All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 151
- Chapter 160
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Capítulo 151 — Tudo virou drama sem vocês lá.
POV ADRIANEu percebi antes dela perceber que estava sendo observada.Lianna tinha um jeito muito específico de existir quando algo não ia bem. Não era choro, não era drama. Era… contenção demais. Postura impecável. Respostas curtas. Um sorriso educado que não chegava aos olhos.Era como se ela estivesse segurando o mundo com as duas mãos e qualquer movimento errado faria tudo cair.Eu não perguntei de imediato.Aprendi, ao longo dos anos, que Lianna só fala quando sente que não vai ser empurrada. E eu não ia ser mais um peso.— Quer um café? — perguntei, como quem não quer nada.— Já tomei. — respondeu.Claro que tinha tomado. Sempre tomava. Sempre tudo sob controle.Sentamos na sala dela. O silêncio não era desconfortável, mas estava… atento. Como um animal que percebe perigo antes do barulho.Eu tentei outra abordagem.— Já te contei que eu era um desastre quando criança?Ela arqueou levemente a sobrancelha.Peguei aquilo como um sinal verde.— Meu avô dizia que eu tinha duas veloc
Capítulo 152 — Você destruiu essa mulher uma vez.
POV CAMILLEZayden nunca some.Ele desaparece dentro das coisas: trabalho, reuniões, decisões frias, mas nunca do mapa. Nunca do telefone. Nunca de mim.Quase duas semanas.Quase quatorze dias de chamadas não atendidas. Mensagens vistas… e ignoradas.Silêncio onde antes havia controle.No começo, achei que fosse birra. Depois, orgulho.Depois… algo mais errado.Zurique seguia normal demais sem ele. O conselho perguntava, disfarçando mal. Os financiadores cochichavam. E eu, eu sentia. Aquela coceira na espinha que sempre surge quando Zayden está prestes a fazer algo grande… ou quando algo está escapando do controle dele.Foi quando ouvi o nome. Genebra. Não como cidade. Como esconderijo.— Ele está morando lá temporariamente — disse um dos diretores, casual demais. — Assunto familiar.Assunto familiar.Engraçado como essas duas palavras nunca existiram no vocabulário de Zayden quando estávamos juntos.Peguei o celular de novo. Digitei. Apaguei. Digitei outra vez.> Você está bem?Visua
Capítulo 153 — O que a Camille estava fazendo aqui?
POV LIANNAEu vi pela janela.O farol do carro cortando a noite. A silhueta dela descendo, confiante demais, como quem conhece a casa. Camille não olha para trás. Nunca olhou. Sempre entra e sai como se tudo lhe pertencesse.Meu estômago afundou.Esperei o portão fechar. Esperei o silêncio se assentar. Então saí do quarto.Zayden estava na sala, sem o paletó, celular na mão, aquela calma irritante de quem não acha que deve explicações a ninguém.— O que a Camille estava fazendo aqui? — perguntei.Minha voz saiu firme. Por fora. Por dentro, eu tremia.Ele ergueu o olhar devagar, como se estivesse tentando entender o tom antes da pergunta. Observou meu rosto. Me mediu. E, por um segundo, eu vi.Ele achou que era ciúmes.O canto da boca dele quase se mexeu.— Ela passou para conversar — respondeu. Simples. Vago. Insuficiente.Aquilo me fez ferver.— Você é idiota? — soltei, sem filtro, sem paciência, sem energia para fingir diplomacia.Ele franziu o cenho.— Lianna—— Não. — Dei um passo
Capítulo 154 — Spoiler da vida adulta: fugir nunca resolve tudo
POV LIANNAO cheiro de café sempre me enganou um pouco.Prometia normalidade. Fingía que tudo ainda estava no lugar.A Starbucks estava cheia demais para aquele horário. Gente apressada, gente distraída, gente vivendo. Eu cheguei antes de Amanda e escolhi uma mesa no canto, de costas pra parede. Costume novo. Idiota. Automático.Quando ela entrou, me encontrou rápido demais.— Você tá com cara de quem não dormiu — foi a primeira coisa que disse, largando a bolsa na cadeira e me puxando pra um abraço apertado.Eu quase chorei ali mesmo.Quase.— Bom dia pra você também — murmurei, tentando sorrir.Ela me olhou melhor. Daquele jeito que só quem te conhece há anos olha. Sem pressa. Sem pena. Com radar ligado.— Lianna… — começou, já sentando. — O que aconteceu?Suspirei. Olhei pro copo de café como se ele tivesse as respostas.— Nada. — menti mal. — Quer dizer… tudo. Mas nada que eu consiga explicar em cinco minutos antes do trabalho.Amanda levantou a sobrancelha. Pediu o café dela. Esp
Capítulo 155 — Deve ser confortável ter o nome que você tem
POV LIANNASaí da Starbucks com o gosto amargo do último gole de café e o riso da Amanda ainda ecoando na minha cabeça. Ela falava animada demais, viva demais. Fiquei feliz por ela, de verdade e ao mesmo tempo me senti deslocada, como quem observa a vida pelo vidro.O hospital me recebeu com seu ritual de sempre. Cartão. Porta. Corredor. Outro mundo.Cirurgia às dez. Média complexidade. Nada que eu não tivesse feito dezenas de vezes. Em teoria.No vestiário, enquanto prendia o cabelo, senti aquele velho nó no estômago. Não era medo da cirurgia. Era do entorno. Do que respira nos bastidores.— Vai operar hoje? — a voz veio açucarada demais.Viviane.Filha do diretor. Sorriso de quem nunca ouviu um “não” que realmente significasse alguma coisa. Jaleco impecável, olhar afiado.— Vou — respondi, neutra.Ela se aproximou, fingindo ajustar a luva.— Corajosa. Com tudo que anda… instável por aí. — pausa calculada. — Às vezes, um erro pequeno faz alguém desaparecer do mapa, né?Levantei os ol
Capítulo 156 — Sorte não entra em sala cirúrgica
POV LIANNAO centro cirúrgico é o único lugar onde o mundo cala. Ali, ninguém pergunta se estou bem. Só se estou pronta.E eu estou.A cirurgia começa tensa. Viviane está como segunda assistente, coincidência calculada, claro. Luvas calçadas com calma demais. Olhar atento demais. Gente assim não erra por descuido. Erra por intenção.— Tempo — peço, firme.Ela demora meio segundo a mais do que deveria.Eu sinto. Meu corpo sente.— Agora, Viviane.Ela obedece. Sorriso mínimo por trás da máscara. Joguinho barato.O procedimento segue. Cada passo meu é preciso, quase cruel de tão perfeito. Não porque quero provar algo a ela, mas porque não posso falhar. Não hoje. Não nunca. Falhar seria dar a ela exatamente o que quer: uma narrativa.Quando termino, o silêncio pesa. Depois, o bip estável do monitor.Vida salva. De novo.Tiro as luvas. Lavo as mãos. Meu reflexo no aço não me devolve vitória, só exaustão.No corredor, Viviane me alcança.— Sorte a sua — ela diz, doce demais. — Um dia ruim p
Capítulo 157 — Você não perdeu o controle, Zayden
POV LIANNA A casa está silenciosa demais para o que carrego no peito.Selina e Selin bocejam à mesa, o jantar termina em migalhas e olhares curiosos. Zayden tenta se aproximar deles com cuidado, como quem pisa em gelo fino. As crianças permitem. Não correm. Não se afastam. Apenas deixam. Isso, por si só, já me cansa.Selina esfrega os olhos primeiro.— Tô com sono.Selin concorda com um aceno lento, a cabeça já pendendo.Zayden se oferece para colocá-los na cama. Minha primeira reação é negar. Meu corpo inteiro diz não. Mas minha boca não acompanha. Eu apenas concordo, porque estou exausta demais para lutar por tudo o tempo todo.Eles sobem.A escada range.Depois, silêncio.Sirvo uma taça de vinho com mãos firmes demais para alguém que diz estar bem. O líquido vermelho balança, quase transborda. Eu também.Estou prestes a subir, desaparecer no quarto, quando ouço passos descendo.Zayden.Meu estômago fecha. Meu corpo reage antes da mente. Ombros tensos. Mandíbula travada.— Lianna…
Capítulo 158 — O papai fez panqueca de chocolate.
POV LIANNAO cheiro de café fresco chega antes do barulho.Abro a porta do quarto devagar, como se a casa pudesse acordar comigo. O corredor está silencioso, limpo demais, organizado demais. Meu corpo ainda faz aquela leitura automática de risco — portas, ângulos, distância — antes mesmo de eu pensar.Na cozinha, Selina está sentada à mesa com as pernas balançando no ar. Selin está concentrado em algo sério demais para alguém da idade dele: um copo de suco perfeitamente alinhado com o prato.E Zayden.Ele está ali. De camiseta simples, mangas arregaçadas, cabelo ainda um pouco bagunçado. Não me olha de imediato. Está ocupado demais virando uma panqueca com cuidado exagerado, como se aquilo fosse um exame de precisão.— Mamãe! — Selina sorri quando me vê. — O papai fez panqueca de chocolate.Meu estômago dá um pequeno solavanco ao ouvir a palavra. Não por ela. Pela naturalidade.— Com banana também — Selin completa, sério. — Eu pedi sem muito açúcar.Zayden finalmente ergue os olhos. E
Capítulo 159 — Papai, você é ruim nisso
POV LIANNAA ideia nasce do nada.Como quase todas as coisas perigosas na minha vida ultimamente.— NOITE DO PIJAMA! — Selina anuncia, já pulando no sofá como se fosse um decreto oficial.— Todo mundo na sala — Selin complementa, com a autoridade de quem já decidiu. — Com colchões. E filme. E doce. Muito doce.Eu abro a boca para argumentar. Fecho. Olho para o relógio. Olho para eles. Olho… para Zayden.Ele hesita por meio segundo. Dá pra ver. Depois suspira.— Acho que… dá pra fazer.As crianças vibram como se tivessem acabado de ganhar um parque de diversões inteiro.E pronto. Está decidido.Uma hora depois... A sala vira um caos organizado. Colchões sendo arrastados, cobertores jogados no chão, travesseiros que aparecem de lugares improváveis. Selina escolhe um pijama de unicórnio. Selin insiste em usar meia diferente em cada pé “porque é noite especial”.Zayden aparece com sacolas.— Eu passei no mercado — diz, quase defensivo. — Não sabia o que comprar, então… comprei tudo.Tudo
Capítulo 160 — Você tem gosto de saudade…
POV LIANNAO silêncio da casa depois que Zayden saiu com as crianças foi… estranho.Não era paz.Era suspensão.Vi o carro desaparecer pelo portão e só então percebi que meus ombros estavam tensos havia horas. Respirei fundo. Uma, duas vezes. Peguei a bolsa.Eu precisava ver Adrian.Precisava lembrar quem eu era fora daquela casa.A mansão dele continuava igual: imponente, elegante, silenciosa demais para alguém que vivia salvando vidas todos os dias. Os funcionários me reconheceram de imediato, sorrisos discretos, respeito genuíno e me conduziram até o escritório.A porta estava entreaberta.Adrian estava inclinado sobre a mesa, jaleco aberto, mangas da camisa dobradas até os antebraços. Imagens de ressonância espalhadas, anotações à mão, concentração absoluta. O tipo de homem que carrega o mundo nos ombros… e ainda assim encontra espaço para cuidar dos outros.— Bom dia — falei, baixo.Ele ergueu o rosto no mesmo instante.E sorriu.Não aquele sorriso educado.Mas o que me reconhece