All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 131
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Capítulo 98: Trégua
O relógio marcava quase três da manhã, o corredor da ala do beta estava escuro, só o luar entrando pela janela deixava o chão prateado. No quarto, Trash estava largado na cama, o braço pesado em cima de Juno. Os dois respiravam devagar, juntos, mas a insônia não largava fácil.Juno virou de lado, puxou o lençol até o queixo, encarando Trash no escuro. — Não consegue dormir também? — perguntou, a voz baixa, rouca de sono.— Não — ele respondeu, mexendo de leve o ombro pra puxar ela mais perto. — Com esses visitantes da Fogo Negro aqui, só falta a alcateia virar um barril de pólvora.Juno bufou, enfiando o rosto na curva do pescoço dele. — Você acha que aquela mulher, a Elaina, vai tentar alguma coisa? Não sei… Eu acho ela tão estranha, Trash.Trash ficou quieto um tempo, só ouvindo o silêncio do corredor. — Não duvido nada. E aquele moleque, Tomas, tem cara de quem vai dar trabalho. Vi muito macho assim crescendo, não sabe perder, não sabe ouvir não, só quer marcar território.— A M
Capítulo 99: Vou resolver do meu jeito
Em ObsidianA manhã passou lenta. No castelo de Obsidian, Van Smaill finalmente estava de pé, o peito dele ainda tinha a ferida enorme, rodeada por cane apodrecida e veias negras, latejando feito brasa, mas o corpo já não parecia mais fraco. Caminhava pelos corredores do castelo como um rei ressuscitado, ignorando os servos que tossiam pelos cantos, alguns caídos de febre, outros encostados nas paredes, suando frio, com feridas borbulhando por toda a pele. Aquela era a condenação, e estava por quase toda parte, quase.Menos no harém.Van entrou devagar, o rosto sombrio. Lá dentro, as mulheres estavam rindo, conversando, nenhuma delas doente, com a pele brilhando, o olhar cheio de vida. Apenas as trabalhadoras do castelo, as criadas, pareciam afetadas pela praga que tomava Obsidian. Van franziu a testa, sentiu o sangue ferver.Uma das meninas, bem jovem, se encolheu ao vê-lo entrar. O alfa caminhou até ela, os olhos faiscando de ódio, brilhando em vermelho.— Vocês estão de brincade
Capítulo 100: Uma cobra a espreita
O jardim estava silencioso quando Melia saiu da casa principal, o ar fresco era uma pausa bem-vinda depois de tantos dias pesados. O coração dela ainda estava acelerado desde que Cairus havia chegado, mas também sentia que havia uma esperança depois de falar com Tomas no jardim. Dormiu mal, acordou pensando no pai, agora de carne, osso e passado, e sabia que precisava conversar sozinha com ele antes que qualquer decisão fosse tomada.Cairus estava perto do lago, sentado num banco, olhando para a água parada como se pudesse enxergar anos atrás só no reflexo. Ele usava roupas simples, mas não perdia o porte de alfa, ombros largos, olhar firme, mas naquele momento, só parecia um homem cansado.Melia se aproximou devagar, hesitando, mas o pai a viu de longe e abriu espaço ao lado dele no banco de pedra. — Vem, minha menina. Não precisa ter medo de mim — a voz dele era baixa, grave, mas suave de um jeito que derretia as barreiras dela.Ela sentou, as mãos trêmulas no colo. Olhou para fren
Capítulo 101: Obsidian vai cair?
O dia anterior passou inteiro entre papéis e informações, com Killer tentando arrancar de todos os lados qualquer detalhe sobre o que estava acontecendo em Obsidian. Lá no fundo, sabia que aquilo cedo ou tarde ia respingar neles. E por mais que tivesse prometido à Melia um tempo de paz, nem lua de mel eles tinham conseguido aproveitar direito. Parecia que a tranquilidade nunca durava.Na manhã seguinte, o céu amanheceu carregado, nuvens grossas encostando nas torres da Dentes de Prata, cheiro de chuva pesada no ar, promessa de lama e de problemas. Killer acordou antes do resto da casa. Não conseguiu relaxar nem por um segundo. O aviso do mensageiro da fronteira estava martelando na cabeça dele, e era impossível fingir que o perigo não estava rondando cada vez mais perto.No escritório, Trash já estava à espera. O beta do alfa, postura ereta, braços cruzados, olhando para o mapa aberto sobre a mesa. Nada de brincadeiras, nada de sorrisos fáceis, só o ar carregado de quem já estava prepa
Capítulo 102: Uma vidente?
No salão de jantar, Apprys e Caliu brincavam no tapete junto com as outras crianças da alcateia, risos, correria, bonecos espalhados pelo chão, finalmente a pequena elfa parecia apenas uma menininha normal vivendo uma vida de criança. Apprys já era parte da família, tinha um brilho diferente no olhar, leveza de quem finalmente achou um lar depois de perder tudo.Todos se levantaram e se espalharam quando uma criança começou a contar, rindo iniciando um esconde-esconde surpresa, a pequena elfa olhou pro lado e viu o corredor vazio. Decidiu se esconder lá, queria ganhar a rodada do esconde-esconde. Andou na ponta dos pés, entrou devagar, o coração acelerado de expectativa, um risinho fofo nos lábios. Ficou atrás de um vaso grande, perto do quarto de hóspedes, prendendo o riso.Foi então que ouviu vozes. — …Tá pronto pra entregar o que é seu por um sorriso? — Era Elaina, a voz cortante, sussurrando agressiva.— Mãe, para. Não precisa disso. — Tomas, voz baixa, quase um lamento.Apprys f
Capítulo 103: Movimentos do destino, ou não
Enquanto isso, em Obsidian, Van Smaill estava com o humor pior do que nunca. A doença não tinha sumido, na verdade a ferina apodrecida continuava se espalhando por seu peito. Agora ele precisava lidar com tudo aquilo enquanto sentia o peito doer, a ferida aberta pulsando como brasa.Estava no salão principal quando uma mulher entrou sem ser anunciada. Diferente das outras, ela caminhava com a segurança de quem não devia nada a ninguém. Tinha pele escura, olhos de gelo, os cabelos presos em tranças apertadas. Uma jaqueta grossa cobria metade do corpo, botas de couro batendo pesado no piso de pedra. No pulso, um celular reluzente, tecnologia humana que Van detestava.— Quem é você? — rosnou, sem se mexer do trono. — Não tô aceitando puta aqui hoje. Vai embora.A mulher nem pestanejou, cruzou o salão, parou a três passos dele, se ajoelhou devagar, mantendo o queixo erguido. No celular, puxou uma foto, mostrando a tela virada pra Van.— Vim a mando de uma interessada — a voz dela era cort
Capítulo 104: Todos irão se arrepender - parte 1
Enquanto isso, Elaina rodava a alcateia como uma cobra à espreita, olhos atentos em cada detalhe, farejando conversas, tentando captar qualquer segredo que escorresse por debaixo das portas. Precisava de uma brecha, uma falha, algo que a deixasse um passo à frente daquela família maldita. Se Melia não tivesse voltado, nada disso seria necessário, Tomas seria o alfa, ela continuaria no comando, tudo estaria em seu devido lugar. Mas agora, não importava o que dissesse, aquela bastarda sempre seria uma ameaça, um risco para ela e para o filho. Precisava tirá-la do caminho, e rápido.Parou no corredor principal, o salto baixo pisando silencioso sobre a madeira. Ficou ali, imóvel, o ouvido grudado na porta do escritório do alfa, ouvindo as vozes abafadas lá dentro.— Tentou. — Era Killer falando, voz dura, cada sílaba marcada pela raiva. — Primeiro, quando Melia era só uma menina. Ela e a mãe escaparam por pouco. Depois, antes de nos casarmos, Smaill invadiu de novo. Levou Melia pro caste
Capítulo 104: Todos irão se arrepender - parte 2
— Vocês vão ver. Se não querem ouvir uma Luna, vão aprender da pior forma.Sumiu, batendo a porta com força, a raiva nítida no jeito que apertava a barra do vestido, quase rasgando o tecido. Quando já estava longe, murmurou entre os dentes, cheia de ódio:— Isso não vai me impedir de conseguir o que eu quero… Hora do plano de emergência para tirar essa maldita do caminho. No escritório, o clima azedou de vez. Killer encarou Cairus, os olhos cheios de desprezo e desconfiança.— A última coisa que preciso é sua mulher se metendo nos meus assuntos. — rosnou, cruzando os braços.Cairus soltou um suspiro cansado.— Elaina nunca soube o próprio lugar, não é porque eu a mimei, que vocês precisam aguentar o temperamento dela, peço desculpas. Killer não respondeu, só mandou Trash sair e dispensou todos, a voz cortante, sem espaço pra réplica.— Continuamos depois. Pode ir.***Cairus saiu do escritório ainda com a irritação pelo comportamento de Elaina pulsando nas veias, passos largos pelo
Capítulo 105: Fugitiva
Melia atravessou a casa com Apprys nos braços, o coração disparado. Não hesitou nem um segundo: foi direto pro escritório de Killer, ignorando qualquer olhar, qualquer pergunta. Não queria acreditar que Elaina fosse capaz de ameaçar Apprys, mas sabia que a elfa nunca mentiria para ela, não tinha porque mentir. Aquilo não passaria em branco. Quando abriu a porta, Killer estava ali de pé, de costas, discutindo algo baixo com Trash. Os dois pararam na mesma hora, o olhar dele mudou assim que viu as duas, de preocupado pra aliviado, mas sem deixar de ser alerta. Melia sentiu o peso daquele olhar, da presença dele, e só conseguiu se jogar pra frente. As mãos de Apprys também soltaram o pescoço dela para alcançar o alfa, era mais apegada com Killer que com Melia, mas lentamente a relação dela e da garotinha também começava a ficar mais forte. — Vem cá, amor — Killer puxou Melia, apertou ela com um braço forte, pegando Apprys junto. Abraçou as duas, apertando forte, protetor, como se pude
Capítulo 106: Sua esposa sumiu
Cairus foi encontrado no jardim dos fundos, parecia pensativo enquanto encarava um grupo de lobos mais jovens treinando. O sol já atravessava as copas, jogando sombras pelo gramado. Killer apareceu com passos firmes, já falando alto, sem rodeios, a voz atravessando o jardim e fazendo os guardas pararem na hora.— Sua esposa sumiu, Cairus. — Não tinha tempo pra sutileza.Cairus travou, rosto ficou duro, depois a surpresa deu lugar ao incômodo.— Como assim, sumiu? — A voz dele tremeu um pouco, mas tentou manter o tom de autoridade. — Elaina não tem motivo pra fugir. Deve ter ido dar uma volta, ela sempre faz isso quando se irrita…Killer nem respirou.— Não, ela fugiu, a janela estava aberta, já procuramos por toda parte e simplesmente não a encontramos. E vou ser direto: minha filha, Apprys, disse que a Elaina ameaçou machucar Melia que queria tirá-la do caminho, assim como fez com a mãe dela. Isso significa que sua esposa não só ameaçou minha Luna como foi a culpada por minha mulher