All Chapters of A Esposa Desprezada pelo CEO Terá Gêmeos: Chapter 111
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Isaac ficou olhando para Eric, notando a pesadez em sua expressão. O silêncio se prolongou antes que Eric soltasse o ar dos pulmões em um suspiro cheio de esgotamento.— O que está acontecendo comigo e o que me deixa tão mal é que tudo explodiu, Isaac — confessou Eric, com a voz embargada pela frustração. — Meus pais já sabem da existência dos gêmeos, que eles são meus filhos. Tudo aconteceu muito rápido. Minha mãe veio à empresa e encontrou Bianca lá fora. Elas estavam conversando em uma cafeteria e eu cheguei bem na hora. Minha mãe, sem pensar, disse coisas tão dolorosas para Bianca, e eu sou o culpado por isso ter acontecido. Ninguém tem o direito de decidir sobre as crianças mais do que ela. Bianca esteve presente desde o nascimento deles, enquanto eu a chamei de mentirosa e fui cruel demais. Eu mereço tudo isso que está acontecendo comigo por ser um idiota.Isaac arregalou os olhos, consternado com a revelação. A notícia o pegou de surpresa, e seu olhar se encheu de uma empatia g
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De volta para casa, Julia não conseguia parar de pensar no que havia acontecido na sorveteria. O gesto de Isaac havia sido tão bonito, tão cavalheiresco. Ela sentia um pouco de gratidão e uma pontada de vergonha. O fato de ele ter pago seus sorvetes a fazia sentir-se em dívida, e ela odiava a sensação de não poder se virar sozinha, mesmo que fosse por um imprevisto. O incidente a tinha afetado mais do que ela queria admitir.Finalmente, ao chegar ao apartamento, Julia sentou-se no sofá, ainda com a mente no encontro. As crianças tiraram as mochilas e as abriram em busca de seus cadernos.— Julia, Julia, Julia! — exclamaram de uma vez, com os olhos arregalados.— Acho que temos muita lição de casa — disse Henry, com um beicinho.— Você nos ajuda? — perguntou Olivia, aproximando-se dela com seus cadernos.Julia, que estava perdida em seus pensamentos, olhou para as crianças e se esforçou para sorrir, fingindo que estava tudo bem.— Claro que sim, pequenos. Vamos revisar a lição de casa
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Apesar da tentativa de Isaac de acalmar a situação, as coisas não terminaram ali. Eric, com o álcool correndo em suas veias, continuou a esbravejar.— Além disso, Bianca pensa que eu mandei uns caras matá-la, você percebe, Isaac? Não faz sentido nenhum! — ele rugiu, com a voz pastosa. — Como eu faria algo assim, mesmo que na época a odiasse? Eu jamais poderia enviar alguém para matar ninguém! De verdade, eu não sou esse tipo de pessoa.Isaac, percebendo a gravidade do que seu amigo estava dizendo, tentou silenciá-lo.— Eric, acho que você deveria parar. Pare de dizer essas coisas. Tem muita gente escutando.Ele deu de ombros, desdenhoso.— Eu só estou dizendo o que sinto. Tudo o que aconteceu comigo. Não entendo por que isso seria um problema. Além disso, isso não é da conta de ninguém.Isaac revirou os olhos, sua paciência se esgotando.— Você deveria se acalmar e ser racional. Você está bem complicado. Acho que eu não deveria ter te convidado para beber desta vez, mas eu não sabia q
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Mesmo sabendo que as crianças dormiam tranquilamente, Bianca continuava com uma tempestade na cabeça. Uma avalanche de pensamentos e sensações terríveis a assaltavam. Ela estava em um dilema, debatendo-se entre falar com Eric e chegar a um acordo, e a sensação de que era injusto dar a ele a oportunidade de conhecer as crianças, a quem ele uma vez se referiu como "não-seus". Mas, pensando logicamente, ele não se lembrava de ter passado a noite com ela. Aquele homem havia agido de forma cruel, mas também estava confuso.Ela decidiu fazer uma videochamada para Lorena. Quando a imagem de sua amiga apareceu na tela, ela se sentiu melhor imediatamente.— Olá, Bianca! Como você está? — Lorena a cumprimentou animadamente. — Pensei que você já estaria dormindo a esta hora.— Não consigo dormir — respondeu Bianca. — Como você está, Lorena?— Estou maravilhosa. Conte-me, como as coisas têm ido por aí? Você tem muito trabalho, não deveria virar a noite? Lembre-se que a saúde é o mais importante.
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A menção das crianças fez o coração de Eric acelerar. A esperança que ele sentira pela manhã se intensificou. Ele deixou sua pasta sobre a mesa e se recostou na borda, mantendo-se perto dela, mas respeitando seu espaço.— Estou te escutando — ele começou a dizer, assentindo lentamente. — O que você quer me dizer sobre eles?Bianca tomou coragem. Ela sabia que essa conversa era crucial para o futuro de seus filhos.— Eu pensei muito sobre tudo isso. E... acho que os gêmeos merecem ter o pai.Eric sentiu o ar faltar. Estava ouvindo direito? Depois de toda a dor, a desconfiança, a raiva, ela estava lhe dando uma chance?— Você está... você está falando sério? — perguntou, sua voz quase um sussurro.— Estou falando sério, Eric. — Ela assentiu, com o olhar firme. — Eu não concordo com muitas das coisas que você fez, mas entendi que as crianças não precisam pagar pelos nossos erros. Eles me disseram o quanto anseiam por ter um pai. E eu não posso tirar esse direito deles.A culpa caiu sobre
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Depois de tomar seu café, Bianca percebeu que a hora estava passando e decidiu retornar. Voltou para o escritório de Eric e se sentou em sua mesa, disposta a terminar o que faltava do projeto. Nesse instante, Eric levantou o olhar do trabalho e a observou.— Posso saber por que de repente você está mais acessível quanto à decisão de permitir que eu conviva com os gêmeos? — perguntou, com a voz cheia de uma curiosidade que não conseguiu disfarçar.Bianca levantou a cabeça e o olhou fixamente.— Eu estou fazendo tudo isso por eles, eu já te disse — ela disse, com um tom que não deixava margem para dúvidas. — Quero que eles cresçam com um pai presente, mesmo depois de todas as coisas ruins que aconteceram entre nós. Apesar do quão cruel você foi comigo, eu não quero que eles sofram por meu egoísmo ou pelos erros do passado.Ele assentiu, entendendo.— Quando poderei vê-los? De verdade, eu quero conhecê-los.Ela deu de ombros e suspirou.— Não sei. Sinceramente, não sei. Tenho que encontr
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Um par de dias depois...O telefone vibrou na mão de Julia e seu coração disparou ao ver o nome de Isaac na tela. Ela havia aceitado o convite, mas os nervos a consumiam. O que ela deveria vestir? Que assunto de conversa seria apropriado? Ela, a babá que mal chegava ao fim do mês, e ele, o empresário rico e bem-sucedido. Ela se sentiu uma completa boba. Respirou fundo e atendeu.— Olá, Isaac — ela cumprimentou, tentando fazer com que sua voz soasse tranquila.— Olá, Julia. Espero não estar interrompendo — ele disse, com sua voz profunda e relaxada. — Eu queria saber se você já tem planos para amanhã à tarde. Eu pensei...— Bem... não — ela respondeu, com um pequeno sorriso. — Amanhã é meu dia de folga, um sábado, na verdade.— Perfeito. Você gostaria de tomar aquele café de que falamos? Ou, se preferir, podemos ir jantar.Julia pensou por um momento. Um café era menos formal, mas um jantar soava mais romântico. Ela sentiu uma pontada de emoção.— Um jantar parece bom — ela declarou, s
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Eric saiu disparado da mansão, o eco de sua voz ainda ressoando em seus ouvidos. Ele entrou em seu carro e pisou no acelerador, sentindo uma fúria crua e poderosa que o consumia. Durante o caminho, pensou em ligar para Isaac, seu amigo de sempre, para desabafar. Mas ele se conteve. Não queria incomodá-lo. Só queria ficar sozinho. Sozinho, com o peso da raiva e do ressentimento.Assim que chegou ao seu apartamento, sentiu que tudo ao seu redor era uma pressão. Apesar de ser um adulto, de ter seu próprio dinheiro e seu próprio poder, ele odiava que seu pai continuasse dando ditames sobre sua vida, sobre o que devia ou não fazer. A autoridade de George parecia uma sombra que cobria tudo. Isso o fazia se sentir impotente, como se não pudesse tomar uma única decisão por si mesmo.Ele desabou no sofá, com a cabeça entre as mãos, sentindo a frustração. Seu pai havia sido o autor de suas piores decisões, e agora queria continuar controlando-o. Sua vida, naquele momento, parecia uma farsa. Ele
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Quando voltaram do hospital, o silêncio no carro de Bianca era pesado e denso, um pouco de cansaço e tensão. Ao chegar ao apartamento de Eric, ela o ajudou a entrar. O apartamento, agora limpo de toda aquela bagunça, graças ao serviço de limpeza que ele havia chamado antes de sair, ainda conservava o cheiro de desastre. Ela o acompanhou até a sala, e nesse momento, decidiu que era hora de ir embora. Ela tinha as crianças esperando em casa, e esta noite já havia durado demais.— Eu vou embora. Você está bem, e essa é a única razão pela qual eu estou aqui — ela soltou, com a voz firme.Ela se virou e se dirigiu à porta, mas justo quando estava prestes a sair, a voz rouca dele a deteve.— Espere.Eric a deteve pelo antebraço. Ela se virou e percebeu que ele a havia guiado a um quarto, o dele. O lugar estava um pouco mais escuro, com a única luz do abajur. Bianca sentiu um arrepio de alarme. O desejo no olhar de Eric era palpável, uma injeção de algo que a deixava nervosa.— Por que você
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Bianca ainda se sentia estúpida. Ter ido ao apartamento do ex-marido e a noite que se seguiu a faziam sentir-se terrível. Naquela noite, em sua cama, ela disse a si mesma repetidamente: "Você é uma boba, Bianca. Você não precisava fazer isso. Você podia ter parado, mas não o fez. Você caiu de novo. De verdade, não sei o que estava pensando". Ela repetia as palavras, bastante afetada por tudo o que havia acontecido.Na manhã seguinte, quando acordou, não queria sair da cama. Estava exausta. Ficou olhando para o teto antes de se levantar, sua mente se encheu novamente com as imagens da noite anterior. Ela bufou. Não queria continuar se torturando com a lembrança, mas, infelizmente, os pensamentos continuavam presos em sua cabeça. Prometeu a si mesma que uma situação como aquela não se repetiria, mas sabia, no fundo, que falharia, que cairia de novo.Finalmente, levantou-se da cama, dando-se ânimo. Olhou-se no espelho, notando como estava abatida. Seus olhos não brilhavam. Não queria que