All Chapters of A Esposa Desprezada pelo CEO Terá Gêmeos: Chapter 101
- Chapter 110
160 chapters
101
Bianca ficou sozinha no silêncio frio do quarto de hospital, o eco das palavras de Eric ainda ressoando nas paredes. Ela se sentou na cama, com o coração batendo forte no peito. O ambiente estava pesado, não pela doença, mas pela fúria contida que havia explodido e pela promessa que Eric deixara flutuando no ar. "Isso será apenas o começo", ele tinha dito. A ameaça era tão tangível quanto o ar que ela respirava.Ela levou uma mão à testa, sentindo o calor do resfriado. Sua cabeça ainda girava, mas sua mente estava em um tumulto de pensamentos. A visita inesperada de Eric havia reaberto feridas antigas que ela pensava estarem cicatrizadas, e agora, a pior de todas, a existência dos gêmeos, havia vindo à tona.As lágrimas de raiva e impotência que ela havia contido na frente dele finalmente escaparam, embaçando sua visão. Não eram lágrimas de tristeza, mas de fúria. Fúria por ele se atrever a aparecer novamente em sua vida, por ele se atrever a pedir o que não tinha o direito de pedir.
102
Bianca passou um longo tempo na cozinha, com a mente divagando na receita de lasanha que estava prestes a preparar. Embora quase nunca a fizesse, ela se lembrava perfeitamente de cada passo, de cada ingrediente. Era um daqueles pratos que os gêmeos amavam, e, como não tinha ido trabalhar, decidiu que era o momento perfeito para mimá-los. Com um avental amarrado na cintura, ela juntou a carne moída, as folhas de massa, o molho de tomate e o cremoso queijo muçarela, e pôs as mãos na massa.O aroma da lasanha assando encheu o apartamento. Um pouco antes da tarde, ela ouviu o barulho da porta se abrindo.— Mamãe, você está aqui! — A voz de Henry ecoou no corredor, cheia de surpresa e alegria.— Mamãe! — repetiu Olívia, correndo em direção a Bianca com os braços abertos.Bianca se virou, sorrindo, e deixou a colher de pau na panela. Os gêmeos se jogaram sobre ela, abraçando-a com força. O calor de seus pequenos corpos a encheu de uma felicidade que não podia ser comparada a nada.— Sim, me
103
Isaac, ao notar o tremor nas mãos de Júlia e o olhar perdido em seus olhos, soube que deveria parar. Ele não era um especialista nessas situações, mas a lógica lhe dizia que não podia simplesmente continuar dirigindo como se nada tivesse acontecido. Ele parou ao lado da estrada, com as luzes do carro iluminando a escuridão.— Você está bem? Qual é o seu nome? — perguntou de novo, sua voz agora mais suave, menos dura.Ela o olhou, seus olhos azuis cheios de um medo persistente.— Meu nome é Júlia. O que aconteceu me deixou bastante assustada. Eu sempre passo por essa mesma rua nessa mesma hora, às vezes um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, mas nunca havia me acontecido algo assim. Na verdade, sei que devo ter mais cuidado e, se não fosse por você, não sei o que teria acontecido. Mas... como você conseguiu me ajudar?Isaac sorriu. Um sorriso genuíno, caloroso, que não chegava aos seus olhos cinzentos, mas que deu a Júlia uma sensação de segurança.— O importante é que você está bem.
104
Depois, entre beijos e carícias, eles se deixaram levar pelo momento, pela paixão que os invadiu.Uma noite inesquecível para ela.Júlia abriu os olhos, sua mente ainda envolta na névoa do que havia acontecido.Ao seu lado, Isaac estava acordado, olhando para ela com uma serenidade que a fez se sentir vulnerável. A vergonha, um sentimento que ela nunca havia experimentado, a invadiu.— Isaac... — ela sussurrou, sua voz mal audível no silêncio.— Sim? — ele quis saber, sua voz calma e profunda.— Conte-me um pouco sobre sua vida — ela o encorajou, na esperança de que a conversa pudesse aliviar sua vergonha. — Quero saber mais sobre você.Isaac ficou em silêncio por um momento. Em vez de responder, ele se virou para ela e disse com uma voz suave: — Quero saber sobre você primeiro.Ela admitiu que não tinha mais família, que seus pais haviam falecido, e que estudava para ser enfermeira. Explicou que trabalhava cuidando de gêmeos como um meio de se sustentar, e que as crianças haviam se t
105
O ar fresco da cidade atingiu o rosto de Júlia, e de repente ela estava completamente consciente de tudo o que havia acontecido: sua ousadia, sua decisão, sua noite com Isaac. Jamais pensou que seria capaz de dizer sim, e muito menos de se arriscar com o primeiro homem que apareceu em seu caminho. Ela olhou para o relógio. Tinha tempo suficiente para ir ao seu apartamento, se trocar e chegar a tempo de buscar os gêmeos e levá-los para a escola.Quando chegou ao apartamento, Bianca ainda estava lá, terminando de arrumar as crianças. O olhar dela encontrou o de Júlia e ela deu um sorriso.— Bom dia, Júlia. Você já está aqui.Júlia retribuiu a saudação com um aceno de cabeça. As crianças também a cumprimentaram com entusiasmo. No entanto, algo no semblante de Júlia não estava certo. Bianca, acostumada com sua alegria habitual, notou imediatamente que sua babá não parecia contente nem animada.Antes que Júlia pudesse levar os gêmeos, Bianca a deteve com uma pergunta suave e direta.— Júli
106
O encontro com Jackeline Harrington pareceu um golpe no passado. De alguma forma, as duas acabaram na cafeteria da companhia, sentadas uma de frente para a outra com um silêncio desconfortável entre elas. Jackeline, a mulher que um dia foi sua sogra e que acreditou sem hesitar na infidelidade de que a havia acusado, agora a olhava com uma expressão cheia de surpresa e algo parecido com curiosidade.Bianca sustentou o olhar por um momento, sentindo-se incapaz de dizer uma palavra. Foi Jackeline quem quebrou o silêncio com uma pergunta que a pegou de surpresa.— Como estão seus pais, Bianca?A pergunta a paralisou. Seus pais? Ela não sabia onde estavam, não tinha notícias deles há muito tempo. Seu olhar se perdeu na xícara de café quente que tinha em suas mãos. Ela tomou um gole da bebida, o calor reconfortante em sua garganta, antes de voltar a olhar para a mulher.— Eu não sei. Não saberia dizer onde estão meus pais. Não tenho comunicação com eles há muito tempo. Além disso, qual é o
107
O elevador subiu em um silêncio tenso e pesado. O ar parecia ter ficado mais denso, e os três ocupantes o sentiam. A fúria de Jackeline era um fogo frio que ardia em seus olhos, enquanto a angústia de Bianca era um medo silencioso que se manifestava no tremor de suas mãos. Eric permaneceu de pé, imóvel, com o olhar fixo nas portas de metal, a mandíbula tensa.O "ding" do elevador ressoou com força ao chegar ao último andar, e as portas se abriram para revelar o imponente escritório de Eric. Era um espaço amplo.Eric empurrou os dois para dentro.— Aqui podemos conversar sem um público para desfrutar do seu circo, mãe.Jackeline se recompôs, seus saltos ressoando com força no chão de mármore.— Não fale assim comigo, Eric. E eu não vou permitir que você me culpe. Quero saber de tudo. Agora.Ela se virou para Bianca, que permanecia de pé, pálida e em silêncio.— Você. Diga-me a verdade. O que você estava pensando? Por que escondeu isso do meu filho?— Mãe, chega! — Eric se interpôs, fic
108
Quando Bianca saiu do edifício, sentiu que os olhos de todos a seguiam. O corredor, que antes lhe havia parecido apenas um caminho para a saída, parecia um palco. Os funcionários, com a desculpa de voltarem aos seus postos, lançavam olhares indiscretos e sussurros que a atingiam como adagas.— Eu te disse, é ela — sussurrou uma voz, clara no silêncio dos outros.— Não pode ser, como ela se atreve a trabalhar para o ex-marido? — respondeu outra, seu tom cheio de desprezo.Bianca engoliu em seco, cerrando a mandíbula. Ela já sabia o que diriam, o que julgariam. Um caso, um drama corporativo. Ninguém saberia a verdade, e não importaria. Sua história era apenas mais uma fofoca para eles. Ignorando a todos com uma dignidade que mal conseguia manter, ela abriu caminho até a porta principal e saiu.Assim que entrou no carro, as emoções que havia reprimido explodiram. Ela bateu no volante com o punho fechado, repetidamente, enquanto as lágrimas de raiva se acumulavam em seus olhos.— Você é u
109
Após o confronto, Eric foi embora, deixando para trás um silêncio que dizia tudo. George, seu pai, sentou-se no sofá, ainda com o rosto vermelho de fúria. Ele olhou para Jackeline, seus olhos gélidos como gelo. A calma que ela tentava projetar não o enganou.— Você sabia de tudo isso — disse George, sua voz baixa e perigosa. — Você não demonstrou surpresa alguma. Você sabia, não é?Jackeline olhou-o nos olhos, sem piscar.— É claro que eu sabia. Mas acabei de descobrir hoje. Por isso não te contei. Não te disse porque sabia como você ia reagir.O rosto de George se contorceu em um gesto de traição.— Então era isso que você estava escondendo. Foi por isso que você chegou com aquela cara, toda preocupada. Agora que eu sei, não posso acreditar. Eu realmente não vou aceitar esses gêmeos.— Você deveria aceitá-los — respondeu Jackeline, sua voz pragmática e fria. — Afinal, são seus netos. Não concordo que ela tenha feito as coisas dessa maneira, mas sejamos sinceros. Essa moça jamais ment
110
A acusação de Bianca havia deixado Eric completamente consternado. Ele não conseguia acreditar na gravidade do que ela estava dizendo. Sentia-se profundamente confuso, incapaz de entender por que ela o acusava de ter tentado matá-la.— Do que você está falando, Bianca? — perguntou, com a voz cheia de uma frustração genuína. — Por que você diz algo tão sério? Algo que eu, sinceramente, jamais faria.Bianca soltou uma risada sarcástica e amarga, recuando um passo. Cruzou os braços e o olhou fixamente nos olhos, com a fúria ardendo em seu olhar.— Agora você vai se fazer de desentendido, Eric? — disse com desprezo. — Não me diga que também esqueceu o que fez.A insistência dela o encheu de impotência. Ele não entendia por que ela se apegava a algo que ele não havia feito.— Eu não fiz isso, juro que não mandei te matar — ele insistiu. — Explique-me. Diga-me como você pode ter tanta certeza disso. Eu nem sequer sei ao certo do que você está falando.A raiva de Bianca se intensificou ao ou