All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 71
- Chapter 80
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Capítulo 45: Sob minha pele - parte 1
Na fronteira entre Valtheria e Obsidian, a noite estava silenciosa, mas o vento que soprava de Obsidian levava para Valtheria um cheiro forte de sangue e maldade que impregnava tudo. A linha invisível que cortava os dois territórios continuava ali, intocada, mas por pouco tempo. Os guardas que patrulhavam ali perto, guardas de uma pequena plateia que respondia a Killer, mas tinha seu próprio alfa, caminhavam sem pressa, preguiçosos, já que normalmente nada acontecia ali. Mas, naquela noite, foi diferente. A primeira coisa que viram foi a poeira, baixando feito neblina, depois patas e rosnados, olhos amarelados queimando no escuro, um pequeno exército, as silhuetas dos Carnífices se desenhando na escuridão da noite banhadas pela luz prateada da lua. No centro, o rei que todos temiam, a criatura cruel que todo lobo sabia quem era. Enorme, com os pelos vermelhos quase com sangue, dentes afiados e uma enorme cicatriz no rosto que o tornava inconfundível. Os guardas rosnaram, mas estava
Capítulo 45: Sob minha pele - parte 2
Ela obedeceu.Killer se aproximou mais, o cheiro dele invadiu seus sentidos, um cheiro que agora não representava medo, mas sim algo como… Casa. A mão dele subiu, roçando a lateral da coxa, depois o quadril, até alcançar o laço do roupão, ele não puxou.— Posso?— Pode. — Veio a resposta, soprada.O laço se desfez.O roupão caiu aberto, revelando o corpo mal coberto por baixo. Melia prendeu o ar, mas não desviou o olhar dele, Killer também não olhou com fome descontrolada, apenas admirou cmo se ela fosse uma pintura, uma obra de arte delicada e perfeita.As mãos dele vieram devagar, uma em cada lado da cintura dela, os polegares traçando o caminho das costelas, subindo pelo tecido macio da camisola. Quando alcançou os seios, ele não agarrou, só tocou, com cuidado. Um toque firme, mas calmo, o polegar roçando o mamilo que enrijeceu na hora.— Seu cheiro muda quando relaxa. — Ele falou como se comentasse o tempo.— Você presta atenção demais…— Só no que importa.Os lábios dele tocaram
Capítulo 46: Nunca vou esquecer
A primeira noite no bairro dos renegados não perdoa ninguém.Mas pra Corin, foi mais que uma humilhação, foi o batismo no inferno que ela mesma ajudou a criar.Sempre foi uma mulher de aparência impecável, cabelos sempre com ondas perfeitas, bem alinhados e hidratados, brilhantes salto alto, perfume caro, e uma língua afiada o bastante pra cortar qualquer uma ao meio. Agora… estava descalça, com os pés rachados, sujos de lama, feridos de tanto andar sem rumo até chegar ali. As roupas rasgadas, olheiras fundas e o pior, aquela enorme cicatriz em seu rosto. Os cortes das garras de Killer estavam se curando devagar, mas ela sabia que as cicatrizes ficariam para sempre, ela fora expulsa e aquela era a marca de sua expulsão. Tentou entrar num galpão abandonado onde outras lobas dormiam, mas foi reconhecida antes mesmo de falar.— Olha só, meninas, a gerentezinha da Boate… — uma delas cuspiu no chão. — Que fazia a gente se ajoelhar pra qualquer bêbado que pagasse qualquer centavo e ainda
Capítulo 47: O grande alfa
A floresta de Valtheria escondia coisas que nem os lobos mais velhos ousavam falar em voz alta. E, naquela madrugada, o chão úmido da mata tremia com o que se escondia ali.Um acampamento silencioso.E mortal.Montado nas sombras, protegido por runas antigas, peles penduradas e estacas afiadas fincadas na terra, o acampamento oculto dos Carnífice era um lembrete de que os monstros também sabiam esperar.Depois que passaram pela fronteira e acabaram com tudo pelo caminho, dizimando cerca de duas pequenas alcateias, não deixando ninguém vivo, nem crianças, Smail avançou pelo território de Valtheria e decidiram acampar, dando tempo para que os boatos sobre seu “trabalho” na fronteira chegasse aos ouvidos do alfa Killer.No centro do caos organizado, havia uma cabana gigante feita com couro negro e ossos curvados como chifres, era ali que ele ficava.Van Smaill.O grande alfa de Obsidian, que se intitulava como rei.Ele estava sentado numa espécie de trono feito com espinhos trançados e c
Capítulo 48: O veneno da palavra
A manhã seguinte parecia calma, mas dentro da casa da alcateia a tensão era um fio esticado pronto para arrebentar.Beatrice caminhava pelos corredores largos com passos suaves, como quem não tem pressa, mas por dentro, ainda estava furiosa, e sua raiva só aumentava com o passar dos dias, porque quanto mais o tempo passava mais ela percebia que nunca recuperaria seu lugar e agora teria de encontrar outra forma de conseguir o que queria. O cheiro doce de Melia ainda impregnava tudo, o mesmo cheiro que agora todos associavam ao alfa. A ex-renegada já não era só uma intrusa, era a companheira de Killer e todos já a aceitavam assim.E isso destruía Beatrice por dentro.Quando passou pela porta que dava para o jardim interno, ouviu vozes femininas, então se aproximou sem ser notada e parou atrás da porta entreaberta.— Obsidian é um lugar que me assusta demais, sabe… — dizia Juno, com a voz baixa. — Nem imagino o que você passou lá… Comercio de escravas? Um rei que marca menores de idade…
Capítulo 49: Lua Azul
O sol estava alto e cruel quando o metal cantou no campo de treino, lâminas, lanças, o baque seco de punhos em madeira e sacos de boxe, treinavam sempre com tudo o que tinham. O cheiro era de suor, perfumes misturados, e até um pouco de sangue dos mais descuidados. Trash girou a lança num movimento limpo, estacando a ponta a centímetros do nariz do soldado que avançava, o rapaz travou e ergueu as mãos, rendido. O beta deu um pequeno rosnado de reprovação, sempre gostou de treinar com armas corpo a corpo, principalmente porque acreditava que os lobos precisavam saber se defender e atacar em sua forma humana também, e não apenas com suas formas bestiais.— De novo — Trash ordenou, sem levantar a voz.O rapaz resmungou, a maioria dos guerreiros odiava aqueles treinos em forma humana, mas antes que ele continuasse, Thalia apareceu.Cabelos presos num rabo de cavalo alto, pele brilhando com um pouco de suor, uma mão na cintura e outra abanando o pescoço para combater o calor, ou porque se
Capítulo 50: O beijo errado
A noite chegou e com ela nuvens escuras no céu que denunciavam que logo cairia uma tempestade, com raios e trovões no céu. Trash entrou no quarto esfregando as têmporas, não lembrava qual foi a última vez que trabalhou tanto, que enviou tantos mensageiros, que foi a tantos lugares, estava completamente exausto. Tirou a camisa e a jogou no encosto da cadeira, então passou a mão no rosto, inspirando com força, o cheiro de Juno ainda estava em toda parte e, por um instante seu corpo desejou o corpo dela, as mãos dela em si, o prazer, o vínculo… “Agora não…”, ele pensou, suspirando, não tinha tempo, precisava de um pouco de descanso antes de voltar a trabalhar, porque tinha certeza que anoite seria longa recebendo os aliados junto a Killer.O beta suspirou, abriu a porta interna e entrou no banheiro. O vapor subiu rápido, a água bateu quente nas costas, levando um pouco do peso do dia pelo ralo, fazendo o corpo relaxar pelo menos um pouco mais. Dois minutos, três. Ele fechou os olhos, res
Capítulo 51: Procurem em todo lugar!
A noite estava silenciosa, Melia estava encostada na janela do quarto, as luzes da ala principal apagadas, o cheiro de chá e café que alguns faziam para acalmar a ansiedade deslizando pelos corredores. Quando a porta abriu, ela achou que fosse um guarda, mas era ele.— Vem comigo — Killer disse, mais baixo do que o normal e, depois de um segundo que valia ouro: — Por favor.A loba ergueu a sobrancelha, surpresa com a palavra saindo da boca do alfa como se ele estivesse aprendendo um idioma novo.— Uau… o “alfa ogro” sabe pedir por favor?— Tô praticando, por sua causa — ele respondeu, sério demais para a piada, e isso fez Melia rir.— Tá bom. Aonde?— Telhado.Ele estendeu a mão, Melia hesitou só o suficiente para sentir o peso da escolha, e colocou a própria mão na dele. Subiram a escada de serviço, passinho leve, evitando as tábuas que rangiam. O corredor era um túnel de penumbra. Killer empurrou a claraboia com o ombro e, num sopro frio, a noite caiu inteira em cima deles.O telhad
Capítulo 52: Isca
“TROCA: A ESCRAVA PELA RENEGADA.”Trash xingou baixinho, Melia sentiu o estômago revirar, as mãos suarem mesmo no frio. Killer leu a mensagem uma vez, e de novo, e mais uma, como se as letras pudessem mudar se ele lesse vezes o suficiente— Smaill. — rosnou, os olhos já ficando vermelhos.— Ele tá aqui. — Trash confirmou, a voz tensa nervosa. — E levou Juno.— ONã pode ser… Não tem como ser ele mesmo, tem? — a voz de Melia tremia, assim como o resto de seu corpo, seus olhos já estavam cheios de lágrimas e, agora, tudo o que ela conseguia fazer era imaginar sua amiga nas mãos daquele monstro.— Isso é a cara dele — Killer rosnou, os ombros engrossando. — “Troca.” Como se pessoas fossem peças.— Ele quer você — Trash disse, olhando Melia com raiva do mundo e de si. — E pegou a Juno pra te chantagear, está tentando te fazer se entregar.— Minha amiga… Ai deusa… Ele… E se ele… — Melia tentou, mas não conseguiu terminar a frase.Killer se virou, segurando-a pelos ombros, os olhos presos n
Capítulo 53: Tudo para te proteger
O quarto tinha o cheiro de Killer, mas agora nem isso a acalmava, Melia estava encostada na janela, com o rosto apoiado nas mãos, oscilando entre o cansaço e o medo, o corpo tremendo não só pelo frio, mas por tudo o que estava acontecendo.— Eu não vou aguentar ficar aqui, esperando. — A voz saiu baixa, porém cortante. Cada sílaba parecia ser arrancada de dentro dela. — Não consigo nem imaginar o que aquele monstro pode estar fazendo com a Juno.Killer a encarou como preocupação, nunca tinha visto sua companheira falar desse jeito e havia em sua expressão uma coisa que costumava assustar os outros, a certeza de quem não aceita que as regras dele sejam discutidas. Por um instante, Melia teve a ilusão de que ele poderia entender, que poderia vê-la como alguém que age por amor, por lealdade, por amizade, mas o que brilhou nos olhos do alfa foi outra coisa.Ele moveu os ombros, a mandíbula contraída, os músculos do pescoço saltando. A figura imensa na porta era, ao mesmo tempo, uma muralha