar o peso das mãos que a tocavam.As servas se moviam em silêncio, como sombras treinadas para não existir. Duas ajeitavam o vestido no corpo dela, um tecido vermelho como sangue fresco, colado à pele como se quisesse lembrá-la de que não havia mais fuga, com um grande decote feito para expor seu como corpo um trofeu do rei. A terceira penteava o cabelo escuro, puxando com força suficiente para fazer os olhos lacrimejarem.— O rei mandou que você ficasse perfeita — murmurou uma delas, sem encará-la. — Perfeita pra quê? — Melia perguntou, a voz rouca, quase um sussurro, lenta, ainda grogue por causa do veneno. — Pra se tornar a rainha de Obsidian.Ninguém respondeu depois disso.O vestido grudava em cada curva do corpo, marcando-a com a
Capítulo 79: As catacumbas
O harém estava em silêncio, um silêncio falso, cheio de respiração presa e medo mal escondido. As cortinas vermelhas tremulavam com o vento que vinha das janelas entreabertas, e o cheiro de incenso e ferro queimado denunciava que a cerimônia no salão já tinha começado.Juno estava sentada na beira da cama, os punhos fechados, o coração martelando. Emma se aproximou dela, o olhar inquieto, os lábios mordidos.— Agora — sussurrou. — É agora ou nunca.Justine arregalou os olhos. — Você tem certeza, Emma? E se a gente for pega?— Eu falei com ele — respondeu, quase sem voz. — O soldado. Aquele... — fez uma pausa, desviando o olhar. — Ele disse que tem uma porta nos fundos do depósito, uma escada antiga que vai direto pras catacumbas.Iriel se aproximou, o cabelo loiro grudado na testa pelo suor. — E você confia nele?— Não temos escolha — Emma respondeu. — Ele podia ter me entregado e não fez. Disse que queria ajudar… que estava cansado de ver a gente presa aqui.Juno se levantou, o cor