All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 81
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Capítulo 54: O plano
Papeis e canetas estavam espalhados sobre mapas de todo o território e, em instantes, várias rotas foram traçadas. A reunião transformou-se em um trabalho frio, já que sabiam que não poderia haver erros, então cada milha, cada ponto de vigia, cada possível armadilha foi considerada. Havia medo nos olhos de todos, mas havia mais, um senso coletivo de que nada poderia ser pior que falhar em trazer Juno de volta.No entanto, por trás das palavras firmes, escondia-se um coro de incertezas, e entre o grupo, alguns sussurravam que Van Smaill era meticuloso, que não atacaria diretamente, deixando pistas, como se o objetivo fosse apenas provocar. Outros lembravam dos recursos limitados, homens cansados, pouco tempo, aliados com motivações próprias, e mesmo sabendo disso, o alfa ignorava o enorme risco e cada opção parecia carregar uma condenação em potencial.Trash, que tentava manter a cabeça no lugar, se forçando a ser forte por sua companheira, puxou o mapa para perto, apontando cenários e
Capítulo 55: Você não vai vencer - parte 1
Horas antesA floresta estava escura, a chuva caia tão alto que ela não ouvia quase nada mas Juno continuou andando mesmo assim. Queria sumir dali, fingir que nunca viu aquele beta na vida, juntar os caquinhos do seu coração e rejeitá-lo na manhã seguinte. Nem percebeu quando saiu do jardim. Só percebeu a chuva, fria e insistente, grudando na pele, lavando o sal que já escorria dos olhos. O peito doía num lugar que não tinha osso, a cabeça repetia o que não queria ver: a boca de Thalia colada na de Trash, a garrafa, duas taças. Se lembrava dele falando que pensou em rejeitar ela logo depois de terem transado, de todo aquele discurso sobre a companheira perfeita que esperava. “Aquela vadia deve ser perfeita pra ele mesmo!”, pensou os soluços altos se misturando com os trovões. “Guerreira, bonitona, respeitada aqui! No fim ele só tava me usando! Mas amanhã vou rejeitar esse infeliz e ir embora daqui!”Ela andou, e andou, e andou. O som dos galhos estalando sob as botas dela se misturav
Capítulo 55: Você não vai vencer - parte 2
Ele se agachou, a altura dos dois iguais agora, e segurou o queixo dela entre o polegar e o indicador, o toque firme, as unhas quase perfurando a pele fina de Juno..— Eu sempre venço, coisinha. — A voz saiu macia, perigosa. — Às vezes demora, mas eu sempre venço.Os dedos dele subiram para o rosto dela, “carícia” que tinha gosto de posse. O polegar roçou o canto da boca, depois desceu, atrevido, pelo queixo, pelo pescoço, até encontrar pele que arrepiou de nojo ao ser tocada por ele. Juno travou o maxilar, cada músculo do corpo em alerta, recusando-se a dar a ele o som que ele queria.— Podemos nos divertir — ele continuou, indiferente ao nojo dela. — Eu posso ser… — procurou a palavra com desprezo — bonzinho. Sua antiga patroa disse que você fazia umas coisas com esse corpo que qualquer divindade pagaria pra ter… E eu…. — Aproximou o rosto, o hálito quente, o horror civilizado nos olhos, então colocou a língua para fora lambendo o pescoço dela devagar até chegar a sua orelha onde mor
Capítulo 56: Fuga
A casa dormia, ou fingia. Não havia mais sono verdadeiro depois do recado na árvore. A madrugada respirava em suspiros curtos, toda guarda em rodízio, luzes baixas, cheiro de chuva e terra molhada entrando pelas grandes janelas.Melia não dormiu.Ficou sentada com as costas coladas na porta trancada, ouvindo a água batendo no teto e nos vidros da janela, contando as batidas do coração como quem procura algum jeito de se acalmar.Tudo ali no quarto parecia sem cor, sem sentido, e ela só conseguia pensar em como sua amiga poderia estar sofrendo, só conseguia pensar no que Smaill podia estar fazendo com Juno.Quando já não conseguia ficar parada, levantou.A garota prendeu os cabelos num coque relaxado e correu para a janela trancada como fez outras vezes durante aquelas horas mas agora mais determinada, ia conseguir, precisava sair dali, não importava como, quebraria o vidro se fosse preciso. “Não posso ficar mais sentada esperando, minha amiga precisa de mim…”, pensou e Juno realmente
Capítulo 57: Estou indo
A loba correu até que a costela começasse a pedir ar com faca, Melia parou numa pedra grande e cheirou o vento. Sentiu o cheiro da amiga vindo da direita, bem de leve, misturado com a chuva, sabia que aquele rastro era proposital, que queriam que ela encontrasse onde Juno estava.Desceu a encosta como quem desliza uma lâmina, a pata escorregou na lama, ela se prendeu num tronco com a garra, o corpo todo num só comando: precisava ser rápida. Ao se aproximar, o cheiro ficou nítido demais: sangue fresco, umidade, e o cheiro dele…Aquele cheiro que Melia nunca iria esquecer nunca o cheiro do monstro em seus pesadelos. Van Smaill. “Me espera, amiga...”Ela se encolheu atrás de um arbusto grande, avaliou. Dali, não viu nada, nem ninguém, mas sabia que provavelmente, os carnifices estavam ali, com toda certeza estavam. Van não deixaria o lugar sem proteção, mas com certeza ela não seria atacada porque Melia o conhecia, e sabia que aquele monstro queria que ela se entregasse por conta própr
Capítulo 58: Rendição
ATENÇÃO: Esse capítulo tem cenas fortesA floresta se silenciou enquanto os predadores cortavam sua extensão com pressa.Pássaros revogaram das árvores, animais correram para longe e até o vento pareceu parar por um instante enquanto os lobos cortavam o território com toda velocidade. Killer corria por dentro da floresta em forma de lobo, gigantesco, o pelo escuro molhado pela chuva que insistia em cair, os olhos vermelhos queimando como fogo. O cheiro de Melia era uma corda puxando o pescoço dele para frente, e mesmo que a chuva dificultasse pegar seu rastro, ele conseguia.Atrás, um pequeno exército de lobos corria no mesmo compasso. Lobos da Dentes de Prata e aliados, ombro a ombro, uivos curtos trocavam posição, confirmação, direção. Trash coordenava pela lateral mais alta, saltando tronco, marcando trilha, raspando garras na pedra para quem vinha depois. O mundo estreitava para um só objetivo: encontrar Melia e Juno antes que fosse tarde.“Leste!” o uivo de Trash riscou a chuva,
Capítulo 59: Devolva minha companheira!
Van virou devagar, como quem aprecia o timing da cena, os olhos vermelhos brilharam. Ele soltou os cabelos de Juno, que caiu para a frente, os braços presos não segurando peso nenhum. Estava consciente, mas os músculos não obedeciam.— Olha só… — ele disse, num sorriso de escárnio, passeando o olhar por Melia como por uma vitrine. — Finalmente… Por um momento, achei que não viria por sua amiga.Melia deu dois passos, as mãos ainda erguidas em sinal de rendição.— Deixa ela. — A voz dela tremeu, mas não cedeu. — Eu disse que me rendo, vim por ela. Sou eu quem você quer, me leva.— Você tá se oferecendo? — ele perguntou como quem provoca criança.— Tô me entregando. — Melia corrigiu, e a palavra veio com um peso de quem assina sentença. — Solta a minha amiga.Van riu, divertido.— Eu nunca disse que era uma ou outra. — Fez sinal com a mão. — Algemas!Um batedor entrou rápido, abriu uma bolsa e tirou dois aros espessos, brilhando opaco no escuro. Prata. O cheiro de metal estourou nas na
Capítulo 60: Sangue na terra - parte 1
A clareira estava silenciosa e a única coisa que cortava esse silêncio eram as respirações profundas dos lobos que se espalhavam por toda parte. A frente de todos, Killer rosnava olhando para a caverna tinha apenas um alvo. Smaill.E ele não demorou para aparecer.Van Smaill saiu da caverna, ergueu Melia pelos cabelos, acorrentada, e a arrastou para a boca da caverna como um troféu recém-caçado. As algemas de prata queimavam os pulsos dela, deixando a pele vermelha e fazendo uma fumaça fina subir junto ao cheiro de pele queimada. A loba estava claramente por um fio de perder a consciencia, fraca por causa da prata, com lágrimas grossas escorrendo pelo rosto..— Olhem bem — a voz de Van cortou a chuva, clara, sem pressa. — A companheira do seu alfa pertence ao rei de Obsidian. A partir de hoje, ela responde a mim!Ele puxou a cabeça de Melia para trás num gesto frio, expondo-lhe a garganta pálida. Os olhos dela buscaram instintivamente a linha da mata.E encontraram os dele.Killer atr
Capítulo 60: Sangue na terra - parte 2
Os dois lobos se separaram um palmo e voltaram a colidir. Killer tentou a garganta, Van fechou a guarda e acertou-lhe o peito com a cabeça, esmagando costela. O ar escapou de do alfa Knight e, por um momento, o mundo girou. Van aproveitou o desequilíbrio e bateu com a pata dianteira, garras descendo em quatro linhas que pegaram do pescoço ao ombro. Sangue jorrou.“É isso o que acontece com lobos que acham que podem contra mim.”, A voz de Van entrou como se a cabeça fosse porta sem tranca.Killer rosnou de volta, a cabeça dele virou para a caverna, um único segundo, e ele a viu: Melia, presa, pálida, os pulsos queimando, os olhos enormes nele. Os dois se encararam por apenas um segundo um segundo que pareceu uma eternidade e ela ouviu a voz dele em sua mente, doce apaixonada, nem um pouco irritada ou magoada com ela. “Vou lutar por você, sempre… não importa o que aconteça…”— Killer! — Melia gritou, a voz quebrada, tentando levantar, as correntes raspando na pedra.Esse milésimo de se
Capítulo 61: A vitória do monstro
A chuva ficou mais fraca, como se o céu precisasse respirar para entender o que via. A clareira continuou sinlenciada, congelada no tempo enquanto olhos arregalados encaravam aquela cena que não queriam acreditar. No centro, dois lobos, um de pé, ruivo e enorme; o outro, negro e imenso, já sem o brilho nos olhos.Van ergueu a cabeça e soltou um uivo longo e vitorioso que rasgou a mata de ponta a ponta, fazendo a copa das árvores balançarem com a potência. Depois, com a calma cruel de quem saboreia o próprio poder, ele pisou com a pata na cabeça de Killer e afundou, como se a morte já não fosse o suficiente, queria a humilhação queria que os aliados do alfa da Dentes de Prata o vissem pela ultima bez assim, debaixo dele.A voz dele, fria e limpa, ecou na mente de todos:“O ALFA ESTÁ MORTO.”Os Carnífice responderam primeiro: uma sinfonia de uivos, gritos e rosnados comemorando a vitória, numa alegria eufórica e cruel. Nas bordas da clareira, alguns aliados dos Dentes de Prata, os que n