All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 141
- Chapter 150
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Capítulo 141 — Só não chegue perto das crianças assim
POV ZAYDENEu saí porque ficar era perigoso.Cada palavra daquela conversa tinha mexido em coisas que eu passei anos enterrando com trabalho, controle e arrogância. Lianna tinha feito o pior que alguém poderia fazer comigo: me enxergar. Sem ódio. Sem grito. Só verdade.E verdade, pra mim, sempre foi insuportável.Dirigi sem pensar muito. Parei num bar qualquer, desses com luz baixa, música que vibra no peito e álcool barato o suficiente pra anestesiar a consciência. Pedi um uísque. Depois outro. E mais um.Não estava ali pra conhecer ninguém.Estava ali pra esquecer.Foi quando eu vi a loira.Sentada sozinha, pernas cruzadas, rindo para o celular. Não era Lianna. Não de verdade. Mas tinha algo nela — o cabelo claro, o jeito distraído, o ar de quem parecia não exigir nada além do momento.Meu erro sempre foi esse: confundir semelhança com substituição.Já estava meio bêbado quando me aproximei. Ou talvez só cansado demais para fingir que ainda tinha limites.— Posso sentar? — perguntei
Capítulo 142 — Você se arrepende? De ter me perdido...
POV LIANNAO hospital nunca foi tão silencioso quanto dentro de mim naquela manhã.Os corredores estavam cheios, os monitores apitavam, os internos corriam de um lado para o outro, a vida acontecendo em volume máximo e, ainda assim, eu me sentia num quarto à prova de som.Automática.Funcional.Perfeita.Era assim que eu sobrevivia.Assinei prontuários, revisei exames, conduzi uma reunião inteira sem errar uma palavra. Minha mente estava afiada. Cirúrgica. Mas havia um ponto cego que eu evitava tocar, como quem sabe exatamente onde dói e escolhe não pressionar.Zayden.Ou melhor: o que ele ainda conseguia provocar em mim.Quando vi aquelas marcas no pescoço dele, não foi ciúme que senti. Foi algo pior. Foi a confirmação. A constatação fria de que, mesmo agora, mesmo depois de tudo, ele ainda escolhia o caminho mais fácil quando as coisas ficavam reais demais.Ele fugiu.De novo.No meio da tarde, recebi uma ligação da escola.Nada grave. Selin havia tido uma pequena crise de ansiedade
Capítulo 143 — Se quiser respeito, Zayden…
POV LiannaJá fazia uma semana que dividíamos o mesmo teto. Sete dias de passos medidos, portas que não batiam, palavras que não existiam.E ainda faltavam três.Três semanas parecia pouco no papel. Na prática, era uma eternidade.O hospital estava no seu caos habitual, telefones tocando, macas cruzando corredores, vozes que não esperavam resposta. Eu me agarrava a isso. Ao barulho. À rotina. Ao trabalho. Qualquer coisa que me impedisse de pensar nele.— Esse relatório precisa ir hoje pra auditoria — disse a enfermeira ao meu lado, deslizando uma pasta pela mesa.Assenti, já rabiscando anotações, mente afiada, coração blindado. Ou fingindo estar.Foi quando ouvi a voz dele.— Doutora Lianna Aslan, a mulher mais impossível de achar desse hospital.Sorri antes mesmo de olhar.— Adrian — levantei da cadeira, exalando alívio. — Como está?— Bem e você? Finalmente te encontrei — ele abriu os braços.Entrei no abraço sem pensar. Foi automático. Seguro. Familiar. Nada ali doía.— Você tá com
Capítulo 144 — Não me arrependo...
POV LIANNA Saio da sala de Zayden com o sangue fervendo. Não é só raiva. É humilhação. É anos engolidos à força tentando sair pela garganta de uma vez. Respiro rápido demais. Então eu o vejo. Adrian está ali. Encostado na parede do corredor, como se tivesse sentido. Como se soubesse. Os olhos dele me encontram e, antes que ele diga qualquer coisa, eu já estou indo. Não falo. Não explico. Apenas agarro a mão dele. — Lianna… — ele começa, surpreso. Eu não paro. Puxo. Ando rápido. O salto ecoa pelo corredor como um aviso que eu não estou mais tentando ser discreta. Entro na minha sala, fecho a porta atrás de nós e giro a chave. O clique da tranca soa definitivo. Viro-me para ele. Adrian me olha como se estivesse tentando entender o que aconteceu em menos de três segundos. A preocupação ainda está ali e isso é o que me quebra de vez. — Eu não aguento mais — digo, a voz falhando. — Eu não aguento ser forte o tempo todo. Ele dá um passo na minha direção. — Ei… — a mão dele s
Capítulo 145 — Eu não sou mais sua.
POV ZAYDENEu a segui.Não foi planejado.Foi instinto.Vi Lianna sair da minha sala como se o chão estivesse em chamas. O passo rápido, o rosto fechado, a mão tremendo. Aquilo me acionou por dentro como um alarme antigo.Ela não corre assim por nada.O corredor estava quase vazio quando cheguei perto da sala dela. Diminui o passo. Algo estava errado. O silêncio ali não era normal.Então ouvi.Primeiro, abafado demais para ser claro.Depois… inconfundível.Um som baixo. Quebrado. Um gemido que eu conhecia melhor do que qualquer outro no mundo.Meu corpo congelou.A porta estava trancada.Cheguei mais perto. A madeira sólida separando o que eu não deveria estar ouvindo — mas estava.A respiração dela. Outra respiração. O ritmo errado.Meu estômago virou.Adrian.Meu punho fechou sozinho. Não bati. Não gritei.Porque algo dentro de mim quebrou tão fundo que não fez barulho nenhum.Sorri. Um sorriso lento, perigoso, que ninguém viu.Me afastei antes que alguém me visse ali parado. Antes
Capítulo 146 — Você é minha… minha… sempre foi…
POV ZAYDENO som da gravata rasgando o ar antes de envolver seus pulsos foi o mais alto silêncio que já ouvi. Ela lutou, é claro. Arranhou, bateu, tentou morder, meu braço ainda sangrava de um golpe de unha mais profundo. Mas era inútil. A raiva e o uísque no meu sangue eram combustível demais.— Zayden, pare! Por favor, pare agora! — A voz dela era um grito rouco, misturado ao pranto.Eu ignorei. — Não faça isso! Você não é assim! — Ela gritou, tentando encolher-se na cama.Sorri, um sorriso torto e vazio. O hálito de álcool pesava no ar entre nós. — Como você sabe o que eu sou, Lianna? Você se foi por sete anos.Prendi seus pulsos acima da cabeça com a gravata, o nó firme e implacável. Ela se debateu, mas cada movimento só a prendia mais. Meus joelhos forçaram suas pernas a se abrirem. Meus olhos percorreram cada centímetro dela, uma mistura de fúria e desejo doentio queimando minhas entranhas.— Era isso que você queria, não era? — perguntei, minha voz um sussurro áspero enquanto
Capítulo 147 — CULPA
POV ZAYDENO quarto estava escuro, exceto pela faixa fina de luz que entrava pela fresta da cortina. O ar pesava com cheiro de sexo, suor e álcool evaporando da minha pele. Meu peito subia e descia como se eu tivesse corrido uma maratona, mas o que eu sentia não era alívio. Era vazio. Um vazio que doía mais que qualquer ferida.Eu ainda estava dentro dela. Não me mexi. Não conseguia. Meu corpo parecia chumbo, colado ao dela por suor e vergonha. Lianna não se mexia também. Só tremia. Tremia inteiro, de um jeito que não era mais luta, era rendição forçada, exaustão absoluta. Seus soluços tinham virado um choro baixo, contínuo, quase inaudível, como se ela estivesse tentando se esconder dentro de si mesma.Eu levantei devagar o tronco, apoiando o peso nos antebraços. Olhei para o rosto dela.Os olhos estavam abertos, fixos no teto. Não me encaravam. Não havia mais raiva ali. Nem medo. Só… nada. Um vazio que eu mesmo tinha cavado.A gravata ainda prendia os pulsos dela. O nó estava frouxo
Capítulo 148 — Três semanas.
POV LIANNAO silêncio depois que ele saiu foi o mais barulhento da minha vida.A porta rangeu ao fechar. O clique da tranca ecoou como se fosse o último som do mundo. Depois… nada. Só o tique-taque distante do relógio da sala, que eu nunca tinha notado antes, e o zumbido baixo do ar-condicionado que parecia zombar da minha pele arrepiada.Eu não me mexi logo.Fiquei deitada de lado, o lençol puxado até o queixo como se fosse uma armadura fina demais. Meu corpo doía em lugares que eu nem sabia que podiam doer assim, não só entre as pernas, mas no peito, na garganta, nos pulsos onde a gravata deixou marcas vermelhas que pareciam pulseiras de vergonha. Meu rosto latejava do tapa. A bochecha quente, inchada. Cada respiração puxava uma pontada nova.Chorei quieto no começo. Lágrimas quentes que escorriam pelo nariz e molhavam o travesseiro. Depois vieram os soluços secos, aqueles que sacodem o corpo inteiro sem fazer barulho. Eu mordia o lábio pra não gemer alto, pra não dar a ele, mesmo a
Capítulo 149 — Você acha que eu acordo querendo ser o vilão da minha própria família?
POV LIANNAO fim de semana chegou como chegam as coisas que a gente não pediu.Sem aviso. Sem escolha.Eu percebi que algo estava errado antes mesmo de Selina perguntar.— Mamãe… — ela puxou minha mão enquanto eu amarrava o cabelo dela. — Por que você e o papai não conversam mais?Meu estômago se contraiu.Selin observava em silêncio, encostado na parede, os olhos atentos demais para uma criança de sete anos.Eles sabiam. Crianças sempre sabem.— A gente só está cansado — respondi, com um sorriso que doeu para sustentar. — Adultos às vezes ficam assim.Selin franziu a testa.— Adultos cansados ainda falam. — disse, simples. — Vocês fingem que não existem.Aquilo me atravessou mais forte do que qualquer acusação de Zayden jamais conseguiria.Passei a manhã inteira com aquilo martelando.Eles me viam evitar o pai. Vi-me contar os passos para não cruzar com ele na casa. Perceberam o silêncio pesado no café da manhã, os jantares rápidos, os “boa noite” ditos sem olhar.E por mais que eu q
Capítulo 150 — Trauma não obedece cronograma
POV LIANNA A última semana depois do ocorrido não tem sido fácil. Percebi que mesmo destruída, o mundo não acabou. E talvez esse tenha sido o pior detalhe. O sol continuou nascendo. As crianças continuaram pedindo café da manhã. O hospital continuou exigindo relatórios. Mas eu… eu virei outra coisa. A primeira noite sozinha no quarto foi um teste. Tranquei a porta. Verifiquei a fechadura. Toquei nela de novo. Uma vez não bastou. Levantei da cama, refiz o caminho, girei a chave até ouvir o clique mais alto possível. Encostei a testa na madeira fria da porta como se isso fosse um escudo. Meu coração não desacelerava. Era como se meu corpo tivesse entendido algo que minha mente ainda se recusava a aceitar: Não é seguro relaxar. Voltei para a cama, mas não dormi. Fiquei ouvindo a casa respirar. Cada estalo parecia um passo. Cada sombra no corredor parecia movimento. Quando finalmente cochilei, acordei com o próprio nome preso na garganta. No banho, foi pior. Tirei a ro